Blogues: uma (não tão) breve história (II) | Ram Rajagopal | Digestivo Cultural

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Quarta-feira, 5/10/2005
Blogues: uma (não tão) breve história (II)
Ram Rajagopal
+ de 7100 Acessos

Quais são as duas idéias mais importantes, e talvez menos apreciadas, em tudo que se relaciona à computação? Não fosse o disco rígido e o sistema operacional por trás de seu computador, provavelmente não estaríamos tendo a oportunidade de interagir através do Digestivo Cultural. Nesta parte da viagem pela história dos blogues, vamos conhecer um pouco mais da história dessas idéias, que vieram a consolidar o papel do computador na revolução tecnológica e cultural que ainda está acontecendo na nossa sociedade.

Na Segunda Guerra Mundial, os computadores encontraram o seu nicho militar, ajudando os aliados a decodificarem mensagens interceptadas dos alemães e japoneses, além de se tornarem essenciais para o projeto da bomba atômica e no projeto de lançamento de mísseis de precisão. Com a importância que os computadores ganharam, e o surgimento do bit em 1948, uma pergunta natural tomou corpo: como armazenar informações de uma forma barata e confiável?

Quando somos capazes de acumular algo de forma barata, a necessidade seguinte é natural: como trocar o que acumulamos? A necessidade de se trocar e acessar informações remotamente levou à criação de um sistema operacional que está intrinsicamente ligado a toda história da Web, o Unix. E é de armazenamento e Unix, e algumas idéias consequentes da existência do Unix e relevantes para o universo dos blogues, que vamos tratar nesta parte da nossa série.

Armazenar, armazenar, armazenar

"What is in store for me in the direction I don't take?"
(Jack Kerouac)

Em busca dos primeiros indícios do DNA de um blogue moderno, avançamos no tempo a 1952, ano em que Kerouac publica o manifesto beatnik no New York Times. Neste mesmo ano, a IBM introduz uma tecnologia que viria a ser peça central na vida de todos: o disco rígido. Saltos na capacidade de armazenar informação a custos progressivamente menores coincidem com todas discontinuidades observadas na maneira com que lidamos com informação e conhecimento. Em 1953, 50 megabytes se armazenavam num disco de meio metro de raio que custava $120,000 enquanto que hoje 50,000 megabytes se armazenam em discos de 7 cm de raio que custam menos de $150. Não é à toa que qualquer um pode criar e armazenar informação, podendo postar músicas, fotos e vídeos e criar seus próprios manifestos em seus blogues.

Mas informação armazenada inacessível não é muito útil, como aprendi na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, onde boa parte dos livros não são acessíveis devido a ausência de um catálogo atualizado. Em 1970, um pesquisador da IBM padronizou uma maneira eficiente de organizar informação estruturada num disco rígido, propondo os bancos de dados relacionais. Pela primeira vez, pessoas que tinham informação, mas não sabiam como organizá-la a baixo custo, tinham à disposição um bibliotecário virtual e uma linguagem própria para conversar com ele, a Standard Query Language (SQL). Esta interação entre a criação de linguagens próprias e a capacidade de armazenar e distribuir idéias rapidamente é uma das características estilísticas mais marcantes do universo blogueiro e da internet em geral. Ao mesmo tempo, este estilo de interação está sendo fundamental no desenvolvimento de todas idéias tecnológicas que estão mudando a cara do acesso a informação.

O Unix é primo dos blogues

"We set up a telephone connection between us and the guys at SRI... We typed the L and we asked on the phone, 'Do you see the L?', 'Yes we see the L', came the response, we typed the O, and we asked, 'Do you see the O?', 'Yes we see the O'. Then we typed the G and the system crashed".
(Leonard Kleinrock, sobre o primeiro experimento da internet)

A importância de saber computação, sendo ensinada de maneira tão sistemática quanto engenharia, ficou clara durante a Segunda Guerra. A procura por ensino de computação aliada ao altíssimo custo dos computadores foram a motivação para o conceito das estações compartilhadas de time-sharing, circa 1965. A idéia era ter uma única unidade de processamento compartilhada por vários usuários através de terminais independentes. A natureza humana tratou de criar as primeiras instâncias de chats.

Em 1970, a idéia era padronizada e oferecida através do sistema operacional Unix. Um sistema operacional que, diga-se de passagem, foi escrito numa nova linguagem de programação, o C. Ou seja, o Unix foi uma idéia que exigiu a criação de uma nova linguagem para ser expressada. Uma linguagem que simultaneamente capturasse a complexidade do hardware, da plataforma onde desejamos executar nossa coleção de idéias, e a possibilidade de se criar bibliotecas de alto nível que permitissem que idéias que se comunicam pudessem ser implementadas por um não-especialista.

O próximo passo do time-sharing seria então poder compartilhar computadores em longas distâncias. Alguns protocolos e experimentos depois, voilà, surge a internet. Se antes os vários usuários só podiam acessar uma única estação, agora eles podem acessar várias estações que se comunicam entre si. O que começou como uma operação centralizadora, aglutinando indivíduos ao redor de um único cérebro, se descentralizou, permitindo que o mesmo indivíduo se conectasse a cérebros mais distantes. Em poucos anos, cada indivíduo teria seu próprio cérebro, descentralizando ainda mais e promovendo a grande revolução da internet.

No final da década de 70, surgiu o que talvez seja o precursor dos blogues profissionais e corporativos. Com a disponibilidade de sistemas em rede, e a possibilidade de se comunicar a partir de terminais diferentes, era natural que as pessoas desejassem trabalhar de maneira compartilhada numa só idéia, num só programa. Em 1975 foi proposto o primeiro sistema de controle de código fonte. A idéia era que os diversos arquivos que compusessem um programa pudessem ser administrados automaticamente, utilizando o mesmo conceito de biblioteca: quando um programador quisesse alterar determinado arquivo, ele faria um check-out do mesmo. Quando terminasse de programar, faria um check-in do código modificado. Para que todos estivessem a par das mudanças, a cada check-in, o programador era obrigado a escrever e postar um comentário explicando em frases curtas o que ele havia feito. Explicar modificações pode até ser fácil, mas é uma arte explicar uma idéia nova acrescentada a um programa em duas ou três frases. Aos poucos, os programadores passaram a se comunicar através desses comentários, formando uma etiqueta, uma linguagem e até uma espécie diferente de humor.

Help! Comunicar, informar, compartilhar

"Usenet is like a herd of performing elephants with diarrhea - massive, difficult to redirect, awe-inspiring, entertaining, and a source of mind-boggling amounts of excrement when you least expect it."
(Gene Spafford, professor de Purdue)

Quem imagina que cientistas são pessoas que detestam bater papo, e preferem se isolar numa sala e passar horas sozinhos fechados no mundo de suas idéias, não está muito longe da verdade. Exceto que eles gostam muito de trocar idéias. Conversar. Comunicar. E quando possível, acessar o onipresente help. E de certa forma, foi um apelo para help, para manter a comunicação viva, para encontrar as pessoas certas para os papos certos, que se pariu o bisavô dos blogues: os grupos de jornal ou newsgroups.

Os newsgroups são listas de discussão, em que as cadeias de respostas (treads) são arquivadas para consultas posteriores pelos seus membros. A Usenet foi o primeiro "portal" de newsgroups, e até hoje é o maior. Surgiu em 1979, dez anos depois que surigiram a internet e o Unix. A Usenet instantâneamente se tornou o melhor lugar para encontrar o especialista certo para responder perguntas sobre este sistema operacional complicado para se instalar e manter.

O que começou como central grátis para os interessados em discutir o Unix, responder perguntas e montar suas futuras reputações, rapidamente se tornou também um lugar para discutir receitas, escrever longos posts sobre esperanto e opinar sobre Reagan ou os trajes sumários de Kelly Le Brock. Cada assunto de discussão possuia sua própria lista no newsgroup, e qualquer usuário de um sistema Unix poderia se inscrever e receber e enviar contribuições através de um programa newsreader, que tal qual o e-mail, foi mais uma novidade trazida por esse sistema operacional. Se os jargões utilizados na Usenet lembram os vários termos que usamos em blogues, não é mera coincidência...

Um grande jornal americano anunciou recentemente que prentende incluir um editorial interativo, onde usuários poderiam editar e modificar o editorial exatamente como na Wikipedia, a enciclopédia virtual. E assim o editorial convergiria para a opinião da maioria. A Usenet era mais ou menos isso. Só que ao invés de modificar um único texto, os textos enviados para um newsgroup eram compilados e se criavam os "Frequently Asked Questions" (FAQs), para evitar que as mesmas perguntas fossem repetidas por novos membros da lista. Usenet, Wikipedia e novas formas de editoriais são simplesmente a manifestação de um mercado de idéias baseado em intensa comunicação.

Nesta parte da viagem encontramos o Unix e os newsgroups, o bisavô dos blogues, que se valeram de reduções drásticas no custo de armazenamento para se estabelecer como centrais de troca de informação e idéias. Mas qual foi o fio da meada, a meta-necessidade, que uniu todas as idéias apresentadas nesta parte da viagem? A necessidade que trouxe o Unix, os newsgroups, o disco rígido e os blogues é a mesma: comunicar, informar e compartilhar. O conceito fundamental que se incorporou como regra da revolução digital é que o valor da informação é determinado pela sua acessibilidade. E justamente a aplicação destas regras que leva ao surgimento da Web e as interfaces de um único clique, que iremos visitar na próxima parte desta série...

Ram Rajagopal
Berkeley, 5/10/2005

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