O que mais falta no mundo hoje é honestidade. A mentira, a omissão impera em um mundo hipócrita e sem sentimentos.
Honestidade não é crime. Falar a verdade, com todos com um pé atrás, é difícil, mas aos poucos, se tentarmos, a coisa melhorará.
Um pai espera honestidade do filho, e um filho espera o mesmo do pai. Esconder problemas, aflições e defeitos, e pior, omitir de apontá-los, gera este mundo de esconde-esconde que vivemos.
Ou seja, carecemos de opiniões reais. Ninguém tem coragem de dizer o que pensa, sente ou acha para ninguém.
A desculpa é polidez, a educação, o respeito, ou o nome que você quiser dar para justificar seu medo de enfrentar uma situação de frente.
Às vezes a desculpa toma outra forma, seria o que chamamos de jogo de interesse.
Chega disso! Precisamos começar a ser mais leais aos nossos sentimentos e nossas opiniões, e conscientizarmos-nos que, caso criticados, não somos piores ou melhores, simplesmente existem outros pontos de vista.
O que fazer com a critica é outro passo, que deixo para os psicólogos.
Um dos jornalistas mais famosos do Brasil, Paulo Francis em uma de suas declarações colocou que "Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isto na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado".
Contestar, apontar, problematizar deveria ser tarefa diária do professor, do pai, do chefe, do amigo, e principalmente do jornalista.
Para crescer é necessário compreender (não sei se chegaremos a entender) o mundo em suas várias formas, observar que existe o diferente, e que há não melhor ou pior, mas sim outro ponto de vista.
Bons negociadores, antes de uma grande disputa, reúnem sua equipe e fazem um brainstorm onde a regra é clara: pode se fazer qualquer sugestão para solucionar o problema e, no começo, não vale criticar as sugestões.
À primeira vista o parágrafo acima é contraditório com a linha de raciocínio do texto, mas não é.
Isto porque a primeira parte do exercício mental é justamente contestar a idéia, para, no segundo momento, criticar e escolher qual é a melhor entre as tantas que vieram.
É importante dar voz ao pensamento, mas é ainda mais importante ter senso crítico.
Hoje, observa-se uma mídia sem crítica, sem voz, em cima do muro que, conforme Paulo Francis já ensinou, é um desrespeito com o leitor, ouvinte ou espectador.
Observa-se, também, uma sociedade sem crítica, sem movimento, sem entusiasmo, mas o que precisamos é mudar nas pequenas coisas, nas pequenas atitudes, como, por exemplo, quando alguém lhe perguntar tudo bem, só responda que sim se for verdade.
Acho que deveríamos começar uma campanha de cultuarmos a honestidade. Grande jeito de sermos uma sociedade menos hipócrita. Para dar o exemplo, eu vou começar:
"adoro receber críticas".
Eu me esbaldo lendo as críticas de cinema de não-críticos; me divirto imensamente lendo as impressões que um livro causa nos não-literatos; e o mesmo com a política, com a música. E opinião é algo bonito. O cinema não é produzido para cineastas, tampouco a literatura para literatos; de modo que ler num blogue as reverberações do autor sobre Shopenhauer é uma chance única de acesso a um tipo de opinião crua, sem gatekeepers editoriais. A crítica sem critério é valiosíssima. É como uma pesquisa de opinião voluntária.
Acho que as pessoas devem além de ler, escrever mais. Eu mesmo, aqui, acostumado a postar nada mais que opinião, já fui muitas vezes mal compreendido por leitores que ainda enxergam tudo com um olhar meio ditador; e não as culpo, é herança cultural esse negócio de que opinar é perigoso.(trecho de um post meu, que não coube todo aqui. Você tem toda razão. Depois do medo de opinar, vem o medo de pensar, e aí não tem mais volta. Abraço.)
A natureza é cheia de exemplos de presas e predadores, não vejo nenhuma crueldade nisto; o leão se alimenta do antílope e não é mau. Ele é selvagem. Esta é a sua natureza. Quando vejo homens, individualmente ou em grupos, comunidades ou o que seja, penso qual seja a sua natureza? Vejo gente explorada e "honesta", privada de oportunidades e "honesta"; e questiono o que seja honestidade? Individualmente e em grupo, que comportamento a nossa sociedade fomenta, endossa? Quem são os exemplos de honestidade? Quantos são? E o oposto? Preciso saber do quanto de maniqueísmo está implícito nesta necessidade de não enxergar esta situação tão real da evolução de valores. Falo da dinâmica apenas, não discuto méritos. A nossa noção geral de honestidade está enfraquecida por um senso de oportunidade e os nossos valores atuais são os de resultado. Ainda que não sejam valores gerais; mas presentemente é o que se destaca. Talvez este não seja mais um mundo bom, mas bondade, já é uma outra virtude...
Honestidade significa ter honradez, mormente no que concerne à palavra e às relações jurídicas. Assim, o honesto só quer o que é seu, não mente, repudia a malandragem, a “esperteza” de querer levar vantagem em tudo. Se a praga da desonestidade se instalar nos órgãos públicos, estes se convertem no grande “buraco negro” da riqueza popular. E a nação, sobretudo se em regimes totalitários, estará fadada a um subdesenvolvimento sem fim. Daí você ter razão em desejar tão veementemente o império da honradez. Mas, propugnar pela sinceridade absoluta, é lutar por uma utopia desnecessária(e indesejável). Nem toda verdade é necessária que se diga. Há até um adágio oriental que diz: “é melhor a mentira que beneficia do que a verdade que prejudica”; evidentemente ele se refere à franqueza rude, que machuca sem construir. Do berço ao túmulo, a vida social repousa no “fingimento”, porque seria absolutamente anti-social alguém morbidamente franco.
Ótimo texto. Realmente, ser honesto, hoje em dia, infelizmente, é ser também taxado, muitas vezes, de mal educado, rude ou crítico, como se esse último adjetivo fosse pejorativo. O que a sociedade precisa é ter a consciência de que a honestidade e a crítica não têm a finalidade de depreciar quem se critica, mas sim o desenvolvimento mental, profissional e pessoal do criticado. Sejamos mais críticos, logo, mais verdadeiros!
(Do poeta Gonzaguinha: até com tempo ruim se dá bom dia.) Aprendi cedo que crítica é procedimento que investiga em profundidade expressão e forma, arte e meio. Não se espere da crítica que agrade. A crítica aponta falha, erro, inexistência de conteúdo, defeito de forma. Experimente deletar uma biblioteca de programa de seu computador e fazê-lo funcionar.
Aquela tela inicial vai continuar preta cobrando a presença prevista. É como padaria: anuncia pão quente, você comparece às seis da manhã e às seis da tarde e encontra. E isto que pão só alimenta o corpo... Imagina o que se prometa ao espírito. Não carece sequer de publicidade, basta imprimir em página, cd, dvd, fita, palco ou chão de rua. Apresentar-se ao público é expor-se a este e, por conseqüência, enquanto a caravana passe, a crítica existirá. Outra coisa é a pessoa adentrar o terreno da crítica sem conhecimento. Inverte-se aí o conceito. O público aplaude, a bilheteria estoura e àquela pessoa restará o espelho...
Ótimo texto, parabéns. Muito apropriado para a época que estamos vivendo. Sugiro uma maior divulgação, para que um maior número de pessoas possa refletir e se questionar a respeito.
Bom... Acho que tem vezes que a mentira é um mal necessário... Como falar para uma pessoa que ela está com um bafo horrível e que deveria escovar os dentes? Como dizer para uma pessoa que o sapato não combina nem de longe com o estilo de roupa que está usando? Acredito que a tão citada "educação" deva imperar... Não há necessidade de ser "impolido" (se é que essa palavra existe) só para que você possa expressar o seu ponto de vista. Por outro lado, é de minha convicção que todos devam ser verdadeiros no sentido de não esconder os seus sentimentos, angústias e vontades, principalmente com relação a seus amores, porque não acho justo fazer o outro de palhaço enquanto não se sabe o que quer da vida... aliás, típico de homem (desculpa a agulhada, pessoal hahahha) ou com suas ambições no trabalho. Acho que a conversa é a base de tudo! Por fim, parabenizo o autor do artigo por sua transparência com relação à sua ânsia por críticas.