Edmund Wilson e os chatos da literatura | Digestivo Cultural

busca | avançada
68733 visitas/dia
2,4 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Exposição Negra Arte Sacra celebra 75 Anos de resistência e cultura no Axé Ilê Obá
>>> Com Patricya Travassos e Eduardo Moscovis, “DUETOS, A Comédia de Peter Quilter” volta ao RJ
>>> Op-Art – Ilusão e Inclusão na Galeria Espaço Arte MM
>>> Grupo Nós do Morro abre Oficina de Artes Cênicas com apresentação da Cia. TUCAARTE
>>> Livia Nestrovski & Fred Ferreira
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
>>> Suicide Blonde (1997)
>>> Love In An Elevator (1997)
>>> Ratamahatta (1996)
>>> Santo Agostinho para o hoje
>>> Uma história da Empiricus (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> 10 grandes
>>> O gênesis na argila
>>> O pensamento biônico
>>> YouTube, lá vou eu
>>> A Carmen Miranda de Ruy Castro
>>> Então, foi Natal
>>> Oblomov, de Ivan A. Gontcharov
>>> É Julio mesmo, sem acento
>>> O acerto de contas de Karl Ove Knausgård
>>> A vida do livreiro A.J. Fikry, de Gabrielle Zevin
Mais Recentes
>>> Lideranca Zapp! A - Estratégias Para Liderar Organizações Através de equipes energizadas de Jeanne M. Wilson- William C. Byham pela Campus (1995)
>>> Teoria Geral Do Direito de Norberto Bobbio pela Martins Fontes (2011)
>>> Ação Psicopedagógica Da Sala De Aula. Uma Questão De Inclusão de Márcia Ferreira pela Paulus (2001)
>>> Em Nome Da Princesa Morta de Kenize Mourad pela Globo (1988)
>>> Introdução À Física Nuclear de K. C. Chung pela Eduerj (2001)
>>> Manual De Técnicas. De Dinâmica De Grupo, De Sensibilização, De Ludopedagogia de Celso Antunes pela Vozes (1997)
>>> Saber Ver A Arquitetura de Bruno Zevi pela Martins Fontes (2009)
>>> Planejamento Descomplicado de Richard S. Sloma pela Círculo do Livro (1989)
>>> Os Conspiradores: Atentado Contra o Fuhrer - coleção Renes de Roger Manvell pela Renes (1974)
>>> Ensino De Astronomia Na Escola de Marcos Daniel Longhini (org.) pela Átomo (2014)
>>> Os Três Primeiros Anos Da Criança de Karl Konig pela Antroposófica (2011)
>>> Não Brigue com a Catalogação! de Eliane Serrão Alves Mey pela Briquet de Lemos (2003)
>>> Na Margem Do Rio Piedra Eu Sentei E Chorei de Paulo Coelho pela Rocco (1994)
>>> Dirt Music de Tim Winton pela Macmillan Pub Ltd (2002)
>>> Autismo, Linguagem E Educação de Sílvia Ester Orrú pela Wak (2012)
>>> Notação De Dirac - para quem tem pressa em aprender mecânica quântica de Nonato Reis pela Livraria Da Fisica (2019)
>>> Candide (dover Thrift Editions) de Voltaire pela Dover Publications, Incorporated (2016)
>>> Cantos Erectos de Ricardo Máximo. pela Uape (1999)
>>> Por Que Sonhamos? A Psicologia Do Sonho de Lannoy Dorin pela Jurua (2015)
>>> Pregador Eficaz de Elienai Cabral pela Cpad (1981)
>>> A Universidade Crítica o Ensino Superior na Republica Populista de Luiz Antonio Cunha pela Unesp (2007)
>>> Lady Chatterley's Lover (modern Library Classics) de D.h. Lawrence pela Modern Library (2001)
>>> Ateneu: Crônica De Saudades, A de Raul Pompeia pela Ftd (1992)
>>> Mecânica Quântica de Waldemar Wolney Filho pela Ufg (2002)
>>> Um Minuto Para Mim de por Spencer Johnson (Autor) pela Record (1997)
DIGESTIVOS >>> Notas >>> Literatura

Quarta-feira, 3/2/2010
Edmund Wilson e os chatos da literatura
Julio Daio Borges
+ de 6300 Acessos
+ 8 Comentário(s)




Digestivo nº 452 >>> Chatos literários sempre existiram. O problema é que, com a internet, eles ampliaram seu alcance. Esteja on-line, e mostre algum interesse por literatura, para receber spams de "originais" por e-mail, indicações de blogs literários de poesia (com rima) e até livros ruins de autores independentes (pelo correio). Chatos são inventivos e, em matéria de tecnologia, engrossam a massa implorando atualmente por atenção. De súbito, porém, um "aviso" do crítico norte-americano Edmund Wilson (1895-1972), um dos mais célebres do século passado, circulou a partir do blog de Timothy Ferriss. Nele, percebemos que os chatos literários são antigos, e vêm importunando a crítica, com seus pedidos, há décadas (apesar de, sempre publicamente, desfazerem dela). Está escrito em letra de forma: "Edmund Wilson lamenta ser impossível para ele...". Seguido de uma lista das mais inoportunas solicitações literárias de todos os tempos: "Ler manuscritos". Wilson não procurava ter novos "gênios" à vista. "Escrever artigos sobre livros". Também: "Escrever prefácios e apresentações". "Emitir pareceres [favoráveis]". E, para completar: "Fazer qualquer tipo de trabalho editorial" (leia-se: envolvendo livros). Mais adiante: "Participar de concursos literários [julgando obras]". "Tomar parte em congressos de escritores". E, para encerrar: "Participar de simpósios ou 'painéis' de qualquer sorte". Em seguida: "Fazer palestras ou discursos". "Dar cursos". Ou, pior: "Falar no rádio [sobre literatura] ou aparecer na televisão". Na sequência: "Responder a questionários [sobre literatura]" (para estudantes que não querem fazer sua lição de casa). E, radicalizando: "Dar entrevistas". Edmund Wilson também dizia ser-lhe "impossível": "Doar seus livros para bibliotecas". E (item polêmico): "Dar autógrafos a desconhecidos". Por último, Wilson jamais poderia: "Fornecer informações sobre si mesmo". E "fornecer retratos de si mesmo". Se ainda restasse alguma dúvida, o último item: "Fornecer opiniões sobre literatura ou outros assuntos". Com um adendo, manuscrito (e assinado): "Não falo em público mesmo se me oferecerem uma grande soma". Edmund Wilson, se ainda vivesse, não teria celular, nem e-mail... Dois anacronismos que, se aplicados a chatos literários, deixam-nos hoje em dúvida...!
>>> Edmund Wilson regrets that it is impossible for him to...
 
Julio Daio Borges
Editor
Quem leu esta, também leu essa(s):
01. O negócio do livro eletrônico, por Jason Epstein (Literatura)


Mais Notas Recentes
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
3/2/2010
15h26min
Mas os literatos nem sempre. Tem chato de galocha em todo lugar. Especialmente aqueles que se chateiam. Chato também é aquele que chateia outro chato. E chato é prá de chateação! Lembro-me de dois chatos da década de 80/90, que a todos chateavam por não serem considerados literatos. Ambos passaram mais de cinco anos chateando, e nesta chatice eu citaria Paulo Coelho e Mônica Buonfiglio como exemplos. Paulo conseguiu sua primeira edição que tocou o Alquimista Collor de Melo, que declarou estar lendo tal livro, ele, o presidente. Céus, foi uma bomba, para acionar o mago marqueteiro, os resultados os chatos já conhecem. Com Mônica Buonfiglio, os chatos não perdoaram e ela montou com seu pai a própria editora para a chateação de muitos chatos. E este chato que vos chateia, precisou de muito mais, para não ser chateado, mas continuar a ser um chato aos chateadores tão chateados. Pois é, a littera atura o que para muitos é apenas chatice. Não é fácil ser um Bonsai, eles gostam de brilhar.
[Leia outros Comentários de Celito Medeiros]
4/2/2010
04h03min
Hehehe, gostei desse texto. Eu não gosto de chatos literários na medida em que não gosto de pentelhar quem quer que seja. Quando percebo que estou chateando alguém, começo a me sentir péssimo - e sumo! O que tem valor não precisa ser forçado, empurrado. Irá prevalecer de um jeito ou de outro. Que o diga o baú do Fernando Pessoa... Abração!
[Leia outros Comentários de yuri vieira]
4/2/2010
06h44min
O chato de galocha declarado: Eu escrevia sem pretensão de ser escritor, mas, certa vez, apareceu um chato em minha casa e, remexendo em meus rascunhos, este amigo, chato ou não, disse que eu tinha o dom da criatividade e passou a me incentivar a dar continuidade à obra! Como na época eu não dispunha de muito tempo, passei a comentar e importunar outros amigos pedindo sugestões; mas não parei por aí: após terminar a obra passei a importunar as editoras para fazerem uma avaliação dela, e depois de muito custo, chatices e engodos, meu primeiro livro foi publicado, então voltei a importunar meus amigos, vizinhos e conhecidos para comprá-lo! Até que, há poucos dias, recebi um e-mail do Digestivo Cultural; divulgando o sorteio de livro: e como sou um escritor chato com mania de leitura, pretendo concorrer ao livro, e oferecer uma de minhas obras para sorteio, caso consigam conviver com tamanha chatice! Mas depois de toda esta chatice, aproveito para deixar meu exemplo de paciência.
[Leia outros Comentários de João Cirinio Gomes]
4/2/2010
17h01min
O chato literário nada mais é que um dos representantes mais expressivos do que eu sempre chamei de "o chato cultural" - aquele que, em palestras (na hora aberta às perguntas), cita pelo menos 7 referências - uma a uma; que, em eventos musicais, debate sobre "a música enquanto fenômeno..." - e por aí vai. Ninguém merece esses tipos em sua vida!
[Leia outros Comentários de Cássia]
4/2/2010
22h42min
Esse que você, Cássia, chama de "chato cultural" vai um pouco além do "chato literário", que ao menos produz alguma coisa. O "chato cultural", que eu chamo de "culturaholic" (procure meu conto no Google, "O Culturaholic"), é uma figura ainda mais cabotina e irrelevante, porque crê possuir um conhecimento universal e nunca cria nada. É apenas um chato dotado dum conhecimento variado e presunçoso, sem qualquer unidade, a qual é a irmã da universalidade... ;-)
[Leia outros Comentários de yuri vieira]
7/2/2010
13h13min
Muito chato o texto do Julio, mas redondamente bom. Era necessário que alguém tocasse nessa questão (a do "chato literário"). Julio foi no cerne dela. Cássia e Yuri aludem pertinentemente ao caso do "chato cultural" ou "culturaholic". Sou um tipo de "culturaholic", pois nada crio; só com uma diferença: minha cultura universal é paupérrima. Falo sem modéstia. Mas, devido ao interesse que tenho pela leitura, esporadicamente me chegam, de pessoas conhecidas, livros de contos, de poesias, romances e até de História para que eu comente. Como em nada disso sou autoridade, isso eu alego, mas há sempre os insitentes por uma opinião. Aí é onde está o problema: se disser que não gostei, é a vez do chato ser eu; se disser o contrário, posso não estar sendo muito sincero. Que fazer?
[Leia outros Comentários de Pedro C. de Melo]
7/2/2010
18h56min
Antes de descrever o chato, devo dizer que o elegante nunca é chato, o famoso nunca é chato. Um cara mal vestido tentando assinaturas contra a matança de ratos não conseguiu uma só, dias depois o mesmo cara, bem trajado e no mesmo lugar, fez nova tentativa, conseguiu centenas de assinaturas, viram a diferença? Não mudei o assunto, é só para dizer que em todos os seguimentos é a mesma coisa. Às vezes um escritor que não tem a quem recorrer, tem mesmo que ser chato. É extremamente fácil uma pessoa que tudo caiu de paraquedas e no colo, dar certo, aí fica achando todo mundo um chato. Vejo escritores famosos chatos, mas ninguém ousa a chamar de chato. No Brasil tem um nordestino que é um mala, passou de chato e todo mundo acha o máximo. Quem já foi chato, tem mesmo é que ajudar o chato da vez.
[Leia outros Comentários de Candido Rubim Rios]
25/2/2010
12h00min
Resumo do texto do Ed Wilson: "não me chateiem com o tema sobre o qual escrevo, porque sou importante demais para perder tempo com o entorno da crítica literária (palestras, midia, estudantes)..." Além de gênio, um arrogante. Muito chato isso.
[Leia outros Comentários de SLeo]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Um Dia De Cão
Jim Dratfield
Bertrand Brasil
(2002)



Gerenciar a Inovação: um Desafio para as Empresas
Dalcio Reis e Outros
Iel
(2010)



Livro A Única Mulher
Marie Benedict
Planeta
(2019)



Livro Os Três Coelhinhos
Maria Celia Montagna de Assumpçao
Anglo
(2007)



A Dama da Internet
Rircado Amaral; Neville D'Almeida
Casa Da Palavra
(2012)



A Turma da Jardineira Em - o Vale dos Dinossauros - Outras Terras Out
Thomas Brezina
Ática



Terremotos e Vulcões - Meu Primeiro Atlas
Edelbra
Edelbra



Silverlight 2 Em Ação
Chad A. Campbell e Outro
Alta Books
(2009)



Suzanne et les Jeunes Hommes
Georges Duhamel
Mercure de France
(1977)



Box 360 biologia
Ftd
Ftd





busca | avançada
68733 visitas/dia
2,4 milhões/mês