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Terça-feira, 14/8/2007 10º Búzios Jazz e Blues Marília Almeida Volta às raízes. É assim que podemos resumir o festival, que aconteceu no final de julho e que começou há dez anos, no segundo destino mais visitado do Rio de Janeiro. Mas a merecida comemoração não foi tão abrangente se comparada às edições anteriores. Houve problemas que impediram uma devida homenagem à sua primeira década. Afinal, o 10º Búzios Jazz e Blues pode ser considerado um dos mais antigos do Estado, mas, quando comparado ao Rio das Ostras Jazz e Blues, atualmente em sua 5º edição, foi ultrapassado em tamanho e qualidade. Mas seu conceito difere muito do festival da cidade vizinha. Parece mais querer valorizar e manter o ambiente sofisticado do município e sua estrutura do que ampliá-la. E nem poderia: Búzios já está consolidada, enquanto Rio das Ostras clama por mais turistas. O show de João Donato, na penúltima noite do festival, resume bem essa proposta: foi o suficiente para lotar o Pátio Havana. Ele começou com músicas instrumentais, para depois tocar clássicos da MPB com sua voz suave. Ajudado por um contrabaixo gingado, o pianista tocou e cantou "Bananeira" e a platéia fez coro. Depois, veio "Suco de Maracujá". No sábado ainda teve o show da Big Time Orchestra e da baterista Cindy Blackman. No balanço, houve uma boa dosagem de ritmos, mesmo com um menor número de shows, se comparado às edições anteriores; tradicionalismo, que não poderia faltar em um fim de ciclo, com duas atrações, Celso Blues Boy e Blues Etílicos, que tocaram na primeira edição do festival, além de Leo Gandelman, presença assídua no evento; Phil Guy, irmão mais novo de Buddy Guy, preencheu seu grande nome e não decepcionou no palco; e o festival ainda trouxe inovações, com Taryn Szpilman e Cindy. Não poderia ser diferente em um evento que já trouxe nomes como o guitarrista Stanley Jordan e o argentino Fito Páez. Mas o problema maior foi o menor número de locais para as apresentações: os três shows por noite se transformaram em dois, pois nesse ano a prefeitura proibiu que o festival utilizasse a praça da cidade, que comporta cerca de três mil pessoas. Isso, além de restringir o número de shows, fez com que a platéia se concentrasse em apenas dois lugares e somente a Créperie não é fechada. Resultado: o público maior se concentrou no estabelecimento, que mostrou não ter estrutura para comportá-lo. O que de certa forma até ajudou o andamento do festival foi que, apesar do frio, não choveu (apenas garoou), o que evitou uma aglomeração maior, e a data do evento, que começou na quarta-feira (25) da última semana das férias de julho fez com que muitas pessoas apenas conseguissem passar o fim de semana na cidade. Mas há um aspecto que limita a estrutura do evento: o apoio do festival. Ele é praticamente executado e organizado apenas pelo grupo Chez Michou, composto por diversos sócios, alguns estrangeiros, que são donos dos dois estabelecimentos que comportam os shows, o Pátio Havana e a Chez Michou Créperie, além do restaurante argentino Don Juan, localizado na mesma rua. Antes patrocinado pela Visa, hoje o festival leva o nome da empresa de telefonia TIM e tem apenas o apoio cultural do governo do Rio de Janeiro, enquanto que o festival de Rio das Ostras é sustentado pela prefeitura da cidade, que ainda é impulsionada pelos dólares provenientes do petróleo da região, que não atinge Búzios. Em 2008, o público espera um festival que repense sua estrutura e data, para manter sua qualidade e conseguir fechar mais um ciclo com louvor. Uma pena que, justamente em uma grande comemoração, ele parece ter se reduzido. Marília Almeida |
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