Comum como uma tela perfeita | Paulo Polzonoff Jr | Digestivo Cultural

busca | avançada
112 mil/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Meu suplemento inesquecível
>>> iPad o Leitor da Apple
>>> Um coral de 10 mil vozes
>>> Grande Sertão: Veredas (uma aventura)
>>> As novas estantes virtuais
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Paulo Guedes fala pela primeira vez (2023)
>>> Zastrozzi
>>> Desventuras Prosaicas
>>> Notas nas letras
Mais Recentes
>>> Beijo de Ed McBain pela Record (2000)
>>> Livro Modelos De Cartas De Amor de Dora Maria pela Ediouro
>>> Um Amor Para Recordar de Nicholas Sparks pela Novo Conceito (2011)
>>> A ideologia da Sociedade Industrial - O homem unidimensional de Hebert Marcuse pela Zahar (1978)
>>> Genocídios e Apartheid no Oriente Médio: uma perspectiva latino-americana de Bruno Lima Rocha Beaklini pela Coragem (2024)
>>> A Última Dança - Coleção Negra de Ed Mcbain pela Record (2003)
>>> Fundamentos Da Logoterapia Vol. 1: Na Clínica Psiquiátrica E Psicoterapêutica de Roberto Rodrigues pela Vozes (1991)
>>> A Coleção Amores Memóráveis de Lynne Graham e Penny Jordan pela Harlequin (2016)
>>> A Luz Perfeita. Guia de Iluminação para Fotógrafos de Bill Hurter pela Photos (2009)
>>> Livro Planejamento Social Internacionalidade E Instrumentação de Myrian Veras Baptista pela Veras (2015)
>>> De Bem Com Você de Sueli Nunes Ferreira /Marcos De Benedicto pela Casa Publicadora Brasileira (2013)
>>> Querido Diário Otário 2 - Tem Um Fantasma Na Minha Calça de Jim Benton pela Fundamento (2011)
>>> Caça Ao Tesouro: Uma Viagem Ecológica de Liliana Iacocca; Michele Iacocca pela Ática (2005)
>>> Fazendo meu Filme 2: Fani na Terra da Rainha de Paula Pimenta pela Gutenberg (2012)
>>> Fiz O Que Pude (3º edição - 3º impressão) de Lucilia Junqueira de Almeida Prado pela Moderna (2018)
>>> Administração Escolar - Introdução Crítica de Vitor Henrique Paro pela Cortez (1996)
>>> Caça Ao Tesouro: Uma Viagem Ecológica de Liliana Iacocca; Michele Iacocca pela Ática (2004)
>>> Livro Os Salvadores Do Planeta de Marion Zimmer Bradley pela Imago (2000)
>>> O Iluminado de Stephen King pela Record (1977)
>>> 1844 Uma Explicação Simples Das Principais Profecias De Daniel de Clifford Goldstein pela Casa Publicadora Brasileira (2005)
>>> Bleach 3 - Memories in the Rain de Tite Kube pela Panini Comics (2007)
>>> Tex o retorno de mefisto minissérie especial em 2 partes de Sergio Bonelli pela Mythos (2025)
>>> Livro Stress A Seu Favor de Dr. Susan Andrews pela Ágora (2003)
>>> A Reconexão: Cure os outros, cure a si mesmo de Eric Pearl pela Pensamento (2012)
>>> Afetividade E Aprendizagem: Contribuições De Henri Wallon de Laurinda Ramalho De Almeida; Abigail Alvarenga Mahoney pela Loyola (2007)
COLUNAS >>> Especial Arte

Quarta-feira, 29/8/2001
Comum como uma tela perfeita
Paulo Polzonoff Jr
+ de 7100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Tenho de pedir primeiro desculpas. Tenho um bom amigo que olhará o quadro sobre o qual escrevo e que dirá de si para si (ou de si para todos, se estiver num daqueles dias), que trata-se de um lugar-comum. Vou pedir então novamente desculpas, porque, meu bom amigo, são dois os lugares-comuns de que trato neste texto. Que posso fazer? Estou vivendo um dia comum hoje, de pensamentos comuns. Lia há pouco Fernando Sabino; ontem acabei um Rubem Braga. Nada mais comum e ao mesmo tempo perene que o cotidiano.

O quadro que você vêem acima chama-se Hotel Room e foi pintado por Edward Hopper, talvez o maior pintor americano de todos os tempos. Hopper faz uma arte que muitos consideram anacrônica porque, numa época em que era valorizada a abstração ou qualquer coisa que privilegiasse a imaginação (ou falta de) do pintor, ele fazia paisagens, cenas de rua e interiores. O quadro acima está num dos melhores museus europeus, o Tyssen-Bornemiza, em Madrid. Dê um pulo lá só para ver este quadro.

Hotel Room, vale a pena dizer, tem uma continuação, Summer Interior. Uso aqui o termo continuação de propósito, já que uma das influências claras de Hopper é o cinema. Vou falar sobre estes dois quadros, mas não como um expert, que não sou; vou falar como um subqualquercoisa, o que sou.

É difícil precisar a tristeza desta mulher sentada erroneamente na cama, neste quarto mequetrefe de hotel. Olhe para ela e verá que segura um pedaço de papel. Provavelmente uma carta, deduzo, sem nenhum brilhantismo. O que diz esta carta? Um homem a deixou, por certo. Disse que a amava, mas que não poderia continuar vivendo uma vida dupla com sua esposa. Sim, porque a mulher retratada no quadro deve ser uma prostituta ou uma destas “destruidora de lares”, como se dizia antigamente. Nosso julgamento moral, neste momento, diz que, então, ela que sofra mesmo, bitch! Só que. Olhe bem a luz entrando pela janela e iluminando aquele ser ali tão frágil e desprotegido. Sim, é uma luz divina que a ilumina e a transforma não num ser social, mas num indivíduo, cujas escolhas não nos cabe julgar. Desta mulher sentimos pena. Nossa mão quer se entender a ela, mas isso nos é vetado. Só nos resta a contemplação de sua dor. O gesto semi-perdido entre a tristeza e a tristeza. A mulher não se desesperou, ainda, mas vai se desesperar ao perceber-se só. E o homem, a quilômetros dali, também vai sentir-se só quando beijar a esposa que não ama. E quando deitar com ela, vai se lembrar daquela luz divina batendo nos cabelos da mulher que deixara sozinha no quarto de hotel. E rezará por ela.

A continuação do quadro chama-se Summer Interior. Não sei quanto a vocês, mas eu não vejo alegria nenhuma neste quadro. Sombrio, cheio de mofo e umidade, a figura feminina, ao menos para mim, é a mesma de Hotel Room. Só que nesta cena ela jaz no chão, semi-nua. O que passa por sua cabeça é o que queremos saber. Sofre, meu Deus!, mas como sofre. Ou será que deseja tanto que chega a doer?

O outro lugar-comum que evoco neste texto, peço mais uma vez perdão, é Van Gogh. Tentei ignorá-lo, mas ele está gritando. É um quadro perigoso. Campo de Trigo com Corvos. Escrevo centeio, mas alguns dizem o que é trigo. Eu, com meu parco conhecimento de agronomia, me abstenho de emitir algum comentário. Ora, há quem ache que é um quadro pessismista, mas eu discordo. Acho que trata-se de um quadro extremamente otimista. Até mesmo se levarmos em conta a situação em que foi pintado. Reza a lenda que Van Gogh o pintou pouco antes de se matar.

Acreditando nisso, vemos um caminho por entre uma plantação. No horizonte azul azul azul azul, corvos. Figuras de mau-agouro, mas que pairam acima de qualquer cabeça que almeje transpor aquele caminho. Um vento forte agita a plantação. É o sopro divino. E lá vai homem. Dá o primeiro passo, embaixo na tela. Ele nasce neste momento. E cada passo pode, às vezes, parecer uma eternidade, ainda mais com aqueles pássaros grandes e negros voando sobre nossas cabeças, mas quem dá o primeiro passo sabe, imediatamente, que chegará ao final daquele caminho. E cairá no poço azul profundo da morte. E é justamente esta consciência que o redimirá durante todo o percurso.

Desculpe se desaponto aquele que queriam análises sobre as pinceladas de Hopper e Van Gogh. Ao diabo com os experts! Confesso que, até escrever este humilde texto, tentei por duas vezes dissertar sobre quadros e temas. Só o que consegui foi ser entediante. Para quem chegou até aqui, aliás, eu sugiro que esqueça o que escrevi e que se detenha nos quadros de que trato. E que inventem histórias sobre aquela mulher no quarto de hotel e sobre aquele caminho no meio da plantação de centeio. E invente histórias sobre todos os quadros que vir, sejam eles comuns, como a Mona Lisa, ou enigmáticos, como os de Pollock. Surfe na onda de Katsushika Hokusai. Veja o mundo pelos olhos mais-que-perfeitos de Monet. Tema o mundo de Bosch. Masturbe-se com o erotismo galaniano de Dalí.

Em suma: seja comum como uma tela perfeita.


Paulo Polzonoff Jr
Rio de Janeiro, 29/8/2001

Quem leu este, também leu esse(s):
01. As maravilhas do modo avião de Julio Daio Borges
02. Colunismo em 2005 de Julio Daio Borges
03. Detefon, almofada e trato de Adriana Baggio


Mais Paulo Polzonoff Jr
Mais Acessadas de Paulo Polzonoff Jr em 2001
01. Transei com minha mãe, matei meu pai - 17/10/2001
02. Está Consumado - 14/4/2001
03. A mentira crítica e literária de Umberto Eco - 24/10/2001
04. Reflexões a respeito de uma poça d´água - 19/12/2001
05. Deus - 25/7/2001


Mais Especial Arte
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
29/8/2002
21h00min
Paulo, o que te faz pensar que Monaliza é comum e Pollock é enigmático? Cara, vc consegue dormir depois do trabalho? Sinto informar vc, mas ambos, Da Vinci e Pollock, fundiram tua cuca amigo. Seus olhos são pelo menos bonitos Paulo?
[Leia outros Comentários de Tony Camargo]
18/7/2007
17h50min
Será que somente eu não consigo inventar um enredo quando vejo uma pintura? O que você irá fazer quando bater os olhos num Klein??? Abs!!!
[Leia outros Comentários de José Mianutti]
21/7/2007
22h10min
Caros amigos! Recomendo um singelo livrinho "Histórias de quadros e leitores", da Ed. Moderna, organizado por Marisa Lajolo. O livro trata justamente de textos escritos a partir de impressões que certos quadros nos trazem. São vários os autores e as obras que os inspiraram. Vale a pena dar uma olhadinha, quem sabe vocês não mudam de opinião. Um abraço, Sônia Maris
[Leia outros Comentários de sonia maris]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Literatura e Música
Solange Ribeiro de Oliveira
Perspectiva
(2002)



Conexão Saúde - 6ª Edição
Dr. Deepak Chopra
Best Seller
(1987)



Diagramação Com Indesign Cs3
João Fidalgo
Érica
(2007)



O Filósofo e o Político - Col Filosofia
Marly Carvalho Soares
Loyola
(1998)



Rio De Janeiro Cozinha Regional Brasileira
Vários Autores
Abril Coleções
(2014)



Onze Minutos
Paulo Coelho
Rocco
(2003)



How to Succeed in Business Without a Penis
Karen Salmansohn
Harmony Books
(1970)



Manual do Centro de Pesquisa - Série Pesquisa Clínica
Renata Kopel Bendit
Dendrix
(2010)



A Terra Inabitável - Uma História do Futuro
David Wallace-Wells
Companhia das Letras
(2019)



Bin Laden - O homem que declarou guerra a América
Yossef Bodansky
Prestígio editorial
(2002)





busca | avançada
112 mil/dia
2,5 milhões/mês