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Terça-feira, 16/7/2002
Mudernidade muderninha
Evandro Ferreira
+ de 2400 Acessos




Há muito que estou com vontade de ir assistir a uma apresentação de video-arte ou arte eletrônica, só para escrever um artigo sobre como são pobres e imbecis 99% das obras de arte dessas categorias. O texto então ficaria mais convincente se eu usasse um exemplo concreto de uma obra recém-vista.

Mas vou confessar. Não tenho paciência. Quarta-feira passada quase fui ao Itaú Cultural assistir a um video-artista húngaro. Na última hora desisti e fui ver o episódio II de Star Wars. Mentalizei os dois programas na minha cabeça e pimba: não ia ser dessa vez! Então resolvi apresentar a minha aversão ao que se chama de "arte muderna" (diferente de arte "moderna", é importante lembrar) como uma simples, digamos, opinião irônica. Já que quatro anos de um curso de comunicação social na universidade me puseram a nocaute. Eu simplesmente não consigo escrever mais nada sobre formas "muderninhas" de arte. Sinceramente, acho que elas são matéria para uma charge (como a de Umberto Ego e Gilberto Gideleuze, na Bravo!) e não para análises profundas.

Entetanto continuo lutando com meu "eu", e talvez algum dia eu consiga criticar mais consistentemente coisas como manifestos hipermidiáticos, guerrilha virtual, apropriação de espaços urbanos e todas essas coisas. Afinal, it's a dirty work, but someone's gotta do it. Por hora, cito um trecho da sinopse de um vídeo, que tirei de um folder da já citada instituição, que financia a exibição de muitas das obrinhas intelectualizadas que encantam os estudantes e professores universitários aqui da terra do sabiá: "O protagonista invade armazéns abandonados, escalando os telhados para transmitir sua alucinatória performance-manifesto, fazendo do próprio corpo um dispositivo de telecomunicação e uma arma. É um corpo conectado no ritual da união sexual do homem, da máquina e da eletricidade. O húngaro Istvan Kantor, também conhecido pelo codinome Monty Cantsin, traz no polêmico "Broadcast" corpos mecânicos e artifícios digitais para contestar a estrutura da comunicação e o lugar do indivíduo na sociedade tecnológica."

Não vou comentar o trecho, mas apenas enfatizar que deve ser mesmo muito "chic" ter um codinome. Tamanha "ousadia" artística deve fazer Fernando Pessoa tremer de inveja em sua sepultura.

Passo a outro trecho, de uma instalação organizada por outra instituição: "A performance-instalação desenha inscrições do corpo e da matéria em metamorfose, suporta-se nas questões subjetivas das poéticas da alteridade e da instauração de campo de imanência. Propõe uma reflexão dos elementos simbólicos do sadomasoquismo. As indagações surgem no campo da sexualidade, do erotismo e da presença ancestral e real, a pele é dada como interface nas trocas de energia do corpo com os elementos externos."

Esse eu posso comentar: "hum... legal, véi!! Esse troço de campo de imanência é a maior viagem!".


De campos e campos


Diante do que acima foi dito, gostaria de escrever aqui algumas linhas contra os "campos de imanência" e a favor dos "campos de força"!

O que seria de nossas infâncias sem os campos de força? Como iríamos escapar daquele coleguinha chato que nos dava um tiro de espoleta com seu revólver prateado? O único truque que existe para escapar da morte inevitável é afirmar com todas as forças: "eu liguei o campo de força antes de você dar o tiro"! Então nosso coleguinha, ainda que revoltado, vir-se-ia na obrigação de aceitar. O que se poderia fazer? Afinal de contas era possível que fosse verdade, já que os campos de força são invisíveis.

Mas o que diríamos se o nosso coleguinha viesse com a afirmação de que o campo de imanência da bala de seu revólver é mais forte que nosso campo de força? E se ele dissesse que esse negócio de campo de força é uma imposição da indústria cultural norte-americana e que Adorno e Horkheimer já sabiam disso na década de quarenta?

Bem, posso dizer que eu ficaria sem argumentos e seria obrigado a "morrer". Mas ficaria com aquela sensação inevitável de que ele jogou sujo. E, além disso, mais cedo ou mais tarde eu descobriria que não morri e que, portanto, seu campo de imanência valia tão pouco quanto meu campo de força e, no fim das contas, o meu ao menos era mais divertido.


Brincando de teorias


As explicacões que leio nesses folders e releases de "arte muderna" sempre me pareceram como as brincadeirinhas de criança. "Campos de imanência", "a pele como interface", "trocas de energia", "qualidades sensoriais", "potencialidade existencial", a lista é interminável. E todas essas expressões poderiam fazer parte de uma brincadeira infantil em que um guri "combate" o outro com todas as forças da sua imaginação, sem se preocupar com a realidade, mas apenas se sua "potencialidade existencial" não vai ser destruída pelas "qualidades sensoriais" do outro, após uma "troca de energia".

Isso me entristece muito. Posso estar errado, mas estou vendo todos os guris nas cadeiras de nossas faculdades de comunicação e nos "espaços" culturais espalhados pelo país. Tudo bem, os meninos têm o direito de brincar e se divertir (não é para isso que serve a arte muderna?). O problema é que os meninos querem vencer aquilo que eles acham que é uma batalha, uma guerra. Então os meninos começam a publicar livros que dizem que a vida é um caos, que a pele é uma interface como a tela do computador e que o exército zapatista é uma maravilha, por ser um exemplo de combate às formas "neoliberais" de mediação da informação na América Latina. Tudo isso tem um fim? Não sei se tem fim, mas sei que tem uma finalidade, e que ela é política.

Quanto ao fim, o que vejo é um oba-oba de pseudo-intelectuais auto enxertados com microchips, fazendo sexo muderninho com seus PCs de trigésima geração e hiper-mega-contentes de não estarem sendo manipulados pelas malignas forças neoliberais do distante século XXI, pois fazem parte do líquen (ops!) proletariado desalienado, formado de indivíduos conscientes de sua condição de seres-pele-interfásicos pós-libertados, discípulos do Grande Betto, cuja teoria, reinterpretada, passou a aceitar a inclusão digital e as novas comunidades blog-pensantes.

Em tempo, esse fim que "vi" não foi inventado por mim, mas apenas desenvolvido a partir de uma bricolagem - essa sim de minha autoria - de todas as teorias que passeiam pela minha cabeça de ex-universitário parcialmente imunizado. Também não sei onde o senhor Fidel Castro pode ser encaixado nesse futuro promissor, mas tenho certeza de que encontrarão um lugarzinho para ele e para o "Che".



Evandro Ferreira
Belo Horizonte, 16/7/2002

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