10 livros de jornalismo | Tais Laporta | Digestivo Cultural

busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Instalação DE VER Cidade - Brasília Numa Caixa de Brincar celebra o aniversário da capital
>>> CCBB Brasília é palco para “Amazônia em Movimento”, com o Corpo de Dança do Amazonas
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> Layon pinta o silêncio da cidade em quarentena
>>> A crise dos 28
>>> Mulheres fantásticas e futuristas
>>> Eu, tu, íter...
>>> Conversa de pai e filha
>>> Choro da verdade
>>> Tempo vida poesia 2/5
>>> Passado, presente e futuro das mídias sociais, por Erik Qualman
>>> Leitura-tartaruga
Mais Recentes
>>> A Viagem De Fofo de Telma Guimarães pela Editora Do Brasil (2014)
>>> Flavio - Shiró de Paulo Herkenhoff pela Pinakotheke (2015)
>>> Algumas Reflexões Místicas - biblioteca rosacruz de G R S Mead pela Amorc (1982)
>>> Michaelis Português: Gramática Prática (Nova Ortografia) de Clóvis Osvaldo Gregorim pela Melhoramentos (2017)
>>> World List Of Universities And Other Institutions Of Higher Education de Macmillan pela Macmillan (2000)
>>> Foco:uma Questão De Vida Ou Morte Para Sua Empresa de Al Ries pela Makron Books (1996)
>>> Os Orixás e os Ciclos da Vida de Norberto Peixoto pela Legião (2017)
>>> Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos de Caio Paiva pela Cei (2017)
>>> Astrologia Cabalística de Rav Philip S. Berg pela Imago (2001)
>>> Frankenstein texto integral - coleção a obra prima de cada autor 58 de Mary Shelley pela Martin Claret (2001)
>>> Combate A Lavagem De Dinheiro de Fausto Martin De Sanctis pela Millennium (2008)
>>> Criação De Conhecimento Na Empresa de Ikujiro Nonaka pela Campus (1997)
>>> Manual de processo penal de Amauri Renó do Prado pela Juarez de Oliveira (2003)
>>> Mecânica Dos Solos E Suas Aplicações - Volume 3 de Homero Pinto Caputo pela Ltc (1987)
>>> O Sobrevivente: Memórias de um brasileiro que escapou de Auschwitz de Aleksander Henryk Laks; Tova Sender pela Record (2001)
>>> A Economia Da Informação de Hal R. Varian; Carl Shapiro pela Campus (2003)
>>> O Príncipe Da Privataria de Palmério Dória pela Geração (2013)
>>> Os Segredos De Uma Encantadora De Bebês de Tracy Hogg pela Manole (2002)
>>> When You Reach Me de Rebecca Stead pela Yearling (2009)
>>> An Outline History Of European Music de Michael Hurd pela Music Sales America (2008)
>>> Historia Concisa Do Brasil de Boris Fausto pela Edusp (2001)
>>> Misteriosa Sociedade Benedict de Trenton Lee Stewart pela Galera Record (2024)
>>> Universidade Pública E Democracia de Joao Carlos Salles pela Boitempo (2020)
>>> Colonialismo E Luta Anticolonial de Domenico Losurdo pela Boitempo (2024)
>>> A Difícil Democracia. Reinventar As Esquerdas de Boaventura De Sousa Santos pela Boitempo (2016)
COLUNAS >>> Especial O que ler

Quarta-feira, 20/6/2007
10 livros de jornalismo
Tais Laporta
+ de 39800 Acessos
+ 4 Comentário(s)

Indicar livros é sempre uma tarefa arbitrária. Ainda assim, uma boa orientação pode alavancar a leitura de iniciantes aventureiros. Trombei com uma pilha de títulos sobre (e de) jornalismo durante minha formação, mas poucos são inesquecíveis, de verdade. Encontrei-os como agulhas no palheiro - mas valeu a pena. As obras ruins e medianas hoje não passam de uma vaga lembrança, enquanto que as boas - as que fizeram diferença - estão impregnadas na minha vida.

Não importa se tais livros são clássicos ou meros desconhecidos, tampouco se indicados pelas faculdades de jornalismo. Na verdade, o que interessou nessa seleção é o que atingiu meu gosto pessoal. Por isso, recomendo a lista sem culpa para quem quer iniciar sua jornada por bons livros que levam à arte do jornalismo. Ficaram de fora muitas obras-primas que mereceriam destaque, mas isso se deve à limitação da lista (10) e por ainda não ter lido um décimo da infinita gama de livros já escritos na área. Tomei como critério dois fatores: os livros abaixo podem ser encarados como verdadeiras aulas de jornalismo - valem mais que dezenas de horas em sala de aula - mas devem ser consumidos por prazer, sem aquela obrigação acadêmica.

Hiroshima (1946) - O jornalista John Hersey levou 17 dias para entrevistar dezenas de sobreviventes da bomba atômica em Hiroshima (os "hibakushas") e quase dois meses para escrever. Como resultado, nasceu a reportagem que faria 300 mil exemplares da revista New Yorker desaparecerem das bancas em menos de um dia, em 31 de agosto de 1946. Hersey reconstruiu a história de seis sobreviventes, aliando uma rigorosa apuração com técnicas emprestadas da literatura - o que deu um apetite extra ao texto. A reportagem, mais tarde lançada em livro, foi considerada por acadêmicos de jornalismo a melhor já escrita de todo o século XX. A leitura é indispensável não só porque mudou o jornalismo para sempre, mas também porque ensina como contar uma história com estilo e simplicidade.

Os Sertões (1902) - Considerado uma tortura para a maioria dos leitores, o clássico de Euclides da Cunha é um verdadeiro tratado sobre o potencial jornalístico no Brasil. Apesar do vocabulário rebuscado e de parágrafos que parecem indecifráveis, Os Sertões é o retrato de um mundo até então desconhecido pelas lentes da imprensa, construído por alguém que teve a sensibilidade de trazer informações riquíssimas em uma terra desértica. Das três partes em que é dividido ("A Terra", "O Homem" e "A Luta"), as duas últimas são as que mais interessam ao jornalismo. Os que quiserem encarar não esquecerão dessa viagem.

Por quem os sinos dobram (1940) - Ernest Hemingway foi correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola e conseguiu tirar, a partir deste episódio, uma de suas maiores criações escritas. Apesar de ser uma obra literária, Por quem os sinos dobram é um dos maiores exemplos de como um jornalista pode se apropriar da realidade para construir uma bela narrativa ficcional, sem perder a intimidade com a realidade presenciada. Segue, numa esfera internacional, o caminho de Os Sertões, ao transmitir toda a dimensão de um conflito e apropriá-lo a personagens literários.

A sangue frio (1959) - Considerado o primeiro grande livro-reportagem do século XX (inaugurou o chamado romance de não-ficção), A sangue frio resgata, com minúcias, o assassinato de uma família em uma inóspita cidade do Kansas (EUA). É um dos maiores exemplos de como o jornalismo pode mergulhar profundamente em uma realidade e reconstruí-la quase que inteiramente. Truman Capote preparou-se durante anos entre pesquisas, entrevistas e observação para traduzir o universo psicológico dos personagens e relatar os fatos que precederam o crime até a condenação dos assassinos. É um dos livros mais indicados em todos os cursos de jornalismo e referência, até hoje, da combinação entre o árduo trabalho de apuração e elementos literários.

Fama e anonimato (2004) - O norte-americano Gay Talese foi um especialista em seguir os passos de celebridades e de pessoas desconhecidas para criar reportagens publicadas nas revistas Esquire e New Yorker. Lançado recentemente no Brasil, Fama e anonimato é uma coletânea de perfis publicados originalmente na imprensa a partir da segunda metade do século XX. Divide-se em três temáticas: a vida urbana em Nova York; a construção da ponte Verrazzano-Narrows; e a vida de artistas e esportistas americanos. Talese trabalha com detalhes aparentemente inúteis, mas que, por suas mãos, dão um ar interessante à narrativa. Um de seus perfis mais famosos, "Frank sinatra está resfriado", é fundamental para entender a estrutura de um perfil. No making off "Como não entrevistar Frank Sinatra", o jornalista conta a proeza de ter escrito sobre o cantor apenas pela observação e pela entrevista com pessoas que o cercavam, visto que não conseguiu entrevistá-lo. Outra grande aula de jornalismo.

Notícia de um seqüestro (1996) - Poucos conhecem a faceta jornalística do vencedor do Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez. Pois esse lado do escritor também se mostra magistral, ainda mais quando se trata de construir um livro-reportagem. A obra reconta uma série de seqüestros, protagonizada por narcotraficantes colombianos em 1990. Depois de entrevistar as vítimas e colher informações mais que precisas, Gabo usa a precisão desses detalhes e a habilidade literária para radiografar o mundo dos cativeiros. Imperdível não só para jornalistas, mas para todos que apreciam seu jeito ímpar de contar histórias.

Minha razão de viver - Memórias de um repórter (1987) - O livro de memórias de Samuel Weiner, considerado um dos maiores jornalistas brasileiros, interessa não somente pela trajetória do repórter e, posteriormente, dono do jornal Última Hora. O livro acaba por resgatar fatos de fundamental importância para a história do Brasil, como o memorável furo de reportagem de Weiner com Getúlio Vargas, pouco antes de retornar ao poder nos anos 50. Além de ter vendido jornais como água, a reportagem influenciou decisivamente o cenário político-eleitoral da época. Embora os acontecimentos relatados partam de um ponto de vista pessoal, unem jornalismo e história como mútuos protagonistas.

A regra do jogo (1997) - Outra obra que recria a memória de um jornalista, mas também traz reflexões abstratas sobre o dia-a-dia da profissão. Um dos pontos é a ética jornalística, que, segundo o autor, deve ser comparada à do marceneiro, ou seja, à de qualquer outro cidadão. Responsável pela modernização das redações de grandes jornais - O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo - por volta dos anos 80, Cláudio Abramo emite uma série de desabafos sobre os cargos que ocupou na grande imprensa e sobre o relacionamento com colegas - grandes jornalistas do período. Boa referência sobre os bastidores das redações e sobre as relações construídas nesses ambientes, suas transformações e hierarquias.

Manual de radiojornalismo (2002) - Embora o título seja bem específico e até fuja de um foco de leitura mais generalista, seus autores - Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima -, ambos experientes jornalistas da rádio CBN, trazem um guia essencial de termos para quem atua nas mais diversas áreas do jornalismo, de economia a esportes. Interessante para consulta, principalmente para estreantes que precisam de socorro em novas editorias.

Chatô - O rei do Brasil (1994) - Ler a biografia de Fernando Morais sobre o legendário Assis Chateaubriand (1892-1968) - dono do maior conglomerado da imprensa que o Brasil conheceu - parece uma missão ingrata, dado o tamanho da obra e a aglomeração de detalhes. Lido por muitos com desgosto, Chatô pode ser encarado por outra ótica: uma importante referência sobre a imprensa brasileira, pois recria não apenas a vida de um dos maiores empreendedores do ramo de comunicações, mas também fatos históricos como a era do rádio, a chegada da televisão na década de 50 e as mudanças econômicas e políticas que influenciaram a imprensa nacional.


Tais Laporta
São Paulo, 20/6/2007

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Orkut, o Twitter e o Existir de Marcos Donizetti
02. Revisitar-se ou não, eis a questão de Pilar Fazito
03. Crônicas do ordinário de Ana Elisa Ribeiro
04. O Pianista e o Gueto de Varsóvia de Rodolfo Felipe Neder


Mais Tais Laporta
Mais Acessadas de Tais Laporta em 2007
01. 10 livros de jornalismo - 20/6/2007
02. O engano do homem que matou Lennon - 16/11/2007
03. Qual é O Segredo? - 18/7/2007
04. Gleiser, o cientista pop - 24/1/2007
05. O melhor das revistas na era da internet - 10/1/2007


Mais Especial O que ler
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
17/6/2007
13h55min
Uma excelente indicação, essa aqui. Um jornalismo de alto nível, literário, inclusive. Não precisa ser jornalista para apreciar, alguns são simplesmente livros muito bons e ótima literatura. Sinopses também muito boas. Beleza, Tais.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
14/7/2010
16h33min
Sou estudante de jornalismo, estou no 2º período. Como estou de férias, resolvi buscar no Google dicas de leituras indispensáveis para jornalistas. Deparei-me com suas dicas e acabo de terminar minha leitura sobre o livro "Hiroshima". Futuramente pretendo ler as outras nove sugestões. Muito obrigada por suas dicas, são de grande valia.
[Leia outros Comentários de Elga Melo]
12/4/2011
18h34min
Ótima dica para os profissionais de jornalismo que pretendem alcançar algum substrato cultural.
[Leia outros Comentários de CRRochaGuitar]
26/7/2013
23h54min
Parabéns, ótimas dicas. O Manual de Radiojornalismo é excelente.
[Leia outros Comentários de Epifanio Santos]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Os Gladiadores - A Saga de Espártaco
Arthur Koestler
Relume Dumará
(2006)



Eleição e Representação Curso de Direito Politico
Gilberto Amado
Sa Cavalcante
(1969)



Traços de Dezembro
Wilson Coutinho
Jornal do Brasil
(1981)



Amadeu Dávila e as pequenas bússolas celestes
Luiz Paiva de Castro
Imprinta
(2011)



O Chuveiro - Tempos Mágicos - Série a Casa
Lino de Albergaria
Globo
(1987)



A Dama da Fé
Ester Bezerra
Planeta
(2016)



Introdução À Analítica do Poder de Michel Foucault
João Paulo Ayub
Intermeios
(2014)



Um Caldeirão De Poemas - 2
Tatiana Belinky
Companhia das Letrinhas
(2007)



Cidadania Emancipação - Tempo Brasileiro 100
Coelho; Bogomoletz; Demo; Maccalóz; Peruzzolo;
Tempo Brasileiro
(1990)



Platón - Los Seis Grandes Temas de Su Filosofía
Antonio Gómez Robledo
Fondo de Cultura Económica
(1986)





busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês