Nadia Boulanger (1887-1979) | Lauro Machado Coelho

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Segunda-feira, 16/11/2009
Nadia Boulanger (1887-1979)
Lauro Machado Coelho
+ de 7700 Acessos

Há exatos 30 anos, em 22 de outubro de 1979, com 92 anos, Nadia Boulanger falecia na França. Professora e mentora de grandes músicos ― entre os quais o brasileiro Almeida Prado e o regente principal da Osesp Yan Pascal Tortelier ― Boulanger foi uma das mais influentes personalidades musicais do século XX.

O brasileiro Almeida Prado, que foi seu aluno, fala da maneira casual como ela lhe falava: "Hoje terminaremos a aula um pouquinho mais cedo, porque Gabriel vem jantar". Esse amigo, de quem Nadia Boulanger falava com tanta intimidade, era Gabriel Fauré. Porque, pelo salão da Rue Ballu, em Fontainebleau, onde morava essa mestra extraordinária, passou todo o mundo musical que estava em Paris entre as décadas de 1920 e 1970 do século passado. De Fauré, que foi seu professor, a Astor Piazzolla e Philip Glass, que foram seus alunos, todos estimavam e respeitavam "Mademoiselle Fontainebleau", uma grande dama absolutamente singular.

Em um delicioso documentário que Bruno Monsaingeon fez sobre ela, quando Nadia completou 90 anos ― e que a mostra tão lúcida quanto aos 30 ―, Leonard Bernstein conta um episódio curioso. Um dia, trouxe-lhe uma canção que acabara de compor. Tocou-a e ela o ouviu atentamente. Quando ele terminou, Nadia perguntou: "E se você trocasse aquela nota assim assim?" Lennie o fez e, de repente, confessa, algo transfigurou inteiramente a melodia: "Essa era Nadia Boulanger!", conclui Bernstein. "Era capaz de, à primeira audição, detectar onde estava o problema e de dar a sugestão exata para corrigi-lo."

Pudera, estava no sangue! Sua avó, Marie-Julie, era cantora, e o avô, Frédéric, um grande violoncelista. O pai, Ernest, aluno de Charles-Valentin Alkan, ganhou o Prix de Rome de 1835 e, na capital italiana, conheceu a princesa russa Raíssa Nishiétskaia, que seria a mãe de Nadia e Lili Boulanger. Esta era uma compositora talentosíssima, a única mulher a ganhar o Prix de Rome, em 1913. Morreu em 15 de março de 1918, com apenas 25 anos, e deixou uma obra pequena, mas que nos faz lamentar a termos perdido tão jovem. Foi por achar que nunca poderia igualar o gênio da irmã que Nadia renunciou à composição. E tornou-se a mais notável professora de seu tempo. Tão exigente com seus alunos quanto consigo mesma ― a ponto de Yehudi Menuhin tê-la chamado de "a terna tirana", na biografia dela que publicou, em 1977, em colaboração com Alan Kendall.

Existe, na Wikipedia, uma lista de 47 alunos notáveis de Mme. Boulanger ― entre eles Almeida Prado, Cláudio Santoro e Egberto Gismonti. E ela está incompleta, pois nem Nadia e nem Annette Dieudonné, sua companheira da vida inteira, se preocuparam em registrar a procissão de estudantes que passaram pelas suas mãos. Mas o compositor americano Virgil Thomson, que foi a Paris aprender com ela, dizia: "Toda cidade americana tem duas coisas: uma máquina de vender chicletes e um aluno de Nadia Boulanger". Por exemplo, o maestro Yan-Pascal Tortelier, atual titular da Osesp, de São Paulo, diz que duas pessoas foram fundamentais para a sua formação musical: o seu pai, o violoncelista Paul Tortelier, e "Mademoiselle".

Ela tinha apenas seis anos ao entrar no Conservatório de Paris, onde estudou órgão com Alexandre Guilmant e Louis Vierne, composição com Fauré e Charles-Marie Widor. O seu espírito rebelde impediu-a de vencer o Prix de Rome de 1908, pois em vez da fuga pedida aos candidatos, ela apresentou um quarteto de cordas. Apesar da opinião de Camille Saint-Saëns, que estava na banca, deram-lhe apenas o segundo prêmio e, depois disso, ela não concorreu mais ― o Prix de Rome perdeu muito com isso, diga-se de passagem.

Antes da morte de Lili, ela tinha tentado a composição orientada pelo compositor Raoul Pugno, com quem trabalhou dez anos. Tinha uma autocrítica patológica ― resultado do respeito pelo gênio da irmã ― mas chegou a completar uma Rapsódia para piano e orquestra, o ciclo de canções Les heures claires e a ópera La ville morte. A morte de Pugno, em 1914, e o início da I Guerra Mundial impediram a estreia desse drama lírico, e a partitura permaneceu inédita (ainda se possui a redução vocal e a orquestração dos atos I e III). O resgate dessas composições deveria ser tema de grande interesse para os pesquisadores franceses da atualidade.

A escrita de "Mademoiselle" era nitidamente pós-impressionista, pois ela não escondia de ninguém "desconfiar muito do atonalismo". Mas isso não a impedia de apreciar muito a música de Ígor Stravinsky, de quem regeu a primeira apresentação do Dumbarton Oaks em Washington, em 1938; e de estar aberta às tendências que marcaram a evolução da música contemporânea, nunca se recusando a debater, com isenção, as ideias dos serialistas, da música eletroacústica ou dos minimalistas.

Regia desde 1912 ― época em que isso era totalmente incomum para uma mulher ― e teve nas mãos a batuta da Filarmônica de Nova York, da Sinfônica de Boston, da Philadelphia Orchestra, da Hallé de Manchester e da Sinfônica da BBC. Em sua primeira turnê pelos Estados Unidos, regeu a estreia da Sinfonia para órgão e orquestra de Aaron Copland, um dos muitos que tinham se sentado ao lado de seu piano para beber-lhe as palavras.

Se os franceses a respeitam, nada se compara à veneração que os Estados Unidos têm por ela. De 7 a 9 de outubro de 2004, em homenagem aos 25 anos de sua morte, o American Music Research Center, da Universidade do Colorado, organizou um ciclo de concertos e de conferências para relembrá-la. E o cartaz que anunciava esses eventos trazia a reprodução de Orphée et Eurídice, a litografia que Rainier e Grace de Mônaco encomendaram a Marc Chagall, em 1967, para presentear Nadia no dia de seu 80º aniversário. O seu papel como pedagoga; a música de Lili, de que ela foi uma constante e devotada divulgadora; a música de várias gerações de compositores que passaram pelas suas mãos: todos os aspectos da vida e da obra de "Mademoiselle Fontainebleau" foram dissecados. Questões que devem voltar a apaixonar quem se lembra dela, neste mês de outubro em que se completam 30 anos de que o piano da Rue Ballu se calou.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na Revista Concerto de outubro de 2009. Lauro Machado Coelho é jornalista, crítico musical e autor de vários livros, sendo o mais recente Sinfonia fantástica ― Vida e obra de Hector Berlioz, lançado este mês.


Lauro Machado Coelho
São Paulo, 16/11/2009
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