Internet 10 anos - 1995 | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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Sexta-feira, 4/11/2005
Internet 10 anos - 1995
Julio Daio Borges
+ de 5500 Acessos

Em 1995, eu estava na Poli. Antes, também, e antes eu já ouvira falar da internet. Da internet, não da WWW. Tem diferença? Tem. Internet é a rede; WWW é a interface. Vou explicar.

Antes de 1995, eu ouvia falar de uma rede em que as pessoas entravam. Era em DOS. Era antes do Windows 95. Você lembra? É bem provável que não. DOS era aquela interface com tela de fundo preto, onde você digitava comandos e onde o computador se reduzia ao Windows Explorer. Precário. Você podia listar diretórios (hoje, pastas), abrir diretórios, criar diretórios, renomear diretórios... e rodar arquivos. Arquivos de software — aplicações e outros quetais.

Mas não vou entrar muito nos primórdios, senão a gente perde o foco.

Meus colegas, quase todos da Computação da Elétrica da Poli — que faziam estágio lá dentro —, exploravam os diretórios da internet. Antes de 1995. E pegavam um monte de coisas no escuro. Eles listavam diretórios (ou pastas), iam entrando em árvores (de diretórios ou pastas), listavam os arquivos, escolhiam alguma coisa pelo nome e "baixavam" (download). Não sabiam para que a coisa servia; não tinham a menor idéia do que baixavam. Simplesmente baixavam e rodavam.

Às vezes encontravam coisas legais. Na época, quando queríamos dividir arquivos uns com os outros, passávamos disquetes e tínhamos de "compactar" (para caber mais). Não havia internet; não havia e-mail — lembra? (Não, você não lembra.) É muito simples: eu tinha um arquivo em Word, o relatório de uma experiência, por exemplo; queria que meu colega olhasse; copiava num disquete e passava. Era uma "internet" manual. Era a internet à manivela da época.

Muitas vezes, não eram apenas arquivos em Word. O próprio Word, por exemplo. Quando saiu a versão 6.0 do Word, da Microsoft — digo, do programa —, foi uma festa. Olhávamos aqueles menus (e aqueles ícones) espantados. (Quem lê tanta notícia?) Quem aperta tanto botão?

Acontece que o Word, o programa, era pesado. Não havia CD; não havia CD-ROM. (Você lembra?) Então a gente usava um negócio que chamava "ARJ". O ARJ era um "compactador", um Winzip da vida — antes do Winzip; antes do Zip (que era o mesmo compactador de hoje, em versão pré-Windows). É possível? É. Imagine um mundo com computador, mas sem Windows 95. Esse era o mundo antes de 1995.

Assim, meus amigos "baixavam" coisas dos diretórios da internet. E para você ter uma idéia de como eram aqueles anos, um dia, um deles chegou todo feliz porque havia baixado uma versão do ARJ para Windows. Que maravilha.

Pra que servia? Você pode se perguntar... Talvez para nada. A internet não era uma coisa pra gente normal; era a "internerd" ainda.

Nesse tempo de diretórios e arquivos, eu não acessava a internet. Eu não fazia estágio na Poli; eu só ouvia falar. A Web, a WWW, a World Wide Web, digo, era uma coisa insípida. Quem navegava pelos diretórios, em DOS, esnobava quem navegava pelas páginas (como nós navegamos agora). O pessoal dos diretórios dizia que a Web era muito lenta pra eles e que eles preferiam entrar em pastas atrás de arquivos...

Em 1994, já estávamos no terceiro ano da faculdade e a turma começava a fazer estágio. Começava a participar daqueles horrendos processos de seleção. Eu fui conseguir um estágio em 1995; o ano fatídico em que a internet comercial no Brasil começou.

Cansado das grandes empresas, e dos longos processos de seleção, de repente vi um anúncio no mural da Poli Elétrica, convidando para um estágio com reconhecimento de voz. Meus amigos que estagiavam na faculdade diziam que era boa lá a vida e que os professores eram mais compreensivos com os horários malucos da própria Poli (coisa que os empregadores nem sempre aceitavam). Então eu segui as diretivas do anúncio e me apresentei num determinado dia, num determinado horário.

Eu tinha uma parca noção do que era "reconhecimento de voz". Eu obviamente sabia que devia ser alguma coisa ligada a "comandos de voz" e talvez o máximo que eu conseguia evocar era o sujeito dirigindo o carro no seriado A Super Máquina (!). O professor, em linhas gerais, explicou o que era o estágio — e eu encerrei a entrevista com uma pergunta sobre aplicações, na vida real, desse tal de reconhecimento de voz. O professor murmurou alguma coisa sobre caixas eletrônicos de banco. Me pareceu interessante...

Dias depois, tocava o telefone da minha casa (celular havia, mas ainda era caro), informando que eu "havia ganho a bolsa", que eu — em bom português — havia sido aceito no estágio. Fiquei contente. E me apresentei na mesma sala de reuniões de novo.

O estágio começou. Apesar do glamour da história do "reconhecimento de voz", era mais uma coisa teórica em torno de "modelos lineares" (e não-lineares) para reconhecimento de voz humana. O que isso significava na prática? Significava que ficávamos programando em C++ (linguagem da qual você provavelmente não deve se lembrar) até encontrar um "modelo" (ou algoritmo) que gerasse (ou reconhecesse) determinadas ondas (ou freqüências) que correspondessem, sei lá, à vogal "A". Mais fácil: montávamos equações que representassem o "A" pronunciado pelo Homo sapiens. Qualquer Homo sapiens. Qualquer "A". E assim vai...

Nem preciso dizer que eu me aborreci logo. O que salvava o estágio era uma sala em que todos entravam e se encontravam. A sala da internet (vamos chamá-la assim, embora eu não me lembre do seu verdadeiro nome, na verdade). Está muito chato este relato?

Eu não estou certo de haver um motivo específico para a "sala da internet" ser tão freqüentada, a não ser pelo fato de que era justamente a sala onde a internet podia ser acessada... Ocorre que todo mundo passava por lá. Estagiários e não-estagiários; funcionários e não-funcionários; professores e não-professores; secretárias e não-secretárias... Havia um ou outro computador; o resto eram workstations ou "estações de trabalho", que rodavam Linux (eu lamento pela especificidade do vocabulário, mas aqui é inevitável...). O Linux de 1995 era grego pra mim; eu me limitava a alguns comandos. Criar pastas, gravar arquivos e navegar. Só.

Não lembro do primeiro site que fui visitar. Havia homepage nessa época? Também não sei mais. A internet, no Brasil, era basicamente universitária (pelo menos em matéria de acesso) e eu me lembro de um site da Unicamp. Mas meu interesse, na época, era música.

Eu estava descobrindo o Frank Sinatra e lembro que achei sua discografia completa na internet. Um achado. Também, uma porção de fotos que comecei a gravar. (Meus colegas mais nerds de estágio coletavam, previsivelmente, fotos de "mulher pelada" — e gravavam CDs para, depois, espalhar). Havia algum mecanismo de busca... Qual? O Yahoo!? Meus interesses musicais ainda se inclinavam para o rock pesado e, enquanto eu fazia minhas pesquisas sobre o Sinatra (ele estava vivo, lembra?), descobria os diários de gravação do Ozzy Osbourne. O Ozzy estava em Paris (muito antes do The Osbournes...) — ou em outro lugar da Europa — e contava, todo dia, no seu site, como havia sido a gravação do dia anterior. Não havia blog — mas era o primeiro blog que eu acessava.

Espalhei entre meus outros amigos a notícia da internet. E as reações, em 1995, eram as mais variadas. Uns pediam pra ver. Eu mostrava. Um amigo, fã dos vampiros da Anne Rice (era a época do Vampiro Lestat), pedia para "fazer uma busca" com a palavra-chave "rice". Caímos em sites de arroz. Plantas geneticamente modificadas... Outro amigo, ou quase, insistia praticamente todo dia pra eu lhe mostrar a WWW. "Quero ver essa porra funcionando", ele confessava, sem meias palavras.

Semanas depois, eu recebi o telefonema de um terceiro, na minha casa, querendo saber como acessar a internet da USP direto de sua casa. Era complicado. Eu sabia dessa história: sabia que — se você tivesse modem (lembra?) — havia um jeito de se conectar com a USP e de "puxar" a internet de lá. O negócio era tão novo que nem havia ainda o vocabulário. "Provedor?", nem pensar. Só em 1996. Mas, aí, já é outra história...


Julio Daio Borges
São Paulo, 4/11/2005

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