Capitu, a melhor do ano | Marcelo Maroldi | Digestivo Cultural

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Segunda-feira, 29/12/2008
Capitu, a melhor do ano
Marcelo Maroldi
+ de 7700 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Em 2005 escrevi neste Digestivo sobre a série Hoje é dia de Maria, do diretor Luis Fernando Carvalho. Curiosamente, meses antes havia comentado superficialmente a consagrada peça Regurgitofagia, de Michel Melamed. Ora, sempre fui um admirador confesso de ambos, e, portanto, se surge um novo projeto unindo-os eu não poderia ignorar. Por isso, desde o princípio acreditei que a microssérie Capitu seria um sucesso, digna dos melhores do ano.

Antes de assistir ao primeiro capítulo, li que o argumento defenderia um ponto de vista específico, o da traição da Capitu. Fiquei ligeiramente preocupado; pensei: "vai arrepiar os acadêmicos e os conservadores"; mas depois concluí que não havia problema, é exatamente isso que todos nós leitores fazemos: escolhemos uma interpretação. Mesmo os mais preparados têm suas leituras particulares da obra ― concebem a traição ou não. A única diferença é que estes sabem que a questão não deve verdadeiramente ser colocada. Se nós fazemos a nossa interpretação e optamos por um lado, o Luis Fernando também pode. Capitu é a interpretação dele, quer você concorde, quer não. Quem quiser ser fiel à obra, sem dar um passo adiante ao que escreveu Machado, que fique com o livro e esqueça a série. É uma livre adaptação, ou seja, é de fato livre para uma releitura (podendo, eventualmente, até modificar partes centrais da trama), por isso pode basear-se pontualmente em um capítulo, em frases isoladas etc., de modo a configurar o ponto de vista dele, o que ele quis; houve traição! Por que é preciso seguir estritamente a obra? É como criticar Moulin Rouge como remontagem de A dama das camélias e tantos exemplos em que o original é alterado. Se muitos torcem o nariz, acham um absurdo e um desrespeito, respondo: fiquem no original e nos deixem gostar e gozar nossa liberdade em livres adaptações! Ou fiquem com ambos, original e adaptação, é sempre melhor outra análise (não seria interessante assistirmos a uma nova versão da obra com um diretor que admite não ter ocorrido traição?).

Seja como for, esta é uma questão que simplesmente não importa. É tolice levantá-la, e se o fiz foi para extirpá-la em definitivo. Não faz diferença com quem deitou Capitu. Li repercussões da microssérie que diziam estar de volta uma grande questão: teve ou não adultério? Ora, a questão não é essa, não pode ser essa! Quem se preocupa com ela não compreende o objetivo machadiano, não entende a discussão e os problemas que se colocam. A traição é quase, ouso dizer, secundária. Calma, leitor, não a minimizo, mas, veja, Bentinho também nunca soube se havia sido traído! Todos aqueles sentimentos profundos e marcantes que dele emergiram talvez nem motivação tivessem! Por isso não nos importa se ele foi traído; ele agiu como agiu, e é isso que sabemos. Ponto final. O que importa é o que está lá escrito, não o que nós leitores compreendemos. Por isso não me interessa se a Maria Fernanda Cândido traiu o coitado do Melamed!

Contudo, não podemos inocentemente crer que um romance é livre para toda e qualquer interpretação. Ele não é! Quase toda obra literária tem uma intenção ― a maioria, pelo menos. Seu autor sabe o que quer escrever, sabe precisamente onde colocar a dúvida, aquela frase que muda o rumo das coisas, uma cena a confundir todos nós. Geralmente o autor possui, sim, uma intenção, é natural. Mas se Machado de Assis não escreveu o que ocorreu e usou um narrador tendencioso não significa que nem ele soubesse; pelo contrário, apenas reforça a tese de que quis deixar suspenso tal acontecimento, o leitor que decida (ou não, também é lícito ficar em cima do muro). Cada um decida por si, mas se ele quisesse ter contado o que houve, teria contado e pronto. Não sejamos tolos a ponto de crer que não há uma verdade, é claro que há! Mas jamais a saberemos, e esta especulação, então, só serve para as mesas de bar; assim, criticar o diretor por tomar partido é uma grande besteira. É um livro que não morre, este Dom Casmurro. Sempre haverá leitores decidindo por ele o que houve! Quem disse que a arte é apenas contemplativa? Não, nem sempre, é preciso ser ativo (como Sócrates e Protágoras discutindo uma interpretação do poema de Simônides). Não importa se Bentinho foi traído, nos importa o que conseguiu Machado: criou uma trama que resistiu por 200 anos sem uma resposta concreta; tanto que é possível defender ambos os lados...

Agora vamos à Capitu sem a sombra maldita do Machado. A série seguiu o mesmíssimo formato da citada Hoje é dia de Maria e de A Pedra do Reino, o que é bom e ruim. Bom porque funciona, é lindo. Ruim porque já começa a enjoar: será que o Luis Fernando fará sempre esta mistura de circo e teatro? É verdade que Dom Casmurro já está de tal forma incrustado em nós leitores que seria difícil contá-lo sem que se tentasse uma nova forma. Imagine sua chatice em formato de uma novela televisiva!? Por isso, a forma circense e teatral deu ânimo a uma obra para muitos apenas literária e sem graça. Ora, ver Bentinho travestido de Capitu ou seu ator se desmontando embasbacou o leitor mais fiel, sem dúvida. E o que falar da mistura do novo e do velho? Do conservadorismo original posto à prova por inovações e modernismos que colocaram fones no ouvido de Capitu e um celular para o desesperado Bentinho? Caros, é preciso se permitir essa mistura, adentrar a série sem as amarras do livro, sem caretice, não se importar se a Capitu jovem da série tinha uma tatuagem verde no braço. Ali, mais que tudo, é um mundo de faz-de-conta que permitiu desenhar um muro imaginário no chão impedindo os namoradinhos de se verem, ou fazer Bentinho tocar seu próprio coração angustiado. Se o Machado se mexeu no túmulo, problema dele, esta é a série, não seu livro. Sem dúvida, uma nova maneira de contar uma história velha. É preciso se despir do gasto, do usado e tentar o novo. O que há de errado em ter sido um Bentinho circense, Mainardi? Por fim, uma nota sobre os atores, dos quais apenas um me decepcionou: a formosa Maria Fernanda Cândido, cenicamente pobre demais para uma Capitu. Sua beleza não foi suficiente para ofuscar o talento dos outros atores, como o Bentinho (jovem e adulto).

Por isso tudo, a série merece estar entre os melhores de 2008. Os conservadores e os chatos de plantão que me desculpem, mas Capitu salvou o final do meu ano na televisão. E isso não me impede de ficar também com o livro: fico com os dois, amigo leitor.

Nota do Editor
Leia também "Uma impressão sobre Capitu".


Marcelo Maroldi
São Paulo, 29/12/2008

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O primeiro e pior emprego de Marta Barcellos
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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
12/1/2009
18h22min
Há muito sou leitora do Marcelo Maroldi, porque percebo nele o talento de dizer, em palavras, pensamentos improváveis à maioria de nós, leitores, transformando-os em idéias tão claras que quase nos envergonhamos de não sermos nós os autores daquele pensamento, já óbvio. E desse vez não foi diferente: com a ressalva de que, após Barthes, não nos importa (caso haja!) o que o "autor quis dizer", afinal a leitura é terreno entre leitor e texto, e mais ninguém, há muita propriedade (além do delicioso humor ranzinza) em "Se o Machado se mexeu no túmulo, problema dele, esta é a série, não seu livro." Ler, pensar, duvidar, mexer: são prazeres e direitos do leitor. Ser lido, pensado, mexido: é inerente ao texto. Ao autor, cabe a dor da autoria e alguns cascalhos por direitos autorais. Nada mais. Os pensamentos que saem de si serão outros até que se tornem palavras; se lidos, serão tantos e tantos. E são nossos. Concordo com MM: leituras são sempre bem-vindas! Belas, como Capitu, desejadas!
[Leia outros Comentários de Kátia Chiaradia]
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