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Segunda-feira, 3/8/2015
Irmãos Dardenne e Rosetta
Guilherme Carvalhal
+ de 2300 Acessos



Os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne são uma das duplas mais criativas do cinema atual. Seu cinema intercala uma visão social de classes baixas da Europa junto a narrativas criativas e abordagens interessantes na realidade de seus personagens, inserindo-os em um universo de dilemas pessoais.

O filme mais recente da dupla, Dois Dias,Uma Noite, é um exemplo disso. A narrativa retrata Sandra (representada pela ganhadora do Oscar Marion Cotillard) uma operária de uma fábrica que se recupera de problemas psiquiátricos. Ao convalescer, descobre que seus colegas de trabalho haviam realizado uma votação proposta pela empresa, na qual escolhiam receber uma bonificação da empresa em detrimento de mantê-la empregada.

Como na votação a grande maioria escolheu receber o bônus, Sandra se viu desempregada. Porém, a empresa aceita realizar uma nova votação na próxima segunda, então ela tem o final de semana para convencer seus colegas de trabalho a mudarem de ideia, abdicando do bônus para ela permanecer contratada.

Esse tipo de trama é bastante corriqueiro nos filmes dos irmãos Dardenne. Normalmente são pessoas de classe baixa diante de fortes dilemas, nos quais precisam passar por decisões dolorosas ou conflitos determinantes em suas vidas. Os enredos tendem a levar muitos aspectos políticos, econômicos e sociais, como a atual crise econômica em Dois Dias, Uma Noite.

Analisar um pouco a obra dos dois irmãos ajuda a compreender seu impacto e sua dimensão. Em O Silêncio de Lorna (2008) um dos temas em destaque é a questão da imigração. Lorna é uma imigrante albanesa que se casa com um francês para obter cidadania europeia. Ela faz parte de um esquema mafioso e precisa se livrar de seu marido para vender sua nova nacionalidade a outra pessoa. Porém, seus sentimentos acabam pesando e surge o conflito entre aquilo que se comprometeu a fazer e o que sua consciência diz.

Em O Garoto da Bicicleta o drama ganha cunho mais familiar, ou semelhante ao familiar. Aqui, o personagem principal é Cyril, um garoto abandonado pelo pai em um orfanato que vive em busca de tê-lo novamente. Na sua insistência em aceitar que o pai o rejeita, ele tem sua bicicleta como principal vínculo afetivo.

Em A Criança, filme ganhador da Palma de Ouro de 2005, Bruno e sua noiva Sonia perambulam com seu filho recém-nascido. Sem saber como lidar com a paternidade e também com a pobreza, Bruno acaba tentando vender o próprio filho, atitude rejeitada de imediato pela mãe. O rapaz se envolve com todo tipo de golpe, envolvendo até menores de idade em seus crimes. O título A Criança, que dá a entender referir-se ao filho do casal, na verdade diz respeito a Bruno, que se recusa a uma atitude madura. Como nos outros casos, estão aqui presentes as escolhas pessoais diante de um ambiente adverso e pouco estável.

Rosetta

Sem sombra de dúvidas a maior obra dos Dardenne é Rosetta. Lançado em 1999, esse longa é uma história impactante e uma das maiores realizações na história da sétima arte, sendo premiado com a Palma de Ouro em Cannes.

Rosetta (Émilie Dequenne) é uma jovem de classe baixa. Logo no começo do filme já se pode ter uma noção geral: mesmo com pouca idade ela precisa trabalhar em uma agitação pouco usual para sua faixa etária, principalmente ao se imaginar a Bélgica, país considerado de primeiro mundo. Ela perde seu emprego e juntamente a isso vai abaixo seu mundo.

Aos poucos a realidade dela vai sendo descortinada. Rosetta mora com a mãe alcoólatra em um acampamento de trailers. Essa vive em uma relação de troca de favores com o dono do acampamento, recebendo algumas vantagens a troco do sexo, relação vista com negatividade por Rosetta.

Rosetta é arrimo de sua mãe e trabalha para sustentá-la. Logo de início ela perde seu emprego e se embrenha em uma luta para conseguir um novo. O senso moralista dela é muito forte e o trabalho representa a possibilidade de manter uma vida normal. E é esse senso moralista que acaba entrando em conflito com sua condição financeira.

Ela conhece um rapaz chamado Riquet (Fabrizio Rongione), que trabalha em uma banca vendendo panquecas. Riquet a trata bem e começa a formar um pouco de amizade com a moça. Riquet admite que anda roubando a banca e ela, em um ato inesperado devido ao seu senso de moralidade, denuncia Riquet ao seu patrão e acaba conseguindo seu emprego. O rapaz então começa a persegui-la e ela vai entrando em um estado cada vez mais desesperado (apesar de sutilmente mostrado) que é seguido pelo brilhante final.

Um dos principais pontos artísticos do filme é a câmera focada sempre em Rosetta. Por onde a jovem vai a câmera segue atrás, parando com ela quando se abaixa ou quando faz qualquer movimento. Esse estilo de enquadramento que possibilita aos diretores trabalharem com o que acontece fora de quadro, uma maneira de inserir o espectador com informações além da imagem.

A principal maneira dos diretores trabalharem essa informação é com o barulho da moto de Riquet. Ele começa a persegui-la por vários locais e o barulho da moto indica sua chegada, levando a moça sempre a reagir. Igual ideia acontece quando ele chega na banca de panquecas, onde sua presença é percebida mesmo sem entrar em cena.

O choque de moralidade é outro ponto fundamental no entendimento desse filme. Como já dito, Rosetta tem um forte senso moral, porém trai uma das poucas pessoas que se predispôs a ser próxima dela. Isso a coloca na dubiedade de posições: é a traição da confiança com senso de justiça (o rapaz rouba o patrão, então o justo é que ela o tenha denunciado). Ao mesmo tempo, ela se vale do papel de delatora para conseguir o emprego. Todas essas situações juntas formam um complexo leque de discussões, na qual a presença de Riquet e sua moto funciona como a consciência de Rosetta a aturdi-la.

Rosetta interage com os demais filmes dos dois irmãos através do conflito entre o eu e o mundo exterior. A personagem principal apresenta muitas divergências provocadas pelas suas expectativas, sendo essas o desejo por uma vida estável e rotineira, fundamentada pelo trabalho, e todos os dias ela se depara com o inverso oposto. Ela procura conseguir mudar isso através do trabalho, pedindo emprego, lutando diariamente e até mesmo trai a confiança de Riquet.

Ou seja, Rosetta faz parte de um amplo painel de seres humanos em conflitos diante de condições em desacordo consigo mesmo. Em obras como A Criança e O Garoto da Bicicleta o espectador sempre irá se deparar com tais condições. Rosetta é uma obra singular na história do cinema e dentro desse propósito maior que Jean-Pierre e Luc vem apresentando ao público.


Postado por Guilherme Carvalhal
Em 3/8/2015 às 03h18

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