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Terça-feira, 15/2/2005
O retorno de Maigret
Luis Eduardo Matta
+ de 3700 Acessos

Considerado por André Gide, como "o maior de todos os escritores" e "o romancista mais genuíno da Literatura", Georges Joseph Christian Simenon, ou simplesmente, Georges Simenon (1903-1989) é uma referência marcante e indiscutível em toda a história da Literatura, quando o assunto é ficção policial. Autor de cerca de quatrocentos romances - setenta e cinco dos quais protagonizados pelo seu mais célebre personagem, o comissário da Polícia Judiciária francesa Jules Maigret -, Simenon, que nasceu na cidade belga de Liége e se mudou para Paris ainda muito jovem, notabilizou-se pela maneira bastante particular de contar uma história de mistério. Imergir nos seus livros é enveredar por uma viagem inebriante, sem equivalente na prosa policial em geral. Não à toa, ele conseguiu unir prestígio literário a uma expressiva popularidade junto aos leitores, que o levaram a atingir o impressionante patamar de quase um bilhão e meio de exemplares vendidos em mais de cinqüenta idiomas.

Na prosa de Simenon a solução do crime, questão central em qualquer livro de mistério que se preze, não é, isoladamente, o principal atrativo. A ambientação da história, a precisão dos diálogos, o olhar atento sobre o cotidiano, a condição humana das personagens, tudo descrito adequadamente por meio de uma linguagem simples, porém rica e vigorosa, desempenham papel igualmente importante e é o equilíbrio perfeito desses elementos com a trama policial em si que torna Simenon um autor único. Ao contrário do que muita gente imagina, é extremamente difícil produzir uma ficção policial consistente. A concepção de uma boa trama de mistério, inclusive para que a sua leitura seja simples, é complexa e requer uma dedicação exaustiva do escritor no intuito de lhe dar um encaminhamento hábil e pouco óbvio, que resulte num final coerente, verossímil e, ao mesmo tempo, realmente surpreendente. Simenon soube desenvolver essa técnica e adaptar a ela uma boa dose de reflexão e densidade, algo que vários escritores tentaram, muitas vezes com resultados desastrosos.

Tive a oportunidade de descobrir a Literatura de Simenon muito cedo; eu devia ter uns treze para catorze anos quando me caiu às mãos um exemplar de Morte na Alta Sociedade, que me lembro de ter lido em dois dias. A verdade é que o meu ingresso no mundo dos livros, ainda na adolescência, se deu quase que exclusivamente através da Literatura policial e de suspense, não só a de Simenon, mas também a de Agatha Christie, Raymond Chandler, Ross Macdonald e, um pouco mais tarde, Rex Stout e Mary Higgins Clark. Graças a esses notáveis autores, adquiri e desenvolvi o hábito da leitura, me familiarizei com a palavra escrita e acabei descobrindo que ler, mais do que tudo, é um grande prazer. A Literatura policial, igualmente, me abriu portas para outras sendas literárias e, pouco a pouco, fui me aventurando por novos gêneros e autores, tanto os de ontem quanto os de hoje. Foi um processo natural, gradual e espontâneo, que poderia ter sido traumático caso eu tivesse, de cara, me defrontado com algum cânone literário, com algum dos autores clássicos incensados pela mídia e pela intelectualidade e adotados arbitrariamente pelas escolas como uma amarga leitura obrigatória.

Recentemente, em 2004, a editora Nova Fronteira, em parceria com a L&PM Editores começou a reeditar a obra de Georges Simenon através da Coleção Simenon Pocket, cuja grande estrela, como não poderia deixar de ser, é o comissário Jules Maigret. Com um novo e impecável projeto gráfico - sóbrio e, ao mesmo tempo, leve -, os livros são publicados no formado de bolso e vem se somar à já consagrada Coleção L&PM Pocket que conta, hoje, com mais de trezentos e cinqüenta títulos, de Sófocles a Luis Fernando Veríssimo, passando por Shakespeare, Thomas Morus e o Marquês de Sade. O projeto marca o retorno triunfal de Simenon às livrarias brasileiras e é uma oportunidade de ouro para aqueles que nunca o leram, serem apresentados ao filé mignon da sua obra.

São livros como A Primeira Investigação de Maigret (Nova Fronteira/ L± 196 páginas; 2004), em que encontraremos o insólito, perspicaz e, por vezes desengonçado detetive criado por Simenon ainda com vinte e seis anos, no começo de sua carreira na polícia, às voltas com um mistério envolvendo a família Gendreau-Balthazar, uma das mais ricas de Paris. O humanismo de Simenon - uma de suas marcas - está bastante presente nesta obra; em particular, na perplexidade de Maigret diante da constatação de que a verdade sobre um crime pode não ser o mais importante no intrincado mundo da alta-sociedade - no caso, a parisiense do começo do século XX - e nas relações desta com a própria cúpula da polícia. Já, em As Férias de Maigret (Nova Fronteira/L± 210 páginas; 2004), o detetive se encontra em férias na pequena cidade litorânea de Sables-d'Olonne, fora de Paris, quando sua esposa é internada às pressas numa clínica por causa de uma provável intoxicação por ostras. Na clínica, uma jovem que havia sofrido um inexplicável acidente, morre misteriosamente depois de ficar vários dias em coma e Maigret resolve investigar por conta própria, deparando-se com uma história mórbida de amor e ciúme. Em ambos os livros, encontramos Simenon em sua melhor forma e Maigret em circunstâncias incomuns, que fogem aos cenários aos quais os leitores contumazes de suas aventuras estavam habituados. Constam ainda da lista de relançamentos, obras como O Cão Amarelo, O Caso Saint-Fiacre e o já mencionado Morte na Alta Sociedade. Um detalhe interessante fica por conta das capas dos livros, que exibem fotografias em preto-e-branco assinadas por renomados fotógrafos da agência Magnum Photos, como Herbert List, Cornell Capa e Elliott Erwitt.

Nunca é demais salientar que Georges Simenon destacou-se num gênero literário historicamente considerado "menor" pelos círculos letrados, mesmo sem ter escrito o "grande romance" que muitos esperavam dele (algo, diga-se de passagem, perfeitamente dispensável, dada a magnitude de sua vasta obra). Eu não me arriscaria a afirmar que Simenon é o maior autor policial de todos os tempos, mesmo porque nem eu tenho certeza disso. Mas, sem a menor dúvida, ele figura entre os grandes e a leitura dos seus livros é fundamental para todos aqueles que apreciam uma boa história de mistério, com um humaníssimo pano de fundo.

Para ir além









Luis Eduardo Matta
Rio de Janeiro, 15/2/2005

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