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Domingo,
26/7/2015
20 anos de Kids
Guilherme Carvalhal
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O filme Kids, de Larry Clark, completou 20 anos recentemente e sua influência veio novamente à tona. A ideia de abordar a juventude é algo corriqueiro no cinema, caso de obras como Porky's, American Pie e Clube dos Cafajestes. A diferença em Kids está no nível com que os temas são expostos.
Kids é um filme mediano. Sua importância não é artística, mas representativa. Seu maior defeito é carecer de um roteiro. Não há uma história, somente colagens de cenas ditas cotidianas envolvendo adolescentes e jovens adultos, como violência, brigas, bebidas, drogas, sexo e Aids, guiadas por um eixo narrativa da busca de Telly por diversão. Não há grandes atuações e nem nada que faça dele uma obra artisticamente grandiosa.
O ponto alto de Kids é o retrato feito da geração à qual se refere, com uma crueza que chocou naquela época. A obra se passa em torno de Telly, um adolescente que não pensa em trabalho ou em estudos e que apenas roda pelas ruas. Junto ao seu amigo Casper, ele está atrás de garotas virgens que deseja levar para cama. Enquanto isso, Jennie descobre que é soropositiva, doença que contraiu de Telly, e sai pelas ruas atrás dele querendo evitar que contamine mais moças.
Ao longo disso todo tipo de situação considerada típica para um adolescente acontece. Os rapazes brigam em uma rua, com direito a golpes com skate, Jennie vai parar dentro de uma boate e toma ecstasy, invadem uma loja e roubam e rola uma festa com direito a todo mundo terminar caído pelos cantos. Há alguns momentos emblemáticos, como as garotas e os rapazes discutindo sobre sexo, mostrando as diferentes perspectivas entre os dois gêneros.
Kids causou identificação e susto na época. Existia a exacerbação do assunto Aids e a obra chegou até mesmo a ser apontada como educativa, para os pais entenderem melhor a realidade de seus filhos. Apesar de um certo marketing o considerar como um retrato da juventude da década de 1990, o filme segue o princípio de Pareto, no qual uma parcela de jovens que pode ser considerada "desajustada" acaba definindo todo o restante.
Juventude é o tema principal dos filmes de Larry Clark. Em Ken Park, ocorre a mesma premissa, a de se tentar realizar um retrato juvenil, havendo um roteiro que na verdade é uma colagem de cenas diferentes. Só que em Ken Park, ao invés da rebeldia e da transgressão, são exacerbados os conflitos familiares, a tristeza e o vazio existencial. Em outra obra, Bully - Juventude Violenta, temos um baseado em fatos reais, o assassinato de Bobby Kent, que foi cometido por um grupo de adolescentes, companheiros de escola da vítima. Filme bem fraco, apenas uma história sem nada demais.
Como todo filme sobre juventude, o tempo acaba pondo abaixo muito do choque causado. Se o personagem de James Dean em Juventude Transviada pode ter provocado polêmica e ser considerado socialmente desajustados, em Kids temos o mesmo reverberar que ao longo do tempo perde seu espaço de discussões. Cada geração tem muito mais do que um filme pode mostrar e o polemismo acaba sendo responsável pelas construção de ideia que não necessariamente corresponde à realidade. A juventude daquele tempo já chega aos 40 anos, o mundo não veio abaixo e seus filhos começam a entrar na adolescência, talvez aguardando um filme sobre sua geração que cause algum choque.
Postado por Guilherme Carvalhal
Em
26/7/2015 às 21h02
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