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Segunda-feira, 3/8/2015
Blog de Cassionei Niches Petry
Cassionei Niches Petry
 
Alunos, a leitura está proibida

Já escrevi sobre este livro para a minha coluna no jornal Gazeta do Sul. O título é quilométrico, inspirado em edições antigas: Pequeno divertimento sobre literatura em cem lições também conhecido sob o título Substâncias Perigosas em que se explica por que meios os livros matam os seus leitores & onde se dão variados e mui instrutivos exemplos ao alcance do comum dos mortais. Ufa. O autor é Pedro Eiras, português, daqueles que tu te pergunta, mas por que diabos não se encontra mais nada dele por aí. Pelo menos no Brasil, il, il. Seria ele o Vila-Matas de Portugal? Não sei, só lendo outras coisas do escritor. Há no final do volume a sua bibliografia. Talvez encomende algo dele. Talvez.

Doravante chamaremos o livro (ensaio, romance, crônica, divertimento, ou "monólogos de personagens sem romance"?) pelo seu título principal. Substâncias perigosas nos traz um estudo sobre os perigos que a literatura pode causar ao indivíduo, principalmente a morte e, mais ainda, o suicídio. Como sou contra qualquer tipo de droga (café não é droga, combinado?), aconselho o leitor a se afastar deste livro. Não só dele, como de qualquer outro (sim, inclusive do meus, Arranhões e outras feridas e Os óculos de Paula). Literatura vicia, faz mal. "A literatura mata", lemos na primeira linha do livro. "Mata como um veneno no sangue (...). Infiltrado, o veneno literário torna-se carne, a ponto de já ninguém saber quem pensa dentro de si: a ilusão da voz original, ou a das personagens que entraram sem pedir licença."

Os livros deveriam ser proibidos. Seu conteúdo é fatal. Não deveria haver bibliotecas nas escolas, pois os alunos que as frequentam e, pior, retiram livros delas, ou pior ainda, os leem, se envenenam. Há professores que obrigam os alunos a lerem, sendo que deveriam proibi-los de fazê-lo. "Todos os livros" escreve Pedro Eiras, "de algum modo, são errados. Porque nos desencaminham, isto é, fazem com que erremos o caminho, com que caiamos nos atalhos perigosos."

Durante muito tempo fui um professor que desencaminhou os alunos, levei-os para caminhos perigosos. De agora em diante, depois de reler Substâncias perigosas, proibirei a leitura de livros aos meus alunos. Não vou mandá-los ler as memórias de um defunto mau caráter, não os apresentarei a um ciumento doentio que acredita que a sua mulher o traiu com o melhor amigo, não deixarei que encontrem a história de um estudante que se julga extraordinário e por isso mata uma velhinha agiota para chegar a seus objetivos de grandeza, não proporcionarei a leitura de um sujeito que se transforma em um inseto e não vai trabalhar, não quero que leiam sobre uma mulher que engole uma barata ou sobre outra que tem dois maridos, não, não, jamais os farei se envenenarem com as ideias de um fidalgo que luta contra moinhos de vento pensando que são gigantes ou com as ideias de liberdade de um certo capitão.

Doravante, alunos, os proíbo que abram um livro. "Perigo da literatura: ela sabe mais do que nós, conhece a nossa vida e a nossa morte, os outros que há em nós, o abismo das vozes que vão falando, falando, falando em nós", escreve Eiras, que também afirma: "Escrevo para que o ensaio pense ao contrário de mim."

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Postado por Cassionei Niches Petry
3/8/2015 às 12h09

 
Agosto, mês augusto

Chamar agosto de mês do desgosto me causa, justamente, desgosto. Elenca-se uma porção de fatos negativos para justificar esse epíteto, mas se esquece de que outros tantos acontecem nos demais meses. Esse tipo de superstição serve para difundir um pensamento místico tolo, alargando preconceitos e crenças irracionais.

Coincidentemente, alguns acontecimentos negativos aconteceram em agosto: o início das duas grandes guerras mundiais, o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagazaki, o suicídio de Getúlio Vargas, a morte de Juscelino Kubitscheck, só para citar eventos bastante conhecidos. Tudo isso contribuiu para a difusão da lenda. Por outro lado, a história também registra fatos ruins em outros meses: o ataque às Torres Gêmeas em Nova Iorque foi em setembro, a Guerra Civil espanhola teve início em julho e Tancredo Neves morreu em abril. Ou seja, uma simples pesquisa sem muita metodologia científica comprova que desgosto não é exclusividade do oitavo mês do calendário.

Em agosto também aconteceram fatos positivos. Foi o mês do meu nascimento, por exemplo, e talvez por isso minha ojeriza a essa lenda. Além disso, se pensarmos na origem da palavra, veremos que nada tem de negativa. O mês ganhou esse nome por decreto do imperador César Augusto, pois ele não queria ficar para trás do imperador anterior, Júlio César, homenageado com o mês de julho. Por isso ambos os meses têm 31 dias. O nome Augusto vem do latim augustus, e significa venerável, que merece respeito, magnífico, majestoso, sublime.

Agosto também é conhecido como o mês do cachorro louco, mas aí há uma explicação científica: ocorre um grande número de cadelas no cio devido a condições climáticas. Logo, os machos se atiçam, há mais promiscuidade entre os animais e vírus como o da raiva se propagam com facilidade. Por isso campanhas de vacinação de cães acontecem em agosto. Nada tem relação com espíritos à solta como muitos alegam.

Criticar superstições bobas é tentar secar o chão molhado com toalha de papel. É muito mais fácil acreditar em histórias fabulosas do que em fatos racionalmente comprovados. Astrologia, búzios, numerologia, homeopatia, cartomancia, quiromancia, oniromancia, assombrações, sessões de descarrego, curas espirituais e outras crendices afastam as pessoas do pensamento crítico, pois elas acabam aceitando facilmente a palavra da autoridade no assunto, seja o guru, o xamã, o vidente, o padre, o pastor, o médium. Logo, sei que minha defesa do mês de agosto surtirá pouco efeito, afinal de contas, o misticismo deve ser mantido, para o bem do bolso dos "comerciantes da superstição".

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Postado por Cassionei Niches Petry
1/8/2015 às 08h29

 
Aprendi com a Dilma

Para escrever meu próximo livro, não vou colocar meta. Vou deixar a meta aberta mas, quando atingir a meta, vou dobrar a meta.

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Postado por Cassionei Niches Petry
29/7/2015 às 18h18

 
Tempo para ler

Um episódio antigo do seriado Além da imaginação, do final dos anos 50, conta a história de um caixa de banco, Henry Bemis, apaixonado por leitura e que queria ter mais tempo para ler. Atrapalhava-se no trabalho, tinha conflitos com a esposa, que implicava que ele parava para ler até o rótulo do catchup. Por tudo isso, tornou-se um homem antissocial.

Um dia, porém, enquanto aproveitava a hora do almoço e se refugiava no cofre do banco para ler em paz, uma bomba nuclear atingiu a cidade e ele se tornou o único sobrevivente. Procurou a biblioteca pública e mergulhou nos livros que ficaram intactos e se regozijava por agora ter todo o tempo do mundo para ler aquelas maravilhas. Por azar, no entanto, acabou deixando cair seus óculos de grossas lentes, que se quebraram.

A personagem da série é um paradigma de vários ratos de biblioteca que perdem seu precioso tempo de leitura para o trabalho. Ó, maldito trabalho! Quantos livros deixei de ler por sua causa! Quantas personagens ficaram abandonadas porque tinha que estar atendendo telefonemas, conferindo notas fiscais, fechando caixas ou atendendo pessoas reais! Horas preciosas que poderiam servir para apenas ler, ler e ler. Ah, se tivesse mais tempo para ler!

O tempo escorre pelas mãos, já diria a canção. O tempo devora tudo, nos diz o mito. Há na minha biblioteca uma pilha de livros que precisam ser lidos. Cada vez a pilha vai aumentando e alguns volumes acabam indo para as prateleiras para serem lidos, com muita sorte, somente nas férias. Alguns furam a fila. Há muitos lançamentos para ler, assim como há muitos clássicos que não foram ainda degustados. Mas onde o tempo para tudo isso!

Só no ano passado comecei a anotar a quantidade de livros lidos por inteiro. Em 2014, foram 100 exemplares devorados, fora os abandonados. Como é quase impossível eu ganhar na Mega Sena e ter mais tempo para ler, devo seguir essa média anual. Ainda pretendo aumentá-la. Nesse ritmo, se eu chegar aos 80 anos, terei lido mais de 4 mil livros. É pouco, muito pouco para as minhas pretensões literárias.

Lógico que, até lá, estarei aposentado da minha função atual de professor. A conta aumentará um pouco. Mas e se eu não chegar aos 80? E se uma bala perdida me tirar a vida? E se um carro me atropelar? Ou se eu morrer soterrado pelos livros da minha biblioteca? (Convenhamos que seria uma morte muito linda.)

Ou seja, não dá para planejar. É preciso ler sem pensar no tempo. O relógio e o calendário são inimigos da leitura. Basta abrir o livro e ler. O tempo deixa de existir. O tempo dentro do livro é outro. Se não pensarmos assim, jamais leremos.

Há quem vê o tempo como desculpa para não ler. Não consigo entender como as pessoas preferem dormir a ler. Como preferem novela em vez de livro. Como preferem debruçar-se sobre telas do celular no lugar de ficarem corcundas em nome da leitura. Aliás, já perdi muito tempo escrevendo esta crônica. Voltarei à leitura. Há um Roberto Bolaño me esperando.

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Postado por Cassionei Niches Petry
29/7/2015 às 11h34

 
O drama do homem moderno: a gripe

"Ah, quando o homem está doente faz um drama!", diz minha esposa e com razão. Uma gripe forte, febre, dor no corpo, principalmente nas costas, derrubam o homem. O pior é a tosse, aquela tosse que faz doer ainda mais o corpo. Há algo, no entanto, ainda pior: se engasgar com a tosse. Foi o que aconteceu comigo.

Por que estou escrevendo isso? Qual a relevância de um assunto como esse? O prezado leitor há de convir que o cronista se alimenta justamente de coisas prosaicas da vida. Lembro-me do pé de milho que gerou uma das mais belas crônicas de Rubem Braga, mestre do gênero. Tudo é matéria para a crônica, das coisas engraçadas às trágicas. Minha tosse entra nesta última categoria.

A primeira tosse que quase me engasgou aconteceu ao meio-dia de ontem. Uma tosse intermitente se somou a uma resistência do corpo que a impedia de sair. Parecia que havia um osso entalado na garganta, o ar não entrava nos meus pulmões, a tosse não saía. Um pequeno momento de agonia que terminou, mas viria a se intensificar à noite.

À tarde postei nas redes sociais: "O legal é você pegar uma gripe forte durante as férias. Uma salva de palmas para a vida!" Sim, que maravilha é a vida. Há quem a considere linda, maravilhosa. Porém, quando mais precisamos de suas benesses, ela falha, no deixa na mão. As leituras programadas, as crônicas a serem escritas, o conto a ser terminado, o romance a ser mais uma vez iniciado, tudo isso se esfumaça com uma gripe. Perde-se a vontade de se fazer o que se queria fazer. E "o tempo voa, escorre pelas mãos".

A segunda tosse intermitente aconteceu à noite. Deitado, assistindo ao filme Forrest Gump, mas não por causa dele, a forte tosse voltou e com ela aquela sensação de engasgar, perder o ar, uma agonia tremenda, uma sensação de que se vai morrer (não tem razão a minha esposa? Que drama!), lágrimas caem dos olhos, há um momento de alívio, porém a tosse volta empurrando o ar para fora, o ar de fora tampouco entra... Graças à esposa e à filha, preocupadas com o drama do homem moderno, a tosse passa, o carinho me acalma, o riso toma o lugar do choro (foi o parceiro de Forrest, elencando as diferentes formas de se preparar camarão, que me fez rir). Mas o homem dramático segue de vez em quando gemendo.

Não sou um homem doente como a personagem de Dostoiévski, mas estou doente. "Com advento do cristianismo", de acordo com Susan Sontag, "(...) a noção da doença como punição gerou a ideia de que a doença podia ser um castigo especialmente adequado e justo." A julgar pelas minhas heresias, estou recebendo um castigo divino. Não vou, porém, clamar a nenhum deus para que melhore. Um paracetamol aqui, uma pastilha efervescente ali, um xarope acolá e logo, logo estarei bom. Aliás, se estou escrevendo esta crônica, é porque estou melhor. Azar é o de vocês.

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Postado por Cassionei Niches Petry
28/7/2015 às 10h53

 
Teu (meu) passado te (me) condena

Mal sabem meus três leitores que eu fiz algo que toda a humanidade deveria me agradecer até os últimos dias. Vocês não imaginam o desastre do qual se livraram graças ao chá de Semancol tomado todos os dias por este escriba. Claro, às vezes não faz efeito e cometo algumas bobagens por aqui e na vida. But, pero, porém, nada se compara com o que poderia acontecer.

Reparem na letra: "Sempre quero cantar, vou alegrar essa multidão./ Eu quero cantar na televisão,/ Fazendo sucesso ou não." E o refrão! "Mas será que vou fazer sucesso, será?/ Será que vou aguentar o palco será?" De novo, mãozinha pra cima! "Mas será que vou fazer sucesso, será?/ Mas será que vou aguentar o palco, será?"

Essa música, se podemos chamá-la assim, foi composta quando tinha uns 9, 10 anos, durante um período curto da minha vida em que queria brilhar nos palcos como cantor. Violão em punho ou microfone na mão, a meta era ser, talvez, um novo Lulu Santos. No seu devido tempo descobri ser a música algo distante das minhas capacidades artísticas. Aprendi alguns acordes no violão, mas não fui adiante, e minha voz, reconheço, não é das melhores. E as letras? Que tal essa? "Quanto tempo faz, quantos anos faz, que nos conhecemos./ Você disse seu nome e eu disse o meu/ E no fim acabamos por namorar."

Um pouco depois comecei a ouvir música house, tecno . Aí as letras de amor deram lugar para algo festivo como "Dançando a noite toda a gente vai se encontrar/ no balanço desta noite tudo vai mudar." Aproveitando algumas aulas de inglês, parti para a carreira internacional. Com um ritmo bate-estaca, influência do Kon Kan e outras bandas da virada dos anos 80 para os 90, compus essa pérola desconhecida até agora do grande público:

"Mom! I'm hungry (4x)
Apple, banana, melon, plum
cherry, watermelon, fig
pineapple, lemon, orange
papaya, peach, are goods!
Mom! I'm hungry (4x)"

Mais adiante resolvi fazer rap, assumi um pseudônimo, Derek C., e bolei algumas letrinhas fajutas, inclusive com tom erótico como "Tire essa calcinha, mostre a abertura da aurora/ Deite-se, que vou pegar você agora". Bah, teu passado te condena, hein? Ainda bem que não havia Youtube na época.

Isso tudo antes dos 13 anos. Fiz ou não fiz bem em tomar o precioso chá de Semancol? Ainda bem que crescemos e amadurecemos. Depois disso, já com a literatura tomando conta da minha vida, melhorei minha escrita e compus letras de rap mais elaboradas, intelectuais demais até para o que se fazia no hip hop. Mas aí é tema para outra crônica.

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Postado por Cassionei Niches Petry
27/7/2015 às 15h25

 
A fé num café (devaneios de um ateu à toa...)

(... ou fé demais não cheira bem ou chega de trocadalhos do carilho.)

Na comunicação, há um emissor, que emite uma mensagem a um receptor, o qual depois se torna emissor de uma resposta. A mensagem só pode ser compreendida se ambos conhecerem o código, o contexto. Tudo passa por um determinado canal. Digamos que o emissor reza (mensagem) para um determinado ser (O Grande Grampeador) que responde para ele (nova mensagem). O código é a língua, conhecida por ambos (O Grande Grampeador conhece todas as línguas), o contexto é uma situação de desespero, por exemplo, e o canal é o pensamento ou o próprio ar (nesse caso tem que gritar porque O Grande Grampeador é surdo), e ele responde pelo canal das ações, pois O Grande Grampeador não sabe falar por ele mesmo (não é surdo, mas é mudo, ou melhor, só fala para algumas pessoas escolhidas por ele). Entretanto, para ser atendido, quem ora tem que ter muita fé e acreditar que qualquer coisa é uma resposta. Por exemplo, se você está perdido na vida, está prestes a se matar e for orar para que O Grande Grampeador mande um sinal, se ele não responder é porque você deve se matar. No caso foi uma não-ação dele, pois você não tem fé suficiente.

Quando pequeno, rezei muito um dia para que minha bisavó não morresse. Ela morreu. Decerto não tive a fé necessária. Outro dia, rezei para que minha mãe não descobrisse que consumi todo o conteúdo da latinha de leite condensado e fui atendido. Logo, percebi que ter fé funcionava. Boa lógica eu tinha quando criança, não concordam?

Muitos esperam pela divina providência, cuja função é providenciar soluções para todos os problemas. Como todo produto comercial, porém, ela está sujeita a falhas. Só que não tem SAC para reclamar. Quando funciona, por que não é noticiado no Jornal Nacional ou no Jornal da Record? Aliás, por que o Jornal da Record não noticia as curas feitas na Igreja Universal? Será o medo de perder a credibilidade, pois não há provas de que são milagres?

Quanto a estudos científicos que tentam entender esses supostos milagres, só demonstram que a ciência não é dona da verdade, como os religiosos apregoam. Se houvesse, no entanto, conclusões definitivas, estaríamos vivendo num mundo muito melhor. Uso sempre o exemplo do café. Há pesquisas provando que o café faz bem, outras provando que o café faz mal. Como gosto de café, acredito nos estudos que aprovam a bebida. Assim, existem estudos que mostram possibilidades de milagres e há estudos que mostram outras respostas. Quem acredita em milagres vai continuar acreditando de qualquer forma.

"Mas como o fulano curou sua dor de barriga só com a imposição das mãos do pastor?" Ora, então tudo que não tem uma explicação inicial é resultado de uma ação divina? É mais ou menos isso que os antigos pensavam. Quando caía um raio, e a ciência ainda não tinha uma resposta, logo, foi um deus. Simples. O cara chegou em casa com uma marca de batom e a mulher perguntou: "Como você explica isso?" Ele respondeu: "Não tenho como explicar". E ela: "Nossa! Deus usa batom!"

O protagonista da série televisiva Dr. House faz diversos diagnósticos e erra seguidamente. Possíveis curas podem (veja, digo, podem) ser diagnósticos errados no início. Aí você vai dizer: ah, Dr. House é ficção. Pois é, é ficção, assim como o causador de milagres.

"Mas o fulano foi curado depois de termos rezado muito por ele." Sim, rezaram, o fulano foi curado, mas por um médico.

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Postado por Cassionei Niches Petry
25/7/2015 às 10h40

 
São um enigma os objetos

A xícara veio direto da cidade de Praga. Mas não, nunca estive lá. Presente de minha tia, o objeto enfeita minha mesa ao lado do computador e me remete a duas paixões: o café e a literatura.

Franz Kafka tem um lugar especial no altar das minhas devoções literárias. Por isso implorei à minha tia que me trouxesse alguma lembrança dele quando soube que ela estava visitando a cidade do autor de A metamorfose. Pela minha relação com o café, acertou em cheio na escolha.

Hoje, porém, o texto não é sobre o escritor, mas sobre o objeto. Por que guardamos objetos aparentemente inúteis como uma xícara que não será usada para beber café, nem mesmo chá ou água? Por que compramos um violão que ficará escorado na estante de livros, já que não soubemos tocá-lo? Por que guardamos óculos antigos, com grossas armações quebradas, já que não vamos mais usá-los? Por que não jogamos fora as fitas K7 que não encontram mais um toca-fitas que possibilite rodá-las? Por que preservamos o LP do "Enigma" se não há mais agulha no toca-discos? Por que não jogamos fora o toca-discos? E o rádio de pilha que, de tanto cair no chão por descuido de seu dono desastrado, não funciona mais, por que ainda permanece fazendo um mudo convite para ser ligado?

Por que manter dentro da gaveta uma caixinha que servia de porta-clipes, se já temos um porta-clipes de acrílico que contém também um porta-canetas? E por que ter um porta-canetas se a xícara também pode ter a mesma função? E por que não jogar fora as tantas canetas que já não têm mais tinta? Por que não destinar ao lixo a borracha gasta, que não encontra mais o risco de nenhum lápis ou lapiseira para apagar? Por que ainda temos aquela lapiseira 0.5, se preferimos usar uma 0.7? (E por favor, não relacione este 7 a nenhum resultado do futebol.)

Não deveria ser destinado a outro lugar o pen drive cujo conteúdo não abre mais devido a um vírus? Os disquetes da década passada que vergonhosamente ainda teimam em povoar as gavetas não deveriam também serem descartados? E a webcam que não funciona mais? E o mouse já substituído por um sem fio estaria esperando terminar a pilha do seu xará para assumir mais uma vez seu posto? E que serventia tem um roteador de internet que não funciona? Ou os cabos que já não conectam nada?

Engraçado é que as coisas que não usamos permanecem conosco. Uma caneta ainda em atividade, no entanto, acabamos perdendo com facilidade, assim como esquecemos o guarda-chuva no ônibus enquanto que em casa ainda há outro, porém todo quebrado. São um enigma os objetos. É melhor mesmo deixá-los em paz.

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Postado por Cassionei Niches Petry
18/7/2015 às 17h56

 
As feridas que um filme pode nos provocar

É difícil escrever algo sobre uma obra de arte que te dá uma porrada tão forte, que te deixa tonto por um tempo. Assistir a um filme como O substituto (no original é Detachment, mas gostei do título em português, depois explico o porquê), do diretor Tony Kaye (de A Outra História Americana), me fez dar murros na mesa do computador (sim, confesso o sacrilégio de tê-lo assistido via Youtube), pensar "fiadamãe, o que este filme está fazendo comigo?", depois segurar o choro e agora dizer, movendo os lábios devagar, "p#%@-que-pa-riu".

Um professor substituto, Henry Barthes, interpretado de forma magistral por Adrien Brody (de O pianista), chega a uma escola onde vai lecionar por um tempo. Na primeira aula, enfrenta dois alunos rebeldes (prefiro dizer pseudo rebeldes), sendo que expulsa um deles (por ter ofendido uma menina obesa, Meredith, que terá um papel importante durante o enredo), mas mantém na sala o outro aluno que jogou a pasta do professor de encontro à porta e disse palavrões. Pois o desconfiado aqui pensou, "pronto, mais um daqueles filmes em que o professor consegue reverter a situação de uma sala de aula problemática e todos vão viver felizes para sempre e a mensagem é que os alunos são todos bonzinhos e é o professor que tem que mudar seu comportamento, etc, etc." Não é o que acontece, apesar de o professor conseguir o respeito e a admiração dos alunos, porém isso fica em segundo plano, quase não aparece na história. E logo na resposta que o Henry dá a Meredith após o episódio, sobre o motivo de ele ter agido de tal forma, levei a primeira bordoada. Quase sou nocauteado no primeiro round. Entretanto, me recuperei e fui adiante.

Há o desencanto dos demais professores pela sua profissão, mas que seguem, ou porque gostam, ou porque não sabem fazer outra coisa, ou por que se entopem com remédios, ou porque sim. Uns se sentem invisíveis, outros apenas vivem, se conformam, estão acostumados, como diz Barthes à aluna. Aguentam as mães que chamam as professoras de vadias, cuspidas na cara, ofensas e tudo mais. É o sistema que desmorona, como a casa de Usher do conto de Edgar Alan Poe, e não fazemos nada.

Outras pancadas? Barthes encontra uma prostituta menor de idade que o aborda na rua para um "programinha barato". Ele nada faz com ela, mas a leva para casa, trata de seus ferimentos provocados pela violência com que era penetrada por outros homens, cuida dela fazendo o papel de pai que ela não tinha e ele também não. Henry também a todo instante se lembra de sua mãe, que se suicidou depois de ser violentada pelo próprio pai, o avô que ele agora visita numa clínica geriátrica. O professor cuida dos outros, dos alunos, da menor prostituta, de seu avô abusador, da aluna obesa cujo pai não a incentiva e a põe cada vez mais no chão. Barthes, no entanto, não consegue cuidar dele mesmo. Vive só, triste, amargurado e por isso decide ser apenas um professor substituto. Ele substitui o papel que deveria ser de outros, mas não sabe qual o seu papel.

Há muitas e muitas porradas que vamos levando no decorrer do filme. Não vou mais enumerá-las para não estragar as surpresas de quem ainda não assistiu. Se quiser ver esse filme, caro leitor, o faça, por sua conta e risco, porém não vou cuidar de seus ferimentos depois.

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Postado por Cassionei Niches Petry
15/7/2015 às 14h05

 
Velhas roupas sob medida

"O passado é uma roupa que não nos serve mais", canta o poeta Belchior em uma de suas músicas mais conhecidas, interpretada, inclusive, pelo mito Elis Regina. O compositor, hoje distante dos holofotes depois de sumir fugindo de dívidas, é um exemplo que contradiz sua própria criação. Suas obras, compostas nos distantes anos 70 e 80, também nos dizem muito sobre o presente. Por isso a traça que vos escreve devorou as páginas do encartes dos seus discos, que trazem letras de altíssima qualidade poética.

"Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". A rebeldia da época da juventude não continua na vida adulta. A vontade de mudar o mundo fica no meio do caminho, a partir do momento em que as dificuldades começam a aparecer, principalmente quando se alcança a independência financeira. O jovem inconformado se torna um adulto que anda na linha. Antes era "nunca fazer nada que o mestre mandar./Sempre desobedecer./Nunca reverenciar", ou "Amar e mudar as coisas". Hoje deve se seguir as regras do mercado, obedecer e deixar as coisas como estão, afinal, há uma estabilidade econômica. "No escritório em que eu trabalho e fico rico, /quanto mais eu multiplico /diminui o meu amor."

Vivemos nessa dantesca "comédia humana" em que "nada é eterno". A "máquina/máquina/máquina" continua andando sem parar, continua ditando o ritmo, sempre para frente, porém, perpetuamente repetitiva. Nada muda. Novas modas surgem, no entanto elas não rompem com o passado. "Precisamos todos rejuvenescer". Belchior quis rejuvenescer pondo novas "roupas coloridas" nas suas letras quando lançou Auto-retrato, no final dos anos 90. CD duplo, encarte com fotos e pinturas do artista. Além de músico e poeta, também pintor. Velhas letras, novos ritmos, mais modernos, mais jovens. Foi com esse trabalho "que eu segurei pela primeira vez na tua mão", mestre Belchior. Procurei as músicas nas roupas velhas e percebi que suas velhas letras continuavam novas.

Ao sumir/fugir/exilar-se no Uruguai e ficar incomodado com a exploração do caso pela imprensa, o poeta foi coerente com o que escreveu/cantou: "Saia do meu caminho/eu prefiro andar sozinho/deixem que eu decida a minha vida." O "eu" sempre esteve presente na poética de Belchior, o que talvez possa ser mal visto pelo pensamento politicamente correto que nos comanda, em que não se deve pensar no individual, pois quem o faz é egoísta. Deve-se, sim, pensar na coletividade, dizem a patrulha. "É Freud, rapaziada", diria Belchior.

Os versos do poeta cearense - gravados ou regravados, na voz do próprio ou de outros intérpretes -, é a "fotografia 3X4" de um Brasil do passado e do presente sob o olhar peculiar do artista. É um "vício elegante" ouvi-lo e refletir sobre sua poesia. "Sons, palavras, são navalhas/e eu não posso cantar como convém/sem querer ferir ninguém..."

(Texto originalmente publicado no meu blog e no jornal Gazeta do Sul.)

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Postado por Cassionei Niches Petry
13/7/2015 às 11h55

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