Sobre o Hino Nacional Brasileiro | Ricardo de Mattos | Digestivo Cultural

busca | avançada
111 mil/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
>>> “A Descoberta de Orfeu” viabiliza roteiro para filme sobre Breno Mello
>>> Exposição Negra Arte Sacra celebra 75 Anos de resistência e cultura no Axé Ilê Obá
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Auto-ajuda empresarial: reunite crônica
>>> Quixotes de Bukowski
>>> Cultura do remix
>>> Um Ano Feliz (!)
>>> História do Ganesha
>>> Reinventando clássicos
>>> No reino de Kapilavastu
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Dois dedos a menos
>>> Cinema futuro: projeções
Mais Recentes
>>> O Apanhador No Campo De Centeio (the Catcher In The Rye) de J. D. Salinger pela Editora Do Autor (2012)
>>> Revista Erótica Internacional nº16 a de Editora Omni pela Omni (1983)
>>> Revista Erótica Internacional nº9 de Editora Omni pela Omni (1983)
>>> Diagnóstico de Distúrbios de Aprendizagem de Bruce F. Pennington pela Pioneira (1997)
>>> Revista Erótica Internacional nº 12 A de Editora Omni pela Omni (1983)
>>> Mercado de Opções - Conceitos e Estratégias de Luiz Mauricio da Silva pela Halip (2008)
>>> Revista Erótican Internacional nº 1 de Editora Omni pela Omni (1982)
>>> Revista Erótica Big Man Internacional de Editora Omni pela Omni (1981)
>>> Gotas de Evangelho de Izabel Maria dos Santos pela Do Autor
>>> Como Dizer Tudo Em Francês (com Cd) de Ron Martinez, Janice Sfreddo pela Campus (2007)
>>> Revista Erótica Internacional nº 17-A de Editora Omni pela Omni (1981)
>>> Cadernos Do Mathema - Jogos De Matemática De 1º A 5º Ano de Katia Stocco Smole e outras pela Artmed (2007)
>>> Evangelização Metropolitana de Carlos E. Aeschlimamm pela Seminário AdventistaLivro (1982)
>>> Expiracao de Ted Chiang pela Intrínseca (2021)
>>> 38 Estrategias Para Vencer Qualquer Debate de Arthur Schopenhauer pela Faro Editorial (2014)
>>> The Witcher - a saga do bruxo Geralt de Rivia - o Sangue dos Elfos - 3 de Andrzej Sapkowski pela Wmf Martins Fontes (2019)
>>> Dom Casmurro de Machado de Assis pela Paulus (2002)
>>> George's Marvellous Medicine de Roald Dahl pela Puffin (2016)
>>> Nova Minigramática Da Língua Portuguesa (3º edição - 7º reimpressão) de Domingos Paschoal Cegalla pela Companhia Editora Nacional (2015)
>>> Histórias À Brasileira: A Moura Torta E Outras 1 de Ana Maria Machado pela Companhia Das Letrinhas (2015)
>>> Psb - O Socialismo Pragmático de Luiz Dário da Silva pela Ecco (1992)
>>> De Carta Em Carta de Ana Maria Machado pela Salamandra (2015)
>>> Mending Broken People: The Vision, The Lives, The Blessings: The Miracle Stories de Kay Kuzma pela Pacific Press Publishing Association (2005)
>>> Uma Igreja De Alto Impacto de Linus Morris pela Mundo Cristao (2003)
>>> Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Aleira pela Ciranda Cultural (2010)
COLUNAS

Segunda-feira, 29/8/2011
Sobre o Hino Nacional Brasileiro
Ricardo de Mattos
+ de 6700 Acessos

"A música está em tudo. Do mundo sai um hino"(Victor Hugo).

Somos do tempo em que o Hino Nacional Brasileiro era ensinado e cobrado com rigor na escola. Era nossa obrigação pesquisar as palavras desconhecidas, copiá-lo determinado número de vezes e decorá-lo para a temível chamada oral e individual. Esta prova era um recurso das professoras, pois as deficiências imperceptíveis em meio aos colegas revelavam-se no cantar isolado. A trabalheira da época converteu-se em gosto sincero pela música dedicada a simbolizar oficialmente nosso país. É comovente quando os primeiros acordes são emitidos e logo as pessoas demonstram lembrar a letra.

Foi surpreendente descobrir que a introdução, hoje apenas instrumental, também já teve uma letra para ser cantada. Recebemos por e-mail o vídeo no qual uma senhora explica como era na sua época e canta a parte até então para nós desconhecida. Ei-la:

"Espera o Brasil que todos cumprais com o vosso dever
"Eia! avante, brasileiros! Sempre avante
"Gravai com buril nos pátrios anais o vosso poder
"Eia! avante, brasileiros! Sempre avante

"Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz
"Cumpri o dever na guerra e na paz
"À sombra da lei, à brisa gentil
"O lábaro erguei do belo Brasil
"Eia sus, oh sus!"

Atualmente o ensino é obrigatório em escolas públicas e particulares. Ignoramos como isto é feito. Dada a má qualidade do ensino e o desânimo que assola o professorado, suspeitamos que péssima gravação em CD tocada para que alunos insatisfeitos mexam a boca seja um quadro freqüente. Porquanto deficitário o estímulo, apostamos ainda que no futuro recrudescerão as vozes defensoras da substituição da peça ou, ao menos, da "atenuação" da letra. Volta e meia alguém cisma de investigar a este respeito. Em nossa opinião, a única música a altura seria Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.


Francisco Manuel da Silva

A música do Hino foi composta em 1822. O autor foi o maestro e compositor brasileiro Francisco Manuel da Silva (1795-1865). Curioso descobrir que ele foi aluno do padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), nome forte de nossa música no período colonial. A finalidade da composição foi outra, mas a melodia alcançou tal popularidade que atravessou os séculos XIX e XX, alcançando ilesa o século XXI. O concurso para um novo hino foi frustrado, restando à República nascente providenciar outro certame na busca de letra que melhor se adaptasse. Somente em 1909 o poema de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927), com enxertos de Gonçalves Dias (1823-1864), foi definida vitoriosa. As datas adrede indicadas revelam que a concepção do Hino deu-se sob a regência da forma e da ideologia de dois importantes "ismos" - romantismo e nacionalismo - o que explica a exultação dos versos.

Salvo pesquisa minuciosa da imprensa e da correspondência pública e privada da primeira metade do século XIX, dificilmente podemos avaliar o que significou para os habitantes do novo país a independência de Portugal e o clima de autonomia instalado. Nós mesmos não temos noção da amplidão de nossa terra. Sequer aprendemos chamá-la "nossa". Com extrema lentidão e má vontade desenvolve-se a mentalidade que encara como problema pessoal as questões públicas. Quase um século separa a letra da melodia e o poema de Duque Estrada ainda insiste na admiração pelo "impávido colosso", a admiração que se tem diante do desconhecido.

Reparemos que o hino contém certa narrativa. Conquistamos a liberdade de viver neste país imenso: "Ouviram do Ipiranga (...) desafia o nosso peito à própria morte". Esta liberdade era um antigo desejo: "Brasil, um sonho intenso (...) à terra desce". Nosso novo país tem riquezas naturais que parecem inesgotáveis: "Gigante pela própria natureza (...) 'mais amores'". Reconhecida nossa autonomia, queremos paz no futuro: "paz no futuro e glória no passado". Todavia, saberemos lutar pelo que é nosso: "Mas, se ergues da justiça (...) a própria morte". Notemos ainda que, embora fale duas vezes na morte, o Hino menciona as palavras "amor", "amores" e "amada" num total de nove vezes.


Joaquim Osório Duque Estrada

Pode-se alegar que a existência ou não de um hino é indiferente ou mesmo irrelevante. Pode-se argumentar que hinos são vestígios de um militarismo que se quer esquecer. Entretanto, podemos resumir o Hino Nacional como um acerto de contas com o passado e como projeção para o porvir, mesmo que as gerações seguintes ou não mais acreditem, ou nem sejam ensinadas a buscar este futuro. Quando pipocam as crises, seria importante retomar os anseios de nossos ancestrais e tomar verdadeiramente as rédeas da nação. A leitura deve ser atualizada. Não se deve entender como povo heróico capaz de brado retumbante apenas aquelas pessoas que viveram nas primeiras décadas do século XIX. Este heroísmo deve alcançar o brasileiro de hoje. Continua bravo e audaz este povo, embora a Administração, através de tributos infindáveis, tome compulsoriamente parte substancial de seus rendimentos e depois faça-o pagar tudo novamente em convênios, planos e serviços. Conserva traços de heroísmo aquele que, não encontrando amparo para suas necessidades básicas, nem recebendo educação sólida que lhe desperte ou fortaleça suas boas disposições, entrega-se ao vício e tomba pelas ruas, apesar de financiarmos bolsas e mais bolsas com a suposta finalidade de evitar justamente isto.

Isentemos de culpa o Hino Nacional, pois não é sua culpa nossos concidadãos não aprenderem - e não haver interesse em ensiná-los - que a paz no futuro depende da glória em relação às lides do passado, e que o entendimento do binômio glória-paz não poderia ser apresentado como próprio de um tempo distante e de figuras vagas e espectrais, e sim, como algo que faz parte de nossa atualidade. Não amará a terra a juventude constrangida a repetir o que não entende, sem que lhe seja mostrado de alguma forma que berço esplêndido é este em que ela mesma vive, que campos e que bosques são estes com mais flores e mais vida. Nenhum peito será desafiado à própria morte caso esteja oprimido por obrigações diversas que lhe tolham o entendimento, e nenhuma pátria será amada enquanto o mutualismo do amor e do respeito não for atendido.


Ricardo de Mattos
Taubaté, 29/8/2011

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O fim do livro, não do mundo de Marta Barcellos


Mais Ricardo de Mattos
Mais Acessadas de Ricardo de Mattos em 2011
01. Geza Vermes, biógrafo de Jesus Cristo - 7/3/2011
02. Do preconceito e do racismo - 18/4/2011
03. A lebre com olhos de âmbar, de Edmund de Waal - 5/12/2011
04. Clássicos para a Juventude - 27/6/2011
05. Dois Escritores Húngaros - 26/9/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Festas - o Folclore do Mestre André
Marcelo Xavier
Formato
(2000)



Tre Fedi: Un Unico Dio
Roberta Grillo
Fondazione Achille E Giulia Boroli
(2004)



Prazer em conhecer: As entrevistas de pesquisa FAPESP
Marluce Moura
Fapesp
(2004)



Aquele Estranho Colega, o Meu Pai
Moacyr Scliar
Atual
(2002)



Primeiros Socorros para Fadas e Outras Criaturas Fabulosas
Lari Don
Rai
(2011)



Problemas e Soluçoes -geometria Analítica, Vetores e Transformações
Elon Lages Lima
Impa; Vitae
(1992)



Revista Quatro Rodas Ano 29 nº8
Editora Abril
Abril
(1988)



O Jogo Perfeito
Sterling
Faro Editorial
(2014)



Aos Que Amam
Nelli Célia
Mythos Books
(2015)



Introdução à Sociologia Volume único
Pérsio Santos de Oliveira
Ática
(2006)





busca | avançada
111 mil/dia
2,5 milhões/mês