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COLUNAS

Segunda-feira, 23/7/2001
Paus Mandados
Salvador Mc Namara
+ de 5100 Acessos

"Bom dia senhor, posso ajudá-lo?"
"Sinto muito, mas não há nada que possamos fazer..."
"Sua ligação é muito importante para nós..."
"No momento, todas as nossas posições estão ocupadas..."
"Para informações sobre saldo, tecle dois..."


Nietzsche sepultou Deus e olha que ele nem conhecia a Telefonica.

No caminho da desburocratização, em tempos de pós-tudo, as grandes corporações descobriram uma fórmula genial para continuar prestando serviços abaixo da crítica, impunemente sem crítica.

Lançando mão da abundante mão-de-obra altamente desqualificada, fruto de décadas de banalização cultural, elas desenvolveram a mais eficiente forma de trincheira: O "serviço" telefônico ao consumidor.

Sub-humanos com QI irrelevante, hemácias de barata e comportamento robótico fazem o inter-face entre público e empresa numa espécie de firewall da babaquice muito eficiente. Estes sujeitos sem rosto com seus sorrisos institucionais desprovidos de dignidade são, senhoras e senhores: os "Paus Mandados", a próxima etapa da evolução humana rumo ao "Brave New World" ou a prova cabal de que somos nada mais que um grande equívoco biológico.

Reduzidos a secretárias eletrônicas sem memória, estes oligofrênicos têm a tarefa de atender ao telefone, vomitar qualquer tipo de mensagem ou saudação, escutar o problema do infeliz cliente, tocar literalmente o "foda-se" e se despedir de uma forma tão desconcertantemente mecânica, com um verniz tão impecavelmente treinado de boas maneiras, que é capaz de silenciar temporariamente até ao mais indignado queixoso.

Ah, que saudades das bruacas da Telesp! Elas eram muito parecidas com os atuais atendentes e impessoais, absolutamente indiferentes ao seu problema, mas com uma grande vantagem: a falta de educação! Isso permitia ao cliente, insatisfeito e desamparado ao menos desabafar sua indignação por meio desta brecha do sistema.

Hoje não há mais brechas. Foram todas cobertas, calafetadas pelo verniz incolor e acetinado do "politicamente correto", catalisado por dinâmicas alienantes de treinamento e curado pela pindaíba generalizada em que esta terra se encontra. O bom e velho: "- Ah isso não é comigo não!" foi substituído pelo:

- Perfeitamente senhor, estamos fazendo o possível para resolver o problema, mais alguma coisa?
- Eu acho que você não entendeu, o meu prédio está pegando fogo, fogo ouviu? E eu ligo para os bombeiros e a mensagem é que o telefone não existe!!!
- Obrigado por aguardar, a Telefonica agradece sua ligação, o número é este mesmo, por favor tente mais tarde, mais alguma coisa?

Lembro da cena de "Poderosa Afrodite" do Woody Allen em que o coro do teatro grego, num momento de aflição, evoca uma intervenção divina e a resposta é a secretária eletrônica de Deus.

Não posso evitar a crença de que isso é fruto de uma sociedade que adotou de braços abertos a onda do "politicamente correto", uma hipocrisia tão veemente, que faz Goebels parecer um amador. Segundo a política vigente, não se diz mais: "- O cargo não é seu, negão." Diz-se: "- O cargo não é seu, afro-brasileiro." Ou substituí-se o "- Eu não vou sair com você, seu careca!" por "- Eu não vou sair com você, seu desprovido de cobertura capilar!"

Eu comecei a suspeitar de tudo quando ouvi pela primeira vez uma voz maquinal dizer: "Torta de maçã para acompanhar, senhor?"

Outro sintoma grave destes tempos é a inexorável maré de "consultores" de motivação, auto-ajuda e neuro-linguiças com suas apresentações em power point que, em geral, ganham cachês em torno de 8 mil dólares para alardear o que qualquer consultora da AVON é capaz contar numa visita sem compromisso.

Tudo isso realimenta o crescente ciclo do "Pau Mandado" que, concebido no fértil solo da burocracia, que nos acompanha desde os tempos coloniais, aflorando com exuberância nas jardineiras do corporativismo.

Na verdade, o que estamos presenciando hoje em dia é um upgrade. O bom e velho burocrata, cheio de opiniões mas sem nenhum vigor ou coragem para se manifestar, conformado e tristonho, está sendo gradativamente substituído por um modelo mais econômico e eficiente, o "Pau Mandado": a versão cibernética do antecessor.

O primeiro fruto da desorganização, do favoritismo, da repressão, da política e do medo ainda mantinha características que apontavam para uma origem humana ou um radical biológico. O "Pau Mandado" é mais grave, provável resultado de experiências trans-gênicas, algo próximo de um replicante, não pressupõe qualquer possibilidade de retorno ao que se conhecia por humanidade.

Em tempo

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Salvador Mc Namara
São Paulo, 23/7/2001

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