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Segunda-feira, 7/12/2015
O que não fazer em época de crise
Fabio Gomes
+ de 2800 Acessos

Que o Brasil atravessa uma profunda crise econômica, não é novidade alguma, já há meses os noticiários deixam isto bem claro. Inclusive me surpreendi ao escutar, em pleno mês de setembro, um jingle de Natal tocando no som de uma grande loja de departamentos, em Salvador (ouvi certa vez que, quanto piores as vendas ao longo do ano, mais cedo as lojas canalizam a atenção do consumidor para as compras natalinas, consideradas o ápice do movimento anual). Se o momento é de crise, seria de imaginar as empresas buscassem aproveitar todas as oportunidades para faturarem, certo? Bem, a julgar por uma recente experiência que tive, talvez a resposta a esta pergunta seja "errado".

Vamos aos fatos: no começo de novembro, entrei em contato com diversas gráficas, de vários estados do Brasil, no intuito de solicitar orçamento para impressão de um livro (a obra, prevista para lançamento no primeiro semestre de 2016, dará continuidade a meu projeto As Tias do Marabaixo). Ainda em outubro, sondei alguns profissionais de design para fazerem a diagramação da obra, e imaginei que as pessoas contatadas pudessem me indicar gráficas para eu consultar, o que não se confirmou. O jeito foi eu reservar uma tarde para ir a uma livraria e procurar livros semelhantes ao que eu pretendo fazer, anotando então os nomes das gráficas onde eles foram impressos. Juntando essas informações com mais algumas indicações recebidas de amigos, cheguei então a uma lista de 11 empresas, cujo nome fui jogando no Google visando encontrar o site de cada uma.

Nessa etapa, a lista já reduziu um pouco, seja porque algumas empresas já haviam saído do mercado (o que pode ser considerado natural, afinal uma livraria não é uma banca de revistas, onde só há publicações do mês atual; os livros que encontrei foram publicados em diversos momentos ao longo dos últimos 10 anos), seja porque algumas delas não tinham site ou mesmo algum contato localizável, fosse e-mail, fosse telefone.

Enviei e-mail para todas as 8 empresas que sobraram na lista. Apenas 4 me responderam. Uma somente para informar que só trabalha com tiragens superiores a 20 mil exemplares. Outra indicou uma página em seu site onde eu poderia fazer a cotação e o pedido e até mesmo enviar o arquivo com a arte do livro - um tanto quanto impessoal, é verdade, mas bem fácil de operar, salvo a questão de excesso de termos técnicos que quem não é da área não domina (afinal, ninguém é obrigado a saber o que significa uma capa 4/0 ou um acabamento PUR). A mesma questão aparecia nas mensagens das outras duas gráficas, a quem então solicitei a 'tradução' dos termos, consultando ainda a designer que fará a arte e cheguei então ao seguinte impasse: as duas empresas ofereciam, no geral, condições, prazos e valores semelhantes; a distância entre a cidade onde cada uma delas está situada e Macapá (informação fundamental para o cálculo do frete) também era quase idêntica, de modo que o desempate se deu por um detalhe, justamente o já citado acabamento PUR (que nada mais é que uma cola resistente para evitar que as folhas do livro se soltem); uma das gráficas não aceita fazer o acabamento PUR para a tiragem que eu pretendo (1.000 exemplares), trabalhando apenas com costura de linha. Como a designer me assegurou que o PUR é melhor, escrevi então para as duas empresas que ainda estavam no páreo: à que oferece o acabamento PUR, informei que ela foi a escolhida por mim; à outra, agradeci a atenção dispensada e informei o motivo de ter escolhido a outra empresa.

Qual não foi minha surpresa em receber, no dia seguinte, uma resposta da empresa preterida, agradecendo minha informação, não sem também dar uma alfinetada na minha designer, dizendo que ela "parece não entender nada de gráfica", pois na concepção de quem respondeu, costura de linha é melhor que PUR.

Creio não ser necessário dizer que, em situação de crise ou não, tal manifestação é completamente equivocada - ou alguém pode acreditar que desqualificar a profissional que eu selecionei irá fazer com que eu resolva mudar o local onde irei imprimir meu livro, optando justamente por quem assim se posicionou?

Mas enfim, afora esta postura indefensável, duas coisas me preocupam no conjunto dos fatos relatados, ainda mais se considerarmos que vivemos um momento de crise:

1) a insistência em usar termos técnicos que só quem trabalha na área conhece. Por que criar essa barreira com um possível cliente? Por que já não explicar logo ao que a gráfica está se referindo?

2) mas, muito pior, é a pura e simples ausência de resposta. Enquanto quatro empresas contatadas responderam, nem que fosse para dizer que não poderiam me atender, outras quatro ignoraram solenemente uma mensagem na qual eu solicitava um orçamento; ou seja, em última análise eu estava oferecendo dinheiro a estas empresas, em troca de um serviço que elas poderiam me prestar - caso, claro, ao menos respondessem a mensagem.

Atitudes como ignorar um contato do consumidor, não facilitar a comunicação com ele ou mesmo desqualificar seus parceiros evidentemente não são recomendáveis em qualquer conjuntura, mas em período de crise me parecem se assemelhar a um tiro no pé.



Fabio Gomes
Macapá, 7/12/2015

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