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Segunda-feira, 1/6/2015
Blog de Cassionei Niches Petry
Cassionei Niches Petry
 
Aula chata é legal

O professor chega à sala de aula, sorridente, dá bom dia, abre o caderno de chamada e, brincalhão, diz: "chamaaaaaaaaada... a cobrar, para aceitá-la, continue na linha após a identificação". Os alunos riem, um deles diz "só podia o sor mesmo", o gelo é quebrado, o mestre termina o dever burocrático e, ainda sorridente, vai começar a aula. Antes, porém, de ir ao quadro (negro, verde ou branco), ouve de um aluno, com a aprovação da maioria, a frase que lhe tira toda a base de sustentação: "Profe, faz uma aula diferente hoje, pra não ficar tão chata!" O mestre diminui seu sorriso, conta mentalmente até três e responde: "Caros alunos, bem-vindos ao mundo real. A realidade que os espera lá fora é chata, às vezes, assim como uma aula de língua portuguesa".

Criou-se, nos últimos tempos, a ideia de que o professor deve ser como um apresentador de televisão, que precisa manter a audiência, tanto do auditório, como dos telespectadores. É preciso conquistar os alunos, dizem muitos teóricos no assunto, já que há outras coisas mais interessantes fora da escola. Para tanto, se faz necessário métodos inovadores, como a dança do "cada um no seu quadrado" ou incentivá-los a ler Paulo Coelho. Mesmo assim, porém, não se consegue agradar aos alunos, que querem cada vez mais liberdade e menos compromisso. Nesse ritmo, daqui a pouco, iremos para a sala de aula, com o bolso recheado de cédulas em forma de aviãozinho, e gritaremos "quem quer dinheiro" para que os alunos prestem atenção nas lições. Isso se houver lições para ensinar.

A internet proporciona um mundo mais interessante para os nossos jovens, dizem. Até posso concordar, afinal de contas também reservo parte do meu tempo para pesquisas na rede mundial de computadores, e com resultados esplêndidos. No entanto, sabemos que eles não utilizam, na maioria dos casos, a web para aprender, mas sim para coisas mais fúteis, como compartilhar fotos, baixar a música do momento (geralmente de péssimo gosto), assassinar a língua portuguesa e muitos etcéteras. Sou contra as coisas fúteis? Não, até porque o entretenimento faz parte da nossa vida e eu mesmo já compartilhei fotos e assassinei a língua uma porção de vezes em redes sociais na internet (psiu, bem baixinho aqui: já fiz downloads de músicas de gosto duvidoso também). No entanto, na idade em que mais se deve aproveitar o tempo para aprender, os jovens desperdiçam a chance de conhecer o que de mais importante já foi realizado pelos nossos cientistas, filósofos, matemáticos, historiadores e escritores. E se nós, professores, abrirmos mão disso e nivelarmos por baixo o conhecimento, estaremos criando seres humanos medíocres, preocupados, mas nem tanto, tão somente em atingir a média para passar de ano.

As aulas não devem ser chatas? Por que não? Se o estudante está na escola para aprender, uma das lições é a de que nem sempre as coisas são prazerosas. Acordar às 6 horas da manhã para trabalhar não é nada agradável. Pegar ônibus lotado é um saco. Nem sempre se tem um chefe carismático. Conviver com gente chata é chato. As coisas não são, portanto, como queremos que sejam. O mundo não gira em torno do nosso umbigo. Essa é a realidade que nossos alunos vão enfrentar. E é isso, também, que devemos ensinar.

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Postado por Cassionei Niches Petry
1/6/2015 às 14h09

 
Por que filosofar?

No início do livro Las preguntas de la vida (há uma edição brasileira pela Martins Fontes, mas está esgotada), Fernando Savater lembra o questionamento que muitos fazem ao se deparar com o ensino da filosofia: que informação podemos tirar dela? A resposta é óbvia: nenhuma. Quem nos dá informação são os noticiários. Mas depois que recebemos a informação (um número x de pessoas morrem de fome no mundo, por exemplo), ela basta para entendermos a nós mesmos e a ao mundo ao nosso redor? A informação por si só não, mas depois as pessoas passam a opinar sobre a notícia, procurando justificativas, causas, relacionam os fatos com o seu conhecimento de mundo. Por isso, uns invocam as análises psicológicas, outros levantam teses sociológicas, outros apelam para as explicações religiosas. Até que alguém exclama: "em que mundo vivemos!" Essa exclamação gera uma pergunta que não encontra uma resposta satisfatória, como a óbvia "vivemos no planeta Terra!", pois ela transcende qualquer explicação científica. Passa-se pelo degrau da informação, depois pelo degrau do conhecimento e agora se quer chegar à sabedoria.

Para se chegar a esse degrau, eu afirmo: precisamos da filosofia. Filosofamos porque queremos respostas que vão gerar, por sua vez, novas perguntas e assim por diante. No momento em que achamos que já encontramos a resposta, deixamos de filosofar. As religiões dizem que têm a verdade, basta ter fé e não questionar. Alguns cientistas afirmam também categoricamente suas descobertas em revistas e saímos repercutindo como verdades absolutas. Ainda bem que há os que questionam os dogmas religiosos e os que questionam os dogmas científicos. Graças a essas pessoas, não deixamos de evoluir.

Pense, caro leitor, em um objeto importantíssimo do seu dia a dia. Pensou no celular, no computador, na televisão ou outra coisa? Pois você deve isso a um filósofo ou, na menor das hipóteses, a uma pessoa que filosofou. Ela deve ter refletido "está certo, esse objeto facilitou minha vida, mas ele não pode facilitar ainda mais?" Ou seja, o cara não se conformou com o que tinha e quis algo mais. São as mentes inconformadas que movem o mundo e elas são alimentadas pela busca do conhecimento e a aplicação desse conhecimento para os seres humanos. Se elas param, paramos também e nossa vida se torna monótona.

Para os que dizem que a filosofia é uma disciplina inútil, respondo que ela é inútil para aqueles que só se conformam em viver e deixam que outras pessoas reflitam no seu lugar. Mas lembre-se: refletir é também olhar-se no espelho. Portanto, vá ao banheiro ou ao seu quarto, olhe-se no espelho e me diga se é a sua imagem que está sendo refletida.

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Postado por Cassionei Niches Petry
29/5/2015 às 16h18

 
Controle da situação

Às vezes enche o saco querer agradar aos outros. Ou, melhor dizendo, querer ser menos desagradável. Gosto de estar com os amigos, apesar de serem, na verdade, amigos da minha esposa e da minha irmã. Acontece que não gosto de dançar, muito menos curtir essas músicas da moda. Para piorar, parei de beber. Para piorar ainda mais: a cada dia que passa cresce meu desinteresse pelo futebol. Mais ainda: deixei de gostar do carnaval. Tudo isso contribui para eu ser o "quietão" da turma, mesmo se volta e meia tento contar alguma piada, 99, 999999% das vezes sem graça. Mas não vou abrir mão dessa minha forma de viver para ser o "queridinho".

Mas aí você, leitor, deve estar pensando que sou um chato. Não, não sou. Se não bebo, não fico insistindo para os outros pararem também. Não fumo, mas nem por isso me importo com a fumaça de cigarro na minha cara — costumo dizer que sou fumante passivo assumido. Tampouco tento falar sobre coisas do meu mundo para os outros, nem fico corrigindo a fala de ninguém.

Sempre que saí foi por uma necessidade de ser social, de fazer parte de algo. Hoje não preciso mais disso. Prefiro ficar no meu pequeno mundo: o quarto na adolescência, a minha biblioteca agora. Ou o espaço virtual do blog, onde escrevo para mim mesmo e, eventualmente, para um leitor que não passe apenas os olhos nesse amontoado de letras adornado por imagens descaradamente copiadas da internet. Aqui escrevo o que quero, publico o que quero e por isso posso ler o que não quero também. Não censuro comentários.

Outro mundo que vou construindo aos pouquinhos é o meu mundo literário. Nesse mundo sou um deus. Dou vida e sou cruel com minhas criaturas. Se não andam na linha, eu as puno, muitas vezes com a morte, sem piedade nenhuma. Comigo não há essa história de os personagens tomarem a rédea e controlar seus destinos. Quem manda sou eu.

Por falar em mandar, sinto inveja do escritor espanhol Javier Marías. Em entrevista para o jornal El País, ele afirma que escreve para não ter chefe nem madrugar. Eu, como não vivo do que escrevo, tenho que acordar cedo para trabalhar e bato continência para vários chefes: diretores, vice-diretoras, supervisoras até chegar ao governador. Claro, sem falar nos pais dos alunos.

Fugi demais do assunto? E daí? Aqui ainda sou meu próprio chefe. Pelo menos enquanto meu cérebro não fugir do controle.

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Postado por Cassionei Niches Petry
27/5/2015 às 14h09

 
Acreditar na educação

Fernando Savater, filósofo espanhol, inventou em um dos seus artigos a sigla I.S.P. para sintetizar a expressão "idiotas suficientes preparados". Idiota, ele frisa, "numa acepção mais próxima a sua etimologia grega: pessoa carente de interesse cívico e de capacidade para desenvolver as atribuições que correspondem a um cidadão." São aqueles indivíduos que não têm argumentos para defender suas demandas sociais, não sabem ler textos ou ouvir discursos de forma a discernir o que são ideias fundamentadas ou simples demagogia (como percebemos na última eleição), tampouco sabem o que são valores contra os quais devem rebelar-se (temos hoje falsos rebeldes entre os jovens, que se revoltam contra os professores por motivos equivocados).

Vou um pouco mais além da leitura política feita pelo autor. Para mim, os I.S.P. seriam alunos (em que se incluem os professores recém-formados) que aprendem o mínimo necessário para atingir a média estabelecida pela escola, mesmo que para isso se utilizem de subterfúgios como a cola ou a simples decoreba para esquecer depois. Não aproveitam quando o professor traz atividades diferentes para a sala de aula, apesar do discurso de não gostarem da escola justamente pela falta de novidades. Simplesmente são, numa falsa rebeldia, contra tudo que o professor propõe. Grande parte dos nossos jovens prefere ficar na mediocridade, no sentido literal do termo, pois para eles o topo a ser alcançado é a média.

Claro que é uma generalização, nem todos procuram ser medíocres. Aí entram os poucos alunos que não nos deixam desistir da profissão de ensinar. São os que chamam o professor para fazer uma pergunta sobre a aula, não apenas para pedir para ir ao banheiro; são aqueles que se espantam com uma descoberta no laboratório de ciências; são os que leem livros não porque está valendo nota, mas porque sabem que vão aprender muito mais com uma leitura fora da sala de aula, e ainda por cima comentam suas impressões com o professor; são aqueles cujos olhos brilham quando aprendem coisas novas; são os que não querem só uma nota para passar de ano, mas desejam aprender; são aqueles que prestam atenção no professor, anotam o que foi explicado na aula e sabem a hora certa que se pode conversar sem atrapalhar o andamento das lições; são os que dizem "como foi boa a aula hoje"; são aqueles que dizem, no último dia do ano letivo, "jamais vou esquecer o que o senhor me ensinou, professor".

Nesses momentos, o professor abre um sorriso de satisfação e sabe que, de alguma forma, foi e é uma figura importante para a vida dos alunos. Decide seguir a máxima de Michel de Montaigne, para quem "a criança não é uma garrafa que devemos encher, mas um fogo que se deve acender", e continua - fazendo jus ao nome pelo qual é chamado - a professar a crença na educação.

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Postado por Cassionei Niches Petry
24/5/2015 às 17h50

 
Coletividade X indivíduo

"Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho/ deixem que eu decida a minha vida", entoa Belchior em uma música que foi muito lembrada quando do "sumiço" do cantor há algum tempo. Os versos nos fazem pensar sobre o que chamo de ditadura da coletividade. Nela, o indivíduo é obrigado a viver socialmente, para ser aceito pelos seus pares, ou deve se engajar em alguma causa social para não ser tachado de insensível ou reacionário. Ora, porque precisamos seguir o mesmo caminho que outros seguem, fazer o que os outros fazem, pensar como os outros pensam?

Se o indivíduo não bebe com os amigos, por exemplo, é ridicularizado. Recentemente parei de ingerir bebidas alcoólicas (que Baco me perdoe!), o que fez muitos pensarem que eu teria virado "crente", uma ofensa para um ateu. É nesse passo que muitos acabam entrando nas drogas. A necessidade de pertencer a um grupo leva os jovens a imitar os outros através das gírias, roupas, atitudes e, claro, uso de substâncias que os tornem "rebeldes" diante da sociedade. Mal sabem eles que estão perdendo sua individualidade ao se tornarem marionetes dos amigos e do tráfico. Fogem de um sistema opressor para entrar em outro pior ainda. E são individualistas por não pensarem no sofrimento que causam àqueles que realmente os amam.

Paradoxalmente, há pessoas ditas altruístas que, na verdade, são individualistas. Muitos voluntários desses movimentos de solidariedade criticam as pessoas que não se envolvem nesses assuntos. "Se mais pessoas ajudassem, pensassem na coletividade, o mundo seria muito melhor. Eu estou fazendo a minha parte." Quem afirma isso quer ajudar os outros ou satisfazer seu ego? Ora, quem não tem vocação de ajudar tem o direito de se abster para não atrapalhar. Muitos escritores e filósofos, na solidão de suas torres de marfim, podem fazer muito mais ao produzir obras que nos fazem refletir do que aqueles que se vangloriam em pensar nos outros para aparecer nas colunas sociais. Como escreveu Oscar Wilde, "o egoísmo não consiste em vivermos conforme os nossos desejos, mas sim em exigirmos que os outros vivam da mesma forma que nós gostaríamos. O altruísmo, por sua vez, consiste em deixarmos todo mundo viver do jeito que bem quiser."

Não podemos confundir individualismo com individualidade. O individualista só pensa em si mesmo. Para ele o mundo gira ao seu redor e julga severamente os que pensam diferente dele. Parece até odiar seus semelhantes. Já o indivíduo está inserido dentro de uma sociedade, porém quer preservar seus valores próprios, sua singularidade, sem impor seus pontos de vista a outras pessoas, pois não abre mão de conviver com elas. Dito de outro modo, o primeiro acha que é o centro do mundo e quer moldar os outros de acordo com suas ideologias. O segundo prefere ficar à margem e sua filosofia de vida é moldada para si mesmo. No entanto, adora estar em boa companhia e compartilhar, repito, compartilhar o que pensa. Ah, e aceita ser contestado.

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Postado por Cassionei Niches Petry
21/5/2015 às 17h49

 
O homem da garagem de marfim (ou Me, myself & I)

Gostaria de ter disciplina para a leitura diária, porém sou um indisciplinado por natureza. Estabelecer um planejamento do que ler, partindo de determinados autores e seguir uma ordem cronológica é impossível. No meio do caminho vão aparecendo outros livros que furam a fila e as obras daquele autor ficam para trás. Há muita coisa para ler. Quando penso nisso, fico com vergonha de ter publicado dois livros. Já não há escritores e publicações suficientes?

Mas aí paro, penso e concluo: eu tenho algo a dizer. Não li durante toda a minha vida (ou seja, ainda li muito pouco) para ser apenas leitor. Li para ser escritor também. E está aí uma coisa que nunca disse: eu sou bom no que faço. Chega de bancar uma de humilde, até porque, mesmo não querendo me enaltecer já fui chamado de arrogante. Como escrevi num aforismo no meu blog, umas de minhas palavras despedaçadas: arrogo a mim o direito de ser arrogante.

A questão é simples. O cara escreve, escreve, depois de ter lido muito, mas muito mesmo. Aí tenta publicar pelo sistema tradicional: editora que banca a obra, divulga, distribui. Por motivos óbvios, ou nem tão óbvios, seu original fica esquecido em algum arquivo ou vai direto para a lixeira (física ou do computador) mais próxima. Então o escritor parte para a parceria, que é um eufemismo para a auto publicação. Faz uma tiragem pequena, vende algumas dezenas para conhecidos, quem sabe um ou outro exemplar sob encomenda e fica por isso mesmo. O livro não está em nenhuma livraria física, não chega às mãos de nenhum crítico nem da imprensa, a pequena editora não te divulga nem no próprio facebook dela (mas divulga notícias de escritores da mídia), quase ninguém sabe que você publicou um livro e sua dívida no cartão de crédito usado para bancar a obra aumenta.

E não estou aqui me lamentando por isso. Essa foi uma escolha, e escolher é perder, como disse o filho do Jô Soares, numa frase que reproduzi em outra crônica. Esse papo meio enrolado é só pra dizer que, inspirado talvez pelo Marcelo Mirisola (que também inspirou o título desta crônica), não vou mais ficar me fazendo de tolinho, ingênuo, achando "que não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada" (Álvaro de Campos/Fernando Pessoa), pois a única coisa boa que sei fazer é escrever e o faço bem. Não porque algum leitor me disse isso, mas porque eu sei, assim como sei quando escrevo porcarias, e mesmo essas porcarias ainda assim podem ser relevantes pra alguém, mesmo que esse alguém seja eu mesmo, na minha garagem de marfim onde estou agora, rodeado por livros, alguns não tão bons como os meus.

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Postado por Cassionei Niches Petry
19/5/2015 às 16h11

 
Uma novela de resPEITO

O seio é uma novela de Philip Roth, de 1972. No Brasil, houve uma edição ainda nos anos 70 e está esgotada. Não a encontrei nem mesmo na Estante Virtual. Sequer uma imagem da capa está disponível. Li há pouco a edição em e-book, El pecho, traduzido para o espanhol por Jordi Fibla. É o primeiro livro do que se tornaria a chamada Trilogia Kepesh, que teve continuação com O professor do desejo, de 1977, e termina em O animal agonizante, de 2001.

O tema é inusitado. David Kepesh, professor de literatura, acaba se transformando num seio de 70 quilos, "uma glândula mamária sem nenhuma relação com nenhuma forma humana, como só poderia aparecer, alguém pode ter pensado, em um sonho ou em uma pintura de Dali." O leitor afeito ao cinema vai lembrar-se também do enorme seio que aparece em uma das cenas de Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo (mas tinha medo de perguntar), de Woody Allen, artista judeu como Roth. Mantido vivo em um hospital, não vê nada, mas consegue se comunicar e ficar a par da situação absurda.

Uma das situações que tem que enfrentar é o seu desejo sexual. Quando a enfermeira fica encarregada de limpá-lo, nota que se excita quando é tocado. Sua namorada, Claire, acaba lhe satisfazendo ao chupar seu mamilo fazendo-o ejacular. A sexualidade é uma obsessão de Kepesh, e será desenvolvida nas outras obras da trilogia.

É nas reflexões sobre sua existência o ponto alto da história, principalmente quando começa a negar seu estado, argumentando que talvez esteja louco e que tudo não passe de ilusão sua, provocada pela literatura. "Os livros sobre os quais tenho dado aulas... eles me meteram essa ideia na cabeça. Penso em meu curso de literatura europeia. Ocupar-me de Gogol e Kafka um ano depois de outro, explicar 'O nariz' e 'A metamorfose'." Seu psicanalista, Doutor Klinger, é representação de seu lado racional, aquele que tenta fazê-lo aceitar a realidade, e quem o adverte sobre os perigos da literatura (e por extensão, da imaginação): "Gogol, Kafka e companhia... você vai ter sérios problemas se seguir por este caminho."

El pecho é uma novela de resPEITO, com o perdão do trocadilho infame. É uma das narrativas mais bem humoradas de Roth e pede uma reedição urgente por estas bandas. Aguardemos.

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Postado por Cassionei Niches Petry
18/5/2015 às 09h50

 
Por que temos que escolher?

Estou há muito tempo com esta frase na cabeça: "Prefiro não escolher. Escolher é perder sempre." Quem disso isso foi Rafael, filho do Jô Soares, que reproduziu a frase em seu programa de TV, numa homenagem ao menino de 50 anos que havia falecido em decorrência de um câncer no cérebro. Rafael era autista e, por isso, vivia no seu mundo particular, segundo o Jô, trabalhando em sua estação de rádio e tocando piano.

Penso nessa frase a todo o instante porque ela me desestabilizou completamente. Tinha como verdade absoluta a frase "a vida é feita de escolhas". Tive/tenho que fazer muitas durante esses meus 35 anos de idade mais ou menos bem vividos. Agora entendi porque me tornei um perdedor em certos aspectos. Foram todas as vezes em que tive que escolher. Escolher fazer literatura, por exemplo, me tornou um perdedor. Escolhi ser professor também e perdi ou estou perdendo. Escolhi fazer Letras e perdi. Escolhi fazer mestrado em Letras e perdi.

Não estou querendo dizer que não deveria ter seguido esses caminhos todos. Literatura, tanto ler como escrever, por paixão, prazer, inquietação intelectual, me completa. Sou professor da área de Letras por gostar também, além de estar relacionado com a primeira escolha. Acontece que tive de deixar outros caminhos que estava seguindo para me focar nesses. Deixei de lado o futebol, a música, o rap, o carnaval. Não segui o caminho de administração de empresas sendo que trabalhava como auxiliar na área. Não era por prazer que poderia ter enveredado por ali, mas financeiramente talvez fosse mais vantajoso. Ou seja, ao escolher, perdi.

Quando venci, não tive escolha nenhuma. Foram as circunstâncias, o destino, o coração e a emoção que me guiaram no amor, no casamento, na paternidade, na felicidade familiar. Sou feliz e não perdi nessa parte da minha vida porque não escolhi, não foi necessário.

O menino de 50 anos, segundo seu pai, não quis escolher apenas seis livros de uma pilha de doze que queria levar de uma livraria. Se fosse para escolher, não levaria nenhum. Assim aprendemos desde criança. Ou você escolhe o carrinho ou a bola. O sorvete ou o refrigerante. Estudar ou brincar. Obedecer ou ficar sem TV (ou celular e computador hoje em dia). Jaspion ou Jiraya. Xuxa ou Angélica. Sertanejo ou Rock. Inter ou Grêmio (não, não, isso não é escolha). PT ou PSDB (ou PMDB aqui no Rio Grande do Sul). Esquerda ou direita. Arte ou entretenimento. Acreditar ou não em Deus. Otimismo ou pessimismo.

Por que temos que escolher? Por que temos que perder sempre?

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Postado por Cassionei Niches Petry
15/5/2015 às 16h50

 
Cortázar assassina o leitor

"Continuidad de los parques", de Julio Cortázar, é um conto que não tem final, mas poderia assinalar o fim, a morte, de um tipo de leitor. Aquele leitor que apenas passivamente lê, considera uma narrativa uma simples distração, entretenimento. Esse leitor, inclusive, não entenderá o conto e, por conseguinte, o achará ruim. Esse leitor é quem está estragando a literatura como arte. Ele é contra a arte ou tem uma concepção equivocada do que é arte.

A história que se volta sobre si mesma tem como protagonista uma pessoa rica, negociante, dono de uma propriedade rural onde se refugia do cotidiano e aproveita para ler um romance na sua poltrona de veludo verde, de costas para a porta e com vista para um parque de carvalhos. A história dentro da história conta o encontro de um casal de amantes que planeja a morte do marido. Quando o amante vai cumprir sua tarefa, punhal em mãos, seguindo a orientação da mulher, passa por um parque de carvalhos, entra em uma sala onde está sua vítima, de costas para a porta, numa poltrona de veludo verde e lendo um romance.

O resumo, claro, estraga o conto, pois falta a tensão necessária. Mas percebemos nele essa circularidade proposta por Cortázar, presente também em outros contos e no seu monumental romance Rayuela (O jogo da amarelinha). O leitor lê uma história em que ele seria assassinado. Seria, pois o ato não se consuma. O final fica em aberto, ou fechado de forma circular, pois a vítima, o leitor, está lendo um romance que conta a história de amantes que planejam a morte do marido que está lendo um romance que conta a história... ad infinitum.

Oroboro, anel de Moebius (por sinal, o nome de outro conto do Cortázar), o escorpião cravando em si mesmo o ferrão, a pintura de MC Escher em que a mão desenha outra mão que desenha outra mão... Há vários símbolos e metáforas que podemos pôr nesse jogo. Também somos, como lembra Gustavo Bernardo em um artigo de seu livro Conversas com um professor de literatura, leitores de um leitor nesse círculo infinito: "A história continua na leitura da história que por sua vez continua na leitura da história dentro da história: um parque de carvalhos e palavras se comunica com outro parque de carvalhos e palavras."

O conto abre o volume Final do jogo, que está sendo lançado pela Civilização Brasileira, com tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman.

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Postado por Cassionei Niches Petry
13/5/2015 às 12h45

 
Ler por prazer?

Gosto de ler o que me inquieta, não o que me conforta. Às vezes, endossamos a ideia de que lemos por prazer. Mas o que é o prazer?

Fumar, por exemplo. Até hoje não entendo como as pessoas sentem prazer nesse vício, e olha que já fui fumante na minha adolescência e há pouco tentei ser um cachimbeiro. Há, porém, quem sente prazer sim, e não é porque não sinto que outras não irão sentir.

Nessa lógica, ou falta de lógica, podemos achar agradável o não agradável, prazeroso o não prazeroso, confortável o não confortável. Ora (direis), és um masoquista. Pode ser. Não no aspecto físico, mas sim no psicológico. Historinhas certinhas, que dizem o que queremos ouvir, escrevem o que queremos ler ou nos satisfaz, não é boa literatura, ou ao menos o que considero como literatura adulta, ou, melhor ainda, Literatura com L maiúsculo. Quando criança, sim, pode-se buscar uma escrita que conquiste o pequeno leitor. Adulto, porém, a literatura deve desagradá-lo.

Ora (direis), mas gosto de ler para me distrair, me encantar, me divertir. Ótimo, mas isso é literatura, não Literatura. Continue lendo essas obras. Eu também as leio de vez em quando. Dan Brown, por exemplo. Serve, porém, apenas para isso: distrair. Ora (direis), busco mensagens edificantes, ensinamentos, o caminho a seguir nesta vida tortuosa. Eu vos direi, no entanto: isso não é nem literatura e nem Literatura. Isso leva outro nome: autoajuda, livro espírita, mensagens religiosas ou qualquer outro rótulo que passa distante (ou deveria) das prateleiras classificadas com o número 8 nas bibliotecas. E, convenhamos, uma vida torta é muito mais divertida do que uma vida retinha.

Ora (direis), és um chato, arrogante e estraga prazer. Sim (eu vos direi, no entanto), justamente isso. Vim para este mundo para incomodar. Assim como quero ler algo que me incomode. Quero sofrer com a leitura, quero que ela me desnorteie, me desoriente, me leve para o mau caminho. Sinto prazer nisso, o que pode ser difícil de entender para quem não sente esse prazer, assim como para mim é complicado entender quem sente prazer ao ouvir determinados tipos de música.

Ora (direis), vai à merda. Eu vos direi, no entanto: não quero seguir o vosso caminho.

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Postado por Cassionei Niches Petry
11/5/2015 às 12h25

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