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Quarta-feira,
15/7/2015
Tartufo, O Doente Imaginário e O Burguês Fidalgo
Guilherme Carvalhal
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O trio de obras Tartufo, O Doente Imaginário e O Burguês Fidalgo, todas do dramaturgo francês Molière, é uma das mais mordazes sátiras sociais realizadas na história e um exemplo de como através da arte muitas das relações de poder podem ser questionadas e atingidas.
Nessas obras existe uma igual premissa: um homem poderoso, mas ingênuo, que é ludibriado por um espertalhão interesseiro que o convence a conceder a mão da própria filha em casamento. A filha juntamente à esposa são dotadas do bom senso que falta ao pai e tentam se livrar da figura do espertalhão, para no fim das contas a moça poder se casar com o rapaz que ama.
Cada uma das obras atacou uma instituição poderosa. Em Tartufo a religião, em O Doente Imaginário a ciência e em O Burguês Fidalgo a nobreza. Em todas elas a figura dos poderosos é retratada de maneira imbecilizada, uma das principais ferramentas da sátira ao trazer para o plano comum as figuras postas como superiores.
Em Tartufo temos uma casa na qual o sujeito que dá nome à peça se introduz como um santo a elevar espiritualmente o senhor Orgón. Lá inserido, ele goza de todas as regalias, apesar de seu estilo de vida destoar do de alguém tão iluminado: ele come excessivamente e vive de maneira folgada, sonhando com o momento maior, o de se casar com Mariana, filha de Orgón. Ou seja, mesmo se fingindo abnegado, ele pretende a consumação carnal via engodo religioso.
Em O Doente Imaginário, a história se passa na casa de Argan, o hipocondríaco que dá nome à peça. Considerando-se muito doente, Argan sonha em sempre ter os médicos por perto para atendê-lo, apesar de nada realmente mostrar que algo o acometia. Valendo-se da eternidade das enfermidades do hipocondríaco, os médicos conseguem ludibriá-lo e manter-se sempre em sua casa, recebendo todos os favores. A paranoia chega ao ponto do senhor querer forçar sua filha a se casar com um deles para assim ter sempre um médico próximo.
O Burguês Fidalgo mostra a ascensão meio patética do senhor Jordain, que cresce financeiramente e quer a todo custo tornar-se um nobre. Para isso, ele acaba atraindo Dorante, uma espécie de professor de boas maneiras. O nível de constrangimento da senhora Jordain diante da ignorância do marido durante as aulas e do menosprezo de Dorante por ele é um dos pontos de maior graça da história.
Nessas três peças Molière disparou contra todas as classes dominantes e elevou a comédia satírica a grandes níveis. Ele colocou os representantes das grandes instituições como criaturas vis e passíveis de toda forma de falha humana. Seus textos são grandes clássicos da literatura mundial e ele foi um mestre na arte de mostrar como o humor pode ser uma grande ferramenta política.
Postado por Guilherme Carvalhal
Em
15/7/2015 às 14h44
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