Arte empacada | Adriana Baggio | Digestivo Cultural

busca | avançada
62914 visitas/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Instalação DE VER Cidade - Brasília Numa Caixa de Brincar celebra o aniversário da capital
>>> CCBB Brasília é palco para “Amazônia em Movimento”, com o Corpo de Dança do Amazonas
>>> Mentor de Líderes Lança Manual para Vencer a Ansiedade
>>> Festival Planeta Urbano abre inscrições para concurso de bandas
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Entre mudanças e descartes
>>> Joss Whedon
>>> Giuseppe Ungaretti e a alegria do náufrago
>>> Gente feliz não escreve humor?
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> Layon pinta o silêncio da cidade em quarentena
>>> A crise dos 28
>>> Mulheres fantásticas e futuristas
>>> Eu, tu, íter...
>>> Conversa de pai e filha
Mais Recentes
>>> Um Passeio Na Floresta Amazônica de Laurie Krebs pela Sm (2008)
>>> Escondida de Jean-claude Alphen pela Grupo Sm (2016)
>>> Caça Ao Tesouro de Audrey Wood pela Brinque Book (1998)
>>> Geografia 2 Bachillerato de Joaquín Herrero Lorente, Concepción Fidalgo Hijano, Carlos López Escolano, Antonio Luis Montealegre Gracia, Alfredo Ollero Ojeda, Maria Sebastian López e Luis Cancer Pomar pela Editorial Bruño (2016)
>>> O Paraíso É Uma Questão Pessoal de Richard Bach pela Record (1996)
>>> Five Nights At Freddy's. Olhos Prateados de Scott Cawthon pela Intrínseca (2017)
>>> O Seminario: As Formacoes Do Inconsciente Livro 5 de Jacques Lacan pela Zahar (1999)
>>> Desmascarando O Código De Davinci de James L. Garlow pela Santos Editora (2004)
>>> A Odisseia De Homero de Frederico Lourenco pela Claro Enigma (2012)
>>> A Maldição Do Tesouro Do Faraó de Sérsi Bardari pela Atica (2008)
>>> O Brinquedo Misterioso de Luiz Galdino pela Atica (1995)
>>> Zezinho, O Dono Da Porquinha Preta de Jair Vitoria pela Atica (1996)
>>> Os Pequenos Jangadeiros de Aristides Fraga Lima pela Ática (1994)
>>> Aventura No Imperio Do Sol de Silvia Cintra Franco pela Atica (1995)
>>> Perigos No Mar de Aristides Fraga Lima pela Ática (2007)
>>> Coração De Onça de Narbal Fontes e Ofélia pela Atica (1994)
>>> Garota Em Pedacos: Um Romance de Kathleen Glasgow pela Outro Planeta (2017)
>>> Simplesmente Acontece de Cecelia Ahern pela Novo Conceito (2014)
>>> Laços Do Espirito de Richelle Mead pela Agir (2011)
>>> Uma História Dentro da História de Clodomir Ramos Marcondes pela InfoArtes (2024)
>>> Hospedeira de Stephenie Meyer pela Intrinseca (2013)
>>> Fallen de Lauren Kate pela Galera Record (2011)
>>> Heinrich Himmler: Uma Biografia de Peter Longerich pela Objetiva (2013)
>>> Poemas Escolhidos de Gregório De Matos pela Principis (2019)
>>> Catastrofe 1914: A Europa Vai A Guerra de Max Hastings pela Intrínseca (2014)
COLUNAS >>> Especial Arte

Quinta-feira, 30/8/2001
Arte empacada
Adriana Baggio
+ de 5600 Acessos

'Isto é arte e ponto final' (Adriana Baggio)

"Suas pinturas são empacadas, você é empacado! Empacado, empacado, empacado!" (Tracey Emin, para seu ex-namorado Billy Childish, no manifesto Stuckista)

Imagine um quadro, representando Nossa Senhora. No lugar das tintas, excremento de elefante. Isso pode ser chamado de obra de arte?

Essa é uma das discussões que têm espevitado o mundinho das artes visuais. Os mais modernos, entendidos e cult celebram a chegada da vanguarda, representada pela arte conceitual, classificação da obra de arte citada acima. Os mais tradicionais estrilam e alertam para o charlatanismo dos colegas conceituais.

Chamar de vanguarda um movimento que tem total adesão e identificação com o establishment é forçar a barra. A arte conceitual sobrevive (muito bem, por sinal) graças à união de interesses de colecionadores, investidores, marchands, arquitetos, decoradores e artistas de meia pataca. Junto a eles estão o governo e instituições públicas, que garantem o dinheiro e a estrutura para exposições de gosto — e valor — discutíveis.

Com uma explicação bem simples, o sistema funciona da seguinte maneira: um artista elabora uma manifestação polêmica, controversa, agressiva. É bancado por algum órgão público ou instituição para expor em algum salão. A mídia consome alucinadamente. O artista sobre de cotação. Decoradores e arquitetos incluem obras do elemento em seus projetos. O marchand prepara outra exposição. Os colecionadores compram. É uma cadeia na qual todos ganham, e quase ninguém perde, exceto, talvez, a arte.

Como todo o movimento que polemiza logo ganha opositores, com razão ou não, a arte conceitual também já tem seus inimigos organizados e declarados. São os Stuckists, ingleses que elaboraram um manifesto contra a arte conceitual e o que eles chamam de deturpação do modernismo. Stuck, em inglês, quer dizer careta, empacado, segundo definição em matéria publicada no Jornal do Brasil, no dia 23 de julho. O nome surgiu a partir de uma prosaica briga entre o pintor Billy Childish e sua namorada, a artista conceitual Tracey Emin. Ao separarem os pincéis, a moça chamou Billy de stuck, batizando o movimento iniciado pelo ex (Billy já não faz mais parte do movimento, mas também não reatou o namoro com Tracey).

O movimento, criado pelo também pintor Charles Thomson, despertou interesse da artista plástica brasileira Iracema Brochado, que inaugurou o Stuckismo aqui no Brasil. Segundo o manifesto, o Stuckismo é contra o conceitual, o hedonismo e o culto ao ego-artista.

O manifesto stuckista coloca que a arte deve ser produzida de uma maneira mais honesta que a vertente conceitual. O artista plástico só merece esse título se souber pintar. Essa regra protesta contra os artistas conceituais que se apropriam de objetos já existentes para suas obras, mas sem criar ou produzir nada. Pelo stuckismo, o uso de objetos existentes e de outro contexto impede o acesso ao mundo interior do artista, e conseqüentemente, ao conteúdo da obra.

O artista verdadeiro, não conceitual, deve fazer da arte uma forma de auto-descoberta. O processo da pintura deve ser uma mistura entre emoções e razão, interior e exterior, privado e público, espiritual e material. A arte deve ser feita buscando sempre a experimentação, sem medo da falha, sem a aspiração da premiação. Para os stuckistas, o artista conceitual submete sua arte à exigência comercial, ao estilo com potencial para conseguir premiações. É nessa parte que entra o protesto contra o ego-artista e ao esquema comercial no campo das artes.

O Stuckismo reclama também dos espaços destinados à arte, como as paredes brancas das galerias. Para eles, essa esterilidade impede a experimentação da arte, que deveria ser feita em ambientes autênticos. Ainda em relação ao acesso, o movimento pede a abertura das escolas e das universidades para toda a população, para que a fruição e aprendizagem da arte possa ser mais democrática. Quanto às escolas de arte, o manifesto condena a prática de admissão somente pela análise de uma obra, em detrimento do currículo e da qualidade técnica do artista.

O Stuckismo fala de uma deturpação do modernismo, que possibilitou a abertura do caminho para a banalização do moderno no pós-modernismo, caindo na submissão aos interesses comerciais. Para um resgate dos valores do Modernismo, os manifestantes propõem o Remodernismo, através de uma reaplicação dos princípios originais do movimento.

Não é de hoje que a sociedade repele manifestações artísticas diferentes do já estabelecido e valorizado. Foi assim como o Impressionismo, no século XIX. A diferença é que agora o que chamam de vanguarda é sustentado pelo sistema, ou seja, é incoerente. A arte conceitual inaugura um nicho nas artes visuais que não pode se utilizar dos parâmetros tradicionais para estabelecer seu valor. Assim, o atributo de valor acontece muito mais por aspectos comerciais do que estéticos ou críticos. Como o artista conceitual é financiado pelo governo, bancos, patrocinadores, seu compromisso acaba sendo com o mecenas, e não com o seu estilo ou motivação interna para a arte. A arte conceitual é descartável. É feita para ser consumida em uma exposição, depois pela mídia, e no fim desaparece. Ainda quando tem um suporte que agüente o tempo, e materiais que não sejam perecíveis, este tipo de arte não se explica por si só, não oferecendo ao espectador a possibilidade do prazer estético. A arte que precisa de um manual de instruções é elitista, limitada. Não que todas as obras devam ser figurativas, mas mesmo as abstratas devem permitir ao observador uma fruição que não dependa da explicação.

Por outro lado, dá para estabelecer uma relação entre o Stuckismo e o Dogma 95, manifesto contra o artificialismo hollywoodiano. Os dogmáticos conseguiram bastante atenção com o movimento, mas todos eles fizeram filmes tradicionais além daqueles regidos pela regras do Dogma. O que se percebe é uma reação não ao novo, mas ao que faz sucesso e ameaça o já estabelecido. Com a tecnologia atual, troca-se um set inteiro de filmagens por um computador e um geniozinho da informática. Na arte, a proposta conceitual não exige formação e nem habilidade para desenhar ou pintar. Só é preciso um padrinho e a boa vontade da mídia para virar artista. Acredito que este tipo de movimento enriquece a discussão e tem resultados positivos. Mas o que não dá para deixar de ver é que, por trás de tudo, há sempre outros interesses. Ou seja, reserva de mercado existe em todas as atividades.

Apesar de concordar com o movimento Stuckista, estou procurando ter o bom senso de não rechaçar muito radicalmente a arte conceitual. A História mostra que propostas inovadoras, em todas as áreas, mais tarde se revelaram autênticas, válidas e aplicadas ou usufruídas universalmente. Quando o estilo clássico de pintura - cujo valor ou qualidade eram determinados pela fidelidade da representação do real - começou a ser questionado pelos Impressionistas, que propunham uma nova maneira de pintar, os críticos da época também devem ter ficado confusos. Talvez o que esteja acontecendo hoje faça parte de um ciclo de renovação. Pode ser que se separe o joio do trigo na arte conceitual, para que permaneça a possibilidade de uma nova forma de manifestação artística, considerando novas tecnologias, novas linguagens, nova maneira de viver. Quanto mais se estuda, discute e polemiza, mais possibilidades temos de chegar a perceber os aspectos que dão qualidade e valor estético à obra de arte conceitual. E quando isso acontecer, talvez esta nova proposta deixe de ser comercial e passe a assumir seu caráter artístico.

Para saber mais

stuckismbrasil

www.stuckism.com


'Everyone called smith in the barnet phone book' (Charles Thomson, co-fundador do Stuckism)



Adriana Baggio
Curitiba, 30/8/2001

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Escrevemos para nós mesmos (?) de Rafael Rodrigues
02. A Arte de Odiar de Paulo Polzonoff Jr


Mais Adriana Baggio
Mais Acessadas de Adriana Baggio em 2001
01. À luz de um casamento - 18/10/2001
02. O Segredo do Vovô Coelhão - 15/11/2001
03. Náufrago: nem tanto ao mar, nem tanto à terra - 25/3/2001
04. Arte, cultura e auto-estima - 9/8/2001
05. Marmitex - 1/11/2001


Mais Especial Arte
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Não Espere pelo Epitáfio... Provocações Filosóficas
Mario Sergio Cortella
Vozes
(2005)



Educação a Distância - uma Visão Integrada
Michael G. Moore - Greg Kearsley
Thomson Pioneira - Abed
(2007)



Enunciação E Diálogo
Eleni J. Martins
Unicamp
(1990)



A coleira do cão
Rubem Fonseca
Olive editor
(1969)



Canalha!
Carpinejar
Bertrand
(2008)



Bocage a Obra e o Homem
Hernâni Cidade
Arcádia
(1966)



Livro White Teeth
Zadie Smith
Penguin Books
(2001)



Manchu
Robert S. Elegant
Círculo do livro
(1986)



Poemas Com Sol e Sons
Cerlalc
Melhoramentos
(2015)



Jornalismo Político
Franklin Martins
Contexto
(2005)





busca | avançada
62914 visitas/dia
2,5 milhões/mês