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Terça-feira, 19/11/2002 Felicidade Julio Daio Borges Não se pode negar que nossa época é marcada por um calculismo auto-interessado, em que tudo é reduzido ao custo-benefício, tudo é instrumentalizado. A amizade é qualificada em termos de vantagem, o amor em termos de sexo, a religião em termos de conquista do paraíso. Isso dificulta as relações afetivas espontâneas, dificulta o sentimento de felicidade. Gera um atomismo social que na verdade é contraproducente, pois o tempo de mudança do psíquico é diferente do econômico. Veja a tecnologia da informação, que produz muito mais dados do que o cérebro pode processar. Estamos ficando, como já se disse, "obesos de informação e famintos de sentido". As pessoas estão numa situação de perplexidade. Há um desapontamento com as promessas do mundo competitivo. Marx e todos os economistas clássicos pensaram em como libertar o homem da escravidão do dinheiro. Mas hoje sabemos que não é acumulando dinheiro. É como na saúde: quanto mais saudável você está, mais obcecado fica com a saúde. Eduardo Giannetti, em entrevista ao Estadão Julio Daio Borges |
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