Anarquia brasileira | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Xilogravura na Graphias
>>> Presente de grego?
>>> Para que serve a poesia?
>>> Conversando com Truman Capote
>>> Homenagem a Paulo Francis
>>> Meu suplemento inesquecível
>>> iPad o Leitor da Apple
>>> Um coral de 10 mil vozes
>>> Grande Sertão: Veredas (uma aventura)
>>> As novas estantes virtuais
Mais Recentes
>>> Reparando Erros De Vidas Passadas de Vera Lúcia Marinzeck De Carvalho pela Petit (1997)
>>> Gestão Ambiental: Instrumentos, Esferas De Ação E Educação Ambiental de Mari Elizabete Bernardini Seiffert pela Atlas (2007)
>>> Sentindo Na Própria Pele de Mônica De Castro pela Vida E Consciencia (2005)
>>> Mediunidade Na Biblia de Hercio M.c. Arantes pela Ide (2006)
>>> Comentários A Lei De Previdência Privada de Wagner Balera pela Quartier Latin (2005)
>>> Greta de Espaco Vida E Consciencia pela Espaco Vida E Consciencia (2005)
>>> Ate Que A Vida Os Separe de Monica De Castro, Leonel pela Vida & Consciencia (2007)
>>> Os Valores E O Tempo de Alceu Costa Filho pela Petit (2004)
>>> O Dom De Voar de Richard Bach pela Record (1994)
>>> Flores De Maria de Vera Lúcia Marinzeck De Carvalho pela Petit (2003)
>>> Quando E Preciso Voltar de Zibia Gasparetto pela Vida E Consciencia (2001)
>>> Com Amor Não Se Brinca de Mônica De Castro pela Vida E Consciência (2007)
>>> O Jardim Das Rosas de Vera Lúcia Marinzeck De Carvalho pela Petit (2003)
>>> Conversando Com Os Espíritos de James Van Praagh pela Sextante (1998)
>>> Um de Richard Bach pela Record (1995)
>>> Veu Do Passado, Espirito Antonio Carlos de Vera Lúcia Marinzeck De Carvalho pela Lumen (1997)
>>> Alguém Como Você de Cathy Kelly pela Bertrand Brasil (2010)
>>> Tudo Valeu A Pena de Zibia Gasparetto pela Vida E Consciência (2004)
>>> Meu Livro Da Consciência de Tadaski Kadomoto pela Gente Editora (2017)
>>> Carinhos ETC - História e inventário do choro de Ary Vasconcelos pela Gráfica do Livro (1984)
>>> Alice No País Das Maravilhas de Lewis Carroll pela L&pm (2010)
>>> O Evangelho Segundo O Espiritismo de Allan Kardec pela Lake (2006)
>>> Resgate No Mar - Coleção Historias De Furoes de Richard Bach pela Arx (2002)
>>> Crianças Cristal de Ingrid Canete pela Besourolux (2012)
>>> Calunga - Um Dedinho De Prosa de Luiz Antonio Gasparetto pela Vida E Consciência (2016)
COLUNAS

Quinta-feira, 21/2/2008
Anarquia brasileira
Luiz Rebinski Junior
+ de 4200 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Desde 2005, quando o primeiro show dos Sex Pistols, realizado na St. Martins Art School, em Londres, em 1975, fez 30 anos, uma série de comemorações tem servido para lembrar e discutir o legado do movimento punk. No ano passado, 2007, a bola da vez foi Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, álbum de estréia do grupo que também completou o 30º aniversário.

De origem despretensiosa, o punk ganhou contornos de movimento social depois que Malcolm McLaren, um empresário canastrão, resolveu juntar alguns desocupados que perambulavam pela loja de sua mulher, a estilista Vivienne Westwood, e formar uma banda de rock. Vestidos como mendigos e desprovidos de qualquer habilidade musical, os quatro pupilos de McLaren ― Johnny "Rotten" Lydon (vocal), Steve Jones (guitarra), Paul Cook (bateria) e Glen Matlock (baixo), mais tarde Sid Vicious ― desencadearam uma grande agitação juvenil ao mesclar música tosca, tocada em ritmo veloz, com discurso anarquista.

Incitados pela descrença geral no capitalismo e pelas reformas da primeira-ministra Margaret Thatcher, que à época reduziu os serviços sociais prestados pelo Estado à classe trabalhadora, o barulho provocado pelos três acordes mal tocados dos Pistols ganhou características políticas e ecoou além das fronteiras da Europa.

Com alguns anos de atraso, música e ideologia punk aportaram no Brasil, sendo assimilados por jovens de classe baixa sedentos por algo que lhes pudesse dar voz política em um país imerso em uma ditadura e ao mesmo tempo servisse como uma forma de entretenimento. Botinada ― A origem do punk no Brasil, documentário dirigido por Gastão Moreira, tenta mostrar o surgimento da aglutinação de jovens brasileiros, no começo da década de 1980, em torno da até então pouco conhecida "filosofia" punk.

Aos primeiros minutos do filme fica evidente o caráter pouco expansivo do punk no Brasil, com maior concentração em São Paulo/ABC paulista e iniciativas isoladas em Estados como Rio Grande do Sul (Replicantes), Bahia (Camisa de Vênus) e no Distrito Federal (Plebe Rude e Aborto Elétrico). Por isso parece pouco natural dizer que houve um "movimento punk" por aqui, se considerarmos o tamanho do país e a pouca abrangência que as idéias punks alcançaram em uma época em que não existiam as facilidades de comunicação de hoje ― ainda estávamos há pelo menos uma década e meia da internet, as informações chegavam com dificuldade e eram restritas aos grandes centros urbanos. O que aconteceu no Brasil, em São Paulo mais especificamente, teve muito mais um caráter de "turma" ou "gangue" do que algo que possa lembrar uma cena organizada. "Tem gente que leva o punk muito a sério, como se fosse um movimento político de transformação. Não é isso", diz Clemente, do grupo Inocentes, em uma das passagens do filme.

Ideologia
A contestação de ordem política e social, como mostra Gastão, restringia-se a um ou outro jovem mais informado e politizado. A maioria dos punks se revezava entre brigas com gangues rivais ― a rivalidade entre São Paulo e ABC era a mais acirrada ― e festas para ouvir punk rock.

Em comum aos punks ingleses, que em geral eram filhos de operários vindos dos subúrbios de Londres e com pouca voz ativa na sociedade, os similares brasileiros tinham o desemprego e a falta de liberdade de expressão como mote para suas aglutinações cheias de som e fúria. Mas assim como seus precursores, os punks brasileiros se notabilizaram pela falta de clareza e consistência de sua ideologia e reivindicações. O punk, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, chocou muito mais pela estética radical e agressiva ― que logo foi vista como reflexo de uma postura genuinamente adolescente ― do que por sua teoria anarquista, que até hoje, diga-se de passagem, não se sabe o que quer dizer; nada além do vago "destruir para refazer".

Do ponto de vista social o punk foi totalmente assimilado pela indústria cultural, que ao longo dos anos incorporou todo o aparato ideológico punk, transformando-o em mais um subproduto do capitalismo ― dando origem a expressões como "punk de boutique". Com relação aos três acordes não foi muito diferente, já que hoje é comum ver bandas ditas punks em programas de auditório e até rádios AM.

O que ficou ― e isso parece ter sido algo que se desenvolveu à revelia dos punks ― e se alastrou com intensidade e força foi a idéia de livre iniciativa que hoje, em tempos de web 2.0, blogs e myspace, está mais forte do que nunca. Muito além dos visuais fetichistas criados por Vivienne Westwood, que foram incorporados rapidamente pela moda mainstream, o do-it-yourself fez do rock algo bem mais palpável e descomplicado ao se opor ao virtuosismo da onda progressiva que dominava os anos 1970. O lema "faça-você-mesmo" se alastrou mundo afora e encontrou abrigo em outras formas de arte, influenciando escritores, artistas plásticos e cineastas. É aí que reside o grande legado do punk enquanto movimento de contracultura. Ao reforçar a idéia de que tudo está ao alcance de todos, bastando apenas certa dose de talento e persistência, o punk democratizou o acesso à arte ― ainda que coisas bizarras tenham aflorado a partir do encorajamento punk. A cena que hoje se conhece como indie no Brasil, deve muito aos jovens dos anos 1980 mostrados em Botina. De certa forma, aqueles rapazes podem ser considerados os desbravadores do modelo empreendido hoje para se fazer e consumir música ― ainda que, na época, fosse pouco provável que soubessem disso, nada que lhes tire o mérito.

O próprio filme de Gastão Moreira é emblemático da postura de enfrentamento revelada pelo punk, já que é visivelmente uma obra de baixo orçamento e que tem em sua essência o espírito punk. Além de trazer depoimentos de figuras seminais da cultura punk ― Kid Vinil, João Gordo, Ariel, Clemente ―, o documentário resgata cenas raras que ajudam a entender a efervescência da época em torno dos três acordes. Gastão também traz à tona gente ligada à história do punk brasileiro, como Antonio Bivar, autor do clássico O que é punk, e Silvio Essinger, escritor de Punk, anarquia planetária e a cena brasileira, que aparecem como representantes da parca bibliografia nacional sobre o tema. Apesar de não se aprofundar em questões pontuais como o legado e a influência do punk na sociedade hoje, e ser excessivamente pedagógico e pouco crítico em alguns momentos, o filme de Gastão Moreira tem o mérito de resgatar parte da história recente do país que há tempos merecia ser retratada. Mas pelo que se propôs a fazer (contar a origem do punk brasileiro), Botinada certamente já pode ser considerado uma referência sobre o assunto.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 21/2/2008

Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2008
01. O jornalismo cultural no Brasil - 2/1/2008
02. Bukowski e as boas histórias - 15/10/2008
03. Despindo o Sargento Pimenta - 16/7/2008
04. Dobradinha pernambucana - 23/1/2008
05. O óbvio ululante da crônica esportiva - 27/8/2008


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
23/2/2008
11h16min
Esse documentário omite seus antecessores históricos: "Garotos de suburbio" do Márcio Meirelles, de 1983 - e "Punk molotov" de João Carlos Rodrigues, de 1984/5. Este último é a prova de que o movimento existiu também no Rio de Janeiro, e teve boa repercussão na época e passou em vários festivais. "Punk molotov" e creio que também "Garotos de subúrbio" existem nos arquivos Videobrasil em SP e podem ser vistos pelos interessados.
[Leia outros Comentários de João Carlos Rodrigue]
27/2/2008
16h11min
Legal, Luis, deu vontade de ver o filme. A coisa mais sedutora, mais interessante do punk [para mim] era dizer que qualquer um, por mais pé rapado e ignorante que fosse, devia pegar um instrumento musical e começar a fazer música; não para o bem geral da nação ou da Arte, mas para o bem dele mesmo e no máximo dos seus dez amigos mais próximos. As bandas punks "profissionais" obviamente são as que a gente mais conhece, mas de certa forma acho que elas são uma contradição em termos, um paradoxo. O melhor do punk era o seu pior, o mais caseiro, mal-ajambrado, esculhambado - aquelas coisas tão ruins que nem a indústria de consumo [pelo menos naquela época] dava conta. E pouca gente percebe que é preciso uma coragem quase heróica para ser verdadeiramente péssimo, que é uma outra forma de ir além da mediocridade.
[Leia outros Comentários de Paulo Moreira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Mini Vade Mecum Civil e Empresarial 2017 / 2018
Darlan Barroso e Outos
Rt
(2017)



As Primeiras Invenções pré-história a 1200 a.C - Portugues Brasil
Readers Digest
Readers Digest
(2012)



Erasmo de Rotterdam
Luiz Feracine
Escala
(2011)



A História de Dora Voadora
Toni Brandão
Studio Nobel



Saúdeloucura - 2ª Ed.
Antonio Lancetti e outros...
Huncitec
(1997)



O Mistério das Bolas de Gude
Gilberto Dimenstein
Papirus
(2006)



Meu Depoimento Sobre o Esquedrão da Morte
Helio Moro Mariante
Pontificia Comissão de Justiça
(1977)



Moderna Plus Fisica 2 Parte III
Ramalho Nicolau Toledo
Moderna



Ensaios De Amor
Alain De Botton
Rocco
(1997)



Sudário
Guiomar de Grammont
Atelie
(2006)





busca | avançada
65166 visitas/dia
2,5 milhões/mês