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Quinta-feira,
16/7/2015
Alfred Schnittke
Guilherme Carvalhal
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Ao se pensar em música erudita (ou música clássica ou de câmara; cada denominação costuma ser pior que a outra) normalmente se pensa no começo do século XX para trás. Esse estilo tem seus grandes nomes no passado como Mozart e Wagner, e costuma parar nos modernistas como Schoenberg, Rachmaninoff e Stravinsky. É algo do passado, até porque após o ápice da música popular, que se expandiu e ganhou maior status com a indústria fonográfica, esse estilo acabou se afastando do público. Porém, esse distanciamento não significa seu fim nem uma queda de qualidade. De 1950 em diante surgiram compositores de talento, sendo que um dos principais destaques nessa música contemporânea é Alfred Schnittke.
Alfred Schnittke nasceu em 1934 na cidade de Engels, na União Soviética. Seus primeiros passos na música se deram em Viena, mas sua graduação em música ocorreu em Moscou. Com estudos dos clássicos e influenciado pelos modernistas, como Sostakovich (de quem é considerado sucessor), a música de Schnittke consegue transitar entre o clássico e moderno com originalidade.
Seu estilo de composição foi denominado por ele mesmo como poliestilismo. Essa maneira de composição tem raízes nas questões políticas de seu país. De tradição clássica e flertando com o modernismo europeu, o compositor estava em um país cuja estética predominante era o Realismo Socialista. Então ele precisou criar dentro daquilo que o regime de seu país pregava enquanto cultura, o que o levou a uma formulação completamente inovadora, inserindo elementos muito diversos para se adequar aos ditames. O poliestilismo pode ser enquadrado como um reflexo pós-moderno dentro da música de câmara, mesclando o antigo com o novo, o popular com o erudito.
Ouvir algumas das composições do autor ajuda a compreender esse estilo. Uma delas é Agony (1974), trilha sonora para o filme Agonia Rasputin, de Elem Klimov (autor do genial Vá e Veja, sobre a Segunda Guerra Mundial). Aqui se tem uma valsa clássica, com ares de grandiosidade e perfeitamente encaixada como trilha sonora de uma obra cinematográfica.
Já em uma de suas obras mais aclamadas, o Concerto Grosso nº1 (1977), o que se vê é toda influência dos estilos modernos. Aqui, ele faz uma completa releitura do barroco repleta de contratempos, em uma mistura que se torna bem pouco usual. É o poliestilismo puro, de difícil absorção pelo ouvinte, mas uma audição que se torna muito interessante à medida em que se entende suas propostas.
Concerto grosso é um estilo barroco em que solistas se apresentam hora individualmente, hora intercalados com toda a orquestra. A base dessa composição de Schnittke é essa, porém mergulhada em novas influências. O tempo é intercalado em três movimentos, um rápido, um lento e outro rápido, sendo que na peça de Schnittke o ouvinte de depara com um final estonteante promovido pela alteração no andamento da música.
Uma peça que mostra perfeitamente o poliestilismo é o balé Labyrinths (1971). Nessa obra o autor mostra muitas de suas influências, em uma enorme variedade estilística perfeitamente casada. Essa é uma das suas maiores qualidades, a de beber em muitas influências e produzir de maneira homogênea, não lançando ao ouvinte estilos variados mal encaixados.
Por último, The Fairytales of the Wanderings (1983), mais uma trilha sonora de cinema composta por ele. Essa música é do tipo que dispensa comentários, valendo a pena simplesmente ouvir e sentir.
Postado por Guilherme Carvalhal
Em
16/7/2015 às 12h33
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