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Terça-feira, 2/9/2008 U2 3D Diogo Salles Dia do show. Lotado, como era de se esperar. O palco era muito baixo. Não se conseguia vê-lo ao longe, nem mesmo umas formiguinhas exóticas sacolejando o corpo na frente do telão. Nada. Periodicamente, surgiam alguns empurrões e solavancos que vinham sem nenhuma explicação. Depois saíram notícias de que eram pequenos arrastões em busca de celulares, relógios e o que mais estivesse a disposição dos bandidos. Este é o jeito que o público brasileiro é tratado em shows de grande porte. Um exemplo de organização, infra-estrutura e, principalmente, respeito a quem vai ao evento. Finalmente chegou uma grande oportunidade para enterrar essas lembranças amargas e assistir de fato àquele show que nos foi subtraído há dois anos e meio. Melhor: em U2 3D podemos agora entrar no palco e "participar" através da tela do cinema. Filmado durante essa mesma época em que eles estiveram pela América do Sul, é possível ver algumas imagens das apresentações no Brasil, mas é basicamente o show da Argentina que passa no telão. O set é reduzido para 85 minutos. Com isso, os tediosos discursos de Bono pela paz mundial foram devidamente cortados da versão final, mas algumas músicas também tiveram de ficar de fora. Os movimentos de câmera são acrobáticos e fazem o espectador viajar por toda a estrutura do palco até a massa que lotava o estádio Monumental de Nuñez. Nenhum detalhe é perdido. Som e imagem perfeitos permitem enxergar cada peça da bateria de Larry Mullen, as cordas do baixo de Adam Clayton vibrando, cada modelo e marca da extensa coleção de guitarras de The Edge e até o suor na testa de Bono. Quando em close, os músicos literalmente se projetam para fora da tela. Quando a câmera está na platéia, a sensação é de estar no estádio e você se pergunta porque é o único que está ali, confortavelmente recostado. Causou estranheza em alguns o fato de U2 3D ser apenas o show, sem que as músicas fossem entrecortadas por entrevistas ou imagens de bastidores. Parece que não entenderam a mensagem. A intenção não era fazer um documentário ― era para o espectador entrar no show e não sair mais de lá até que terminasse. Para os brasileiros essa escolha teve um significado especial. E quem for ao cinema poderá, enfim, exorcizar todos os demônios de 2006. Diogo Salles |
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