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Terça-feira, 18/3/2014
MPTA, Dança feita de Afetos Condensados
Duanne Ribeiro
+ de 4100 Acessos

As relações humanas são compostos instáveis, desequilibram-se e transformam-se, desfazem-se e reconstituem-se - são devir. Nas coreografias Nós somos semelhantes a esses sapos... e Ali, apresentadas pela companhia francesa Les Mains, les Pieds et la Tête Aussi (MPTA) em março, no Centro Cultural São Paulo, o conforto, a tensão crescente e a violência dos relacionamentos é exibida através da dança com sutileza e sagacidade - os movimentos dos artistas compondo um percurso narrativo ponteado de metáfora e de ironia, com uma visualidade marcante.

O mais impressionante das duas peças é sua capacidade de representar sentimentos e processos com signos concisos, descrever o essencial de certos tipos de relação com ciclos sutis de gestos. O MPTA é atuante desde 2001; Nós somos semelhantes a esses sapos..., de 2013, foi concebida por Ali e Hédi Thabet; Ali, de 2008, é encenada por Mathurin Bolse e Hédi Thabet. Por aqui, as peças foram montadas na 1ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que ocorreu de 9 a 16 de março e trouxe à cidade espetáculos de vários países do mundo e um ciclo de debates. Abaixo, tentamos exibir como a companhia condensa e cifra os afetos, e os faz dança.

Equilíbrio feito do Desequilíbrio Alheio
Ali é uma peça curta. Dois homens de muletas azuis volteiam o palco. Um deles tem ambas as pernas, o outro apenas uma. De imediato o que pensamos saber sobre a deficiência física vem à tona; especulamos sobre a dança de que é capaz esse bailarino, e cremos cômico que o outro não ande por si só. Nessa primeira percepção, já está em jogo um tema da peça: nossa relação com a fraqueza e a força do próximo, com ele quando está "abaixo" ou "acima" de nós. Vamos passear de um ponto a outro dessa relação.

Já essa situação inicial enquadra uma pergunta nesse sentido: pelo homem não-deficiente estar de muletas, isso significa que ele "se desfalca" pelo benefício do outro? Ainda outra: eles podem parecer iguais nos movimentos iniciais, mas quando estiverem em choque, as diferenças vão se converter em vantagens desiguais. Existe uma dialética deste gênero em todo relacionamento? Os dois personagens se unem e andam juntos, se separam e se desafiam. Variam as relações de poder entre eles: por ora um "domina", depois outro é "dominado". Os sentimentos envolvidos nessas mudanças não são estanques, bem definidos. Um bom exemplo disso é a agressividade gratuita e engraçada de um tapa na nuca do outro, molecagem.

Há, por fim, os momentos em que eles se mesclam. Dispondo-se de certa maneira no palco, parecem ser partes de um mesmo corpo, a perna de um ocupando a que falta do outro. Até o ponto em que não sabem bem qual é o corpo de quem: sentados juntos, ao colocar a mão sobre o joelho que seria seu, a coloca na do próximo, e assim por diante. Essa dissociação, essa mistura, ela parece ter uma versão mais dramática nos versos de Chico Buarque: "Se nós, na travessura das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas, diz, com que pernas eu devo seguir? (...) Se na bagunça do teu coração meu sangue errou de veia e se perdeu (...) Te dei meus olhos pra tomares conta, agora conta, como hei de partir?".

Tudo se passa como se o bem estar de alguém, seu equilíbrio, se construísse por vezes sobre os vários desequilíbrios alheios de que consegue fazer bom proveito - e vice-versa, as pessoas se conectando e desconectando como quebra-cabeças.

Os Desníveis Temporais entre os Corpos
Nós somos semelhantes a esses sapos que nas austeras noites dos pântanos se chamam e não se veem, seus gritos de amor curvados frente à fatalidade do universo (em tradução livre - o título cita um verso do poeta René Char), põe em cena um triângulo amoroso. A princípio, quatro músicos sentam-se em um lado do palco e permanecem em silêncio. Um casal entra - parecem noivos recém-casados, ele de casaco e calças pretas, ela de vestido branco. Satisfeitos, felizes, caminham, cumprindo uma primeira volta no palco. Na segunda volta, a satisfação é contida, e na terceira o homem já está francamente contrariado: anda à frente e a puxa pelo braço. O amor enferruja. Surge então o terceiro personagem. Sem uma perna, movendo-se com muletas azuis, ele acompanha os dois anteriores, tanto atrás. Nas voltas sucessivas, ele pisa no vestido dela - interrompe o fluxo, a peça paralisa neste gesto - mas ela se solta. Outra captura parcial: pisa, paralisam-se, prosseguem. Por fim, ele se suspende e lhe chuta as costas: a captura completa.



Os músicos começam a tocar - o rebético, um estilo tradicional grego, de tom sofrido e vocais que lembram a música árabe, seguirá como trilha sonora até o fim. A canção ressalta a quebra daquele primeiro casal. Vimos os jogos da sedução, insistência, resistência e conquista, e agora assistiremos, no movimento circular, a uma paixão. Este segundo casal não anda lado a lado. Ela engatinha, recuando, frente ao homem que a derrubou; o outro, abandonado, anda sozinho de casaco na mão. Ela se levanta, ele morde seu vestido. Ela, de quatro no chão, o carrega; ela, as pernas sobre seus ombros, o cavalga também. É uma ligação intensa, sexual, em que o poder de um sobre o outro se troca com o tempo - até que algo muda e um deles se torna um fardo (a mesma linha narrativa acontece nos filmes Nove Canções e O Último Tango em Paris). No caso, é ela, como um saco sobre as espáduas dele. Deixando-a, o bailarino com deficiência empreende uma coreografia cheia de força e agilidade, um elogio à independência e autonomia.

Abre-se uma oportunidade de reconciliação ao primeiro casal. Sentados lado a lado, sucedem-se nos gestos do primeiro casal a hesitação, a carência, a agressividade - se enlaçam um momento, apenas para se repelir no seguinte; deixam a cabeça do outro recostar-se, apenas para empurrá-lo para longe. Quero e não quero, diz simultaneamente essa dança; talvez: preciso... Segue-se a isso uma luta entre os dois personagens masculinos. O primeiro deles, o "noivo", vence, com uma poderosa voadora no peito - o chute aéreo é simétrico àquele da "captura", e significa algo semelhante: trata-se da força à serviço do desejo. O vitorioso, preenchido de empáfia, baila sozinho, exibe trocas de perna complexas e abre os braços e o peito em desafio ao mundo - e mesmo esquecido dela, a mulher por quem lutou. Esse estado de coisas é instável como os demais, e novamente a roda embaralhará a relação do trio: abatido, será a vez do homem com as muletas se arrastar no solo, preso à barra do vestido, para iniciar uma nova relação, de humor e erotismo.

É sempre como se houvesse alinhamentos temporários entre a vontade de um e outro, e, para além desses momentos tensos, os corpos separados por bruscos desníveis. Enfim, vemos que os três se enredam em um mesmo bailado; dançam juntos, e esse é só o resumo do que fizeram ao longo de todo esse tempo - entre avanços e recuos, formavam uma constância, possuíam o apego, o descaso e o desafio que precisavam em cada instante dado. Aqueles sapos, assim, são como nós, que nos chamamos e não nos vemos, gritando por um amor dobrado pelo acaso.


Duanne Ribeiro
São Paulo, 18/3/2014

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