Pascal e a condição humana | Pedro Maciel

busca | avançada
32221 visitas/dia
635 mil/mês
Mais Recentes
>>> TV Brasil apresenta show do Nação Zumbi no programa Todas as Bossas
>>> TV Brasil apresenta final da série O Tempo entre Costuras nesta sexta (13/1)
>>> TV Brasil homenageia Zygmunt Bauman nesta sexta (13/1)
>>> Teatro do Incêndio promove oficina cênica grátis com Kleber Montanheiro
>>> Valadão Muda o Mundo
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Píramo e Tisbe
>>> Meshugá, a loucura judaica, de Jacques Fux
>>> O Natal de Charles Dickens
>>> Sobre mais duas novelas de Lúcio Cardoso
>>> Gerald Thomas: uma autobiografia
>>> Neste Natal etc. e tal
>>> 'Hysteria' Revisitada
>>> O tremor na poesia, Fábio Weintraub
>>> Lançamento de Viktor Frankl
>>> E por falar em aposentadoria
Colunistas
Últimos Posts
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Lançamento e workshop em BH
>>> Reid Hoffman por Tim Ferriss
>>> Software Programs the World
>>> Daphne Koller do Coursera
Últimos Posts
>>> Parada de ônibus, pintura a óleo
>>> De Sherlock, nem o cachimbo
>>> Varal
>>> Cabelos negros
>>> O olho do furacão
>>> Hércules quer fazer doutorado sanduiche
>>> Inda não te conhecia (Série: sonetos)
>>> Abraço
>>> Paralamas do Sucesso: Novo álbum e shows em SP
>>> Lô Borges ou a estreia 45 anos depois
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Que seja o próximo, Thom
>>> Combattimento em São Paulo
>>> Paquetá: Ilha Ditosa e Florida
>>> 40 com corpinho de 39
>>> O show do Pearl Jam e a Pedreira
>>> Crônica do amor que amadurece
>>> Ressurreição dos Blogs
>>> O Facebook de Renato Janine Ribeiro
>>> O melhor de Dalton Trevisan
>>> Os extremos do amor virtual
Mais Recentes
>>> Mente, Cérebro e Filosofia - 02 -
>>> Discutindo Filosofia - 11
>>> Discutindo Filosofia - 01
>>> Discutindo Filosofia - 08
>>> Discutindo Filosofia - 08
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 38
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 16
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 02-
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 03
>>> Revista da Abifa Fundições e Matérias-Primas - Edição Especial
>>> Faça amor, não faça jogo
>>> A caderneta vermelha
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 06 -
>>> Não se apega não
>>> Sempre
>>> Hitman Nº 11
>>> Perdido por aí
>>> O noviço
>>> Helena
>>> Um sorriso ou dois
>>> O moderno conto brasileiro - antologia escolar
>>> Filosofia, Ciência e Vida - 04 -
>>> Vinte mil léguas submarinas
>>> Alexandre e outros heróis
>>> É melhor colher flores...
>>> A Sobrevivência da Humanidade
>>> Agonia do Patriarcado
>>> Você também pode ser feliz
>>> Entre Dois Mundos - A Jornada de Sheun Ming Ling
>>> Iniciação e Autoconhecimento-Um Guia para o seu Despertar Espiritual
>>> Vitalizadores
>>> Toda Sua (Crossfire #1)
>>> Kung Fu - A Milenar Arte Marcial Chinesa
>>> Confidências Espirituais de Mario Quintana
>>> O Casamento
>>> Profundamente Sua (Crossfire 2#)
>>> O velho da horta (novo)
>>> Alves & Cia (novo)
>>> A Moreninha
>>> O dilema do decente malandro
>>> Dois mil nomes de meninas e meninos
>>> Fiel e a religião
>>> Hitman Nº 13
>>> Meu Universo Particular
>>> Os Ossos de Deus
>>> A Conquista da Honra
>>> A Verdadeira Natureza
>>> Uncharted - O Quarto Labirinto
>>> O Zahir
>>> Espião de Churchill
ENSAIOS

Segunda-feira, 13/1/2003
Pascal e a condição humana
Pedro Maciel

+ de 6500 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Blaise Pascal (1623-1662) está inserido na história da ciência como um dos mais notáveis estudiosos de matemática e física. Precoce, aos 12 anos, Pascal escreve um tratado sobre "Acústica" e descobre a geometria até trigésima segunda proposição de Euclides. Aos 17, escreve o "Tratado dos Cones" e, aos 19 anos, descobre a prensa hidráulica. No ano seguinte, inventa a primeira calculadora, a "máquina de aritmética", para ajudar o seu pai no trabalho. Em 1646 reproduz, com Pierre Petit, a experiência de Torriceli e faz experiências sobre o vácuo. É também conhecido como o precursor do cálculo infinitesimal.

Mas "Pensamentos", tradução de Mário Laranjeira; (Ed. Martins Fontes), é o seu trabalho mais genial, uma das obras-primas da literatura francesa. Pascal, admirador de Galileu e idealizador do primeiro sistema de ônibus parisiense, tenta justificar a fé pela razão. Deste livro é a célebre frase: "O coração tem razões que a razão desconhece". O autor de "As Provinciais", obra condenada por Roma em 1657, era militante do jansenismo, doutrina que pregava o rigor moral, e, por isso, manteve uma acirrada polêmica com os jesuítas.

"Pensamentos" é um conjunto de notas e rascunhos que deveria servir para a redação da "Apologia do Cristianismo". Os escritos inacabados foram iniciados por volta de 1657 e só foram recuperados oito anos após sua morte em Port Royal. Ao escrever "Pensamentos", Pascal não renega os seus interesses científicos, ao contrário, lança mão de um método lógico para explicar a fé e as exigências transcendentes da condição humana.

Segundo Gérard Lebrun, a originalidade do método adotado por Pascal surpreende, porque é um "método formado e testado ao nível das ciências exatas". Lébrun, no livro "Blaise Pascal, Voltas, desvios e Reviravoltas", Ed. Brasiliense (1983), relê o pensamento de Pascal e aponta os erros dos interpretadores em relação à obra do autor francês do século 17, interpretadores dos "falsos sentidos", que não viram o "Pascal Moderno, no coração da idade clássica", com seu "deus morto". "E daí se seguiram todos os falsos sentidos. E nesse pensamento, que não é mais do que um circuito na beira dos abismos, só viram piedoso fervor", diz Lébrun.

"Ao ler esses pensamentos fragmentados, temos de entender que estamos diante do grandioso e do provisório. Temos de ser capazes de ver, nos textos incompletos, nas frases interrompidas, na miscelânea dos assuntos, na brevidade das fórmulas, na desordem das citações, a mais profunda meditação que já se fez sobre as tensões que definem as relações entre o homem e a transcendência que o supera pelo terror, pelo temor e pela piedade. Se é inegável que o centro das preocupações de Pascal é a religião, afinal o objeto do livro que pretendia escrever, também é certo que a amplitude de sua reflexão atinge a dimensão da existência humana nos seus mais recônditos e difíceis aspectos, razão pela qual esses fragmentos falam a todos os seres humanos, que partilhem ou não a crença que inspirou Pascal", anota Franklin Leopoldo e Silva no esclarecedor prefácio.

Pascal, ao fazer a apologia cristã, revela muito mais o saber universal e o conhecimento do que os fundamentos da religião. A verdade na língua do pensador é relativa: "Todos erram tanto e mais perigosamente quando seguem cada um uma verdade; o seu erro não está em seguirem uma falsidade, mas em não seguirem outra verdade". Pascal defende que "quando não se sabe a verdade de uma coisa, é bom que haja um erro comum que fixe o espírito do homem..."

"Pensamentos" é um exercício extraordinário sobre a razão humana. Discurso fundamental para compreender o homem e a sua relação com Deus. Filosofia do espírito. Conversa dos deuses cartesianos? "Cada um forja um deus para si". Experimentação do pensamento moderno: "Ao escrever o meu pensamento, ele me escapa às vezes, mas isso me faz lembrar da minha fraqueza de que me esqueço a toda hora, o que me instrui tanto quanto o meu pensamento esquecido, pois só busco conhecer o meu nada". Um pensamento que deixa perplexo qualquer pensador.

"Pensamentos", de Pascal; 47 (172)
Nunca ficamos no tempo presente. Lembramos o passado; antecipamos o futuro como lento demais para chegar, como para apressar o seu curso, ou nos lembramos do passado para fazê-lo parar como demasiado rápido, tão imprudentes que erramos por tempos que não são nossos e não pensamos no único que nos pertence, e tão levianos que pensamos naqueles que nada são e escapamos, sem refletir, do único que subsiste. É que, em geral, o presente nos fere. Escondemo-lo de nossas vistas porque nos aflige e, se ele nos é agradável, lamentamos que nos escape. Buscamos mantê-lo mediante o futuro e pensamos em dispor as coisas que não estão em nosso poder por um tempo ao qual não temos a menor certeza de chegarmos.

Examine cada um os seus pensamentos. Vai encontrá-los a todos ocupados com o passado ou com o futuro. Quase não pensamos no presente, e se nele pensamos é somente para nele buscar a luz para dispormos do futuro. O presente nunca é o nosso fim.

O passado e o presente são os nossos meios, só o futuro é o nosso fim. Assim não vivemos nunca, mas esperamos viver e, sempre nos dispondo a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.


Nota do Editor
Ensaio gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no caderno "Prosa & Verso", do jornal O Globo, a 23 de junho de 2001.


Pedro Maciel
Belo Horizonte, 13/1/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Manual do Publicitário de André Barcinski
02. A Princesa Hijab e o BBB11 de Paulo J. P. de Resende
03. Dia de Luto de Rodrigo Constantino
04. A política e os retrocessos sociais de Jaime Pinsky
05. Twitter versus Facebook de Ricardo Freire


Mais Pedro Maciel
Mais Acessados de Pedro Maciel
01. Italo Calvino: descobridor do fantástico no real - 8/9/2003
02. A arte como destino do ser - 20/5/2002
03. Antônio Cícero: música e poesia - 9/2/2004
04. Imagens do Grande Sertão de Guimarães Rosa - 14/7/2003
05. A arte de citar - 5/4/2004


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
30/1/2003
22h44min
E incrivel como passamos o tempo tentando encontrar respostas sobre nossas escolhas e renuncias. Somos produto do meio nao importa o tempo e sim onde nos inserimos na sociedade e com quem convivemos .
[Leia outros Comentários de Vinicius Brown]
31/1/2003
21h34min
Isto, entretanto, não quer dizer que devamos deixar que as coisas aconteçam, simplesmente como autômatos. Seríamos guiados pelos sentidos, que seguem ao sabor das variações sociais, antenados que são com percepções físicas. À moral, esse conjunto de normas internas de cada ser humano, é que se poderia perguntar o que se deve ser feito a cada instante e repetida essaa pergunta no instante seguinte, pois tudo pode mudar de um momento para outro. E não por mudarmos de companhia ou posição geográfica, mas por estarmos em ebulição íntima, nessa eterna equação das incógnitas bem e mal.
[Leia outros Comentários de ASSIS SANTOS]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




PROIBIDO PARA MAIORES (CONTINUA) - MAIS PIADAS PARA CRIANÇAS
PAULO TADEU
MATRIX
(2008)
R$ 15,00



ANÁLISE POLÍTICA E JORNALISMO DE DADOS: ENSAIOS A PARTIR DO BASÔMETRO
DANTAS, TOLEDO E TEIXEIRA (ORGS)
FGV
(2014)
R$ 35,00



QUINCAS BORBA
MACHADO DE ASSIS
MARTIN CLARET
(2007)
R$ 12,00
+ frete grátis



TRAGÉDIAS VOLUME 1 / COMÉDIAS E SONETOS VOLUME 2
WILLIAM SHAKESPEARE
VICTOR CIVITA
(1978)
R$ 70,00



REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA PARA O TEATRO DE RUA (DIA DE BENEDITO)
NÚCLEO PAVANELLI
CPRB
(2014)
R$ 20,00



HOMOSSEXUALIDADE- UM GUIA DE ORIENTAÇÃO AOS PAIS PARA A FORMAÇÃO DA CRIANÇA
JOSEPH NICOLOSI , LINDA AMES NICOLOSI
SHEDD
(2007)
R$ 41,10
+ frete grátis



ANÁBASE: HISTÓRIA DA GAZETA MERCANTIL
CLAUDIO LACHINI
LAZULI
(2000)
R$ 12,00



VIVRE SEULE, MAIS BIEN
MONIQUE GILBERT
LE SIGNE
(1979)
R$ 11,00



O MELHOR DO RECRUTA ZERO 1
MORT WALKER
L&PM
(2006)
R$ 10,00



O SOBRINHO DE RAMEAU - DIDEROT
DIDEROT
ESCALA
(2006)
R$ 4,00





busca | avançada
32221 visitas/dia
635 mil/mês