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Segunda-feira, 28/4/2008 A beleza nervosa da avenida Paulista Rodrigo Herrero Gente, muita gente. Essa é a visão que fica quando caminhamos pela avenida Paulista, o centro financeiro (e nervoso) de São Paulo. Principalmente quando se passa em suas calçadas por volta das seis da tarde, horário em que todos os trabalhadores se esvaem como água da chuva para os coletivos, ônibus fretados e metrô. De forma apressada, dos engravatados aos de roupa comum, andam com pressa. O olhar no relógio, seja o de pulso ou dos que estão espalhados pela avenida, confere a tensão desejosa de chegar em um instante em casa. Caminhar pela Paulista de dia é interessante, pois, com mais calma, é possível perceber o céu azul escondido pelos arranha-céus, o andar mais tranqüilo de um horário como dez da manhã, por exemplo. O número de carros nas pistas é menor, a corrida desenfreada dá lugar a um meio-termo um tanto esquisito para a capital do estado. Mas é só passar por esses mesmos lugares às oito da manhã ou no fim do dia para perceber que o cenário provocou uma metamorfose absurda: buzinas, faróis altos, corre-corre, engarrafamento, gente demais para poucas calçadas. Mas voltando à Paulista e a o que esses ônibus causam, o fluxo de veículos na avenida aumenta estrondosamente. E é engraçado ver as pessoas correndo, o motorista buzinando para a mulher que sai esbaforida do prédio, para o homem que está no bar olhando as moças bonitas que passam. Ao mesmo tempo, na estação Brigadeiro do metrô, próximo do início da avenida, a multidão convive entre desvios, "licença", e empurrões, com o vendedor de milho, o garoto que entrega folheto, o outro que vende bolsas, os homens que tomam no bar uma cerveja para esquecer o dia difícil de trabalho. Sem falar nas obras que a prefeitura tem feito para melhorar o acesso, mas que tem dificultado aos montes quem passa todos os dias pelo local. Verdadeiras barricadas foram colocadas, com grades de madeira, fazendo trilhas indicativas de onde se pode andar. É preciso atenção para não trombar com os outros e paciência para andar numa quase fila indiana, um atrás do outro pelo espaço aberto entre tais barreiras. Mais pra frente, na região da estação Trianon-Masp, o clima é mais executivo. Até as pessoas aparentam estar mais arrumadas. Há menos ambulantes, porém, mais mendigos, com espaço para pedir uma esmola a quem possa dar. Até os edifícios ganham outra conotação, a maioria dos bancos grandes (não só agências) fica nesse pedaço da avenida. Já na região da estação Consolação o tumulto retorna, com pontos de ônibus apinhados e calçadas lotadas. Mesmo assim é possível pintar cenários de beleza. Claro, entendendo o contexto de uma metrópole desorganizada e chamativa, justamente por seu jeito maluco de existir. Nota do Editor Leia também o "Especial SP 450". Rodrigo Herrero |
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