Amor à segunda vista | Alessandro Garcia | Digestivo Cultural

busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Instalação DE VER Cidade - Brasília Numa Caixa de Brincar celebra o aniversário da capital
>>> CCBB Brasília é palco para “Amazônia em Movimento”, com o Corpo de Dança do Amazonas
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Layon pinta o silêncio da cidade em quarentena
>>> A crise dos 28
>>> Mulheres fantásticas e futuristas
>>> Eu, tu, íter...
>>> Conversa de pai e filha
>>> Choro da verdade
>>> Tempo vida poesia 2/5
>>> Passado, presente e futuro das mídias sociais, por Erik Qualman
>>> Leitura-tartaruga
>>> A volta do cavalheirismo
Mais Recentes
>>> Manual de processo penal de Amauri Renó do Prado pela Juarez de Oliveira (2003)
>>> Mecânica Dos Solos E Suas Aplicações - Volume 3 de Homero Pinto Caputo pela Ltc (1987)
>>> O Sobrevivente: Memórias de um brasileiro que escapou de Auschwitz de Aleksander Henryk Laks; Tova Sender pela Record (2001)
>>> A Economia Da Informação de Hal R. Varian; Carl Shapiro pela Campus (2003)
>>> O Príncipe Da Privataria de Palmério Dória pela Geração (2013)
>>> Os Segredos De Uma Encantadora De Bebês de Tracy Hogg pela Manole (2002)
>>> When You Reach Me de Rebecca Stead pela Yearling (2009)
>>> An Outline History Of European Music de Michael Hurd pela Music Sales America (2008)
>>> Historia Concisa Do Brasil de Boris Fausto pela Edusp (2001)
>>> Misteriosa Sociedade Benedict de Trenton Lee Stewart pela Galera Record (2024)
>>> Universidade Pública E Democracia de Joao Carlos Salles pela Boitempo (2020)
>>> Colonialismo E Luta Anticolonial de Domenico Losurdo pela Boitempo (2024)
>>> A Difícil Democracia. Reinventar As Esquerdas de Boaventura De Sousa Santos pela Boitempo (2016)
>>> Atualidade Histórica Da Ofensiva Socialista de Istvan Meszaros pela Boitempo (2010)
>>> Capitulo VI - Manuscritos De 1863-1867 de Karl Marx pela Boitempo (2022)
>>> Amazônia De Euclides: Viagem De Volta A Um Paraiso de Daniel Piza pela Leya (2010)
>>> Autocompaixão de Kristin Neff pela Lúcida Letra (2017)
>>> O Melhor De Carmen Da Silva de Carmen Da Silva pela Editora Rosa Dos Tempos (1994)
>>> A Vida Mentirosa Dos Adultos de Elena Ferrante pela Intrinseca (2020)
>>> Introdução À Linguística I: Objetos Teóricos II Principios de análise de José Luiz Fiorin pela Contexto (2008)
>>> A Curiosa História Do Editor Partido Ao Meio Na Era Dos Robôs Escritores de José Luis Saorín pela Relume Dumara (2005)
>>> Icebergs Deriva de Filgueiras Araújo pela Boitempo (2023)
>>> Coleção Saberes - 100 Minutos Para Entender Lacan de Astral Cultural pela 2022 (2025)
>>> Authentic games. A Batalha Contra Ender Dragon de Marco Túlio pela Astral Cultural (2017)
>>> Em uma Noite Muito, Muito Escura de M. Christina Butler - Jane Chapman pela Ciranda Cultural (2010)
COLUNAS

Segunda-feira, 31/3/2003
Amor à segunda vista
Alessandro Garcia
+ de 5300 Acessos

Serão as comédias românticas, afinal, um gênero infalível, capazes de abrigar desde astros em fim de carreira, até promessas de Hollywood que acabaram não dando muito certo como grandes estrelas? Não é uma pergunta tão difícil de se responder, considerando-se o fato de que, na maioria das vezes, tal estilo consegue garantir um bom sucesso de bilheteria e, até em algumas vezes, ainda que não muitas, alça ao panteão da fama alguns atores e atrizes. Se existem aqueles que parecem ter de se resignar em trabalhar somente em tal categoria, existem aqueles também que ficaram conhecidos como fazedores de apaixonados inveterados, tentaram pulular em outros gêneros, e acabaram voltando para a casa que primeiro lhes acolheu. Como exemplo deste último tipo de artista, podemos citar se m medo de errar a eterna loirinha apaixonada Meg Ryan. Já, como exemplo da segunda questão colocada no alto do texto, é óbvio que estou falando de Sandra Bullock, uma estrela feita para rivalizar com a fama de Julia Roberts, e, apesar de nunca ter sido considerada um grande sucesso de crítica, nem arrebatado a legião de fãs de Julia, tem conseguido se manter na ativa com uma série de filminhos de comédia romântica - entremeados com algo mais, digamos assim, ousado, tal qual Cálculo Mortal -, e agradado aos namorados que se juntam no final de semana a fim de assistir a algo mais ameno e compatível com a aura apaixonada que os cercam.

De vez em quando eu mesmo me rendo ao apelo que as comédias românticas sugerem e de mãos dadas com minha menininha vou conferir o que estes fazedores de enlevo romântico têm aprontado para nós. E foi por isto (ah, a eterna justificativa para a questão "mas por que perder tempo com algo que você já sabe qual será o final?") que fui conferir o que me aguardava ao assistir a Amor à Segunda Vista. Apesar de sabermos que a coisa funciona mais ou menos regida por duas fórmulas...

a) homem-se-apaixona-por-mulher-que-também-se-apaixona-por-ele-mas-prefere-fazer-um-joguinho-para-ter-certeza-de-que-foram-feitos-um-para-o-outro-e-viverem-felizes-para-sempre. Exemplo: Escrito nas Estrelas.

b) homem-e-mulher-que-se-detestam-ou-não-tem-nada-a-ver-um-com-o-outro-se-descobrem-apaixonados-e-vivem-felizes-para-sempre. Exemplo: Amor à Segunda Vista.

...ainda assim nos fazemos de desentendidos e vamos, enlevados, nos deixar encantar por qualquer baboseira romântica que um roteiro furado nos impõe. Mas, mesmo com a melhor das boas vontades, é bem difícil de se conseguir engolir certas forçadas de barra ao extremo com argumentos tão inverossímeis quanto em Amor....

Bueno, que tudo tem início quando Sandra Bullock, uma advogada ativista e politicamente engajada em causas sociais, começa, sem mais nem menos, e sem grandes necessidades de insistência, a trabalhar para Hugh Grant, um mega empresário estilo Donald Trump (que, aliás, faz uma pontinha no filme, tal qual Norah Jones, cantando um jazzinho para encantar nossos protagonistas), símbolo de tudo o que ela mais insiste em dizer que abomina. Grant não se distancia muito dos seus papéis anteriores (com exceção, talvez de Um Grande Garoto e Medidas Extremas): faz o papel de um cara imaturo, atrapalhado e mulherengo, muito embora este último quesito fique mais sugestionado do que realmente mostrado e que funciona na empresa como uma bela fachada, já que os negócios são realmente tocados por seu irmão, destituído de belos dotes físicos. Com alguma dificuldade de roteiro, o diretor e também roteirista Marc Lawrence (autor de Miss Simpatia e Forças do Destino) demonstra a passagem do tempo e o suposto estreitamento de relação através de legendas que informam que tantas semanas e tantos meses se passaram e tudo entre eles vai ficando mais aproximado. Quando Bullock, com seus mesmos cacoetes de sempre e sua interpretação mestre de solteirona atrapalhada, mas com algum charme, demonstra que se encontra cansada e destituída de seus grandes ideais sociais - sempre abastecidos por seus pais, também advogados que implantaram na filha a luta pelas causas dignas - resolve pedir demissão da empresa onde se tornou uma espécie de peça indispensável para o fútil personagem de Grant. Desde escolher a gravata até elaborar seus discursos mais simples, é desta maneira que o diretor vai nos demonstrando, com sua sutileza de paquiderme, o quanto o casal vai se tornando importante mutuamente. Sendo assim, ela pede então seu aviso prévio de demissão (ah, então isto é o aviso de duas semanas, do título original?), e, na mesma medida que procura uma advogada tão perfeita quanto ela mesma para substituí-la (sim, a personagem de Sandra é a perfeita CDF), ela descobre que, além de ciúmes de Grant, existe algo mais nele que lhe atrai.

Até que os dois se dêem conta plenamente deste fato, transcorre muito tempo. Poucos, no entanto, demonstrando realmente uma atração, que surge de maneira meio apressada, próximo ao final do filme. Nada que não garanta alguns bons momentos de risadas, já que Hugh Grant consegue ser engraçado com aquele jeitão de inglês sofisticadamente desajeitado. Bullock também não derrapa ao todo, e, ainda que muitas vezes fique aquela sensação de déjà-vu constante, em relação à sua personagem, conseguimos, sim, nos encantar com sua atrapalhadinha que revela algum charme quando descobre que é uma mulher.

Não foi a melhor forma de juntar estes dois atores que ainda rendem bons filmes, mas a iniciativa é válida. Se as coisas transcorrem com uma superficialidade que não convence muito, também é verdade que, com algum esforço, conseguimos algumas risadas cúmplices. Cúmplices com a pessoa ao lado, que, assim como nós, precisou fingir que a história era nova e que não sabia que, ao final, eles seriam felizes para sempre.

Nota do Editor
Alessandro Garcia é escritor, publicitário e pode ser encontrado no Suburbana.


Alessandro Garcia
Porto Alegre, 31/3/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Houston, we have a problem de Renato Alessandro dos Santos
02. Suicídio de Marta Barcellos
03. Agonia de Daniel Bushatsky
04. Ivo Rodrigues, um ilustre desconhecido do rock de Luiz Rebinski Junior
05. Lou Andréas-Salomé de Maria João Cantinho


Mais Alessandro Garcia
Mais Acessadas de Alessandro Garcia em 2003
01. A pobreza cultural nossa de cada dia - 17/6/2003
02. Sob o domínio do Mal - 5/8/2003
03. O mundo aos olhos de um pescador - 26/8/2003
04. A aventura de educar os filhos - 22/7/2003
05. A ranhetice da égüinha pocotó - 7/3/2003


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Livro Artes Olhar em Construção Uma Experiência de Ensino e Aprendizagem da Arte na Escola
Anamelia Bueno Buoro
Cortez
(2001)



Pai Herói
Max Lucado
Thomas Nelson
(2014)



Sinceramente maisa
Maisa Silva
Gutenberg
(2017)



O Jogador Desaparecido e Outras Aventuras.
Sir Arthur Conan Doyle
Melhoramentos
(2001)



Miss Dollar - Col Lances da Literatura
Machado de Assis
Marco Zero



Langenscheidts Taschenwörterbuch Portugiesisch
Dr Friedrich Irmen
Langenscheidt
(1982)



Omulu - O senhor do cemitério
José Ribeiro
Espiritualista
(1969)



Livro Realidade Mental, Mundos Possíveis
Jerome Bruner
Artmed
(2002)



Resolva!
Marcus Vinicius Freire
Gente
(2014)



Ginástica Em Aparelhos-ens Primário-espaldar, Banco, Plinto, Corda
Philippe Hostal
Manole
(1982)





busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês