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Sexta-feira, 10/7/2015
Blog de Cassionei Niches Petry
Cassionei Niches Petry
 
A sombra do oroboro

"Metassombro"
eu não sou eu
nem o meu reflexo
especulo-me na meia sombra
que é meta de claridade
distorço-me de intermédio
estou fora de foco
atrás de minha voz
perdi todo o discurso
minha língua é ofídica
minha figura é a elipse
(Sebastião Uchoa Leite)

A sensação de olhar-se e assombrar-se consigo mesmo. Isso muitas vezes acontece comigo, seja na frente do espelho, seja na frente de outras pessoas. Por isso me vejo no poema "Metassombro", de Sebastião Uchoa Leite, já que não me vejo quando deveria me ver. O ser estranho que mira sua própria imagem e a imagem que mira o ser estranho são como o poeta que mira o leitor e o leitor que mira o poeta. O oroboro também assombra e faz sombra.

"Eu não sou eu/nem o meu reflexo", diz o eu lírico do poema e também diz o "eu" que está dentro de mim, esse "eu" que é o que lê, cuja vida se espelha nos textos literários. Eu sou aquilo que eu leio, logo não sou eu e minha reflexão sobre o lido, na verdade, vem no navio de outras influências. Minha interpretação são interpretações de outros. O que eu consumo acaba me consumindo. Fico na "meia sombra" de outros, tendo como meta a luz e perco minha própria voz.

Também perco minha voz, no entanto, porque tenho medo do reflexo das minhas palavras. "Perdi todo o discurso", não consigo, e nem posso, dizer o que penso, porque se o dissesse encontraria problemas. "Minha língua é ofídica", tem veneno, mas a peçonha não pode ser inoculada, afinal tenho que ser político, não me indispor com uma porção de pessoas que não gostariam de ouvir o que eu penso. Preciso me cuidar, tenho interesses e, por isso, me calo ou não publico o que escrevo, as palavras guardadas nos desvãos do cérebro ou nos arquivos do computador.

O oroboro come sua cauda e some. Ao não ser eu mesmo, ao fazer sombra sobre mim, desapareço. "Minha figura é a elipse".

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Postado por Cassionei Niches Petry
10/7/2015 às 15h48

 
Crônica fria

(Originalmente publicada no meu blog pessoal e no jornal Gazeta do Sul)

Gosto do frio. Minhas mãos gelam para digitar, porém não me importo. Meus pés necessitam de três meias, porém não me importo. Na cabeça, uma touca, que incomoda e revira meus cabelos, porém não me importo.

Já aquele mendigo na rua...

Gosto do frio, mesmo morando numa casa de madeira, cheia de frestas por onde entra um vento gélido. Prefiro o frio ao calor, pois nos dias quentes transpiro demais e tenho que ficar sempre na frente de um ventilador. Gosto muitos desses dias frios.

Aquele mendigo, porém...

O inverno é minha época preferida. Não gosto nem de meia estação. Acho engraçado quando as pessoas dizem que preferem o verão, mas se refugiam em ambientes climatizados, instalam ar-condicionado em seus carros e enfrentam o estresse de uma ida à praia com o intuito de se livrar do estresse do dia a dia. Assim como há as pessoas que preferem o frio, porém se munem com uma parafernália de panos e lãs para se proteger, correm para o fogão à lenha mais próximo ou se embrulham em um grosso edredom. Eu, por exemplo.

O mendigo, no entanto...

O inverno, paradoxalmente, é a época mais quente do ano. Ao contrário das outras estações, no inverno as pessoas se aproximam mais, ficam a maior parte do tempo em casa, os casais se abraçam para se aquecer, muitos se reúnem em volta da lareira para tomar um chimarrão ou um bom vinho, comer uma pipoca ou pinhão. Precisa-se mais do calor humano.

Mas o mendigo... Alguns animais sofrem nessa época, outros aproveitam para hibernar. Há de tudo um pouco no mundo animal. Muitos donos vestem roupas quentes nos seus cachorrinhos, afinal os animaizinhos não podem passar frio. Imagine!

O mendigo levanta-se. Dirige-se àquela senhora que leva seu cachorrinho no colo, bem enroladinho no cobertorzinho. Ela anda com pressa, tentando se esquentar naquele final de tarde de baixa temperatura. O mendigo pede uma moedinha. A mulher, indignada, retruca:

- Pra quê? Pra comprar cachaça e ficar mais bêbado?

- É para comprar cachaça sim, minha senhora. Mas eu bebo cachaça para poder me esquentar nesse frio.

O cachorrinho late para o mendigo e a noite cai. Fria.



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Postado por Cassionei Niches Petry
5/7/2015 às 16h59

 
Não vou por aí

(Crônica originalmente publicada no meu blog pessoal no dia 25 de junho de 2013.)

Jovens e nem tão jovens assim, pacifistas e baderneiros, partidários e apartidários, pobres e ricos, professores e alunos, patrões e empregados, homens e mulheres. Impossível enumerar e descrever todos os que participaram das manifestações que tomaram as ruas do país, num grito uníssono de mudança. Uma massa que seguiu as convocações das redes sociais, num primeiro momento pela redução das passagens de ônibus e, depois, por qualquer outra coisa que preencha uma lacuna após dois pontos. Confesso que não me vi representado nesses protestos e explico por que, apesar de saber que posso ser chamado de reacionário, alienado e ignorante.

Desconfio sempre quando uma multidão vai para um mesmo caminho. Seguir o bando pode dar proteção para o pássaro, mas chega uma hora em que é necessário seguir seu próprio voo. Seguir o rebanho leva o gado aonde há comida, mas somente até ali. Acompanhar a massa é confortável, mas sempre busco o desconforto. Milhares de jovens, alegando estar saindo da frente do computador para "fazer alguma coisa", estão na verdade deixando de fazer a sua parte na história para apenas fazer parte dela, como coadjuvante. O protagonista é uma massa sem cara, sem cor, representando a pluralidade do nosso povo, o que é positivo e elogiável, porém ao mesmo tempo não representa ninguém, pois há conflitos de interesses. Se boa parte luta pelo passe livre, outra parte pode lutar para não ter de pagar o custo dessa "cortesia", pois a passagem de ônibus sempre vai ser paga por alguém.

Prova de que essa massa não tem cara é que ela é simbolizada por uma máscara, relacionada de modo geral a um grupo que ironicamente se chama "Anonymous". Quem a usa, tanto nas passeatas quanto em seus avatares nas redes sociais, o faz com orgulho. Poucos conhecem, no entanto, o significado dela. Oriunda da história em quadrinhos V de vingança, de Alan Moore e David Lloyd, depois adaptada para o cinema, a máscara é usada por um personagem que, sozinho, luta contra um governo totalitário em uma Londres ficcional pós-guerra nuclear, utilizando-se, para alcançar seus objetivos — um deles a vingança do título —, de meios violentos como explodir bombas em patrimônios públicos e matar inocentes. Além disso, ela é inspirada no rosto de Guy Fawkes, soldado e conspirador inglês que pretendia assassinar o rei Jaime I da Inglaterra e explodir o Parlamento do Reino Unido.

Ora, dizem que as manifestações são pacíficas, mas milhares de jovens buscam como modelo o rosto de dois terroristas, um no plano da ficção, o outro no plano histórico. Isso não pode representar o rosto do povo brasileiro e nenhum personagem violento pode me representar.

Quando ouço os manifestantes gritando para que o povo vá para a rua, lembro-me dos versos do poeta português José Régio, "Só vou por onde/Me levam meus próprios passos/(...)/Por que me repetis: 'vem por aqui!'?/(...) Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,/Ninguém me peça definições!/Ninguém me diga: 'vem por aqui'!" Prefiro ser contraditório do meu jeito e fazer meu trabalho de formiguinha para mudar as coisas a ser contraditório dentro de um rebanho que somente faz tudo o que seu mestre mandar.



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Postado por Cassionei Niches Petry
2/7/2015 às 15h33

 
Ode a Fernando Brant, ode aos criadores

Fernando Brant, grande letrista da MPB, morreu no dia 12 de junho, Dia dos Namorados. Talvez um casal deva ter namorado alguma vez ao som de "Coisas da vida": "O amor enfim ficou senhor de mim/E eu fiquei assim,/Calado sem latim/Coisas da vida." No entanto, esse casal não deve ter lamentado a perda do compositor porque talvez nunca tenha ouvido falar dele e ligava a música somente à voz de Milton Nascimento, também autor da canção (um gênio vivo, bem vivo, porém esquecido pelo grande público).

A pouca repercussão da morte de Fernando Brant nos mostra o desprezo que se dá aos criadores. As letras de Brant são cantadas por quase todos os brasileiros, no entanto, poucos o conheciam. Esse gênio das palavras foi quem escreveu "Bola de meia, bola de gude" ("Há um menino/Há um moleque/Morando sempre no meu coração/Toda vez que o adulto balança/Ele vem pra me dar a mão"), "Maria, Maria" ("Mas é preciso ter força/É preciso ter raça/É preciso ter gana sempre"), "Encontros e despedidas" ("Todos os dias é um vai-e-vem/A vida se repete na estação/Tem gente que chega pra ficar/Tem gente que vai/Pra nunca mais..."), "Travessia" ("Quando você foi embora fez-se noite em meu viver/Forte eu sou, mas não tem jeito/Hoje eu tenho que chorar"), "Paisagem da janela" ("Mensageiro natural de coisas naturais/Quando eu falava dessas cores mórbidas/Quando eu falava desses homens sórdidos/Quando eu falava desse temporal/Você não escutou"), "Nos bailes da vida" ("Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão/Todo artista tem de ir aonde o povo está") e tantas outras letras cantadas pelo Milton Nascimento e pela banda 14 Bis.

Aqueles que criam, na literatura, na música, em todas as artes, deveriam ser mais valorizados. O que se vê, no entanto, é a exaltação da reprodução e da cópia. O cantor é a estrela solitária; o ator é o gênio que interpreta a personagem elaborada pelo dramaturgo; na universidade, o autor de um artigo de 12 páginas sobre uma obra literária recebe mais pontuação nas avaliações do que o próprio escritor da obra analisada, que tem 200 páginas.

Bernardo Vilhena, você conhece? Não? Mas já teve ter cantado os versos de "Vida louca vida", que fez em parceria com o Lobão. Vítor Martins? Também não? Esses versos, porém, você deve conhecer: "Começar de novo e contar comigo/Vai valer a pena ter amanhecido". E Ronaldo Bastos? E Paulo César Pinheiro? Poderia citar dezenas de grandes letristas que fazem o trabalho quieto, no seu canto, criando, jogando, brincando com as palavras.

"Canção da América" é uma das mais conhecidas de Fernando Brant e ganhou ainda mais repercussão quando morreu o ídolo do esporte Ayrton Senna, que dizia ser fã da música. Os versos "Amigo é coisa para se guardar/Debaixo de sete chaves/Dentro do coração/Assim falava a canção que na América ouvi" estouraram e hoje ilustram homenagens e simbolizam a amizade, mas também podem representar o esquecimento daqueles que mereciam ser lembrados. "Mesmo que o tempo e a distância digam 'não'/Mesmo esquecendo a canção/O que importa é ouvir/A voz que vem do coração." A voz do meu coração me pede para não esquecer, me pede para reverenciar, me pede para lembrar as pessoas para que não se esqueçam dos criadores. Não esqueçam aqueles que tiram do nada algo para preencher nossas vidas.

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Postado por Cassionei Niches Petry
24/6/2015 às 08h44

 
Ler por prazer?

Gosto de ler o que me inquieta, não o que me conforta. Às vezes, endossamos a ideia de que lemos por prazer. Mas o que é o prazer?

Fumar, por exemplo. Até hoje não entendo como as pessoas sentem prazer nesse vício, e olha que já fui fumante na minha adolescência e há pouco tentei ser um cachimbeiro. Há, porém, quem sente prazer sim, e não é porque não sinto que outras não irão sentir.

Nessa lógica, ou falta de lógica, podemos achar agradável o não agradável, prazeroso o não prazeroso, confortável o não confortável. Ora (direis), és um masoquista. Pode ser. Não no aspecto físico, mas sim no psicológico. Historinhas certinhas, que dizem o que queremos ouvir, escrevem o que queremos ler ou nos satisfaz, não é boa literatura, ou ao menos o que considero como literatura adulta, ou, melhor ainda, Literatura com L maiúsculo. Quando criança, sim, pode-se buscar uma escrita que conquiste o pequeno leitor. Adulto, porém, a literatura deve desagradá-lo.

Ora (direis), mas gosto de ler para me distrair, me encantar, me divertir. Ótimo, mas isso é literatura, não Literatura. Continue lendo essas obras. Eu também as leio de vez em quando. Dan Brown, por exemplo. Serve, porém, apenas para isso: se distrair. Ora (direis), busco mensagens edificantes, ensinamentos, o caminho a seguir nesta vida tortuosa. Eu vos direi, no entanto: isso não é nem literatura e nem Literatura. Isso leva outro nome: autoajuda, livro espírita, mensagens religiosas ou qualquer outro rótulo que passa distante (ou deveria) das prateleiras classificadas com o número 8 nas bibliotecas. E, convenhamos, uma vida torta é muito mais divertida do que uma vida retinha.

Ora (direis), és um chato, arrogante e estraga prazer. Sim (eu vos direi, no entanto), justamente isso. Vim para este mundo para incomodar. Assim como quero ler algo que me incomode. Quero sofrer com a leitura, quero que ela me desnorteie, me desoriente, me leve para o mau caminho. Sinto prazer nisso, o que pode ser difícil de entender para quem não sente esse prazer, assim como para mim é complicado entender quem sente prazer ao ouvir determinados tipos de música.

Ora (direis), vai à merda. Eu vos direi, no entanto: não quero seguir o vosso caminho.

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Postado por Cassionei Niches Petry
19/6/2015 às 17h12

 
História universal do achismo

Manuscrito encontrado em um bar no centro da cidade, escrito em folhas de caderno escolar e em caixa alta. Não encontramos seu autor. Presumimos que seja um professor de Filosofia, que bebia as angústias de uma profissão não valorizada ou simplesmente refletia sobre os seres humanos que frequentavam o mesmo estabelecimento. Também pode ser de um professor de Literatura e aspirante a escritor, igualmente se sentindo um fracassado e que devora (traça?) todos os livros que julga necessários para analisar uma obra de ficção. Mesmo sem autorização, publicamos estes seus aforismos, esperando que ele apareça para assumir a autoria. Estamos tentando verificar também em quais pensadores ele se inspirou para (re)criar as frases. Cartas (com selo e tudo) para a redação.

"O achismo é imortal e indissolúvel."

"O achismo é o princípio de tudo."

"Quem acha é, quem não acha não é."

"Ninguém acha duas vezes a mesma coisa."

"O achismo é a medida de todas as coisas."

"Só acho que nada acho."

"Uma vida sem achismo não vale a pena ser vivida."

"O homem é um animal achante."

"Todos os homens têm, por natureza, desejo de achar."

"Achar para crer, crer para achar."

"Acho, logo existo."

"Viver sem achar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir."

"O achismo é o lobo do homem."

"O achismo é um caminho árduo e difícil, mas pode ser percorrido por todos, se desejarem a liberdade e a felicidade."

"Há mais coisas no céu e na terra, do que sonha o teu vã achismo".

"Não se ensina o achismo; ensina-se a achar." "Devemos julgar um homem mais pelo que ele acha do que por suas respostas."

"O homem é ele e seus achismos."

"O achismo está morto."

"O inferno são os que acham."

"Todos os homens sãos já pensaram em achar alguma vez."

Já cantava Noel Rosa: "Quem acha vive se perdendo". O autor desses aforismos, inspirados em filósofos e escritores que leu, pode ter se perdido pela cidade depois de beber. Ler é se perder. Quem encontra o caminho é porque leu autoajuda, ou seja, não leu. Você não acha?

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Postado por Cassionei Niches Petry
15/6/2015 às 18h17

 
Quem pergunta quer saber

Filosofar é buscar dúvidas, não certezas. Ando traçando muitos livros de filosofia e encontro cada vez mais questões do que respostas. Como disse Francis Bacon, "se alguém começa algo com certeza, terminará com dúvidas; porém, se começar com dúvidas, conseguirá terminar com certeza." Por isso o ponto de interrogação, não o ponto final, é o sinal que deveria aparecer com mais frequência nos livros que lemos.

Observe, caro leitor, a forma deste símbolo utilizado para marcar, no texto, uma pergunta: "?" O que nos lembra sua forma? Uma hipótese foi levantada por um dos meus alunos, quando eu lecionava filosofia, depois que desenhei pessimamente o sinal no quadro negro: não seria a metade de um coração? Nesse caso, nossas perguntas surgem à medida que sentimos algum abalo emocional e precisamos encontrar respostas para nos acalmar. São indagações, portanto, que não necessitam de respostas racionais e são dadas por alguém que garante a certeza delas. "Siga determinado caminho e você vai se dar bem". As religiões, os livros de autoajuda, palestras motivacionais e etc., são as fontes desse conforto.

Para quem busca conhecimento, no entanto, essas respostas não servem. Pode-se dizer que o ponto de interrogação tem a forma de um martelo amassando o ponto final, que representa nossas afirmações. A filosofia questiona as verdades estabelecidas e por isso é vista com maus olhos por alguns. Aceitar respostas prontas não é encontrar sabedoria.

Tentemos encontrar outros significados para o ponto de interrogação. Sua forma também é semelhante a uma orelha. Ora, quem pergunta quer ouvir. Filosofar, portanto, seria muito mais saber o que os outros têm a dizer e não afirmar suas próprias convicções. Como diz o senso comum, temos dois ouvidos e uma boca, para ouvir mais e falar menos (apesar de a boca ser maior). Sócrates, o filósofo por excelência, dialogava com seus alunos, fazendo perguntas e ouvindo as respostas e criou, assim, seu sistema de pensamento.

Pense agora, caro leitor, no ponto de interrogação de cabeça para baixo (¿), que aparece no início das frases interrogativas na língua espanhola. Não lembra um anzol de pesca? O filósofo é aquele que lança perguntas para pescar respostas. Acontece que elas estão submersas, escondidas sob a água. Não sabemos se vamos conseguir pescá-las, nem a quantidade, muito menos a qualidade. Nem sempre a resposta que buscamos nos satisfaz, às vezes é cheia de espinhos e não conseguimos engoli-la. Podemos descartá-la ou podemos prepará-la para ficar de acordo com o nosso gosto. Para ter os melhores peixes, o pescador procura os melhores lugares para pescar. E se os quer grandes, não pode usar um anzol pequeno e fraco.

Assim, quando queremos saber algo, devemos pesquisar onde encontrar as melhores respostas. Temos que mergulhar na leitura, analisar com profundidade o mar de informações que nos rodeia e não fazer afirmações sem fundamento, impondo uma determinada verdade. Mas também é necessário saber perguntar, pois só a qualidade da pergunta vai nos dar as melhores respostas. Se estou certo sobre isso? Não, ainda tenho dúvidas.

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Postado por Cassionei Niches Petry
12/6/2015 às 15h03

 
Por que lemos pouco?

Discutir a questão da leitura é perda de tempo, apesar de necessário. Todos pensam que só pelo fato de serem leitores já podem sair por aí opinando. Na verdade, têm esse direito. Porém, não significa que possuam os conhecimentos necessários para tanto. Ninguém o tem, nem mesmo este escriba.

"Como assim?", pergunta Seu Cláudio, advogado que neste momento deve estar lendo esta crônica no seu escritório repleto de livros; ou Dona Maria, professora aposentada que trabalhou a vida toda como professora de Língua Portuguesa e conhece muito bem o assunto. Explico.

Cada indivíduo tem uma experiência sobre o mundo dos livros distinta. O editor e o escritor profissional analisam os números de livros vendidos e afirma que o brasileiro lê muito pouco. O professor decepciona-se com seus alunos que não retiram livros na biblioteca e, por conseguinte, afirma que não gostam de ler. O jornalista pesquisa sobre o assunto e, a partir das estatísticas de vendas e depoimentos de especialistas, diz que o preço do livro e a escola são os responsáveis por lermos tão pouco. O leitor comum então pergunta: "mas como o __________ (preencha o espaço com o nome de algum escritor mais vendido) é tão rico?", "como explicar que o Padre ___________ (complete com o padre popstar de sua preferência) vende milhões de exemplares?" e "como tem tanta gente na lista de espera da biblioteca municipal para retirar o único exemplar disponível de __________ (preencha com o best-seller do momento)?"

Sim, meus caros. Há leitores e há leitores. Há livros e há livros. Há escritores e há escritores. Ora, não podemos dizer que o brasileiro não lê. Mas podemos dizer que ele não lê a literatura propriamente dita, que consiste em livros em que há um trabalho artístico com as palavras e uma reflexão mais elaborada, sendo por isso considerados chatos pelo leitor comum, aquele que busca apenas entretenimento ou ensinamentos empacotados. Também não são os números de vendas que vão mensurar isso, até porque um exemplar de um livro pode ter milhares de leitores que o retiram de uma biblioteca, sem contar em outros milhares que são compartilhados pela internet. Ou seja, não há tão poucos leitores como se pensa. O preço também não pode ser uma justificativa para a falta de leitura. Ele apenas impede a possibilidade de termos uma biblioteca particular, no que somos salvos pelos sebos. Além disso, o livro tem o mesmo valor do que um CD. É um fator, portanto, que interessa só a quem lucra com isso.

O que me incomoda, porém, é colocar a escola como culpada pelo suposto fracasso da leitura no país (ok, admito que há esse fracasso, afinal vejo poucas pessoas lendo em um ônibus ou mencionando livros nas redes sociais). Dizem que o professor, ao obrigar o aluno a ler, está afastando-o dos livros, pior ainda quando se trata daquelas "coisas chatas" do século XVIII e XIX que são solicitadas no vestibular.

A escola, em muitos lugares, é onde há a única biblioteca disponível para a população. Só aí poderíamos isentá-la de culpa. Além disso, a criança aprende a ter prazer com a leitura com as professoras do currículo e contadoras de histórias que visitam os educandários. No entanto, quando entram na adolescência, os alunos passam a ter outros interesses que o deixam distante da leitura. O professor pode até dar a liberdade para retirarem o que quiserem na biblioteca escolar, mas eles não a aproveitam (preciso dizer que há exceções?). Então, o mestre se vê obrigado a obrigar a leitura. Como toda a proposta vinda do professor é de antemão rechaçada pelo aluno, ele vai achar chato e não vai querer ler.

Qual a função do professor de literatura, afinal? Acredito que ele deve ensinar que muitos livros, mesmo sendo "chatos", fazem parte de um período histórico e cultural e são importantes. A escola não deve esconder o que a humanidade produziu só porque não teria mais nada a dizer ao jovem de hoje. É um erro pensar dessa forma. Se isto afasta o indivíduo, é porque ele não tem nenhuma tendência para gostar de ler.

Na minha opinião, limitada como disse no início, a leitura é uma aptidão individual, que se desenvolve em quem tem acesso a uma variedade de obras e a um ambiente cultural dentro da própria casa. Se o brasileiro não lê, não é porque a leitura é chata, é porque a sociedade, os amigos e inclusive formadores de opinião acham a Literatura (com L maiúsculo) maçante. Isso só contribui para aumentar nossa pobreza intelectual.

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Postado por Cassionei Niches Petry
8/6/2015 às 11h56

 
Os Quasímodos e seus celulares

Uma ilustração compartilhada nas redes sociais da internet mostra um jovem sozinho descendo uma escada rolante de um shopping enquanto lê um livro. Na escada ao lado, uma fila de pessoas, representadas apenas pelas suas sombras, sobe com os olhos vidrados em luminosas telas de aparelhos celulares, sendo que apenas uma desvia sua atenção e olha, talvez com espanto, para o jovem que lê e segue o sentido contrário. A legenda sugere para desligarmos o celular e lermos um livro.

A imagem é apenas uma representação do que presenciamos no nosso cotidiano, em família, roda de amigos, local de trabalho, sala de aula, dentro de carros, elevadores, em praças, shows, etc. Como um Quasímodo, o Corcunda de Notre Dame, indivíduos se debruçam sobre pequenas telas e movimentam freneticamente seus dedos, ou então entram em desespero para tirar de suas bolsas o objeto, caso ele emita um sinal indicando uma mensagem. Nada é mais importante nesse momento do que acessar o mundinho guardado no aparelho celular. Parem o mundo, pois o grupo no "WhatsApp" é mais importante, a curtida no "Facebook" é minha salvação, o vídeo do momento precisa ser compartilhado agora!

O adepto e viciado por estes objetos, porém, vai dizer que o garoto que aparece na imagem também está debruçado sobre um objeto retangular e parece esquecer o mundo ao seu redor. Que esse objeto conta apenas uma história, não tem imagem, não tem possibilidade de apertar um botão para "curtir", não pode ser compartilhado com os amigos. Que o leitor também parece um zumbi na frente do livro.

Tem razão, em parte. O livro também nos transporta para um mundo virtual, porém nos faz refletir sobre o nosso mundo real. A leitura aprofundada nos apresenta a condição humana de uma forma que não percebemos através de visualizações rápidas de imagens "bonitinhas", "edificantes", que fazem apenas rir, ou frases vazias e pré-fabricadas, na maioria das vezes com erros de ortografia.

A superficialidade das redes sociais e da tela do celular serve apenas como distração, o que é válido em determinados momentos. É bom rir com alguma bobagem de vez em quando. O problema está na recorrência, no seu uso em horas inoportunas: no tempo perdido do aluno que em uma aula não aprende o conteúdo transmitido pelo professor; no momento em que a mãe perde o sorriso do seu bebê porque está vendo vídeos de outros bebês sorrindo no "smartphone"; no silêncio do grupo de amigos da mesa do bar, pois estão conversando com outras pessoas através dos seus aparelhos; quando um homem e uma mulher se cruzam na rua e poderiam se olhar e se apaixonar, mas estão trocando mensagens em uma rede social em busca de um amor virtual que talvez não se concretize.

Estamos ficando, sim, imbecis, no momento em que um texto mais complexo é menos relevante que um simples, no momento em que uma pintura de Van Gogh tem menos "curtidas" do que a "selfie" da "funkeira" e seu "popozão", quando a música clássica é ouvida apenas em comercial de perfume.

O jovem que lê um livro, um bom livro, é o Quasímodo que admira a beleza da cigana Esmeralda e não a feiura da tela do aparelho celular.

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Postado por Cassionei Niches Petry
4/6/2015 às 16h55

 
Sou tímido, e daí?

Ser uma pessoa tímida é um problema? Segundo matéria veiculada no programa Globo Repórter do dia 5 de outubro de 2012, sim. E há cura para a timidez, vejam só! Afinal, vivemos em uma sociedade e precisamos, portanto, ser sociáveis, mesmo que para isso abdiquemos de nosso modo de ser. Interaja, dance, fale alto, seu tímido, ou não conquistará seu espaço!

Esse foi o tom da reportagem, o que apenas reflete a visão das demais pessoas. Parece que é uma doença ser introvertido. Aliás, prefiro essa expressão em vez de tímido, que possui um tom pejorativo, podendo significar fraqueza num sentido figurado, enquanto introvertido, de acordo com o dicionário Houaiss, tem a ver com a introspecção, "atitude do indivíduo que dirige sua energia psíquica para o interior, e parece fechado, prudentemente crítico e contido, segundo a teoria de C. G. Jung". Gostar de ficar quieto no seu canto não significa não gostar dos demais. Denota apenas que a pessoa não aceita o que vê ao seu redor e, com cautela, não entra em conflito com os outros. Pode-se dizer, nesse sentido, que é mais sociável do que o extrovertido.

No trabalho, se exige do empregado que fale mais, que interaja, que participe de passeios e jantares para se sentir à vontade com os colegas. Às vezes, em início de ano, as empresas promovem palestras em que são realizadas as famosas dinâmicas de grupo, verdadeiras torturas para os tímidos. Numa dessas, fui incitado a cantar uma música da Ivete Sangalo. Recusei-me e fui flechado com um olhar de reprovação, tanto da palestrante quanto dos colegas. Nas escolas, tenta-se fazer com que o aluno fale em público ou desenvolva atividades em grupo, o que acaba inibindo-o ainda mais. A maioria ruidosa impõe à minoria silenciosa seus ditames.

Os anti tímidos pensam que o introvertido sente-se inferior aos demais e que precisamos "nos soltar" para sermos aceitos. Dizem também que somos mais individualistas. Afirmam isso porque veem o mundo de acordo com seu ponto de vista e não concordam com uma visão diferente. Logo, o individualista é o próprio extrovertido. O introvertido não está exatamente fechado ao exterior e preso no seu mundinho: ele simplesmente vê o exterior de outra forma.

O Globo Repórter poderia fazer uma reportagem com um contraponto, a partir de um livro que virou best-seller: O poder dos quietos, de Susan Cain. De acordo com o release da editora, "a introversão, atualmente encarada como um traço de personalidade de segunda classe, pode ser extremamente produtiva e foi essencial para ideias que impulsionaram o desenvolvimento de nossa sociedade".

Quieto no seu canto, sem ninguém torrando a sua paciência, o tímido pode estar criando uma obra de arte, descobrindo curas para doenças ou apenas pensando, o que muitos que falam demais não fazem.

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Postado por Cassionei Niches Petry
3/6/2015 às 12h16

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