Gal Costa (1945-2022) | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

busca | avançada
111 mil/dia
2,5 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Ribeirão Preto recebe a 2ª edição do Festival Planeta Urbano
>>> Cia Truks comemora 35 anos com Serei Sereia?, peça inédita sobre inclusão e acessibilidade
>>> Lançamento do livro Escorreguei, mas não cai! Aprendi, traz 31 cases de comunicação intergeracional
>>> “A Descoberta de Orfeu” viabiliza roteiro para filme sobre Breno Mello
>>> Exposição Negra Arte Sacra celebra 75 Anos de resistência e cultura no Axé Ilê Obá
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A vida, a morte e a burocracia
>>> O nome da Roza
>>> Dinamite Pura, vinil de Bernardo Pellegrini
>>> Do lumpemproletariado ao jet set almofadinha...
>>> A Espada da Justiça, de Kleiton Ferreira
>>> Left Lovers, de Pedro Castilho: poesia-melancolia
>>> Por que não perguntei antes ao CatPt?
>>> Marcelo Mirisola e o açougue virtual do Tinder
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
Colunistas
Últimos Posts
>>> Martin Escobari no Market Makers (2025)
>>> Val (2021)
>>> O MCP da Anthropic
>>> Lygia Maria sobre a liberdade de expressão (2025)
>>> Brasil atualmente é espécie de experimento social
>>> Filha de Elon Musk vem a público (2025)
>>> Pedro Doria sobre a pena da cabelereira
>>> William Waack sobre o recuo do STF
>>> O concerto para dois pianos de Poulenc
>>> Professor HOC sobre o cessar-fogo (2025)
Últimos Posts
>>> O Drama
>>> Encontro em Ipanema (e outras histórias)
>>> Jurado número 2, quando a incerteza é a lei
>>> Nosferatu, a sombra que não esconde mais
>>> Teatro: Jacó Timbau no Redemunho da Terra
>>> Teatro: O Pequeno Senhor do Tempo, em Campinas
>>> PoloAC lança campanha da Visibilidade Trans
>>> O Poeta do Cordel: comédia chega a Campinas
>>> Estágios da Solidão estreia em Campinas
>>> Transforme histórias em experiências lucrativas
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Auto-ajuda empresarial: reunite crônica
>>> Quixotes de Bukowski
>>> Cultura do remix
>>> Um Ano Feliz (!)
>>> História do Ganesha
>>> Reinventando clássicos
>>> No reino de Kapilavastu
>>> Menos que um, novo romance de Patrícia Melo
>>> Dois dedos a menos
>>> Cinema futuro: projeções
Mais Recentes
>>> O Apanhador No Campo De Centeio (the Catcher In The Rye) de J. D. Salinger pela Editora Do Autor (2012)
>>> Revista Erótica Internacional nº16 a de Editora Omni pela Omni (1983)
>>> Revista Erótica Internacional nº9 de Editora Omni pela Omni (1983)
>>> Diagnóstico de Distúrbios de Aprendizagem de Bruce F. Pennington pela Pioneira (1997)
>>> Revista Erótica Internacional nº 12 A de Editora Omni pela Omni (1983)
>>> Mercado de Opções - Conceitos e Estratégias de Luiz Mauricio da Silva pela Halip (2008)
>>> Revista Erótican Internacional nº 1 de Editora Omni pela Omni (1982)
>>> Revista Erótica Big Man Internacional de Editora Omni pela Omni (1981)
>>> Gotas de Evangelho de Izabel Maria dos Santos pela Do Autor
>>> Como Dizer Tudo Em Francês (com Cd) de Ron Martinez, Janice Sfreddo pela Campus (2007)
>>> Revista Erótica Internacional nº 17-A de Editora Omni pela Omni (1981)
>>> Cadernos Do Mathema - Jogos De Matemática De 1º A 5º Ano de Katia Stocco Smole e outras pela Artmed (2007)
>>> Evangelização Metropolitana de Carlos E. Aeschlimamm pela Seminário AdventistaLivro (1982)
>>> Expiracao de Ted Chiang pela Intrínseca (2021)
>>> 38 Estrategias Para Vencer Qualquer Debate de Arthur Schopenhauer pela Faro Editorial (2014)
>>> The Witcher - a saga do bruxo Geralt de Rivia - o Sangue dos Elfos - 3 de Andrzej Sapkowski pela Wmf Martins Fontes (2019)
>>> Dom Casmurro de Machado de Assis pela Paulus (2002)
>>> George's Marvellous Medicine de Roald Dahl pela Puffin (2016)
>>> Nova Minigramática Da Língua Portuguesa (3º edição - 7º reimpressão) de Domingos Paschoal Cegalla pela Companhia Editora Nacional (2015)
>>> Histórias À Brasileira: A Moura Torta E Outras 1 de Ana Maria Machado pela Companhia Das Letrinhas (2015)
>>> Psb - O Socialismo Pragmático de Luiz Dário da Silva pela Ecco (1992)
>>> De Carta Em Carta de Ana Maria Machado pela Salamandra (2015)
>>> Mending Broken People: The Vision, The Lives, The Blessings: The Miracle Stories de Kay Kuzma pela Pacific Press Publishing Association (2005)
>>> Uma Igreja De Alto Impacto de Linus Morris pela Mundo Cristao (2003)
>>> Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antônio de Aleira pela Ciranda Cultural (2010)
COLUNAS

Sexta-feira, 11/11/2022
Gal Costa (1945-2022)
Julio Daio Borges
+ de 3800 Acessos

“Gal”, a palavra, para quem não sabe, é um equivalente sonoro de “girl”, em inglês. “Gal” Costa, a garota Costa - ainda que seu nome fosse Maria das Graças e o “Gal”, como apelido, viesse a calhar.

Mesmo associada ao Tropicalismo, Gal Costa, quando apareceu, era chamada de “João Gilberto de Saias” - pelo modo de cantar, “para dentro”, supostamente inventado pelo pai da bossa-nova.

Reza a lenda que, quando a conheceu, João Gilberto pediu que Gal o acompanhasse em um série de canções, que entoava com seu violão. Sem falar nada, emendava uma canção na outra, e apenas observava a novata. Depois de um tempo, deu o veredito: “Você é a maior cantora do Brasil”.

A maior cantora brasileira de todos tempos? Teríamos de passar por cima, no mínimo, de Carmen Miranda, que Caetano Veloso considerava tão famosa quanto... Mickey Mouse (sim, numa de suas comparações esdrúxulas).

A maior cantora brasileira de seu tempo? Nesse caso, teríamos de passar por cima de Elis Regina, que, com certeza, disputava o trono - e, antes de morrer, assumira uma espécie de “inveja branca” por Gal ter gravado “Meu bem, meu mal”, do mesmo Caetano, antes dela (Elis).

E Maria Bethânia? Eram duas grandes cantoras baianas praticamente na mesma turma - é difícil escolher uma. Mais engajada, digamos assim, Bethânia resolveu se lançar substituindo Nara Leão no histórico show “Opinião” (1965). Gal era menos politizada, desde o princípio.

Mas não ficou atrás. Sua estreia - com o onipresente irmão de Bethânia - no álbum “Domingo” (1967) é um dos grandes momentos dos dois. Quando Caetano, pré-tropicalista, soava bossa-novista - e Gal, portanto, estava em seu elemento.

“Coração vagabundo”, inclusive, foi gravada pelo próprio João Gilberto, nos anos 90. “Avarandado”, também. “Candeias” é um dos grandes momentos do compositor Edu Lobo, na voz de Gal. Para meu gosto, “Domingo” disputa, cabeça a cabeça, com o “Caetano Veloso” (1967), a estreia solo do baiano.

Assim como Milton Nascimento, Maria Bethânia é acusada de fazer só o que quer - e tem de ser do seu jeito. Quem acusa não sou eu - é o irmã dela... Logo, Gal Costa, apesar da forte personalidade, deve ter parecido menos indócil e mais receptiva a seus apelos do que a própria irmã.

Este texto é mais uma prova de que é muito difícil separar Gal Costa de Caetano Veloso. Praticamente impossível. Talvez ela seja a maior intérprete dele - e “Minha d’água do meu canto” (1995), virtualmente um songbook de Caetano, quase trinta anos depois, é mais uma constatação.

É verdade que o disco alterna canções de Chico Buarque, o grande rival de Caetano, em matéria de composição. De quem, aliás, Bethânia acabou se aproximando - mais notoriamente em álbuns como o “Chico & Bethânia” (1975).

Em meio a tudo isso, a meu ver, os “Doces Bárbaros” (1976). Incluindo uma peça que faltava nesse quebra-cabeça: Gilberto Gil. Como disse Jorge Drexler, um uruguaio falando com propriedade, eram muitos talentos, ao mesmo tempo - e no mesmo país.

Para quem duvida, basta ler “A era dos festivais” (2003), de Zuza Homem de Mello - e constatar que os compositores e intérpretes surgidos nos festivais da canção dos anos 60 e 70 eram páreo para a época de ouro do samba, os anos 30 e 40, para a própria bossa-nova e o samba-canção, nos anos 40 e 50, respectivamente.

Em meados dos anos 80, Gal Costa foi acusada de soar excessivamente pop, como quando, por exemplo, gravou “Um dia de Domingo”, com Tim Maia, sucesso de Sullivan & Massadas. Considero, porém, que voltou à boa forma, nos anos 90 - apesar de ter se perdido ao flertar com a música eletrônica, nos últimos anos.

O grande desafio, para cantoras depois dela, foi, além do desafio vocal, conseguir soar tão pertinentes quanto Gal Costa, que nasceu filha dileta da bossa-nova, e de João Gilberto, participou do Tropicalismo, ainda que fosse uma diluição de Oswald de Andrade, se associando com um dos maiores compositores de sua geração, o inescapável Caetano, conquistando igualmente o respeito de mestres como Tom Jobim e Dorival Caymmi, sem ficar atrás de grandes intérpretes como as mencionadas Bethânia e Elis.

Marisa Monte, para ficar no maior exemplo da geração seguinte, não teve a mesma sorte. Ainda que premiada com a voz, não estava entre movimentos com o Tropicalismo e a bossa-nova (os Tribalistas não são um movimento, são?). E, sem contar com um Caetano para chamar de seu, nem com um Chico para flertar de vez em quando (Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown nem se comparam), Marisa Monte já estava muito distante, cronologicamente, para conquistar o respeito de Caymmi e Jobim (no máximo, de um Nelson Motta e/ou de um Paulinho da Portela).

Enfim, tive a sorte de viver no tempo de Gal Costa e tive o privilégio de assiti-la, no auge, na turnê de “O sorriso do Gato de Alice” (1994). No palco, ainda com afinação perfeita, ela se revelou graciosa e, ao mesmo tempo, deslumbrante. “Brazilian flower from Bahia”, na definição de Tom Jobim.

Dez anos mais tarde, pude assistir ao filme dos “Doces Bárbaros”, um registro imperdível de 1976 - e Gal estava lá, conosco, ao final da projeção, para nos saudar.

Para completar, estive na pousada que foi sua casa, na Bahia, e comprovei seu bom gosto - para além das canções...

Até vi Bethânia, que merece todo o nosso respeito e toda a nossa consideração, mas ouvi muito mais Gal Costa, que me cansava menos, porque fazia menor uso da dramaticidade (o que não deve ser tomado como um juízo estético - apenas pessoal mesmo...).

Infelizmente, não vi Elis Regina ao vivo, que, em disco, considero a maior de todas.

Sendo assim - pelo que vi e ouvi -, João tinha razão: pelo conjunto da obra, Gal Costa foi a nossa maior cantora.

Para ir além
Eclipse oculto e Alto astral, altas transas, lindas canções


Julio Daio Borges
São Paulo, 11/11/2022

Mais Julio Daio Borges
Mais Acessadas de Julio Daio Borges em 2022
01. Jô Soares (1938-2022) - 12/8/2022
02. 80 anos do Paul McCartney - 18/6/2022
03. As maravilhas do modo avião - 27/5/2022
04. Maradona, a série - 1/1/2022
05. A compra do Twitter por Elon Musk - 26/4/2022


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Festas - o Folclore do Mestre André
Marcelo Xavier
Formato
(2000)



Tre Fedi: Un Unico Dio
Roberta Grillo
Fondazione Achille E Giulia Boroli
(2004)



Prazer em conhecer: As entrevistas de pesquisa FAPESP
Marluce Moura
Fapesp
(2004)



Aquele Estranho Colega, o Meu Pai
Moacyr Scliar
Atual
(2002)



Primeiros Socorros para Fadas e Outras Criaturas Fabulosas
Lari Don
Rai
(2011)



Problemas e Soluçoes -geometria Analítica, Vetores e Transformações
Elon Lages Lima
Impa; Vitae
(1992)



Revista Quatro Rodas Ano 29 nº8
Editora Abril
Abril
(1988)



O Jogo Perfeito
Sterling
Faro Editorial
(2014)



Aos Que Amam
Nelli Célia
Mythos Books
(2015)



Introdução à Sociologia Volume único
Pérsio Santos de Oliveira
Ática
(2006)





busca | avançada
111 mil/dia
2,5 milhões/mês