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COLUNAS

Sexta-feira, 11/8/2006
Vida mais ou menos
Daniell Rezende
+ de 7700 Acessos
+ 2 Comentário(s)

I Can See For Miles and Miles

Troquei de óculos. O grau aumentou alguma coisa e hoje eu enxergo bem melhor. Consigo ver coisas que não via com aquelas antigas lentes arranhadas.

Agora que enxergo direito, percebi uns detalhes que não havia percebido antes.

Por exemplo, eu achava que trabalhava em uma fábrica de bustos de Haendel, quando na verdade trabalho em um escritório de importação e exportação de jogos da memória.

Também descobri que durante anos errei de casa quando voltava do trabalho. As pessoas que eu chamava de família na verdade eram gente que nem ao menos me conhecia. Dormia num quarto que, na verdade, era um lavabo. E assistia uma TV que era uma gaiola com um curió dentro.

Só agora, com lentes novas, vejo que o carro que havia comprado era, na verdade, um patinete. Isso explica o fato de eu nunca ter conseguido encontrar o botão do ar-condicionado.

Eu realmente não enxergava nada direito antes. E nunca o havia percebido porque, sempre que ia ao oftalmologista, acabava indo parar no mecânico. Até que precisei ir ao mecânico e, finalmente, apareci no oftalmologista.

Chega a ser espantoso eu ter acertado a ótica onde comprei os óculos novos.

* * *

Surfing Safari

Decidi aprender a surfar.

Mas tenho um problema: sem óculos, não enxergo quase nada. Pensei em fazer óculos de mergulho com grau, mas meu amigo invisível Daniel Moraes disse que não tem necessidade. Basta eu saber que o que estiver azul é mar e o que estiver amarelo é areia.

O surfe segue um princípio básico. Você vai até o azul e, se tudo correr bem, volta depois pro amarelo. Como meio de transporte não é lá muito prático, mas pelo menos a prancha é mais fácil de carregar que um barco com motor de popa. E, além disso, minhas últimas experiências com barcos com motor de popa foram um tanto traumáticas.

Pra começar, eu confundi a popa com a proa e coloquei o motor na frente do barco. Vai por mim. Motor de popa colocado na proa pode ser uma coisa extremamente perigosa. Em especial quando o barco é colocado em uma piscina durante uma partida de pólo aquático.

Os jogadores de pólo aquático ficaram furiosos comigo, principalmente quando eu atrapalhei o gol da vitória do time dos sem camisa. Tentei argumentar que não fazia muita diferença já que, no pólo aquático, todos os times jogam sem camisa. Mas o pessoal que pratica esse esporte detesta ser contrariado.

Eles partiram para cima do meu barco a estibordo. Minha única saída era a bombordo. Só que, como eu também confundo bombordo com estibordo, fui direto para cima dos jogadores. Eles viraram o meu barco e eu poderia ter afogado, se não estivéssemos todos na piscina infantil.

Acho que uma prancha de surfe vai me trazer menos problemas. Só preciso descobrir onde coloco o motor de popa.

* * *

Shine On You Crazy Diamond

Quando eu comecei a cavar uma mina de diamantes na garagem lá do meu prédio, as pessoas diziam que eu não tinha a menor chance de encontrar diamantes ali. Mas eu sempre acreditei na persistência e continuei cavando.

Cavei durante dias, semanas, meses.

E não é que as pessoas estavam certas? Não tinha diamante nenhum.

Em compensação, furei um cano que fez inundar a garagem e o meu carro deu perda total. O pessoal do seguro não tinha nada previsto quanto a inundações causadas por escavações em busca de diamantes na garagem do prédio - tiveram que pagar.

Empreendedor que sou, em vez de comprar outro carro, comprei um Velotrol 72. O resto do dinheiro eu usei para abrir um restaurante. Era um restaurante de comida Vladvostoquiana. Dei o nome de "O Rei da Retífica de Motores", que escolhi em um sorteio.

Infelizmente, o restaurante não deu muito certo. Em parte porque as pessoas não se interessam muito pela tradicional comida Vladvostoquiana. Mas também porque, assim que instalei a placa com o nome do restaurante, um carro que precisava de conserto invadiu o lugar, destruindo todo o salão.

E dessa vez a seguradora já havia colocado uma cláusula a respeito de acidentes com carros invadindo restaurantes de nome confuso.

* * *

Tanque de Guerra

Quem me conhece sabe que não sou bom em negociações. Em especial, na hora de trocar de carro. Minha última experiência foi quando comprei o trio elétrico e era perseguido por micareteiros em todo lugar.

Mas vamos ao acontecimento da vez. Resolvi trocar de carro novamente. Desta vez, eu queria algo mais robusto, que agüentasse a buraqueira da cidade e, ao mesmo tempo, que fosse fácil de estacionar. O destino me fez encontrar, pregado num poste, um cartaz que anunciava um tanque de guerra à venda.

Uma coisa que eu aprendi nesta vida é a reconhecer uma oportunidade quando ela aparece. E aquilo ali, definitivamente, parecia uma bela oportunidade.

Fui ao lugar combinado. O dono do tanque de guerra me garantiu que era um veículo praticamente novo. Mal saía da garagem, em parte porque não conseguia passar pelo portão. Achei bastante espaçoso e, embora a direção fosse meio dura, a mecânica parecia estar em ordem - com exceção do canhão que, de acordo com o vendedor, vez ou outra pode travar.

Imaginei que eu fosse ter alguma dificuldade para emplacar o tanque. Então, comprei na Feira Hippie de Ipanema uma tabuleta de madeira que diz algo como "Neste lar todos são loucos uns pelos outros" e preguei no lugar da placa, de modo que ele pudesse ser facilmente identificado pelos guardas de trânsito e funcionários do Detran.

Colei também um adesivo da Apple no parachoque para que eu pudesse reconhecê-lo mais rapidamente, por exemplo, num estacionamento de shopping.

Dirigir um tanque de guerra tem lá suas vantagens. Mas é muito difícil encontrar peças originais. Por isso, já penso em trocar de carro novamente. Vi um anúncio de venda de caminhão-frigorífico que me interessou. Só falta ver se vem com ar-condicionado.

* * *

All Things Must Pass

Meu psicólogo disse que eu precisava mudar algumas coisas na minha vida. Ele também disse que eu precisava prestar mais atenção nas vozes - e fez uma cara de medo depois de falar isso -, mas isso eu não levei em consideração.

Eu não costumo levar em consideração as coisas que ele diz, desde que precisei impedi-lo de tocar fogo no próprio consultório. Mas essa história das mudanças, isso mexeu comigo.

- Daniell, ele disse. Você precisa aprender a lidar melhor com as mudanças.

Então, cheguei em casa e mudei o sofá de lugar. Depois, mudei a estante e a mesa com as cadeiras e a geladeira, que eu decidi colocar na sala também, porque combinava com o fogão que já estava lá.

Está bem difícil conviver com essas mudanças. As portas da sala - tanto a da rua quanto a do corredor - ficaram obstruídas e eu não consigo mais sair daqui. E agora não tem como eu ir ao psicólogo pra ele dizer o que acha disso tudo...

Nota do Editor
Textos originalmente publicados no blog de Daniell Rezende. (Reproduzidos aqui com sua autorização.)


Daniell Rezende
Rio de Janeiro, 11/8/2006

Quem leu este, também leu esse(s):
01. A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira de Luís Fernando Amâncio
02. O idiota do rebanho, romance de José Carlos Reis de Jardel Dias Cavalcanti
03. Quando morre uma paixão de Adriane Pasa
04. Voto em qualquer um! de Marilia Mota Silva
05. Verão, de J.M. Coetzee de Daniel Lopes


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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
10/8/2006
23h58min
Eu já conhecia um pouco dos textos do Daniell, e sempre gostei dos que li. Os personagens dele pode lá ter suas loucuras, mas, de certa forma, eles têm também suas lógicas. Ou não!
[Leia outros Comentários de Rafael Rodrigues]
13/8/2006
21h58min
Muito bom texto. É raro conseguir manter a criatividade por tantas linhas. Loucura de boa qualidade e grandes sacadas.
[Leia outros Comentários de Gustavo]
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