1 O que falar sobre as eleições? Que de dois em dois anos a história se repete? Qual história? Nossa história, ora: nós procurando alguém confiável e honesto para votar, feito quem procura agulha em palheiro, só para usar um ditado popular (rimou!). E aí ouvimos alguém dizer que não existe político honesto, que ser político virou sinônimo de vida fácil, uma maneira de ganhar um bom dinheiro sem fazer muito esforço etc. O pior é que é verdade. Não é isso que vemos no horário eleitoral: uma porção de gente que está doidinha para ser eleita e começar a mamar nas tetas do governo?
2 Mas, sim, é verdade: eu já quis ser político. Isso foi há um bom tempo, faz bem uns oito anos. E não tenho vergonha de admitir isso. Afinal, eu tinha as mais nobres intenções. Como eu disse: "Dos 17 aos 19 anos pensei no que faria de minha vida dali por diante. Ser historiador? Jornalista? Político? Sim, pensei na política. Foi no que pensei primeiro, aliás. Todo jovem é ingênuo, e eu já fui, um dia. Ainda sou, um pouco. Mas enfim. Quis ser político. Resolver os problemas da minha cidade, do meu estado, do meu país. Se não me engano, foi Rimbaud quem disse que não se é sério aos dezessete anos. Querer, aos 17 anos, ser político, é uma piada. Aliás, querer ser político é sempre uma piada, em qualquer idade".
3 As propostas dos candidatos são sempre as mesmas. Lutar pela educação, pela segurança e pela saúde. Mas sempre tem um ou outro engraçadinho que foge do padrão, do discurso cansado, batido. Vi no YouTube um que dizia mais ou menos o seguinte: "estou desempregado, doente, com a casa caindo aos pedaços e quero o seu voto para resolver os meus problemas". Acreditem ou não (eu mesmo me pego duvidando), o cara foi eleito, para vereador. E depois ainda concorreu ao cargo de deputado federal. Se eu fosse candidato, seria original também. Meu discurso seria mais ou menos o seguinte: "Meu amigo, minha amiga. Meus companheiros! Peço o seu voto não para lutar pela saúde, pela segurança ou pela educação. Não entendo nada de política, não farei projeto nenhum. Apoiarei alguns, tentarei barrar outros. Minha verdadeira intenção é servir de bode expiatório na câmara de vereadores. Sim, amigos, eu seria o dedo-duro, um espião. Eu ficaria de olho em todos os meus colegas e os denunciaria sempre que percebesse alguma irregularidade. Vote em Rafael, por uma política mais medrosa". Teria que deixar o discurso mais bonitinho, mas seria basicamente isso aí.
Por causa de pensamentos como o teu (e de tantos outros), Rafael, é que a política brasileira está desse jeito. Se somente pessoas como tu se candidatassem a cargos eletivos para as câmaras, assembléias legislativas, senado, prefeituras, governadorias de Estados e presidência da República, certamente que teríamos uma "política" bem melhor do que a que temos. Não diria perfeita, mas menos corrupta. Acontece, que os "bons" não querem se arriscar, e aí acaba dando isso: os "maus" ocupam o lugar dos politicamente corretos. Se a nossa política está impregnada de desonestos, é porque os honestos não têm coragem de assumi-la.