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Segunda-feira,
13/10/2008
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Redação
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Too, o blog de Sergey Brin
Welcome to my personal blog. While Google is a play on googol, too is a play on the much smaller number — two. It also means "in addition", as this blog reflects my life outside of work.
Sergey Brin, do Google, inaugurando seu blog.
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Julio Daio Borges
13/10/2008 à 00h10
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Desventuras Prosaicas
Traga os cigarros, os cafés e os beijos e prometo, nada será como antes. Esqueça as grandes mazelas e delicie-se com a ironia das pequenas desgraças. Desperdice companhias agradáveis e marque um encontro com seu eu lírico. Voe alto e não caia do abismo sem o bat-cinto-de-utilidades; caso caia, ria do seu cadáver desmembrado e pense: "Jamais conseguiria isso com yoga!". Não jogue fora os livros do Paulo Coelho; faça fogueira com eles e chame os amigos para um culto satânico entre marshmallows no espeto e PJ Harvey. Não chore nos velórios — eles são os últimos shows e os defuntos, as estrelas. Não conte piadas em enterros — a última piada pode ser... mortal. Escute Norah Jones, e quando mais velho escute Billie Holiday — os pequenos peixes sempre levam aos grandes. Sinta a paixão apunhalar o seu coração; mas não esqueça de renascer depois ou Nietzsche vai se revirar no túmulo cinzento. Perca seu guarda-chuva, deixe que a chuva molhe as suas roupas e cabelos, mas não esqueça de passar no Carrefour e comprar chá de camomila depois. Leia Platão, Aristóteles e Virginia Woolf, mas não deixe passar a Tititi que prometer responder a seguinte pergunta: "Cher, Thalia e Marilyn Manson tiraram mesmo as costelas?". Saia para os inferninhos mas não os leve pra casa — o lar é o céu que você tenta disfarçar de inferno. Pense sempre nos amigos como família, mas não se engane — "família" não é sinônimo de "amizade". Tome sopa num dia de verão, tome sundae num dia de inverno, invente neuroses e dê a elas nomes de Smurfs — quebre as convenções e estará aumentando o mercado de trabalho da antropologia. Acredite na perfeição, na felicidade e na eternidade de um único momento e me procure em seguida — tentarei absorver um pouco por osmose. Viva cada dia como se fosse o primeiro e tente ver a beleza na falta de obviedade. Não seja medieval, tampouco renascentista. Seja enfaticalista! Não veja o vídeo do Filtro Solar em demasia, ou acabará fazendo algo como... isso. Enfim... viaje, abandone, fuja, corra, e volte. Volte. Ame, odeie, destrua, reconstrua, erre, e seja sempre fiel ao que te conduz. Amém.
Rodrigo C., no seu blog, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
10/10/2008 à 00h09
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calcinha
Que as novidades me perdoem, mas as calcinhas têm de ser pequenas. Vejo por aí mulheres a mostrar panos enormes, que saltam das calças jeans delinqüindo o quê feminino das jovens. As calcinhas, percebam, não por acaso são chamadas por um diminutivo pirracento, provocador. É uma parte do processo de transição que tem como seu auge a nudez. A calcinha é o símbolo da quase-nudez.
Diferentemente das cuecas, que possuem função óbvia e legitimada, a calcinha é um objeto indispensavelmente inútil, conforme manda o espírito feminino. A cueca é pragmática, objetiva, é a coerção aos sacolejos incômodos ao homem. A calcinha é um luxo. Dizer que ela serve para esconder é absurdo — esconder o escondido. Em verdade, ela é uma metáfora do sexo escondido (eis aí toda sua infâmia!).
Quão belo não é o pudorzinho das mulheres ao esconder a calcinha à mostra. O aviso arisco da amiga que percebe a gafe. "menina... sua calcinha está aparecendo!". É como se escondesse um diamante dum ladrão, o pão dos esfomeados. A calcinha a aparecer é uma corrupção imperdoável para as mulheres.
As vermelhas são clássicas, mas as brancas, pretas e rosas não são desagradáveis. Rendadas ou de algodão, mais ou menos transparentes, o modelo alinhar-se-á com as intenções, com o volume do desejo por um atalho para o nu.
A calcinha, tal qual os demais objetos pessoais comuns à mulher, tem o papel de vangloriar sua dona, mas, diferente dos outros, tem um quê de sagrado (talvez por ter muito de profano). Esta mítica só é desfeita quando ela é despojada do corpo feminino, este sim, absolutamente sagrado. A calcinha, quando sobre um sapato masculino, misturada às meias num chão dum quarto de motel já não impressiona tanto assim.
Dom, num blog que eu acabei de descobrir.
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Julio Daio Borges
9/10/2008 à 00h59
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CardosOnline 10 anos
Em 1998, quase todas as conexões eram discadas. Não existiam blogs, podcasts, fotologs, redes sociais e assemelhados. A web 1.0 ainda estava entrando na adolescência. P2P? MP3? RSS? YouTube? Faz-me rir, SANDOVAL. SPAM era uma coisa tão rara que nem chegava a ser um problema. E foi somente graças a este último detalhe que o COL prosperou no formato escolhido.[...]
Cardoso
* * *
Pois é. O COL fez dez anos. Eu poderia escrever 300Kb sobre o que aconteceu na minha vida nesses dez anos, mas nah. Saí de Porto Alegre e fui pra São Paulo, saí de São Paulo e agora escuto as ondas quebrando nas pedras a cinco metros das janelas da minha casa. Livros foram lançados e relançados. Livro novo chegando no fim de outubro: Cordilheira, romance, Companhia das Letras. Tenho sido feliz como sempre, não vejo muita alternativa. De qualquer modo, tudo foi obliterado quando conheci o Velho Branco. Silêncio, água, mulheres, narrativas. Me avisem quando algo mais aparecer.[...]
Daniel Galera
* * *
Fica longe daqui, a montanha gelada onde vou morrer. Ainda não escolhi. Isso não quer dizer que ela não exista e muito menos que eu não vá morrer por lá. Aprendi meio cedo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Estou aqui, a cidade está no mapa, estou com vida, a cidade tem montanhas. Existe um caminho entre mim e a cidade, entre meu quarto e a montanha, entre minha vida aqui e a minha morte lá. Isso não significa que só exista um caminho. Tudo são possibilidades. Uma coisa que dá tontura.[...]
Daniel Pellizzari
* * *
"oi, clarah, aqui é o herbert, eu trabalho com o ben harper"
"ahn, oi"
"parece que você deixou um livro pra ele, né? pois é, ele adorou e mandou te procurar porque quer te conhecer"[...]
Clarah Averbuck
Todos na edição comemorativa de 10 anos do CardosOnline, que eu recebi por e-mail.
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Julio Daio Borges
8/10/2008 à 00h31
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Entrevista de Emprego
Monty Python, de novo, porque é um clássico.
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Julio Daio Borges
7/10/2008 à 00h29
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Futebol Filosófico
Monty Python, claro, numa dica de O Sabichão, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
6/10/2008 à 00h20
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(Fora de) Moda
"Moda é tudo que sai de moda."
Jean Cocteau, citado pelo Suburbano Coração, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
3/10/2008 à 00h41
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Homens Especiais
Demorei para escrever para este Especial sobre as Olimpíadas porque queria falar de algo mais do que superar limites físicos, mentais, pressões familiares e (UFA!!) ainda da mídia.
Gostaria, na verdade, de escrever aos sobre-humanos. A quem o que descrevi acima é verdade, faz parte, mas não é tudo e, para isso, precisei esperar o fim das Olimpíadas: presenciei e acompanhei o que mais me emocionou, me dando prazer e satisfação: as paraolimpíadas.
Parabéns para a China! Parabéns para os E.U.A.! E um parabéns especial para a Grã-Bretanha!
O primeiro país provou que ter mais de 1,1 bilhões de pessoas importa: foi o primeiro colocado tanto nas Olimpíadas, quanto nas paraolimpíadas.
O segundo demonstrou que os números podem e devem ser analisados de acordo com a geopolítica. Para tanto, sua imprensa afirmou que o que vale em uma competição não é a quantidade de medalhas de ouro, e sim a quantidade total de medalhas conquistadas (raciocínio que concordo em parte, não posso mentir).
Já a Grã-Bretanha, como havia dito, merece um parabéns especial. Um país pequeno, que não usou de artifícios para reler os números como os E.U.A., ficou na segunda posição dos jogos paraolímpicos. Não seria isto uma demonstração de cidadania, a oportunidade de todos se desenvolverem?
Notemos alguns fatos, que, se não têm tanto a ver com o artigo, pelo menos são importantes para a cultura geral (inútil, quem sabe):
As paraolimpíadas foram muito pouco noticiadas, não obstante a força de vontade, a superação e a luta diária contra os mais desconhecidos medos e desafios de seus integrantes.
Enquanto nas olimpíadas os homens querem virar máquinas, nas paraolimpíadas os homens querem virar, simplesmente, homens.
Mesmo um escândalo, que contarei abaixo, não foi capaz de retirar das paraolimpíadas os deficientes mentais. Acompanhe os primeiros e bonitos passos da criação dessa competição:
A primeira paraolimpíada foi realizada em 1960, na cidade dos gladiadores (nada mais emblemático), Roma. Mas sua história é um pouco anterior: o neurologista Sir. Ludwig "Poppa" Guttman realizou uma competição com veteranos da II Guerra Mundial, que haviam sofrido lesões na medula. O enorme sucesso da competição culminou nas paraolimpíadas.
Mas mesmo onde deveria reinar esplendor pela idéia, e a celebração no convívio entre os seres humanos, sem preconceitos ou hostilidades, existe a gana por vencer. Os espanhóis, nas paraolimpíadas de 1980, escalaram no seu time de basquete atletas sem deficiência mental. Pelo menos não foi desta vez que uma atitude isolada e de má-fé prejudicou a festividade, mas na época se pensou tirar a oportunidade dos deficientes mentais de participar da competição pela dificuldade de medição do grau de deficiência. Retomando a linha mestra do artigo, o pouco caso dedicado às paraolimpíadas representa o descaso da sociedade com os deficientes e a pouca sensibilidade que nos rodeia.
A nossa cidadania pára nas vagas preferenciais oferecidas em shopping centers e farmácias, sempre com muita reclamação e desrespeito por parte dos "cidadãos".
Onde está nossa consciência?
Queria viver em um mundo com mais homens e menos máquinas...
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Daniel Bushatsky
2/10/2008 às 12h13
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Isso passa
O mundo eu acho que posso conhecer inteiro. Leva tempo e algumas notas verdes. E eu não vou chegar a conseguir, claro, mas o que importa é que eu vejo o mundo no mapa, no globo, numa representação qualquer — e sei que ele está ali, cheio de umas ruas de terra e um marzão e tal.
A mesma coisa com os livros: se eu quiser, se quiser mesmo, leio tudo. É que eu não quero, mas está tudo ali, contando duas dúzias de bibliotecas enormes. Posso ler as orelhas, por exemplo; ou ver as lombadas.
Taí, vou ver as lombadas de todos os livros, visitando várias bibliotecas em vários lugares do mundo, quase todos — inclusive porque um lugar sem biblioteca, ou é "natureza" (e não tem gente), ou não tem gente, e não tendo gente, me interessa um pouco menos.
Mas acontece que eu tinha uma idéia de conhecer a internet inteira também, porque daria menos trabalho que o mundo e os livros. Portais, jornais e revistas, brogs, páginas do orkut. Mas acho que não vai dar, não.
Quando tenho a impressão, por exemplo, de já ter lido pelo menos um postzinho de todos os blogs brasileiros (os bons), surgem uns dez melhores. Um jornalista irlandês (mentira, não era irlandês, nem jornalista, acho) disse que, em X anos, cada pessoa teria um site, o que é coisa à beça, e nem leva em conta que algumas pessoas têm três, quatro blogs — o que, aliás, é muita sobra do que dizer.
Então, é assim: essa impossibilidade de ver a internet inteira — que não é por preguiça nem por falta de presunção — dá uma canseira, um desânimo de avó ("Ah, meu filho, é tanta coisa ruim no jornal, que eu e seu avô, a gente até desliga a TV na hora do repórter.").
E aí? E aí que continuo achando que a internet é uma espécie de lugar, como a avó aí de cima: "Olha, ele restaurante já tá na Internet!" E é por isso que todo mundo faz essas metáforas de lugar, que nem são tão metáforicas assim: casa, porta, janela, condomínio. E é um lugar que vai crescendo demais, e quase me dá vontade de escrever um romance do Saramago sobre esse lugar que cresce para sempre, onde ninguém morre.
Quanto maior esse lugar-internet, menor o lugarzinho deste blog, que tem a sobrevida do portal e por isso respira. Aí, acontece que essa mistura (internet-mundão e blog-beco) vai me dando uma vontade de nem passar por aqui muito grande, e essa é a razão que compartilho. Só isso.
Bruno Rabin, no seu blog, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
2/10/2008 à 00h16
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Meu tio
meu tio morreu
coisa que sempre impressiona
meu tio morrer
era um tio que sabia o meu nome
que o dizia rindo
coçando o saco
sentados no alpendre
o almoço quase pronto
coisa que sempre impressiona
mesmo que à distância
eu estava na sala
a voz materna me alcançando o peito
não se assuste, ela disse
eu pensando com esforço
quando foi que o vi pela última vez?
mesmo que à distância
coisa que sempre me distancia
alguém morrer
meu tio
André de Leones, no seu blog, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
1/10/2008 à 00h55
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