Sinopse da Corte | Eduardo Carvalho | Digestivo Cultural

busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Passado, presente e futuro das mídias sociais, por Erik Qualman
>>> Leitura-tartaruga
>>> A volta do cavalheirismo
>>> Interney sobre inteligência artificial (2023)
>>> Xilogravura na Graphias
>>> Presente de grego?
>>> Para que serve a poesia?
>>> Conversando com Truman Capote
>>> Homenagem a Paulo Francis
>>> Meu suplemento inesquecível
Mais Recentes
>>> Livro Lila E Sibila Na Amazônia de Maria Clara Machado pela Nova Fronteira (2013)
>>> Toninho Mariutti: Gastronomia de Toninho Mariutti pela Companhia Editora Nacional (2005)
>>> Livro As Vozes Da Consciência de José Ângelo Gaiarsa pela Ágora (1991)
>>> Livro De Marilu Para Seu Grande Mestre de Marilu Martilenni pela Marilu Martilenni (1994)
>>> Livro As Ciências Naturais De Tatsu Nagata A Raposa, A Toupeira, O Crocodilo E A Coruja de Tatsu Nagata pela Companhia Das Letrinhas (2007)
>>> Livro Pensamento Comunicacional Uspiano de José Marques de Melo pela Intercom (2011)
>>> Livro Prisma De Lira de Lyssa Royal e Keith Priest pela Roca (1995)
>>> Livro No Início Dos Tempos de Sueli Viegas pela Terceiro Nome
>>> Capacitista Em Desconstrução: Um Guia Para Transformar Seus Preconceitos Em Oportunidades De Inclusão de Alex Duarte pela Champion (2021)
>>> Livro Lonely Planet Central Europe de Varios Autores pela Lonely Planet
>>> Livro A Tromba Entupida de Melanie Joyce; Kimberley Scott pela Ciranda Cultural (2012)
>>> Livro Constituição Da República Federativa Do Brasil de Varios Autores pela Saraiva (2013)
>>> Livro Triste Fim De Policarpo Quaresma de Lima Barreto pela Objetivo
>>> Livro Dom Casmurro de Machado de Assis pela Objetivo
>>> Livro O Mistério Nas Montanhas de Ti Tonisa Lama pela Nova Era (1997)
>>> Livro Dinossauros Divertidos Cinco Belas Histórias de Ciranda Cultural pela Ciranda Cultural (2014)
>>> Livro Propósito A Coragem De Ser Quem Somos de Sri Prem Baba pela Sextante (2016)
>>> Livro Ensaio Sobre A Cegueira de Jose Saramago pela Companhia Das Letras (1995)
>>> Livro O Segredo De Chimneys de Agatha Christie pela Circulo do Livro
>>> Livro Vidas Secas de Gracilia Ramos pela Record (2008)
>>> Livro O Mundo De Sofia de Jostein Gaarder pela Cia. Das Letras (1995)
>>> Livro Muitas Vidas, Muitos Mestres de M.d. Brian L. Weiss pela Salamandra (1991)
>>> Livro Espíritos Entre Nós de James Van Praagh pela Sextante (2010)
>>> Livro Redenção de Zilda Gama pela Feb (2007)
>>> Livro Maurice de E. M. Forster pela Rocco (1990)
COLUNAS

Sexta-feira, 5/11/2004
Sinopse da Corte
Eduardo Carvalho
+ de 5800 Acessos
+ 2 Comentário(s)

No seu auge - em 95, 96 -, com sua coluna no Estadão e participações no Manhattan Connection, Paulo Francis encantava uma molecada que, como eu, não estava muito preocupada com os seus assuntos. Era o seu estilo que nos viciava, no texto ou na televisão: a mistura da erudição e do deboche, da seriedade e das caretas, da informação e das amenidades. Seu comentário sobre a eleição presidencial americana, por exemplo, não deixava escapar a qualidade da gravata do candidato. Esse seu tom acessível, cômico, captava nossa atenção. E acabou tendo também uma função pedagógica. Para muita gente, Francis apresentou possibilidades inimagináveis - como a de se divertir lendo Flaubert.

Nós, aos 14, 15 anos, tínhamos várias atividades e curiosidades - mas ópera e política, por exemplo, não nos interessavam diretamente. Francis, mesmo assim, era uma referência constante - e para todos os assuntos. Me lembro de um telespectador do Manhattan que escreveu para o programa pedindo a Francis recomendações de whisky. Francis disse que já não bebia mais, mas citou seus preferidos. No programa seguinte, o telespectador agradeceu, informando sua idade: tinha 15 anos. Paulo Francis tinha admiradores improváveis - de idades e interesses, podemos dizer, bem variados. Francis morreu em 97, e deixou essa multidão de órfãos intelectuais.

Em 1998, nas férias de julho, eu estava na fazenda, em Barretos, quando pela primeira vez esbarrei na coluna "Sinopse", do Daniel Piza, ainda na Gazeta Mercantil. A qualidade do seu texto, em primeiro lugar, me chamou a atenção. Era leve, rápido, direto - sem "poréns" desnecessários, e com informações e insights úteis. Foi quase um choque. Havia vida em sua coluna. Havia ali um jornalista curioso, inteligente, criativo - e acessível, escrevendo de forma clara, bonita. A impressão que tenho é de que os grandes jornais têm duas equipes: uma de jornalistas profissionais, que encurtam, alongam ou reciclam resenhas de assessorias de imprensa; e outra de escritores, ou aspirantes a, que escrevem de forma mais pessoal - mas tão pessoal que acaba interessando apenas, no fim das contas, ao assunto do colunista naquela semana (que pode ser, eventualmente, a família de lagartixas que vive em seu sobrado). Daniel Piza não se enquadrava nesses modelos: ele se dedicava a assuntos como a importância da leitura, numa sexta-feira, e na semana seguinte - ou na nota seguinte - reclamava do excesso de caminhões em nossas estradas.

Passei as férias acompanhando a "Sinopse". E percebi, logo nas primeiras semanas, certa influência de Francis. Mas Piza estava longe da imitação, ou da cópia de um estilo que, mesmo adaptado à sua personalidade, ficaria ridículo. Dizer que Daniel Piza tenta ser, ou é, uma espécie de herdeiro de Francis, como acusam alguns, é sacanagem. Piza, é verdade, aprendeu muito com as qualidades de Francis - emite opiniões abertamente, trata de temas diversos, escreve rápido e bem -, mas dispensou os seus defeitos, que, aliás, não lhe cairiam bem. O exagero de Francis, que lhe rendeu inimigos e fãs, por exemplo, não combina com o jornalismo de Piza, mais comedido, equilibrado. Francis foi, no começo da carreira de Piza, um orientador atencioso, a quem o autor da "Sinopse" reconhece a dívida. Daniel Piza, em 96, aliás, selecionou as melhores notas e trechos dos "Diários da Corte" (a coluna de Francis na Folha e, depois, no Estado), e compôs Waaal, um livro que resume, em aproximadamente 300 páginas, o jornalismo de Francis: um texto ágil, divertido, passando por todos os assuntos (como televisão, drogas, literatura) e vários autores, atores, políticos, cineastas, etc.

Não é só Daniel Piza que tem essa dívida com Francis - mas é um dos poucos a reconhecer. Uma geração inteira de brasileiros - e não só jornalistas - aprenderam com ele: foram atrás das suas indicações, descobriram novas referências, consideraram suas opiniões. O jornalismo brasileiro, no mínimo, deve a ele o texto mais informal, despretensioso, que hoje vigora nas redações. E economistas, dentistas, engenheiros, jogadores de futebol, etc., descobriram que é importante, num país democrático, o debate aberto de opiniões sustentadas, firmes. Chamar Francis de "do contra" é assumir que existe - ou existia -, no Brasil, uma opinião convencional; ou ele seria contra o quê? Alguém precisava desafiar essa unanimidade.

Daniel Piza publicou, em outubro, Paulo Francis - Brasil na Cabeça (Relume Dumará), um pequeno perfil biográfico do jornalista. Para quem estava com saudades - ou para quem queria conhecer mais sobre o jornalista, e não encontrava, em livro, nada sério a seu respeito. Alguém já devia ter feito essa pesquisa, ou escrito um livro semelhante. Daniel Piza - na falta de quem cumprisse a tarefa - assumiu mais uma vez o trabalho. E o cumpriu com competência: seu livro é, ao mesmo tempo, uma pequena biografia e um depoimento afetivo, sem escorregar para a descrição factóide da vida de Francis nem para um relato meloso de suas relações pessoais. Acertou em todas as pontas. Nós aguardamos agora os seus próximos trabalhos - mesmo se, ou especialmente se, não forem dedicados a Francis.

Porque sua coluna "Sinopse", hoje aos domingos, no Estado, também serviu para muita gente como estímulo à curiosidade. Principalmente gente da minha idade, que começou a acompanhá-lo, com 17, 18 anos, na Gazeta Mercantil. Esse passeio que Daniel Piza faz semanalmente, por temas e lugares, é, com altos e baixos, o que há de melhor na imprensa brasileira hoje. Temos também uma dívida com ele. Ou duas: pela coluna que tem mantido e, agora, pelo excelente perfil de Francis que escreveu.

Estado

O Estado de São Paulo, aliás, modernizou sua diagramação, lançou novos cadernos, incluiu mais colunistas - os do caderno "Link", pelo menos. Os leitores agradecem. Mas seus revisores - ou quem? - continuam falhando demais. Domingos atrás, por exemplo, a própria coluna do Daniel Piza, assunto acima, saiu com a primeira frase repetida. E como pode a mesma matéria sair duas vezes, um dia depois do outro, na capa do "Caderno2"? Imagem não é tudo.

Outras revistas

Na lista que montei, na coluna passada, sobre as melhores revistas do mundo, repare: fiquei apenas nas dedicadas a política e economia, basicamente (com exceção da New Yorker, mais forte em, digamos, temas culturais). Um amigo lembrou da Wallpaper; eu havia me esquecido - de citar, pelo menos - a Vanity Fair. São estilos diferentes, mas podem interessar ao mesmo público. Assino as duas, então - mais uma vez - vamos lá.

A Vanity Fair é muito confundida com um enorme catálogo de propagandas. Faz sentido, mas seus textos longos, bem escritos, são às vezes imperdíveis. É verdade também que ensaios ou reportagens, na maioria, servem apenas de enfeite - como que um contraponto inteligente àquele monte de sapatos, perfumes e jaquetas. Mas essa conversa entre alta costura e alta educação é saudável - para não deixar ninguém alienado. E os textos carregam assinaturas consagradas, como de Cristopher Hitchens e Harold Bloom, o que, por si só, justifica a leitura.

Ainda assim, a revista mais antenada, mais ligada a temas atuais - design, arquitetura, viagem, etc. -, é a Wallpaper. O texto, aí, existe, e é prático, breve - mas cumpre papel secundário. São as imagens que se destacam: de hotéis bacanas (Amanresort, no Butão), casas diferentes e inteligentes (a de Le Corbusier, no sul da França), lugares em destaque (Belgrado, em processo de revitalização) - e outras mais, para ficarmos na edição de novembro.

A melhor entre as duas? São diferentes. Mas como tudo, claro, é diferente, e às vezes precisamos fazer opções, fica a minha: a Wallpaper é, para muita gente, leitura fundamental.

Para ir além






Eduardo Carvalho
São Paulo, 5/11/2004

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Tecnologias e borboletas de Ana Elisa Ribeiro
02. O óbvio ululante da crônica esportiva de Luiz Rebinski Junior
03. O paraíso de Henry Miller de Adriana Baggio
04. O vilão é Magneto ou a invasão dos blockbusters? de Marcelo Miranda


Mais Eduardo Carvalho
Mais Acessadas de Eduardo Carvalho em 2004
01. De uma volta ao Brasil - 23/7/2004
02. A melhor revista do mundo - 8/10/2004
03. Por que não estudo Literatura - 24/9/2004
04. Como mudar a sua vida - 21/5/2004
05. O chinês do yakissoba - 5/3/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/11/2004
19h54min
Caramba! Daniel Piza é muito bom. Cansei de "furtar" o Gazeta Mercantil do diretor do banco em que trabalhava, só para ler a coluna Sinopse da sexta-feira. Já o Paulo Francis, às vezes pecava pelo excesso.
[Leia outros Comentários de Gui]
11/12/2004
11h19min
Nós gostávamos de Francis quando blogs ainda näo existiam. E agora, quando qualquer um se sente no direito e dever de opinar sobre o que bem (ou mal, muito mal) entende, nós nos apegamos ao julgamento mais realista e sereno de Daniel Piza. Questão de velocidade de conexão, diria Machado. Donde concluo que, como leitores, nós, de nossa geracão, estamos mais para uma Virgília às avessas. (Sabe, fico tentado a desenvolver mais longamente o texto acima apenas para coroá-lo com um título que me ocorreu. Mas já que estamos aqui num espírito Brás Cubaniano, transcrevo o título, que é belo e perspicaz (HOJE, COMPANHEIROS, A AVENTURA É OUTRA), e deixo o texto insosso de lado. Grande abraco.
[Leia outros Comentários de Diego Ferraz]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Abc de Marlene Dietrich
Marlene Dietrich
Marco Zero
(1985)



Chique é Ser Saudável
Heloísa Bernardes
Hlb
(2003)



As Fontes da Criação Literária
Carmelo M. Bonet
Mestre Jou
(1970)



Livro Literatura Estrangeira The Magic Goes Away
Larry Niven
Ace
(1978)



Encontros Com Homens Notáveis
G.I. Gurdjieff
Pensamento



The Lion and the Unicorn (socialism and the English Genius
George Orwell
Penguin
(1982)



O livro ilustrado dos mistérios
Vários Autores
Publifolha



Perda de Entes Queridos
Zilda Giunchetti Rosin
Instituto Maria
(1999)



A Eucaristia, Caminho de Ressurreição
Raymond Johanny
Paulinas
(1977)



Vade Mecum - 2014 Legislação Concursos e Oab.
Método
Método
(2014)





busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês