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Sexta-feira, 27/12/2002
Sua empresa faz festa de Natal?
Arcano9
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No mundo das grandes empresas, corporações, multinacionais, ou seja lá o que for do mundo capitalista londrino, o fim de ano é sinônimo de vergonha. A tradição das Christmas Parties nas firmas não sei desde quando existe, provavelmente desde os tempos da Revolução Industrial. Dá para imaginar na Era Vitoriana aquele bando de homens extremamente formais, vestindo suas cartolas e fraques, enfiando sonoramente o pé na jaca e dando uns amassos na gostosa colega de trabalho, para dois dias depois, com a cabeça menos latejante de tanto gim, vir como um cachorrinho pedir perdão com um cerimonial abaixar de cabeça frente à dama. A mesma cultura que venera a distância, a formalidade e a superficialidade (desagradáveis filosofias às quais lamentavelmente eu, no exílio, sou obrigado a confessar ter aderido à força em 3,5 anos de Britannia) venera e abençoa os sonoros pés na jaca. Cansei de ver britânicos no metrô, meia-noite de sexta-feira ou sábado, bêbados, fazendo coisas absolutamente horrendas. Uma amiga minha foi ao limite ao testemunhar um sujeito defecando em pleno corredor de acesso à Central Line na estação Bond Street. O honrado cidadão, que claramente não era um mendigo mas sim um representante da classe média londrina, com o rosto contraído de gargalhadas e fétidos odores. No dia seguinte, é assim: na dor de cabeça, liga um amigo. Risadas. "Você não acredita o que eu fiz ontem à noite, mate..." Há também aqueles que se orgulham de perder o celular durante a noitada, ou de acordar na sarjeta, e que guardam essas lembranças como troféus imaginários no armário de bebidas de suas mentes.

Alguns números são sempre bons: uma pesquisa (o assunto é tão importante que foi objeto de pesquisas) feita pela Momentum Financial Services concluiu que aproximadamente 2,3 milhões de pessoas no Reino Unido vão fazer algo embaraçoso na festa de Natal da firma neste ano. Das 1200 pessoas que responderam à pesquisa, 44% disseram que dançaram "de maneira imprópria" na festa do ano passado; cerca de 30% deram um amasso no(a) colega de trabalho, 22% disseram, com todas as letras, para o chefe enfiar naquele lugar o salário sem aumento deste ano, e por aí vai. Outra pesquisa, conduzida pela Royal Society for Prevention of Accidents, indica que as festas desse tipo vão representar um gasto de 110 milhões de libras às empresas neste final de ano. O prejuízo é maior se levarmos em conta que 1 em cada 5 funcionários festeiros vai tirar 3 ou mais dias de folga depois da orgia para se recuperar. Alguns deles vão se recuperar não só da bebedeira, mas de cortes profundos na bunda e nos genitais, já que aqui existe o hábito idiota de alguns funcionários de, durante a festa no próprio ambiente de trabalho, tirar xerox de seus traseiros, sentando no vidro da máquina de fotocópias. Se você for pesado demais, pode se dar mal.

O aspecto mais triste dessa história em princípio engraçada é que há aquela pilha de pessoas que vive, dorme e acorda nos prédios das grandes corporações e que, no final de ano, se obriga a passar mais algumas horas na companhia de seus odiosos vizinhos de cubículo por se sentirem pressionados a isso. Um outro levantamento, feito há dois anos pela Office Angels Recruitment, indica que, de 10 funcionarios, 6 consideram que faltar à festa pode colocar em risco suas chances de crescer dentro da empresa. Então, eles vão. Festa divertida, bebida pra caramba, paga pelo chefe, velhas piadas e velhas caras que você não aguenta mais ver, mulheres feias dançando em cima das mesas, fazendo topless e depois vomitando em sua cabeça, gente aliviando seus intestinos no meio do corredor... Há também o oposto: quando você está louco por uma colega de trabalho que sabidamente não tem a minima atração por você, embora seja solteira e viva reclamando em voz alta que está infeliz sozinha e que precisa de um homem de verdade. Aí você se arruma todo, vai à festa, e ela está lá. Conversa vai, conversa vem, e ela não se digna nem a fazer uma boa ação de Natal! Nem a um pilequinho descontrolado inconseqüente. E vai para casa sem ter ficado com ninguém, reclamando com você ― que nessa altura do campeonato virou o seu melhor amigo e confidente ― que não consegue encontrar um homem de verdade e que está infeliz sozinha. Dois dias depois, circula o boato pelo escritório de que você é gay e você sabe bem o porquê.

E não adianta nem você usar e abusar das piadas de duplo sentido, ou dar uma de safadinho inocente, como às vezes, aí no Brasil, até pode agradar. Você sabe que os americanos e britânicos adoram o tema assédio sexual, e muitas vezes (que me perdoem as mulheres) o que se chama "assédio sexual" por aqui é uma desculpa para mulheres com complexo de inferioridade no ambiente de trabalho castrarem as já difíceis, e cada vez mais escassas, tentativas de aproximação entre homem e mulher da forma tradicional. Onde está a fronteira entre o exagero criminoso e o romance? Acho que ninguém sabe. Que mundo é esse em que as pessoas cada vez mais têm que recorrer à internet para ter uma namorada? Que ironia quando você acaba saindo para um blind date com a secretária de seu chefe, sem saber até encontrar com ela num bar (que ela é a secretária de seu chefe)...

Veja o caso do professor Laurence Goldstein, diretor do departamento de filosofia da Universidade do País de Gales, Swansea. Ele ganhava um salário de 50 mil libras e cometeu o erro de ir a uma festa de fim de ano com outros funcionários em 1999. Durante a festa, começou a contar piadas que, para algumas das funcionárias, pareceram de mau gosto. Resultado: as sexy jokes de Goldstein levaram as mulheres a formalizar uma reclamação junto à reitoria, que abriu um inquérito e, alguns meses depois, o professor de 53 anos foi forçado a se demitir. Cuidado, leitores, não façam como Goldstein: em vez de contar piadas sobre loiras ou com algum teor sexual na próxima festa na empresa, opte por piadas sobre judeus.

Por tudo isso, eu não estou indo à festa de Natal do meu trabalho neste ano. Já tenho tudo planejado: duas garrafas de Chardonnay, quatro fitas de video com episódios que eu nunca vi da série Jornada nas Estrelas Voyager, tortilhas mexicanas e pimentões multicoloridos para minhas fajitas e um edredom quentinho. Tresmalhar-me-ei nas estrelas imaginárias da telinha, para longe da fria névoa do inverno. Quanto às Christmas Parties, uma sugestão: por que não acabar com todas elas e usar o dinheiro para dar um bônus de fim de ano para os funcionários?


Arcano9
Londres, 27/12/2002

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