Michael Moore e o grande mentecapto | Lucas Rodrigues Pires | Digestivo Cultural

busca | avançada
112 mil/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Grande Sertão: Veredas (uma aventura)
>>> As novas estantes virtuais
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Paulo Guedes fala pela primeira vez (2023)
>>> Zastrozzi
>>> Desventuras Prosaicas
>>> Notas nas letras
>>> Analisando Sara: Pós-hardcore atmosférico
>>> Blog da Bethânia, o projeto
>>> Fui assaltado
Mais Recentes
>>> Eram Quatro Vezes -teatro Na Escola de Flavio De Souza pela Ftd
>>> Deuses espaçonaves e terra provas de Daniken 561 de Erich Von Daniken pela Círculo do Livro (1977)
>>> 1808: Como Uma Rainha Louca, Um Príncipe Medroso de Laurentino Gomes pela Planeta (2007)
>>> A Terra Dos Vampiros 561 de John Marks pela Planeta (2008)
>>> A Casa dos Esquecidos 4 Infinito 561 de Marcelo de Fazzio pela Sem (2020)
>>> Mais Love que um Olhar 561 de Marcelo de Fazzio pela Sem (2020)
>>> Lua Vermelha 561 de Benjamin Percy pela Arqueiro (2013)
>>> Dicionário De Psicologia de W. Arnold ; H. J. Eysenck ; R. Meili pela Loyola (1982)
>>> Um Estudo Critico Da Historia II de Helio Jaguaribe pela Paz E Terra (2001)
>>> O Uraguai - Coleção L&pm Pocket de Basílio da Gama pela L&pm (2009)
>>> Stoner 561 de John Williams pela Própria (2019)
>>> Ficando Longe Do Fato De Ja Estar Meio Que Longe De tudo 561 de David Foster Wallace pela Companhia das Letras (2012)
>>> Os Templários: uma cavalaria cristã na Idade Média de Alain Demurger pela Difel (2007)
>>> Dia a Dia com Corrie Ten Boom: Cada Novo Dia de Corrie Ten Boom pela Publicações Pão Diário (2013)
>>> A Atlântida de Cristóvão Colombo 561 de Pierre Carnac pela Difel (1978)
>>> A Formação social da mente 561 de L. S. Vigotski pela Martins Fontes (1996)
>>> Mucho Español para Brasileiros Volume Único 561 de Adda-Nari M. Alves pela Moderna (2001)
>>> Pride and Prejudice de Jane Austen pela Collector's Library (2003)
>>> Coleção Série Midnight Breed - 9 Volumes de Lara Adrian pela Universo Dos Livros (2011)
>>> Economia Industrial 561 de David Kupfer pela Campus (2002)
>>> The Art Of War de Sun Tzu pela Fall River Press (2015)
>>> Física 1 2 3 e 4 561 de Francis Sears pela LTc (1985)
>>> A Teoria Marxista Hoje: Problemas e Perspectivas de Atilio A. Boron+ Javier Amadeo+ Sabrina González pela Expressão Popular (2006)
>>> Introdução aos Livros Apócrifos e Pseudoepígrafos do Antigo Testamento e aos Manuscritos de Qumran de L Rost pela Paulinas (1980)
>>> Paradise de Kevin Rushby pela Robinson (2006)
COLUNAS

Segunda-feira, 16/8/2004
Michael Moore e o grande mentecapto
Lucas Rodrigues Pires
+ de 6100 Acessos
+ 5 Comentário(s)

Tem-se um impasse ao ver Fahrenheit 11 de Setembro: acreditamos em Michael Moore, um documentarista oriundo da pequena Flint, Michigan, e chegado numa polêmica ou em George W. Bush, oriundo do Texas e atual presidente dos Estados Unidos da América? Desde já, respondo: fico com o primeiro.

Mentiroso, tendencioso, manipulativo. Adjetivos dirigidos ao filme, até certo ponto com alguma razão. Moore é exagerado, manipula imagens e sons para fazer crer sua tese de que o presidente Bush venceu fraudando uma eleição e que é um tremendo idiota a conduzir a maior nação do mundo. Mas, pelo que se viu e ainda se vê, ele tem razão.

Após Tiros em Columbine, que levou o Oscar de melhor documentário no ano passado e rendeu a Michael Moore um tremendo discurso anti-bush para milhões de espectadores, esse gordinho simpático - o protótipo do looser e nerd, que os americanos adoram definir, rotulando aqueles que não se encaixam entre os medíocres - o diretor resolveu pegar pesado em sua empreitada contra Bush e seus capangas ultraconservadores. Se neste ele usava o massacre na escola de Columbine (dois garotos entraram na escola com armas e metralharam alunos e professores) para denunciar a criação de um estado permanente de pânico e medo por parte da mídia e governo, o que justificaria a excessiva taxa de portes de armas dos civis americanos e o imenso lucro da indústria bélica, em Fahrenheit 11 de Setembro Moore denuncia explicitamente o presidente Bush e suas relações promíscuas com empresas petrolíferas e a família Bin Laden, além de sua incapacidade intelectual de governar um país. Seu ponto é claro: Bush causou a catástrofe de 11 de setembro, mentiu quando da invasão do Iraque e é incapaz de defender o povo americano.

O maior mérito de Moore num país como os Estados Unidos, pregadores da liberdade e da democracia pelo viés da violência e dominação, é exatamente romper com a autocensura e com o ufanismo cego e irracional que tomou conta de todos. Fahrenheit prova que os Estados Unidos é um país de idiotas governado por um idiota-mor que tem todo o aparato da mídia (e do Congresso e da população amedrontada) para fazer de todos full-time idiotas. Moore é o cavaleiro errante solitário que corre rumo ao inimigo. Sabe que sua vitória seria a de todo o país, mas faz de sua busca um tanto quixotesca seu próprio meio e estilo de vida. No fundo, é como a citação de George Orwell lembrada no filme, na guerra não é possível haver vitória, apenas derrotas. Com Bush, a derrota é certa. Perdem todos, Estados Unidos e todo o mundo. Ganham Bush, sua trupe petroleira e os terroristas, que conquistam cada vez mais motivos para atacar o país.

Michael Moore é genial como um ser midiático e em Fahrenheit 11 de Setembro ele dá uma aula do que é cinema. Cinema é a arte da manipulação, tornar crível uma história através de imagens e sons. Ele sabe manipular com primor as emoções e o raciocínio de quem vê seu filme. Une diversas cenas, recorta outras, faz trucagens nelas, insere uma trilha sonora cabível com seu interesse (geralmente músicas que refletem seu ponto de vista ou uma trilha instrumental que cria a atmosfera do suspense ou da comédia) e nos entrega um material rico em informação de conteúdo e de linguagem. Um Bush absolutamente imbecil nasce de suas colagens: um ser humano desprezível, babaca ao extremo, aproveitador e irresponsável filhinho de papai que recebeu do céu a presidência da república.

A montagem é o grande lance de Fahrenheit 11 de Setembro depois de sua extensiva pesquisa. É através dela (como tudo no cinema) que o efeito de sentido é percebido no espectador, é ela que constrói o sentido que seu autor quer dar ao que fez. Não há edição imparcial, assim como não há jornalismo totalmente imparcial. Esse dogma já é logo de cara desconstruído e assumido por Michael Moore, que explicita sua aversão e condenação a George W. Bush e sua política. Essa tomada de posição, fácil em se tratando de Bush (podem ver que aqui, neste texto, eu também tomo desde o início uma posição contrária a Bush), pode gerar dois sentimentos: maior aproximação do espectador e conseqüente simpatia por sua postura, ou sua execração pela distância ideológica. E, dentro disso, deve-se ter dois cuidados: no primeiro caso, não crer em tudo que se é dito e confirmado para não cair no mero assentimento acrítico, no segundo para não fechar os olhos - por questões de orgulho, antipatia pessoal (sim, Michael Moore tem milhares de detratores), de partido ou patriotismo idiota - para uma realidade que se torna nociva a todo o mundo e beira o autoritarismo fascista.

Há cenas excepcionais em Fahrenheit 11 de Setembro - umas esclarecedoras, outras ingênuas e manipulativas ao extremo. Vemos diversas vezes Bush fazer comentários diante das câmeras, sempre com uma piadinha infame para fazer rir jornalistas e convidados de plantão; pela repetição, Moore coloca Bush como um grande mentiroso (as razões pra invasão ao território de Saddam Hussein - iminente ameaça e posse de armas de destruição em massa - não existem) ao invadir o Iraque, mas erra ao contextualizar o Iraque como uma nação em paz e inofensiva (a união de uma narração em off sobre um Estado perigoso, repleto de armas e às vésperas de atacar os EUA contrastam com imagens de civis iraquianos brincando, soltando pipa e festejando um casamento); as ligações da família Bush e o vice-presidente com o petróleo e os árabes parecem incontestáveis, e é sensacional a montagem da invasão do Iraque com Bush e sua turma caracterizados num filme de faroeste. Mas duvidosas são as informações de que Bush passou quase metade de seus primeiros meses de mandato de férias...

Muitos se perguntam como um filme desses venceu o Festival de Cannes e usam tal premiação para atacar o próprio festival (tornou-se anti-americano, uma richa França versus EUA, dizem). A resposta é simples: há a urgência para se detonar Bush da Casa Branca. Há tempos o cinema não era tão político como foi agora. Colocar Fahrenheit 11 de Setembro nos holofotes era o meio de se protestar contra um governo autoritário fantasiado de libertário. E a França é o espaço do cinema político em que nasceram as vanguardas dessa arte e influenciaram diversos cinemas em todo o mundo. É o cinema francês que faz frente ao hollywoodiano, ícone do imperialismo americano.

Afinal, o que pensar após assistir a Fahrenheit 11 de Setembro? É Bush tudo aquilo que Michael Moore diz? É George W. Bush o grande mentecapto pintado pelo filme? Não sei quanto a vocês, mas, antes e depois de ver Fahrenheit, tenho a nítida impressão de que Moore mente menos que Bush... Muito menos...


Lucas Rodrigues Pires
São Paulo, 16/8/2004

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Renato Russo: arte e vida de Jardel Dias Cavalcanti
02. A favor do Brasil, contra a seleção! de Lucas Rodrigues Pires
03. Mané, Mané de Guga Schultze
04. Autores novos reloaded de Julio Daio Borges
05. Reflexões para um mundo em crise de Luis Eduardo Matta


Mais Lucas Rodrigues Pires
Mais Acessadas de Lucas Rodrigues Pires em 2004
01. Olga e a história que não deve ser esquecida - 30/8/2004
02. Os narradores de Eliane Caffé - 5/2/2004
03. Quem tem medo de Glauber Rocha? - 19/7/2004
04. As garotas do Carlão - 13/9/2004
05. Cazuza e o retrato do artista quando jovem - 5/7/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/8/2004
14h08min
Bem, que o filme é exagerado e até certo ponto manipulador é fato inconteste. Porém acredito que cumprindo o papel de resistência o filme se faz claro, pois o exagero e os grandes acentos são necessários para dizer o elementar. É um grito que não se ecoa em vão.
[Leia outros Comentários de Martinho Junior]
1/9/2004
17h33min
Vc leu o Stupid White Men? O livro conta com detalhes a manipulação das eleições nos EUA e dá mtas outras informações. No final tem a lista de reportagens (que é imensa) onde o Moore se baseou p/ criar sua teoria. Ele não podia colocar tudo isso no filme, mas era necessário atingir as pessoas que não leram o livro e fazê-las acreditar no q ele disse.
[Leia outros Comentários de Karen Rodrigues]
3/9/2004
03h24min
A frase "detonar Bush da Casa Branca" é por demais bondosa. Preferiria "detonar Bush e sua quadrilha", literalmente. Moore praticou uma indiscutível boa ação, merecendo assim ser absolvido por qualquer eventual exagero. O que está em jogo é "apenas" o triunfo do fascismo ou, se preferirem dramatizar, a sobrevivência da civilização.
[Leia outros Comentários de Walter Del Picchia]
6/9/2004
14h09min
Moore não se deu conta de que o seu porcumentário só fez bem ao Bush: exatamente 11 pontos acima de Kerry. O hipopótamo de estimação dos democratas parece um elefante - onde pisa f*** tudo... O nosso stupid fat man acha que ganhar em Cannes é prova de inteligência.
[Leia outros Comentários de LuísAfonsoAssumpção]
13/9/2004
13h19min
Moore se superou neste documentário. Fico feliz por existir pessoas como Moore, que diante de toda essa conturbação não se cala e abaixa a cabeça, ele mostra toda sua indignção, e por um acaso o faz bem!
[Leia outros Comentários de Lorena]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Os Antigos Contados
Maria Beatriz del Peloso Ramos
Scortecci
(2022)



Da Aurora ao Pôr do Sol
Luiz Airão
Novo Século
(2016)



História da Literatura Brasileira 2
Massaud Moisés
Cultrix
(2016)



Ética
Frei Betto e Jurandir Freire Costa e Eugenio B.
Garamond
(1998)



Mestres da musica classica 11 - Johannes brahms
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo



O Mito Lampião
Roberto Tapioca
Roberto Tapioca
(2004)



Comunicacao e Expressao Atraves dos Textos
Silvia Ferreira Lima
Biblioteca 24 Horas
(2010)



Cidadão de Papel - A Infância, A Adolescência e os Direitos Humanos no Brasil
Gilberto Dimenstein
Ática
(2012)



Projecções Ortogonais I e II
Armando Cardoso
Lopes da Silva
(1942)



1968 o Ano Que Não Terminou
Zuenir Ventura
Nova Fronteira
(1988)





busca | avançada
112 mil/dia
2,5 milhões/mês