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Domingo,
12/7/2015
Um romance de contrastes
Guilherme Carvalhal
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Os contrastes de período histórico e entre os personagens é a principal dinâmica do livro Na praia, de Ian McEwan. O livro em si é uma sucessão constante de pontos de vista diferentes tendo como fio condutor da narrativa um casal passando a lua-de-mel em um hotel no litoral.
Edward e Florence são virgens e estão nos seus primeiros momentos após o casamento tentando consumá-lo. Nesse momento iniciam as divergências entre os dois, tendo por base a dificuldade do sexo, que se agrava pela frigidez de Florence. As expectativas de ambos aos poucos vai abaixo imediatamente após concretizarem o matrimônio.
Durante toda a história (que é bem curta) fica a dificuldade em compreender o porquê dos dois estarem juntos. Ele gosta de rock, ela de música clássica, ela vem de uma família rica e ele de uma mais baixa. Os dois vivem em uma época em que as bases do moralismo começaram a ruir, mas casaram-se virgens. Ela sabe que é frígida e ainda assim leva a relação adiante.
A questão moral é um assunto forte na obra. A trama se passa em uma época em que nomes como Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones estouravam e os hábitos mundo afora mudavam. Ainda assim, o casal existe envolto em um forte conservadorismo, exposto nos momentos em que Edward tenta avançar e sua noiva recua. Imaginar essa obra passada em um tempo recente causa estranheza, pois parece situada um século antes. Florence enxerga o sexo como algo desconhecido e inimaginável e essa concepção afeta seu destino.
Existem duas partes do livro que se destacam dentro do fluxo narrativo. A primeira é a ejaculação precoce de Edward tentando perder a virgindade, o que desencadeia todo um turbilhão de problemas que acaba por findar a convivência do casal. A segunda são os segmentos finais, que deixam de lado o clima quase bucólico para mostrar o passar dos anos através da série de decisões que definiram permanentemente o futuro dele.
Na Praia é o típico livro que pode facilmente gerar preconceitos contra ele antes da leitura. Seu estilo se confunde modismos literários, mas na verdade é uma obra profunda e rápida, de real qualidade literária.
Postado por Guilherme Carvalhal
Em
12/7/2015 às 20h53
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