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Terça-feira,
4/10/2005
Blog
Redação
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The credibility crisis
As journalists continue to grapple with increasing public concern over longstanding reporting practices and growing skepticism about media credibility, the rise of Weblogs is also forcing them to address a host of new questions and pressures resulting from the proliferation of this new media channel. According to the most recent findings of the 11th Annual Euro RSCG Magnet Survey of the Media, done in partnership with Columbia University, the majority of journalists are using blogs to do their work, despite the fact that only 1% believe blogs are credible.
Euro RSCG Magnet (porque talvez seja uma resposta ao Mario Sergio Conti, no No Mínimo).
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Julio Daio Borges
4/10/2005 às 11h32
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Mensagem
Do Sidney Haddad da Souk (porque se você gostou, escreva pra ele e peça para entrar no seu mailing...).
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Postado por
Julio Daio Borges
3/10/2005 às 14h16
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Sobre A Produção Contemporânea
Agora mesmo algum maluco
deve estar postando qualquer treco
genial na internet,
alguém deve estar pensando
em como melhorar aquele
texto enquanto lota o especial
de vinagrete, perseguindo
obstinadamente um acorde
voltando da padaria.
Agora mesmo alguém
pode estar pensando
que guardamos só pra gente
o lado ruim das coisas lindas -
assim, trancafiado a sete chaves
de carinho - alguém
pode estar sentindo tudo ao mesmo tempo
sozinho, assim brutalmente
sentimental, feito coubesse
toda a dignidade humana
num abraço tímido.
Agora mesmo alguém deve estar limpando
cuidadosamente o CD com a camisa,
pulando a ponta do pão pullman,
sentindo o baque da privada gelada,
perguntando quanto tá o metro
daquela corda de nylon, trepando
no carro, empurrando o filho
no balanço com uma mão
e na outra equilibrando
a lata e o cigarro, agora mesmo
alguém deve estar voltando,
alguém deve estar indo,
alguém deve estar gritando feito um louco
para um outro alguém
que não deve estar ouvindo.
Agora mesmo alguém
pode estar encontrando
sem querer o que há muito
já nem era procurado, alguém no quinto sono
deve estar virando pro outro lado,
alguém, agora mesmo, no café da manhã
deve estar pensando em outras coisas
enquanto a vista displicentemente lê
os ingredientes do Toddy.
Marcelo Montenegro, na novíssima Cortiça (porque eu não disse que era moda entrevistar o Cardoso em podcasts?).
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Julio Daio Borges
30/9/2005 às 08h43
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Famoso e influyente
Trabajo más horas por día en el blog de las que jamás trabajé en diarios o revistas. Una vez que leídos los seis diarios, reproduczo y comento en el blog las noticias más relevantes (...). Después me cuelgo al teléfono a la caza de noticias frescas. Las fuentes tradicionales de noticias todavía no saben qué es un blog, lo confunden con un site (...). Me hace falta trabajar con gente, con mucha gente, como siempre trabajé (...). Engordé de tanto vivir sentado (y también porque dejé de fumar). En compensación, trabajo en bermuda, camiseta y chinelas.
Ricardo Noblat, no Clarín (porque quem me passou foi o Rodolfão Felipe Neder, do site do Millôr).
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Julio Daio Borges
29/9/2005 às 14h09
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Festival do Rio 2005 (II)
Começa aqui...
Voltando para dar as últimas dicas dos filmes aos quais assisti no último final de semana no Festival do Rio e que ainda têm reprise. No próximo sábado e domingo, provavelmente retornarei à cidade maravilhosa para fazer nova cobertura deste evento grandioso. Até lá, fico daqui babando sobre os filmes que não poderei ver durante a semana... Paciência. E lembrando de novo: informações completas de ingressos e programação no site oficial.
Buy It Now - curiosa experiência ficção-documentário que, mesmo quando termina, deixa dúvidas sobre a real natureza de sua linguagem e intenções. Conta o caso de Chelsea, jovem de 16 anos que, entediada e sem atenção dos pais, decide vender sua virgindade pelo famoso site de leilões eBay. Ou seja, quem der o maior lance leva a bela menina para a cama. No início, o incômodo beira o insuportável: inteligentemente, o diretor Antonio Campos intercala o cotidiano de Chelsea, marcado pelo desprezo ao diálogo da mãe e os pensamentos quase infantis, com seu derradeiro encontro em que finalmente vai transar depois de conseguir um "comprador". Tudo mostrado ao público através de imagens supostamente filmadas pela própria garota com uma câmera digital. Sufoca, assusta, incomoda. A banalização do sexo toma formas gratuitamente sérias. Só que, na segunda metade, o diretor parece ter decidido mostrar um "outro lado" de sua narrativa e passa a repetir os acontecimentos, agora encenados com cortes, closes, diálogos decorados (sem abrir mão da imagem em digital). Resultado: o filme desaba. Toda a complexidade e sutileza até então apresentadas são jogadas para baixo do tapete. O filme torna-se fraco e desnecessário, e o que seria uma denúncia a respeito do que pensa a juventude americana de hoje cai no desinteresse. Ainda assim, compensa a ida ao cinema, já que a primeira parte é um impressionante exercício estético sobre moralidade. Vale registrar que Buy It Now ganhou um prêmio especial dado a curtas-metragens no último Festival de Cannes. Claro, ele concorria apenas com os primeiros 30 minutos...
Próxima exibição do filme
Quarta, dia 28, no Espaço Unibanco 1, às 23h45
A Marca do Terrir - Ivan Cardoso (imagem acima) é um dos diretores mais marginais e marginalizados de toda a história do cinema brasileiro. Seguiu carreira no rastro do gênio de José Mojica Marins (o Zé do Caixão) e se rendeu aos filmes de terror. Só que a forma como desenvolveu as narrativas e os (d)efeitos especiais foi tão ingenuamente engraçada que ele acabou criando um gênero, o "terrir". Clássicos como O Segredo da Múmia, As Sete Vampiras e O Escorpião Escarlate marcam sua filmografia, mas existe uma época praticamente inédita a nós. É a fase do Super-8, em que Ivan filmava as mais alucinadas histórias com essa câmera de custo baixíssimo. E este documentário A Marca do Terrir é exatamente o registro dessa época, um tempo em que a experimentação, para Ivan, era regra, e o exagero, o pastiche, o deboche, já se mostrava comum no seu cinema. Montado de forma meio anárquica, com cenas das mais chocantes e bizarras de seus trabalhos, o filme resgata a chamada série Quotidianas Kodaks, com momentos de deleite visual e sanguinolência (regados a muito molho de tomate). Ivan Cardoso esfrega na cara do público corpos nus, violência e perversões sem deixar de lado o bom humor que desde então, ainda que sem querer, impregnava tudo o que produzia. O ápice disso é Nosferato no Brasil, sátira em que o Conde Drácula vai dar umas voltas na capital carioca e se depara com um paraíso de mulheres lindas (e depravadas) e pescoços sedentos por uma mordida. Obrigatório a quem se interessa em conhecer um outro ângulo do que se faz, sem dinheiro, no cinema do Brasil. E um atestado da paixão de Ivan Cardoso (presente à sessão e muito simpático ao apresentar seu filme) pela arte que o tornou notório.
Próxima exibição do filme
Quarta, dia 28, no Espaço Unibanco 3, às 23h30
Há outro filme de Ivan Cardoso na programação do festival. Um Lobisomem na Amazônia marca a volta do diretor ao cinema de ficção (e ao terrir) depois de quase 15 anos. Imperdível. Passa na sexta, dia 30, no Odeon, à meia-noite; e na quarta que vem, dia 5 de outubro, em duas sessões no Palácio 1: às 16h30 e às 21h30.
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Marcelo Miranda
28/9/2005 às 10h40
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Casa do Saber: Cinema Clássico
Nas últimas seis semanas, além de atuar como crítico de cinema da Folha de S.Paulo e da TV UOL, Sérgio Rizzo tem ministrado o curso "Para Conhecer os Clássicos: dos primórdios ao Cinema Moderno", na Casa do Saber. E o que à primeira vista parecia complicado em 17 de agosto (data de início das aulas) agora não poderia fazer mais sentido. Em outras palavras, o professor Sérgio Rizzo deu conta, em cinco aulas (a sexta e última será nesta quarta-feira, 28, às 12h30), dos primeiros movimentos, lá com os irmãos Lumière e com Georges Meliès, até a Época de Ouro do cinema norte-americano, com David Selznick e E o Vento Levou.
Da forma como está escrito pode parecer que a tarefa foi simples para Rizzo. Afinal, como jornalista e crítico de cinema, ele precisa dominar o assunto como ninguém. Este raciocínio procede, mas não é tão comum assim encontrar especialistas que consigam transmitir de maneira tão clara o desenvolvimento de um meio de expressão artística tão peculiar e abrangente como o Cinema. A razão para isso, aprende-se depois, é que Sérgio Rizzo não entende apenas da sétima arte. Pois, ainda que esta seja sua especialidade, ao logo do curso ele trouxe para os alunos comparações fundamentais para o entendimento da evolução do cinema. Exemplo disso foram as conexões entre a produção cinematográfica e a produção industrial, elemento que foi um dos responsáveis pela supremacia americana em relação aos franceses já nas primeiras décadas do século XX. Ou então como o cinema americano, em certa medida, espelha os ideais do individualismo, o que é diferente, por exemplo, do cinema soviético, quando a experiência coletiva também obedece a um raciocínio (também) ideológico.
Já do ponto de vista teórico, Sergio Rizzo conseguiu explicar ainda o que era a linguagem cinematográfica (câmera e montagem). E a partir disso enveredou para a interpretação de cada marco cinematográfico, pela ordem: O Nascimento de uma Nação, de D.W.Griffith (o marco inicial do cinema narrativo clássico); A General, de Buster Keaton ("eminentemente cinematográfico, graças ao movimento"); Encouraçado Potenkim, do russo Serguei Einsenstei (com a surpreendente organização de imagens e a mudança do estilo narrativo americano) e M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang ("o expressionismo alemão e a leitura enviesada da realidade"). Poderia citar tantos outros, cujos trechos foram passados em sala, mas a lista ficaria cansativa.
Em síntese, é correto afirmar que, a partir do curso, se os clássicos do cinema, como O Picolino (estrelado por Fred Astaire e Ginger Rogers [imagem acima]), não ficaram mais clássicos, ao menos agora os alunos podem compreender o motivo de toda essa distinção e reverência feitas a esses filmes.
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Fabio Silvestre Cardoso
27/9/2005 às 10h45
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Feedback risonho
Sim, Julio
gosto muito de navegar na web, acessar
sites e blogs legais, como o DC, No mínimo,
Rafael Galvão, Observatório, Cora e tantos outros.
Gosto dos artigos lúcidos, fluentes e dos irônicos
e bem humorados... dessa gente sabida.
Agora mesmo recebi um boletim do Inagaki
citando um artigo seu - legal.
Tem alguma coisa minha na busca do MSN,
mas, embora com tanta gente boa no Orkut,
alguns amigos com comunidades e tal me convidaram.
Mas não aderi por enquanto - acho complicado, muita informação
e prefiro aproveitar o tempo para acessar favoritos
e novidades na web... um mundo sem tamanho.
Sou atriz, escritora, poeta, autodidata,
carioca, radicada em Brasília. Lancei até o momento
3 livros de poesia desde 2000, mas não investi muito
em divulgação até o momento. Tem tempo.
Para efeito de idade, sou uma senhora de 50 anos
que todos os dias aprende alguma coisa com a vida,
com as artes e os pensamentos das figuras.
Às vezes exibida, às vezes tímida, nem sempre
comento o que leio... Tem muita gente assim.
Mudei recentemente e coloco a casa e a mente
em dia para deslanchar alguns planos: preparar
e lançar novos livros e elaborar o meu blog, claro.
Uma praia que tem tudo a ver comigo, sabe.
Só acho que não vou manter um sistema de comments
porque os spans são muito brabos - como eu acho que pode
acontecer no orkut e como me aconteceu no ICQ que
desativei... Acho legal ler e deixar comentários, mas
rola uma coisa esquisita entre as figuras, às vezes,
debates vazios e muita muita agressividade. Acho que
às vezes falta espírito esportivo aos internautas.
Além da renomada falta de respeito aos autores.
Mas sim: sempre navego em sua casa e tenho
boas surpresas com os artigos. Seu trabalho,
com sua turma, faz diferença pra muitos e me agrada.
Entre milhares de opções, a gente escolhe os favoritos -
tenho pelo menos uns trinta especiais -
se enturma, reconhece estilos, chama os autores pelo
primeiro nome e se sente em casa. Isso é muito bom.
Por isso, fique com meu abraço no bom fim de semana,
agora que sabe um pouquindo da leitora... rs.
Beijinhos da Gisele
Gisele Lemper, por e-mail (porque ela respondeu ao meu texto sobre feedbacks...).
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Julio Daio Borges
27/9/2005 às 10h12
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Festival do Rio 2005 (I)
Acabo de desembarcar do Festival do Rio 2005. Sim, eu sei que o festival nem está na metade (começou na sexta, dia 23, e vai até quinta, 6 de outubro), mas como não moro na capital carioca e tenho outros afazeres profissionais ao longo da semana, só posso aproveitá-lo nos sábados e domingos. Foi o que fiz, pela primeira vez credenciado como imprensa (pelo Digestivo, aliás).
(Desde já, vale um parênteses aqui: a organização precisa ficar mais esperta a respeito do credenciamento de jornalistas. Primeiro, foi um sufoco conseguir contato com a assessoria, já que nossas mensagens eletrônicas não obtinham resposta e os telefones não atendiam. Depois, mais demora para definir se rolaria ou não o crachá. Por fim, quando chego lá, ninguém das várias salas de cinema onde acontece o festival sabia como lidar comigo: minha credencial é branca, o que significa que não preciso retirar ingressos antecipados, e sim já ir entrando na sessão escolhida depois que o público estiver lá dentro. Só que os bilheteiros, porteiros e gerentes não faziam idéia disso, e por umas três vezes eu quase fui barrado - não fosse certa simpatia com eles e já era. Só no domingo, parece, estavam mais informados, e olhe lá, já que um porteiro simplesmente me impediu de entrar numa determinada sessão. Sugiro à organização ler o excelente Feedback, do nosso editor Julio Borges. Mas divago...)
Nos dois dias em que fiquei no Rio, assisti a sete longas-metragens e um curta. Uma pena que boa parte dos destaques da programação deste ano (uma das melhores em muito tempo) está concentrada em dias de semana ou nos próximos sábado e domingo (quando certamente voltarei, principalmente por Manderlay, novo do Von Trier, e Last Days, do Gus Van Sant, entre outros).
Assim, quase tudo o que vi nessa primeira ida não é tão conhecida pelo grande público. De qualquer forma, como em todo festival, deu para pescar algumas pérolas de destaque. Algumas delas não serão mais exibidas, então comento posteriormente. Outras ainda têm reprise - e é sobre essas que escrevo a seguir, com indicação das próximas sessões. Se estiver no Rio, se deleite com o festival. Se não estiver, morda-se de vontade ou faça como eu: enfrente assessorias, chuva, ônibus e o que for para chegar lá. Vale a pena.
Compra de ingressos e detalhes da programação estão no site oficial. Às pérolas, então:
Dumplings - versão em longa-metragem de episódio homônimo da antologia Três... Extremos (filme imperdível, também no festival). É a história de uma ex-atriz disposta a recuperar a juventude a todo custo, tanto para se manter bela quanto para voltar a chamar a atenção do marido, que a ignora. Encontra a solução mágica com uma espécie de bruxa inventora de uma comida "mágica" que mantém as pessoas jovens e fortes. Dirigido por Fruit Chan, cineasta de Hong-Kong, é um bizarro exercício de imagens chocantes em meio a muito humor negro. Exemplar perfeito do cinema extremo tão propalado no Oriente, que tem nas cenas de asco o grande poder de persuasão com o espectador. Alguns momentos realmente embrulham o estômago, mas a idéia por trás da narrativa os justifica: falar da loucura a que se chega em nome da estética física. Pouco parece importar a moral, a educação, a racionalidade. Se a protagonista deseja a beleza, vai enfrentar os maiores pesadelos para chegar a ela. Por vezes o filme aparenta ser uma grande bobagem, mas ao final deixa um recado poderoso à elitezinha que costuma freqüentar cinemas (em especial, nos festivais, o que é cool). Vale experimentar essa viagem - e tente se manter impassível na angustiante cena de aborto...
Próximas exibições do filme:
- terça, dia 27, no Estação Barra Point 1, às 22h
- sexta, dia 30, no Estação Ipanema 2, às 18h
Amor & Felicidade - o cinema sueco é notório pela melancolia e tristeza que emanam de suas narrativas. Peguemos o nome mais badalado do país, Ingmar Bergman, por exemplo. Recentemente, tivemos Para sempre Lylia, que fez certo sucesso no circuito comercial. Mas não só de lágrimas e sofrimento vive a Suécia das telas. Aqui, apesar do clima seco e igualmente incômodo de que as coisas não estão muito bem, a mensagem final é de puro otimismo. A jovem Minna não tem a vida desejada, mas consegue encontrar algumas válvulas de escape na pequenina cidade onde mora. Sai com a amiga, se envolve com o instrutor de direção, é assediada pelo colega apaixonado. Só que ela é infeliz, porque a mãe morreu, o pai se casou de novo e a quer fora de casa, para conviver melhor com a nova esposa. O que acompanhamos é o cotidiano dessa personagem tão humana e cheia de dúvidas, ainda descobrindo o amor e as conseqüências dele (e de tudo o que ele traz, como frustrações e angústia). Só que, quando termina, o filme deixa um frescor de recomeço que absorve as maiores pancadas até então surgidas. Uma delícia acompanhar a volta por cima de Minna, por mais que ela precise abrir mão de muita coisa para tentar alcançar seus maiores sonhos.
Próximas exibições do filme:
- quinta, dia 29, no Estação Botafogo 2, às 18h45
- quarta, dia 5, no Estação Botafogo 2, em três horários: 14h30, 18h45 e 22h45
- Observação: o filme tem apenas legendas em inglês
Achados e Perdidos - sou um entusiasta do cinema de José Joffily. Diretor brasileiro de grande interesse, fez Quem Matou Pixote?, que, fora alguns exageros e maniqueísmos, tinha méritos; e o excepcional Dois Perdidos Numa Noite Suja, talvez seu melhor trabalho. Mas algo não deu muito certo neste novo filme. Contendo todos os elementos de um típico noir (o protagonista marginalizado, a polícia apresentada como estorvo, a mulher fatal, o crime obscuro, a pouca iluminação, o cigarro sempre aceso) e um Antônio Fagundes bastante inspirado e desglamorizado encabeçando o elenco, tem tudo para engrenar, mas não engrena. Até começa bem, até cair na tentação de querer explicar tudo em detalhes, não confiando nas ambigüidades do próprio roteiro e na percepção do público em entender uma trama que poderia ser rica em significados. Se por um lado Joffily volta a abordar um universo de gente fora do topo da pirâmide, de pessoas à margem com suas próprias leis e ideais, por outro deixa escapar o potencial do filme ao se entregar ao estilo policial curto e simples. Uma pena, já que talento ele tem para fazer bem melhor. Vale registrar a presença marcante da belíssima Juliana Knust (imagem acima), estreando em cinema. Não é grande atriz, mas que corpo...
Próxima exibição do filme:
- terça, dia 27, no Odeon BR, ao meio-dia
Hoje mais tarde eu volto para comentar outros dois filmes vistos no fim de semana e ainda com reapresentações no festival. Ambos imperdíveis, cada um por motivos completamente distintos. Apareça aqui de novo.
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Postado por
Marcelo Miranda
27/9/2005 à 01h34
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Futuro
Meu chefe [André Forastieri, O Branco] conseguiu o que meus amigos não puderam em dois anos [voltar com o site], simplesmente porque exprimiu a idéia de uma maneira mais sedutora. Não fazer o blog para influenciar, doutrinar ou impressionar pessoas: apenas porque é muito legal.
Mario AV, que ressuscitou o Different Thinker (porque ele já havia voltado da tumba, por minha causa...).
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Postado por
Julio Daio Borges
26/9/2005 às 10h05
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Prêmio Jabuti
Quando ainda era viva, a escritora Hilda Hilst fazia troça acerca do sucesso literário. Questionada a respeito dos prêmios que já tinha recebido, ela dizia: "Nunca ganhei nenhum Nobel. Só me deram umas tartarugas". A "tartaruga" à qual a autora se referia era o Prêmio Jabuti, o mais tradicional "laurel" no âmbito editorial no Brasil, principalmente porque reconhece não somente os escritores, mas também todos aqueles que trabalham em torno da concepção do livro. Na noite de ontem (20.09), o auditório Simon Bolívar, do Memorial da América Latina, foi palco para a 47º edição do Prêmio Jabuti. Embora a maioria dos vencedores já tivesse sido anunciada, havia uma certa expectativa com relação aos dois principais prêmios: o de Livro do Ano nas categorias Ficção e Não-Ficção, o que só seria revelado no final.
Antes da entrega dos troféus, os convidados, escritores, editores e jornalistas se reuniram no saguão e, espremidos, ficaram, de um lado para o outro, com as conversas de bastidores, nas chamadas "rodinhas". Fatos diversos. O Freddy (da Editora Barracuda) dizia para uma amiga sobre a "nova safra de escritores". Como disse a ele depois, não há mais tanta novidade assim em falar de Marcelino Freire, Joca Terron etc. Já a escritora Nélida Piñon, sempre acompanhada, atendeu ao chamado deste repórter e ela só foi elogios quando ouviu falar de Luís Eduardo Matta, colunista deste Digestivo. "Ah, mas o Luis Eduardo é uma pessoa a quem eu quero muito bem!", enfatizou. Isso é que é moral.
Momentos antes de a premiação ser iniciada, pausa para os pronunciamentos. Do presidente da Câmara Brasileira do Livro, Oswaldo Siciliano, do Curador do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, além do Secretário estadual da Educação, Gabriel Chalita. Em todos os discursos, notava-se um certo otimismo com panorama editorial no Brasil que contrasta com os índices que atestam a queda de venda de livros, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo no último sábado (17.09). Nesse momento, surgem perguntas do tipo: como o Brasil, um país de não-leitores, consegue ter tantas editoras? Por que as campanhas em prol da leitura permanecem no apelo vazio dos slogans em vez de atacar o problema educacional de frente? Enquanto formulava essas perguntas, eis que era anunciado o vencedor do Livro do Ano na categoria não-ficção. Francisco Alberto Madia de Souza pela obra Os 50 Mandamentos do Marketing (Ed. Makron Books). Já na categoria ficção, Nélida Piñon ganhou com o romance Vozes do Deserto (Ed. Record). Saí de lá com a incrível sensação de ter minhas perguntas muito bem respondidas, para o bem e para o mal.
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Postado por
Fabio Silvestre Cardoso
21/9/2005 às 10h30
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