Pascal e a condição humana | Pedro Maciel

busca | avançada
39649 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> Sobre caramujos e Omolu
>>> A literatura em transe
>>> Solitária cidadã do mundo
>>> Repensando a esquerda
>>> Ficção hiper-real
>>> Intervenção militar constitucional
>>> 'Eu quero você como eu quero'
>>> Reunião de pais, ops, de mães
>>> O gueto dos ricos
>>> Pendurados no Pincel
Colunistas
Mais Recentes
>>> Copa 2014
>>> Copa 2010
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
Últimos Posts
>>> O Bolero, com Dudamel
>>> 120 anos da Poli
>>> Conheça General Rodriguez
>>> Ama teu vizinho
>>> Boca no Trombone
>>> Eduardo Galeano (1940-2015)
>>> Lembrança de Paulo Brossard
>>> Barbara Heliodora e a crítica
>>> Max Weber e o jornalismo
>>> Kiko Loureiro no Megadeth
Mais Recentes
>>> Lembranças de Ariano Suassuna
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> O segundo e-book do Digestivo
>>> Momento cívico
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
Mais Recentes
>>> Como detectar MAVs (e bloquear)
>>> Ascensão e queda do cinema iraniano
>>> Necrológico da Biblioteca
>>> O making-off da Navegação
>>> Entrevista com Douglas Diegues
>>> Entrevista com Leandro Carvalho
>>> 50 anos de poesia concreta
>>> A canção, por Wisnik
>>> Por que me ufano da América Latina
>>> A Casa de Ramos
ENSAIOS

Segunda-feira, 13/1/2003
Pascal e a condição humana
Pedro Maciel

+ de 5300 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Blaise Pascal (1623-1662) está inserido na história da ciência como um dos mais notáveis estudiosos de matemática e física. Precoce, aos 12 anos, Pascal escreve um tratado sobre "Acústica" e descobre a geometria até trigésima segunda proposição de Euclides. Aos 17, escreve o "Tratado dos Cones" e, aos 19 anos, descobre a prensa hidráulica. No ano seguinte, inventa a primeira calculadora, a "máquina de aritmética", para ajudar o seu pai no trabalho. Em 1646 reproduz, com Pierre Petit, a experiência de Torriceli e faz experiências sobre o vácuo. É também conhecido como o precursor do cálculo infinitesimal.

Mas "Pensamentos", tradução de Mário Laranjeira; (Ed. Martins Fontes), é o seu trabalho mais genial, uma das obras-primas da literatura francesa. Pascal, admirador de Galileu e idealizador do primeiro sistema de ônibus parisiense, tenta justificar a fé pela razão. Deste livro é a célebre frase: "O coração tem razões que a razão desconhece". O autor de "As Provinciais", obra condenada por Roma em 1657, era militante do jansenismo, doutrina que pregava o rigor moral, e, por isso, manteve uma acirrada polêmica com os jesuítas.

"Pensamentos" é um conjunto de notas e rascunhos que deveria servir para a redação da "Apologia do Cristianismo". Os escritos inacabados foram iniciados por volta de 1657 e só foram recuperados oito anos após sua morte em Port Royal. Ao escrever "Pensamentos", Pascal não renega os seus interesses científicos, ao contrário, lança mão de um método lógico para explicar a fé e as exigências transcendentes da condição humana.

Segundo Gérard Lebrun, a originalidade do método adotado por Pascal surpreende, porque é um "método formado e testado ao nível das ciências exatas". Lébrun, no livro "Blaise Pascal, Voltas, desvios e Reviravoltas", Ed. Brasiliense (1983), relê o pensamento de Pascal e aponta os erros dos interpretadores em relação à obra do autor francês do século 17, interpretadores dos "falsos sentidos", que não viram o "Pascal Moderno, no coração da idade clássica", com seu "deus morto". "E daí se seguiram todos os falsos sentidos. E nesse pensamento, que não é mais do que um circuito na beira dos abismos, só viram piedoso fervor", diz Lébrun.

"Ao ler esses pensamentos fragmentados, temos de entender que estamos diante do grandioso e do provisório. Temos de ser capazes de ver, nos textos incompletos, nas frases interrompidas, na miscelânea dos assuntos, na brevidade das fórmulas, na desordem das citações, a mais profunda meditação que já se fez sobre as tensões que definem as relações entre o homem e a transcendência que o supera pelo terror, pelo temor e pela piedade. Se é inegável que o centro das preocupações de Pascal é a religião, afinal o objeto do livro que pretendia escrever, também é certo que a amplitude de sua reflexão atinge a dimensão da existência humana nos seus mais recônditos e difíceis aspectos, razão pela qual esses fragmentos falam a todos os seres humanos, que partilhem ou não a crença que inspirou Pascal", anota Franklin Leopoldo e Silva no esclarecedor prefácio.

Pascal, ao fazer a apologia cristã, revela muito mais o saber universal e o conhecimento do que os fundamentos da religião. A verdade na língua do pensador é relativa: "Todos erram tanto e mais perigosamente quando seguem cada um uma verdade; o seu erro não está em seguirem uma falsidade, mas em não seguirem outra verdade". Pascal defende que "quando não se sabe a verdade de uma coisa, é bom que haja um erro comum que fixe o espírito do homem..."

"Pensamentos" é um exercício extraordinário sobre a razão humana. Discurso fundamental para compreender o homem e a sua relação com Deus. Filosofia do espírito. Conversa dos deuses cartesianos? "Cada um forja um deus para si". Experimentação do pensamento moderno: "Ao escrever o meu pensamento, ele me escapa às vezes, mas isso me faz lembrar da minha fraqueza de que me esqueço a toda hora, o que me instrui tanto quanto o meu pensamento esquecido, pois só busco conhecer o meu nada". Um pensamento que deixa perplexo qualquer pensador.

"Pensamentos", de Pascal; 47 (172)
Nunca ficamos no tempo presente. Lembramos o passado; antecipamos o futuro como lento demais para chegar, como para apressar o seu curso, ou nos lembramos do passado para fazê-lo parar como demasiado rápido, tão imprudentes que erramos por tempos que não são nossos e não pensamos no único que nos pertence, e tão levianos que pensamos naqueles que nada são e escapamos, sem refletir, do único que subsiste. É que, em geral, o presente nos fere. Escondemo-lo de nossas vistas porque nos aflige e, se ele nos é agradável, lamentamos que nos escape. Buscamos mantê-lo mediante o futuro e pensamos em dispor as coisas que não estão em nosso poder por um tempo ao qual não temos a menor certeza de chegarmos.

Examine cada um os seus pensamentos. Vai encontrá-los a todos ocupados com o passado ou com o futuro. Quase não pensamos no presente, e se nele pensamos é somente para nele buscar a luz para dispormos do futuro. O presente nunca é o nosso fim.

O passado e o presente são os nossos meios, só o futuro é o nosso fim. Assim não vivemos nunca, mas esperamos viver e, sempre nos dispondo a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.


Nota do Editor
Ensaio gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no caderno "Prosa & Verso", do jornal O Globo, a 23 de junho de 2001.


Pedro Maciel
Belo Horizonte, 13/1/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Allen Stewart Konigsberg de André Forastieri
02. Por um jornalismo mais crítico de André Forastieri
03. A Empulhação Esportiva de André Forastieri
04. Considerações sobre a leitura de Miriam Mambrini
05. Mister Magic em Campo Seco de Henrique Schneider


Mais Pedro Maciel
Mais Acessados de Pedro Maciel
01. Italo Calvino: descobridor do fantástico no real - 8/9/2003
02. A arte como destino do ser - 20/5/2002
03. Antônio Cícero: música e poesia - 9/2/2004
04. Imagens do Grande Sertão de Guimarães Rosa - 14/7/2003
05. A arte de citar - 5/4/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/1/2003
22h44min
E incrivel como passamos o tempo tentando encontrar respostas sobre nossas escolhas e renuncias. Somos produto do meio nao importa o tempo e sim onde nos inserimos na sociedade e com quem convivemos .
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
31/1/2003
21h34min
Isto, entretanto, não quer dizer que devamos deixar que as coisas aconteçam, simplesmente como autômatos. Seríamos guiados pelos sentidos, que seguem ao sabor das variações sociais, antenados que são com percepções físicas. À moral, esse conjunto de normas internas de cada ser humano, é que se poderia perguntar o que se deve ser feito a cada instante e repetida essaa pergunta no instante seguinte, pois tudo pode mudar de um momento para outro. E não por mudarmos de companhia ou posição geográfica, mas por estarmos em ebulição íntima, nessa eterna equação das incógnitas bem e mal.
[Leia outros Comentários de ASSIS SANTOS]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

>>> Mariana Kotscho e Roberta Manreza conversam com mães refugiadas na TV Brasil
>>> Série musical traça panorama da obra de Luiz Ayrão
>>> Mariana Muniz encerra temporada de "D'Existir", em Votorantim
>>> Documentário 'Flamengo Paixão' estreia na TV Brasil nesta sexta (24)
>>> O ator Heinz Limaverde e a Cia Rústica estreiam em SP, O Fantástico Circo-Teatro de um Homem Só
>>> Mendigos são centro temático em SPon SPoff SPend, novo espetáculo do Maracujá Laboratório de Artes
* clique para encaminhar

Companhia das Letras
Nova Fronteira
Best Seller
Hedra
Intrínseca
Globo Livros
Cortez Editora
Editora Record
Primavera Editorial
Bertrand Brasil
WMF Martins Fontes
Arquipélago Editorial
Editora Perspectiva
Editora Conteúdo
Civilização Brasileira
José Olympio
LIVROS


DIÁRIO DE UMA TREINADORA DE PAIS
JENNY SMITH

De R$ 32,00
Por R$ 16,00
50% off
+ frete grátis



ONDE O ESPORTE SE REINVENTA
BRUNO CHIARIONI E MÁRCIO KROEHN

De R$ 49,90
Por R$ 24,95
50% off
+ frete grátis



A CANÇÃO DO ASSASSINO
M. G. VASSANJI

De R$ 62,90
Por R$ 31,45
50% off
+ frete grátis



DE CRIANÇAS A ALUNOS
FLÁVIA MILLER NAETHE MOTTA

De R$ 42,00
Por R$ 21,00
50% off
+ frete grátis



COMÉRCIO INTERNACIONAL E LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
RODRIGO LUZ

De R$ 96,00
Por R$ 48,00
50% off
+ frete grátis



ALGUÉM COMO VOCÊ
CATHY KELLY

De R$ 65,00
Por R$ 32,50
50% off
+ frete grátis



MINHA ALMA PARA LEVAR
RACHEL VINCENT

De R$ 39,90
Por R$ 19,95
50% off
+ frete grátis



SEX GAME BOOK
DENYSE BEAULIEU

De R$ 145,26
Por R$ 72,63
50% off
+ frete grátis



AS SETE VIDAS DO AMOR
CARLA D'ALESSIO

De R$ 40,00
Por R$ 20,00
50% off
+ frete grátis



OPERAÇÃO PORTUGA
SÉRGIO XAVIER FILHO

De R$ 34,90
Por R$ 17,45
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
39649 visitas/dia
1,4 milhão/mês