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Quarta-feira, 24/5/2017
Encantarias da palavra, de Paes Loureiro
Relivaldo Pinho
+ de 1900 Acessos


Reprodução


“Ali está o poema, inacabado/ pulsando pelo verso que o complete./ Coração à espera de uma espada”. É como se inicia o novo livro de João de Jesus Paes Loureiro, Encantarias da palavra (Ed. ufpa), que será lançado no próximo dia 28 na Feira Pan-Amazônica do Livro. Escritor profícuo, Paes loureiro transita por várias áreas, e, como nos versos acima, a poesia o define.

Nesse livro, os diversos caminhos tomados por sua poesia estão presentes. Os versos engajados de Tarefa (1964), seu primeiro livro, ainda ecoam na temática da crítica social; a metafísica de Pentacantos (1984) e o Ser aberto (1991) se desdobra em sua “via sacra do ser”; a cultura amazônica de sua Trilogia amazônica (Porantim, 1978; Deslendário, 1981; Altar em chamas, 1983) continua a ser determinante.

Isso não quer dizer, de modo algum, que nessa nova obra a poesia se acomode. O trajeto dos seus poemas traz, por exemplo, um modo singelo de observação da rotina da vida. É a singeleza que busca concentrar (Dichten) um mundo em “pequenas percepções do cotidiano”.

A morte, a amizade, a memória, o amor, são algumas das temáticas que passam diante de seus e dos nossos olhos. O imediatamente perceptível, a banalidade do cotidiano, busca ser atravessado pelos versos que querem transcendê-lo.

“Verde-tarde. Verde-folha. Verde-musgo./ Verde puro verde. Verde-tudo./ Verde desejo no teu verde olhar”, é uma dessas percepções de uma poética experiente e que, ao mesmo tempo, busca se renovar. Aqui, a alusão a Benedicto Monteiro (Verde Vagomundo - 1974) é, conscientemente ou não, uma homenagem.

Os poemas sobre as gatas e sobre a dança seguem esse tom de reificação do real, de metaforização do afeto e, especialmente, de transfiguração do tempo, do movimento. Um trecho do poema “Coreografias” é um exemplo desse proceder: “Ela dança no girar dos seus arcanos/ dança o ser e o não-ser, a luz e a cor/ dança além do verde azul dos oceanos/ dança em chamas de amor e desamor”.

A recorrente imagem “ser-não ser” é cara a essa poesia, que tem em uma metafísica do real um dos seus fundamentos mais importantes. A dança já não é apenas movimento, é um pequeno mundo distendido, é durée e cosmologia.

Criar um mundo pela poesia é um consolo, uma dádiva, ou um lamento? O metapoema também é homenagem e questionamento. Louvação da poesia e angústia diante de sua necessidade e impossibilidade. O cotidiano está longe de emitir apenas imagens predominantemente idílicas. Agônico, ele suscita a poetização da violência, a finitude e a dor. Seu “Antipoemas” a isso se refere: “Antipoema é mergulhar a mão em lodo e lama/ para no fundo colher/ uma última flor do Lácio oculta e bela”.



Poderíamos dizer que esse viés está de acordo com a realidade que se contempla, poderíamos afirmar que ele, em seu registro, a transcende, que é a luta infindável por capturar aquilo que já não percebemos mais, que a poesia, essa poesia, trava, com a metáfora, uma batalha inglória contra a crueza do real. E isso, também, é uma forma de engajamento.

Instaurar na aparência uma essência sempre foi um dos elementos mais marcantes da poesia. Nesse caminho poético do escritor amazônico, esse elemento é decisivo. Mitos, lendas, seres encantados, os que compõem a origem das encantarias, habitam, novamente, esse livro. Mas o sentido dessas encantarias é o seu relacionar com o homem, com seu imaginário.

Como escrevera Benedito Nunes (O nativismo de Paes Loureiro - 2000), “humanidade da várzea e da floresta, que é o verdadeiro sujeito dessa lírica amazonizada, regional, mas não regionalista, e que [...] incorpora o rio, o riverrun amazônico”.

É desse modo que as “Encantarias veem os homens”: “As encantarias que somos,/ onde deuses habitam/ na poesia/ existem submersas/ na alma/ e na palavra/ de quem olha o rio./ A encantaria no fundo do rio/ é o sonho do olhar.”

Esse belo poema dá o sentido desse Encantarias da palavra. O encanto habita o rio, mas também a rua, a bailarina, a angústia, a palavra. O verso quer (se obriga e é impulsionado a) exibir o mundo em seu outro Ser, que só existe por ele e através dele.


Relivaldo Pinho é escritor, pesquisador e professor.


Texto publicado em O liberal, 23 de maio de 2017, p. 2.


Postado por Relivaldo Pinho
Em 24/5/2017 às 11h14

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