Domingos de Oliveira (1936-2019) | Julio Daio Bløg

busca | avançada
112 mil/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
>>> “A Descoberta de Orfeu” viabiliza roteiro para filme sobre Breno Mello
>>> Exposição Negra Arte Sacra celebra 75 Anos de resistência e cultura no Axé Ilê Obá
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Blog da Bethânia, o projeto
>>> Fui assaltado
>>> Auto-ajuda empresarial: reunite crônica
>>> Quixotes de Bukowski
>>> Cultura do remix
>>> Um Ano Feliz (!)
>>> História do Ganesha
>>> Reinventando clássicos
>>> No reino de Kapilavastu
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
Mais Recentes
>>> Lazarillo De Tormes - Nivel 3 de Anónimo pela Santillana Espanõl (2012)
>>> Tudo Depende De Como Você Vê As Coisas de Norton Juster pela Companhia Das Letras (1999)
>>> Quer Tc Comigo? de Valeria Melki Busin pela Scipione (2003)
>>> Do Zero Ao Infinito E Alem: Tudo O Que Voce Sempre Quis Saber Sobre Matematica E Tinha Vergonha De Perguntar de Mike Goldsmith pela Benvira (2016)
>>> Perigo Na Grécia de Elisabeth Loibl pela Melhoramentos (1997)
>>> O Ateneu de Raul Pompéia pela Scipione (1998)
>>> Poesia Fora Da Estante de Vera Aguiar , Simone Assumpção e Sissa Jacoby pela Projeto (2012)
>>> Querido Mundo, Como Vai Voce? de Toby Little pela Fontanar (2017)
>>> Caminho Da Poesia de Cecília Meireles e Outros pela Global (2006)
>>> Os Bandidos da Internet de Thomas Brezina pela Atica (2006)
>>> Ser Criança É... Estatuto Da Criança E Do Adolescente Para Crianças de Fábio Sgroi pela Mundo Mirim (2009)
>>> Só o Amor Consegue de Zibia Gasparetto pela Vida e Consciência (2015)
>>> O ABC da equitação de Vinicius de Freitas Filho pela Do autor
>>> A chave da felicidade e a saúde mental de Marcelo I. Fayard pela Casa publicadora
>>> Hiperatividade: Como Desenvolvimento Capacidade De Atenção Da Criança de Sam Goldstein; Michael Goldstein pela Papirus (2009)
>>> A cruz e a luneta de Carlos Ziller Camenietzki pela Access (2000)
>>> Os penitenciários de Augusto Accioly Carneiro pela Henrique Velho e cia (1930)
>>> A Lei Do Mais Forte - E Outros Males Que Assolam O Mundo de Fernanda Lopes De Almeida pela Ática (2007)
>>> The Secret Passage de Paloma Bellini pela Hub (2011)
>>> Difícil Decisão de Marcia Kupstas pela Quinteto (2003)
>>> Sebastiana Quebra-galho: Um Guia Prático Para O Dia-a-dia Das Donas De Casa de Nenzinha Machado Salles pela Civilização Brasileira (1994)
>>> O Visconde Partido Ao Meio de Italo Calvino pela Companhia De Bolso (2011)
>>> Vento Geral - Poesia 1951/1981 de Thiago de Melo pela Civilização Brasileira (1984)
>>> Amor Nos Tempos Do Blog de Vinicius Campos pela Companhia Das Letras (2012)
>>> O Cachorrinho Samba Na Floresta de Maria José Dupré pela Ática (2002)
BLOGS >>> Posts

Segunda-feira, 25/3/2019
Domingos de Oliveira (1936-2019)
Julio Daio Borges
+ de 2400 Acessos

Wilde dizia que colocava o talento no trabalho e o gênio na vida - mas acabou mal, renegado pelo grande amor de sua vida, condenado quando a homossexualidade era crime, vindo a perecer num hotel em Paris, onde, dizem, olhando o papel de parede, proferiu: “Morro como sempre vivi, além de minhas posses”.

Domingos de Oliveira também era bom de frases, mas, ao contrário de Wilde, não se importava muito com a divisão entre “vida” e “obra” - preferindo misturá-las, apelando para a autobiografia, sempre que possível, antes da moda da “autoficção”.

Temos de nos lembrar de que ele foi marido de Leila Diniz, um dos ícones do feminismo e da liberação das mulheres, no Brasil. Ela, aliás, atua em “Todas as mulheres do mundo”, filme de Domingos de 1966, autobiográfico desde o título. Depois, Rita Lee compôs - em sua homenagem - a canção homônima, de 1993, onde entoa: “Toda mulher quer ser amada/ Toda mulher quer ser feliz/ Toda mulher se faz de coitada/ Toda mulher é meio Leila Diniz”.

Domingos também foi o pai de Maria Mariana, autora de “Confissões de adolescente”, best-seller dos anos 90, que depois virou série na TV Cultura. Autobiográfica como o pai, Mariana compartilhava sua vida pessoal, mesmo depois do sucesso do livro, com a geração MTV, antes dos “reality shows” e da geração YouTube. Sem o mesmo talento - ou gênio - do pai, vale ressaltar.

Outra mistura que Domingos gostava de fazer era entre teatro e cinema. “Separações”, seu longa de 2002, uma consagração tardia, é um filme com uma peça de teatro dentro. E, logo depois, deu origem a uma outra peça, com Priscilla Rozenbaum, a Glorinha do filme, sua mulher na vida real, casada com Cabral, interpretado, claro, por Domingos.

“Separações” é tão bom porque é Domingos de Oliveira do começo ao fim, desde o texto até a direção, passando por ele, como ator, no papel dele próprio. Suas máximas sobre amor, relacionamento, casamento, separação já valem o filme. Cabral nos surge como um sábio do bem viver, mas despretensioso, sujeito a erros e arrependimentos, muito distante dos infalíveis manuais de autoajuda ou dos, hoje, “life coaches”.

Desse filme pra cá, de 2002 pra cá portanto, Domingos se converteu num mestre oral, exalando sabedoria, como um vulcão, em qualquer mídia - além de cinema e teatro, óbvio, programas de televisão, entrevistas, livros e, ultimamente, até em posts de Facebook, onde se derramava, em mais de um perfil, como se não houvesse amanhã.

Li suas peças, tempos atrás, numa coletânea da editora Global, e não eram tão boas quanto as de Nelson Rodrigues (naturalmente uma inspiração). E minha impressão é de que Domingos era muito passional e tinha dificuldade em ser “objetivo” e, suficientemente, racional para colocar todo seu talento (ou gênio) “apenas” no trabalho. Era um artista transbordante, algo como um Vinicius de Moraes tardio, mas sem o mesmo rigor poético e sem encontrar seu Tom Jobim, sem a “sua” Bossa Nova portanto.

Escrevi, agora não me lembro exatamente (talvez por influência dele), sobre “Separações” e/ou a peça que veio depois, a que assistimos no Sesc Paulista (esta impressionando menos do que aquele). Passado algum tempo, recebi, de Domingos, por correio, um convite para a pré-estreia de “Feminices”, seu próximo filme, no antigo Espaço Unibanco, ao qual não pude ir.

Pensei, na época, que daria no mesmo ver o filme depois. Mas não daria, não - porque Domingos estava lá, em pessoa, e encontrá-lo teria sido tão bom quanto o filme, ou melhor, ou muito melhor.

Talvez uma biografia nos dê a real dimensão do artista. Ou talvez nem isso. Platão escreveu sobre Sócrates antes dos Evangelistas - e estamos discutindo, até hoje, quem foi Sócrates, quem foi Platão. Os grandes homens são como as grandes questões: inesgotáveis.

Descanse em paz, Domingos de Oliveira.


Postado por Julio Daio Borges
Em 25/3/2019 às 09h26

Mais Julio Daio Bløg
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Geografia América - Aspectos da Geografia Física e Social
Melhem Adas
Moderna
(1982)



Imunologia
Vera Calich e Celidéia Vaz
Revinter
(2001)



A Libélula - Col Xereta
Felipe Capelli e Outro
Ftd
(2011)



No Labirinto do Cérebro - 1ª Edição
Paulo Niemeyer Filho
Objetiva
(2020)



Gestão Com Pessoas
Takeshy Tachizawa / Outros
Fgv
(2009)



Cidade de Lobos: a Representacão de Territórios Marginais
Paulo Roberto Tonani do Patrocínio
Ufmg
(2016)



Arquitetura de Sistemas Com Xml
Berthold Daum
Campus
(2002)



O Século Eletrônico-a Hist da Evol da Ind Elet e de Informática
Alfred Chandler
Campus
(2002)



Física Geral-para o Ensino Médio-vol único
Roque Matias e Outro
Harbra
(2011)



Jornalismo Esportivo - Os craques da emoção - Caderno de Comunicação 11
Andréa Coelho
Prefeitura Rio
(2004)





busca | avançada
112 mil/dia
2,5 milhões/mês