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Segunda-feira, 27/9/2010
O governo de uns, o governo de outros
Tatiana Mota
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+ 1 Comentário(s)

A Holanda passa por momentos decisivos na tentativa de concluir o governo do primeiro-ministro enquanto nosso país se prepara para as eleições. Aqui os cidadãos já votaram, mas no parlamentarismo é tudo diferente. O voto foi para o partido, e aquele vencedor tem a prerrogativa de nomear o primeiro-ministro, mas como não possui um número considerável de cadeiras no parlamento, para apenas 150 damas e cavalheiros, deve negociar com os demais partidos e formar seu gabinete de ministros com a presença de seus aliados.

Na verdade, tenho achado a política dos Países Baixos extremamente diferente do que conheço. Moradores de pequenas cidades poderiam estar totalmente alheios às eleições aqui, não há muitas propagandas e programas de TV, nem outdoors gigantes estampando o rostinho dos candidatos, e o voto não é obrigatório. Lembro-me de ter visto um pequeno outdoor com alguns cartazes, mas nem estava cheio. Somente nas grandes cidades, conte-se menos de cinco, havia uma campanha mais presente, com políticos desfilando pelas ruas e cumprimentando possíveis eleitores.

Algo similar ao nosso país é a pluralidade de partidos, que aqui chega a uma dúzia. O mais interessante é disparado o Partido Para os Animais. O site internacional do partido esclarece a principal meta: evadir a pecuária, acabar com a exploração dos pobres bichos que chegam às nossas mesas todos os dias. Diz-se, em um vídeo que começa com leves imagens de abatedouros de frango, que o desmatamento está intrinsecamente ligado à pecuária. Verdade, e tive pena dos nossos colegas galináceos, mas não podemos nos esquecer de outros fatores, da agricultura descontrolada, da expansão urbana não planejada etc. Enfim, apesar de ser um grupo de uma música só, não deixa de ser louvável a iniciativa. Quando outros países deixarem de possuir milhões de famintos, quem sabe haverá também espaço e possibilidade para criar um partido inteiramente dedicado aos companheiros animais.

Durante a campanha eleitoral os debates eram interessantes, principalmente quando eu entendia as conversas dos candidatos a primeiro-ministro. Meu preferido foi um organizado pelas crianças, no qual os políticos fizeram jogos e até dançaram, mas também responderam a todas as perguntas formuladas pelos pequenos. Havia um senhor do gabinete atual tentando continuar, sósia do Harry Potter, candidatos de direita e esquerda, mas um se destacava. Não era o cabelo platinado que sobressaía mais no tal candidato, não eram as ideias absurdas que gritavam mais alto, e sim a certeza de que se tratava de um político profissional, o único que vi por aqui.

Até o topete loiríssimo do Sr. Wilders demonstra que ele conhece as táticas usadas por raposas mundo afora para convencer os eleitores. Ainda por cima bem inteligente, havia estudado com cuidado dados e informações relevantes para defender suas ideias. Por vezes percebi os outros candidatos apanhando figuradamente de Wilders, com seu discurso perspicaz.

Não obstante, ideias por demais radicais diante da presença de certos imigrantes, pertencentes a certas culturas de determinada crença na qual o líder espiritual se chama Maomé. A solução, de acordo com o político, é mandá-los de volta para seus países, literalmente. As ideias defendidas por ele me fazem lembrar Justo Veríssimo, famoso personagem de Chico Anísio que queria exportar os pobres do Brasil para o outro lado do Atlântico, atirando-os ao mar.

Seu weblog, em inglês, não esconde em nada suas ideias. Ele não tem medo, cita inclusive trechos do Alcorão para defender suas posições. Ameaçado e processado por suas posições consideradas racistas, declara que como primeiro-ministro iria transformar os véus em apetrecho ilegal, congelar a imigração que vier de países islâmicos e proibir a construção de mais mesquitas na Holanda. O problema é que tais ideias me recordam famosas figuras da história mundial, como o senhor Hitler e os encapuzados da KKK.

Há dificuldades bem reais envolvendo a presença de certas comunidades de outros países aqui na Holanda, com maior criminalidade e analfabetismo, ausência de integração e comunicação com outros povos, imigrante ilegais, e em alguns casos uma religiosidade mais extrema que fere as noções contemporâneas de direitos humanos. Então Wilders e seu partido PVV crescem, pois alguns nacionais, incluindo-se homossexuais e pessoas muito ligadas ao tradicionalismo holandês não se sentem mais tão confortáveis em seu próprio país. É um radical combatendo outro extremista, sem dúvida.

Como se sabe, tal movimento é visível em várias nações do continente europeu em relação a ondas imigratórias, que em algum momento de suas histórias foram convenientes, mas que agora, em época de crise, devem ser duramente combatidas. Para habitantes de vários países não europeus e norte-americanos, já é muito difícil e caro imigrar para viver aqui, posso afirmar, então, caso as regras se acirrem, ninguém sobreviverá à fase final, é certo.

Compreendo o problema, mas não acredito em soluções radicais de ambas as partes. Não pode haver assassinatos ideológicos, como houve com um descendente de Van Gogh, esfaqueado por um homem que não aceitou o documentário de ideias anti-islamitas produzido por ele. Por outro lado, Wilders quer praticamente retirar do país um determinado povo, que já possui direitos civis, e que às vezes até nasceu aqui, como segunda ou terceira geração. A própria Declaração dos Direitos Humanos de 1948 não permite exclusão de pessoas por motivos religiosos, em seu artigo 2º. Sendo assim, na prática não creio ser possível ver as ideias do líder do PVV acontecerem.

No entanto, o resultado das eleições aqui deu uma vitória enorme ao senhor topete platinado, colocando seu partido em terceiro lugar em números de cadeiras na câmara. O PVV tem a difícil tarefa de colocar 24 congressistas no parlamento, no entanto, possuem meia dúzia de malucos e nem todos os membros são inteligentes como o líder do partido.

Tendo em vista a questão das cadeiras na câmara, o novo primeiro-ministro, do partido direito-liberal VVD venceu, mas não ganhou. Apesar de não haver consenso sobre Wilders, que gera opiniões do tipo ame ou odeie, ele aparece e desaparece da mesa de negociações, não podendo ser ignorado pelo relevante número de assentos no parlamento. O impasse começou em junho e ainda não se resolveu durante as tentativas esquerdo-direitas, direito-esquerdas, centro-oblíquas... Só prevaleceu o meia volta, volver.

O momento aponta para uma solução muito peculiar. Tudo indica que o governo terá um gabinete formado pela minoria de direita, com apenas o vencedor, VVD e o CDA, do sósia do Harry Potter e o colega radical estará presente para apoiar o governo, mas sem poder de decisão. Ainda não compreendi que papel é esse, pois Wilders apoia o governo, mas não participa diretamente deste. Alguns creem ser esta a melhor situação para o líder do PVV, podendo influir nas decisões do governo sem ser diretamente responsável por elas. Particularmente minha preocupação é pensar como será possível exercer a governabilidade com pouquíssimas cadeiras no parlamento. O principal partido de oposição lançou campanha contra a presença de Wilders no novo governo, mobilizando a sociedade contra esta coalizão. Políticos do CDA têm abertamente demonstrado sua posição contra o novo gabinete. Como terminará esta novela? Somente saberemos nas cenas do próximo capítulo.

Enquanto isso, o super loiro continua sugando a atenção da mídia, pois agora esteve viajando e registrou discurso de protesto contra a construção da mesquita próxima ao marco zero, antigo World Trade Center, em Nova York, em pleno 11 de setembro. Pronunciou-se ferozmente enquanto os colegas políticos se preocupavam com a exposição de seu país através das palavras de Wilders. Assim continuamos a assistir o complicado relacionamento entre essas culturas e a nossa, nos comovendo também com a situação de Sakineh, que pode morrer por apedrejamento a qualquer momento. A minha ignorância chega apenas à conclusão de que há um livro sagrado que é interpretado de várias maneiras a depender do país, mas que os direitos humanos devem ser respeitados por todas as nações, estejam elas no oriente ou no ocidente.

No tocante aos movimentos de governo por aqui, e todas as matérias relativas à campanha eleitoral por aí, fico refletindo nas vantagens do parlamentarismo e do presidencialismo. No primeiro, elege-se o partido; no segundo, os eleitores votam diretamente para o presidente e o congresso. No parlamentarismo há sempre um chefe de estado e um chefe de governo, no presidencialismo os dois são uma pessoa só. No presidencialismo há uma clara separação e independência entre os poderes, no parlamentarismo um depende muito mais do outro, pois um pode derrubar o outro com mais facilidade.

Concluo o óbvio, novamente apoiada pela simplicidade de minha ignorância, o principal é eleger bem quem estará à frente de nossos países. Uma coisa negativa em nosso Brasil é que ainda há grande fome de poder, aqui vejo menos esse tipo de comportamento. Houve dois políticos que abdicaram de seus cargos por razões pessoais, sem qualquer tipo de escândalo. Queriam dedicar-se às suas famílias e a carreira política não se conciliava com suas vidas pessoais. Mas não podemos simplesmente comparar nosso grande Brasil a um país que possui população do tamanho da cidade de São Paulo e conhece a democracia há mais tempo. E lembre-se, elegeram um talibã às avessas para tomar por eles suas decisões.


Tatiana Mota
Hilversum, 27/9/2010

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* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
28/9/2010
11h30min
Construir mesquitas não é o mesmo que construir um terreiro de candomblé. Atrás da mesquita vem o estado teocrático e as leis islâmicas. Enquanto o ocidente, ainda que com resalvas, libertou a mulher da condição de "animal de serviço e lazer", no outro lado, o talak repetido três vezes pelo marido é suficiente para repudiar a esposa e tocá-la para fora sem nenhum direito. Mas não é só. Infibulação, mutilação, lapidação, violência e brutalidade como forma de pena e castigo por qualquer motivo, remetem a mulher à condição de criatura do mal, indesejavelmente necessária. Gerações de filhos de imigrantes que não se deixam misturar, ou não são absorvidas, continuam estrangeiras. Um problema? Por certo são. Mas não dá para condenar a tentativa de alguns países europeus em preservar suas identidades, costumes e civilização. Para isso, terão que começar a limpar as ruas, os banheiros e as próprias casas. Terão que pegar no pesado, senão, Alá vai pegar...
[Leia outros Comentários de Raul Almeida]
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