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Terça-feira, 1/5/2007
Entre o matrimônio e a literatura
Jonas Lopes
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Louis Begley é considerado pela crítica norte-americana um autor de segundo time dos contemporâneos. Ninguém por lá o colocaria ao mesmo nível de gente como Saul Bellow (cuja morte completou dois anos há pouco), Philip Roth, John Updike, Thomas Pynchon, Don DeLillo ou E.L. Doctorow. E é até justo: comparada à desses outros, sua prosa realmente é menos profunda, urgente e sagaz. Mas tem as suas qualidades, que não são poucas. Fã dos romanções realistas do século XIX, Begley não ousa grandes vôos no terreno da linguagem. Seus romances são convencionais, com mais ênfase na história a ser contada do que na forma dela. Pode parecer ultrapassado, mas em tempos de pseudovanguardas cheias de truques, nada melhor do que um bom personagem. O tipo de escritor que falta no Brasil.

O problema é que os críticos parecem implicar não só com a qualidade da obra de Louis Begley, mas também com o ambiente que ela aborda. Nada de pobres coitados: os protagonistas são, quase sempre, milionários (empresários, banqueiros, investidores), ou gente bem sucedida em crises de meia-idade. Não lhes falta nada, e é isso que provoca as suas crises, vividas em locais como os canais de Veneza, os bulevares parisienses, as praias desertas da Nova Inglaterra e algumas das mais paradisíacas ilhas gregas. E como poderia ser diferente, se este é o background do próprio Begley? Advogado conceituado, ele estreou na ficção com quase 60 anos. Não é uma pessoa difícil, reclusa ou atormentada, ao contrário de Roth, Pynchon e DeLillo. É fácil entrevistá-lo. E é por todo esse suposto diletantismo que os jornalistas parecem não levá-lo a sério.

É difícil evitar comparações entre Begley e o narrador de seu Naufrágio (Companhia das Letras, 2007, 240 págs.), John North, ainda que o próprio escritor faça questão de repudiar as analogias. As semelhanças, todavia, estão lá: North também é um tanto bon vivant, refinado, sossegado. Nada a reclamar de sua carreira, já que seu último romance acaba de ganhar o mais importante prêmio literário americano e seus direitos foram vendidos para o cinema por uma bolada, o que vai lhe propiciar mais alguns momentos de deleite em Paris. O problema é que ele acaba de descobrir que não gosta de seus livros, que "todos pertenciam à mesma linhagem enfadonha dos livros desnecessários". A nova constatação provoca um parafuso na cabeça de North, tão acostumado com a auto-estima lá em cima.

Naufrágio é um monólogo de John North a um homem desconhecido (o verdadeiro narrador do livro) que ele encontra em um bar francês, o L'Entre Deux Mondes. O escritor conta a ele a sua história; não só a da descoberta do fracasso profissional, mas também as suas desventuras pessoais. North vivia em um casamento estável e feliz com uma médica, Lydia. Em um momento de fraqueza em meio a sua crise literária, entretanto, envolveu-se com uma repórter francesa, Léa Morini. Nenhuma grande novidade na caracterização feita por Begley: Lydia é inteligente, segura, séria; Léa é fogosa, promíscua, imprevisível. Começa um caso tórrido, que após alguns vaivens coloca em risco o casamento tão sério e longevo.

Seria uma história bem banal, não fosse o paralelo interessante que podemos traçar entre os dilemas sexuais de John North e as pendengas literárias que ele mantém consigo mesmo. Pois Naufrágio, de certa forma, versa justamente sobre a crise criativa de North, ainda que pareça ser sobre seus relacionamentos, já que foi o primeiro problema que gerou o segundo (talvez por isso o bar onde a história é contada se chame Entre Dois Mundos...). O escritor nunca colocaria em risco um casamento bem sucedido se não tivesse começado a duvidar de seu talento. Lydia representa a vida calma e segura de alguém que sabe o que está fazendo e se orgulha disso. North nunca precisara de uma amante antes: além de uma esposa dedicada, tinha uma leitora que o incentivava e ajudava a acreditar e lembrar de sua competência. Uma vida sossegada: "a ninfa do silêncio é minha aliada. Sem ela, eu não teria escrito meus livros (...) O silêncio tem sido uma das pedras angulares da minha felicidade com Lydia".

A ardente Léa é a negação de North não só à arte que agora o repugna, mas também à forma como ele encarava até então os seus métodos de feitura literária; como um mero trabalho: "escrever romances tornou-se meu ofício desde que eu era bem jovem, recém-saído da faculdade, meu único ofício", conta. Para completar, ele ainda sofre com a culpa por ter vendido os direitos de seu livro ao cinema e ter tirado dali um "dinheiro sórdido" - o próprio Begley, por sinal, passou por isso quando seu Sobre Schmidt foi adaptado com sucesso para as telas, estrelado por Jack Nicholson. North sabe que aquilo não faz parte de sua personalidade. Os porres, mentiras, falsidades, até o monólogo que ele faz ao homem desconhecido no bar ("sou, no fundo, uma pessoa, um pessoa taciturna, que logo se cansa de tagarelas").

O ambíguo desfecho de Naufrágio, com a resignação de North em relação a quem ele é e ao quanto pode atingir, é quase uma crítica de Begley aos críticos que pegam no seu pé por sua suposta superficialidade. Ele continuará sendo uma pessoa gentil, calma, educada, que troca as badalações por trabalho: concentra-se em seu ofício. Está no segundo time de autores? Talvez. Mas tem plenas noções de suas qualidades e limites. E isso é raro.

Para ir além






Jonas Lopes
São Paulo, 1/5/2007

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