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Quarta-feira,
8/7/2015
Sobre o fracasso das nações
Guilherme Carvalhal
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O noticiário recentemente ferveu diante de uma série de manifestações populares nos países conhecidos como parte do mundo islâmico. Regimes longínquos como o de Kadafi na Líbia e de Mubarak no Egito caíram, além da Síria entrar em um longo processo de guerra civil. Essa situação da geopolítica serve como introdução para os economistas Daron Acemoglu e James Robinson desenvolverem a pergunta que dá nome ao título de seu livro Por Que as nações fracassam, um dos maiores sucessos na área de economia dos últimos anos.
Em suma, a ideia dos pesquisadores é traçar um panorama e chegar a conclusões para entender o fato de que algumas nações obtiveram o fracasso e outras o sucesso, retratando sucesso como bons índices de desenvolvimento humano, alto PIB per capita, baixa inflação, etc. E a resposta a qual chegam está na estrutura interna do seu país, sendo que alguns conseguem desenvolver instituições que promovem o bem-estar de sua sociedade e outros não.
Acemoglu e Robinson consegue colocar abaixo muitas das justificativas costumeiras para o subdesenvolvimento. Questões como a cultura ou o ambiente são deixados de lado, e frisam na nação e sua própria capacidade de gestão e de tomadas de decisões como formadores de desenvolvimento.
A introdução sobre a Primavera Árabe é elucidativa a respeito das ideias dos autores. A maioria dos movimentos teve por pretexto colocar abaixo regimes pouco democráticos que promovem a corrupção e inibem a liberdade individual. Ou seja, o próprio estado impede que a população decida os próprios rumos, seja no âmbito privado ou público.
A premissa dos autores é de cunho neoliberal, ou seja, o livre mercado e a concorrência são requisitos para o desenvolvimento. Porém, o pensamento dos dois autores retrata as particularidades dos países e sempre frisam na criação em instituições inclusivas, o que passa pela premissa do poder público.
Um ponto interessante do livro é a vasta base histórica que os autores utilizam para sustentar seus argumentos. Colonização da América Latina, fim do feudalismo na Europa, fronteira entre Estados Unidos e México, o desenvolvimento da Botswana, tudo isso é detalhadamente explicado e, além do conhecimento das teses econômicas, o leitor também se apropriará de bastante informação sobre a história do mundo.
Por que as nações fracassam é uma das mais importantes obras da atualidade. Sua visão é moderna e bota abaixo muitos paradigmas do cotidiano. Em tempos de turbilhões políticos e econômicos no Brasil, essa é uma obra fundamental para se posicionar melhor diante dos fatos.
Postado por Guilherme Carvalhal
Em
8/7/2015 às 16h23
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